nutrição apícola aplicada — sessão 1

A sessão Nutrição Apícola Aplicada — sessão 1 propõe uma abordagem clara, crítica e aplicada à alimentação das abelhas, pensada para apicultores que querem compreender verdadeiramente o que estão a fazer quando suplementam as suas colónias — e porquê. Mais do que repetir recomendações descontextualizadas e opacas, esta sessão convida o formando a olhar para a nutrição apícola com base em fisiologia, ecologia alimentar e evidência científica.

Ao longo da sessão, o formando irá perceber os limites reais da suplementação e os erros mais comuns que comprometem a sua eficácia.

Será introduzida a lógica da geometria nutricional, aplicada à apicultura, ajudando o formando a pensar a alimentação não como receitas fixas, mas como equilíbrios dinâmicos adaptáveis ao estado da colónia, à época do ano e aos objetivos pretendidos.

Será também aprofundada a escolha de ingredientes, em particular dos lípidos. O formando aprenderá a distinguir óleos potencialmente úteis de outros que podem interferir negativamente com a palatabilidade, digestibilidade ou metabolismo das abelhas, desmontando ideias feitas que circulam frequentemente na apicultura.

A questão da água é abordada de forma crítica, desmontando ideias feitas, muito difundidas.

Nesta sessão serão apresentadas e disponibilizadas as primeiras calculadoras nutricionais, desenvolvidas para apoiar decisões práticas no terreno e reduzir a dependência de receitas genéricas. Estas ferramentas permitem ajustar quantidades, proporções e objetivos de suplementação de forma objetiva, sendo acompanhadas por documentação de apoio que contextualiza os pressupostos utilizados, os limites de aplicação e a correta interpretação dos resultados. O objetivo é autonomizar decisões e qualificar o raciocínio do formando, fornecendo instrumentos que aumentam a autonomia e a consistência das opções nutricionais ao longo do ano apícola.

No final da sessão, o apicultor sai com mais do que listas de ingredientes ou percentagens. Sai com critérios de decisão, compreensão dos mecanismos biológicos envolvidos e a capacidade de adaptar estratégias nutricionais ao seu contexto específico e com recurso a ferramentas que são exclusivas do curso.

Esta sessão é, assim, o primeiro passo para uma nutrição apícola mais consciente, económica e eficaz — baseada em conhecimento sólido e não em modas, receitas universais ou soluções mal avaliadas.

Para mais informações enviar e-mail para jejgomes@gmail.com

porque usar açúcar branco na alimentação das abelhas

A alimentação suplementar com xarope de açúcar faz parte da prática apícola de muitos de nós. Seja para apoiar colónias em períodos de escassez, estimular a postura ou ajudar na formação de reservas, o xarope é uma ferramenta útil. No entanto, ao longo dos anos, uma coisa ficou clara para mim: nem todos os açúcares são iguais do ponto de vista das abelhas.

O açúcar branco refinado é, basicamente, sacarose quase pura. Isto significa que fornece energia de forma simples, direta e previsível. É um alimento que as abelhas conseguem digerir sem esforço adicional e sem deixar resíduos problemáticos no intestino.

Um dos conceitos-chave nesta discussão é o teor de “cinzas”. Em nutrição e análise alimentar, “cinzas” não significam resíduos de combustão no sentido vulgar, mas sim o resíduo mineral que permanece após a queima completa de um alimento. Esse resíduo é composto essencialmente por minerais como potássio, cálcio, magnésio, sódio e ferro. Quanto mais escuro e menos refinado é um açúcar, maior é o seu teor de cinzas.

O açúcar branco refinado é praticamente sacarose pura e apresenta um teor de cinzas muito baixo, da ordem de 0,01%. Em contraste, o açúcar amarelo e o açúcar mascavado contêm melaço residual, o que eleva significativamente o teor mineral. No melaço, esse valor pode atingir 5 a 10%, uma diferença de várias ordens de grandeza. Para as abelhas, esta diferença não é irrelevante — é fisiologicamente determinante.

As abelhas não estão adaptadas a lidar com dietas ricas em minerais dissolvidos. Ao contrário dos mamíferos, as abelhas não urinam; os resíduos metabólicos acumulam-se no intestino e só são eliminados durante voos de limpeza. Durante o inverno ou períodos de mau tempo prolongado, esse mecanismo fica limitado, aumentando drasticamente o risco de disenteria quando a dieta contém excesso de cinzas.

Um argumento frequentemente usado para defender o açúcar amarelo é o de que “contém mais minerais e por isso é mais nutritivo”. Este raciocínio é incorrecto no caso das abelhas. Os minerais essenciais são obtidos a partir do pólen, não do néctar nem do xarope. Introduzir minerais através do açúcar não só é desnecessário como potencialmente prejudicial, por alterar a osmolaridade e o equilíbrio intestinal.

Para além disso, açúcares escuros apresentam maior risco tecnológico. Quando aquecidos para preparar xarope, formam HMF mais rapidamente do que o açúcar branco, devido à presença de frutose e impurezas. O HMF é um composto tóxico para as abelhas em concentrações elevadas, acrescentando mais um motivo para evitar açúcares não refinados.

Dito isto, importa deixar uma coisa bem clara. Isto não significa que seja errado usar aditivos nutricionais no xarope. Há uma grande diferença entre resíduos indesejáveis vindos de açúcares impuros e produtos especificamente formulados para abelhas. Aditivos proteicos e vitamínicos, quando usados nas doses recomendadas, podem ser uma ajuda válida em situações de escassez de pólen, stress nutricional ou recuperação de colónias.

A chave está no controlo e no objetivo. Um aditivo bem formulado não tem nada a ver com o melaço presente no açúcar mascavado. São coisas completamente diferentes do ponto de vista biológico. O erro é misturar conceitos e achar que tudo o que não é açúcar branco é automaticamente “mais natural” e, por isso, melhor.

aos ombros de gigantes, ou revendo De Groot

Sempre que me é possível e tenho a fortuna de os encontrar, a minha opção é estar acompanhado e aos ombros dos gigantes, os melhores entre os melhores, no que respeita à minha auto-aprendizagem.

Sobre as necessidades de Aminoácidos Essenciais (AAE) e suas proporções relativas o clássico dos clássicos foi apresentado por A. De Groot há cerca de 70 anos, numa obra de investigação memorável, ainda pouco conhecida.

Sobre a revisita e proposta de actualização de alguns pressupostos e conclusões ali apresentadas por De Groot, escreveu Randy Oliver numa publicação de 2021 do American Bee Journal, artigo também ele memorável, e ainda menos conhecido do que a obra que o inspirou.

Com base nos ensaios comparativos de substitutos de pólen, R. Oliver mostra que as dietas com melhor desempenho apresentam perfis de AAE muito próximos das proporções revistas que propõe, reforçando a relevância prática do ajuste do aminograma, mais do que do simples teor total de proteína. Estou confiante que os impactos do artigo do Randy Oliver venham a alargar-se, à imagem das ondulações provocadas por uma pedra atirada num lago de águas paradas. Eu dou o meu singelo contributo para que assim aconteça.

A aprendizagem/ensino sobre a aplicação prática destas análises de R. Oliver na elaboração de pastas/tortas proteicas caseiras afinadas ao (amino)grama c0m a ajuda fundamental de calculadoras intuitivas (exclusivas do curso e únicas no mundo) que tornam simples o complexo, será feita na 3ª edição do curso Nutrição Suplementar de Abelhas / Nutrição Apícola Aplicada, que se realizará via Zoom nos dias 16, 23 e 31 de janeiro, com início às 20h30.

Mais informações devem ser solicitadas para o e-mail: jejgomes@gmail.com

as abelhas preferem verdadeiramente água “suja”?

Publicado há pouco mais de um mês “Study of honey bee (Apis mellifera) water preferences: do bees really like dirty water?” os resultados colocam em causa algumas crenças apícolas muito enraizadas de que as abelhas preferem consumir água “suja”, muito mineralizada.

Faço um resumo deste interessante artigo.

A água é um recurso essencial para as colónias de abelhas, desempenhando funções críticas na termorregulação da colmeia, na diluição do alimento larvar e na manutenção do equilíbrio fisiológico dos indivíduos. Apesar disso, a escolha das fontes de água pelas abelhas tem sido pouco estudada, sendo frequentemente observadas a recolher água em poças, charcos ou locais aparentemente “sujos”, o que levanta questões sobre os critérios que orientam esse comportamento.

O estudo “Study of honey bee (Apis mellifera) water preferences: do bees really like dirty water?” procurou compreender se as abelhas preferem de facto águas contaminadas ou se essa preferência resulta de factores específicos como a composição química, a mineralização ou a presença de determinados compostos dissolvidos.

Para responder a esta questão, os investigadores realizaram ensaios controlados em condições de semi-campo e de campo, disponibilizando simultaneamente às abelhas diferentes tipos de água: água destilada, água da chuva, água de piscina, água de charco natural, poças de explorações pecuárias e águas com diferentes níveis de diluição de chorume bovino.

Os resultados mostraram de forma clara que as abelhas não preferem águas altamente contaminadas ou muito mineralizadas. Pelo contrário, a água destilada e a água da chuva foram consistentemente as mais visitadas, revelando uma forte preferência por fontes de água quimicamente simples e com baixa carga mineral.

As águas provenientes de poças de bovinos e cavalos, ricas em sais, matéria orgânica e compostos nitrogenados, foram praticamente evitadas pelas abelhas. Mesmo em condições de temperaturas elevadas, que aumentam a necessidade de água da colónia, estas fontes continuaram a ser rejeitadas.

Um resultado particularmente interessante foi a elevada atratividade de águas com chorume extremamente diluído (0,1%). Esta observação sugere que não é a “sujidade” em si que atrai as abelhas, mas sim a presença de determinados compostos em concentrações muito baixas, possivelmente relacionados com micronutrientes ou sinais químicos específicos.

O estudo demonstrou também que a temperatura ambiente influencia o número total de visitas às fontes de água, mas não altera a hierarquia de preferências. Em dias mais quentes, as abelhas recolhem mais água, mas continuam a escolher preferencialmente as mesmas fontes de melhor qualidade.

A análise química das águas revelou que fontes muito mineralizadas, especialmente ricas em potássio, cálcio, cloretos e azoto, tendem a ser evitadas. Estes resultados reforçam a ideia de que as abelhas possuem mecanismos sensoriais finos que lhes permitem avaliar a composição da água, evitando concentrações potencialmente prejudiciais.

Este comportamento desafia a ideia simplista de que as abelhas “gostam de água suja”. Na realidade, o estudo mostra que as abelhas fazem escolhas altamente seletivas, procurando água que satisfaça necessidades fisiológicas específicas sem expor a colónia a riscos químicos ou biológicos.

Do ponto de vista da apicultura, os resultados têm implicações práticas importantes. Fornecer água limpa, estável e acessível no apiário pode reduzir a procura de fontes externas potencialmente perigosas, como águas contaminadas por pesticidas ou efluentes agrícolas.

O estudo também sugere que a composição da dieta, nomeadamente o pólen disponível, pode influenciar as preferências das abelhas por determinados tipos de água. Quando as necessidades minerais são satisfeitas pela alimentação, a procura de água mineralizada diminui.

Em síntese, este trabalho mostra que a recolha de água pelas abelhas é um comportamento complexo, adaptativo e finamente regulado, integrando necessidades nutricionais, sensoriais e ambientais. A água não é apenas um recurso funcional, mas uma peça integrada na ecologia nutricional da colónia.

Compreender estas preferências ajuda-nos a olhar para as abelhas com maior rigor científico e reforça a importância de práticas apícolas que respeitem não apenas a alimentação, mas também a gestão adequada da água como elemento essencial da saúde e resiliência das colónias.

A 3.ª edição do curso Nutrição Suplementar de Abelhas / Nutrição Apícola Aplicada, a realizar via Zoom nos dias 16, 23 e 31 de janeiro, com início às 20h30, irá aprofundar esta e outras questões frequentemente envoltas em mitos e simplificações excessivas na apicultura. Ao longo do curso serão analisados, de forma crítica e fundamentada, vários pressupostos comuns sobre alimentação, suplementação e necessidades nutricionais das abelhas, à luz da literatura científica mais recente e da experiência prática.

Para além do enquadramento teórico, o curso irá apresentar dados testados, ferramentas de cálculo, exemplos práticos e propostas economicamente vantajosas, pensadas para a realidade dos apiários. O objetivo é autonomizar e qualificar os apicultores, permitindo-lhes tomar decisões mais informadas, apoiar melhor as colónias ao longo do ano e, de forma consistente, aumentar o seu potencial produtivo e a resiliência das colmeias, sem recorrer a soluções simplistas ou descontextualizadas.

Enviar pedido de mais informações/interesse por via de mensagem através do blog ou para o e-mail jejgomes@gmail.com

dietas comerciais vs. dietas caseiras

Sobre os impactos de dietas comerciais (formuladas a partir de farinhas fabricadas industrialmente e comercializadas com marcas específicas) e os impactos de algumas dietas caseiras devidamente equilibradas [que podem ser formuladas em casa pelos apicultores e de forma mais económicas ) deixo os resultados de um artigo científico, revisto por pares, recentemente publicado em revista da especialidade.

As conclusões:

A comparação entre dietas comerciais e dietas caseiras revela diferenças profundas na eficácia, consistência e impacto nos parâmetros de saúde das abelhas. Abaixo apresento uma síntese analítica dos pontos-chave.

Impacto global na saúde das colónias

Dietas comerciais

  • Resultados maioritariamente neutros ou mistos, com vários efeitos negativos.
    Exemplos:
  • Farinha A: 6 resultados negativos, 11 neutros e apenas 1 positivo (Tabela Comercial – p. 23)
  • Farinha B (comercializada em Portugal): 3 positivos, 3 negativos, 6 neutros (p. 25)
    • Farinha C: mais negativos que positivos (p. 24)
  • Em muitos casos, não há impacto na produção de criação, população adulta ou armazenamento de pólen.
  • Algumas dietas aumentam patógenos:
    • Nosema aumenta em Farinha A, Farinha B e Farinha C (p. 13)
  • Podem até reduzir a longevidade das abelhas (várias farinhas comerciais; p. 11 e p. 24)

Síntese:

As dietas comerciais mostram eficácia limitada, e em vários casos produzem efeitos adversos.

Dietas caseiras

  • Resultados consistentemente positivos, especialmente quando baseadas em: farinhas… (a revelar aos inscritos no curso)
  • Exemplos de dietas com resultados positivos (a revelar aos inscritos no curso)
  • Sem efeitos negativos detectados nas dietas caseiras mais eficazes.

Síntese:

As dietas caseiras são muito mais eficazes, apresentando aumentos claros e consistentes em vários parâmetros: população, criação, produção de mel, longevidade e fisiologia interna.

As dietas caseiras permitem afinar a composição

Com base no conjunto dos dados do artigo a conclusão é cristalina:

  • As dietas caseiras são nutricionalmente superiores
  • As dietas comerciais têm desempenho inconsistente e frequentemente inferior
  • Alguns substitutos comerciais podem prejudicar a saúde das abelhas
  • Dietas caseiras cuidadosamente formuladas promovem melhor saúde, produtividade e longevidade

Identificarei as dietas comerciais/farinhas comerciais (algumas comercializadas em Portugal) e as dietas caseiras e sua formulação, assim como o artigo científico, nas edições do Curso Nutrição suplementar de abelhas.

Actualmente tenho abertas as inscrições para a edição que irá decorrer nos dias 15, 22 e 29 de dezembro. Se desejar solicitar mais detalhes e informação envie e-mail para jejgomes@gmail.com

  • As dietas caseiras são nutricionalmente superiores
  • As dietas comerciais têm desempenho inconsistente e frequentemente inferior
  • Alguns substitutos comerciais podem prejudicar a saúde das abelhas
  • Dietas caseiras cuidadosamente formuladas promovem melhor saúde, produtividade e longevidade

“as tuas sessões e explicações ajudaram-me imenso a dar o passo em frente na aplicação do PI”: o testemunho de um apicultor acerca da sua experiência com o Protocolo Inovador

Bem haja ao apicultor que me enviou este testemuho muito detalhado e analítico sobre a sua experiência recente com a aplicação do Protocolo Inovador (PI).

A este propósito e porque continuo a receber inúmeros pedidos de informação acerca deste PI, vou abrir novas datas para o percurso formativo “Controlo efectivo da Varroose ao longo do ano” onde ensinarei a utilizar este protocolo, assim como a utilizar devidamente o ácido fórmico, o ácido oxálico e o timol, numa luta integrada e com a necessária rotação dos princípios activos. As datas do novo curso Zoom são: 14, 21 e 28 de novembro, com as sessões a iniciarem às 21h00. Enviem pedido de mais informação através da caixa de comentários deste blog ou para o e-mail: jejgomes@gmail.com

Boa tarde Eduardo,

Com muita pena minha, não pude estar presente na sessão online de sábado. Vais realizar mais alguma?

Uma vez que procuro manter-me informado sobre o mundo da apicultura, recorrendo a fontes o mais científicas possível , já tinha conhecimento do Protocolo Inovador (PI).
No entanto, as tuas sessões e explicações ajudaram-me imenso a dar o passo em frente na aplicação do PI.

Quero dar-te algum feedback sobre o meu percurso e também sobre o tratamento. Vou tentar ser o mais breve possível.

Desde que tenho abelhas (há cerca de cinco anos), tenho tido sempre problemas com a varroa, sobretudo no verão(achava eu) — altura em que via as colmeias a enfraquecer.
Nos últimos dois anos comecei a estar mais atento ao longo do ano, testando regularmente os níveis com o copo de álcool(Seguidor do Randy Oliver), e verificava que os índices de varroa se mantinham sempre elevados: acima dos 4% em média, com algumas colmeias a atingirem 20% ou mesmo 30%.

Apesar de aplicar tratamentos sucessivos com amitraz (Ação rápida) e ácido oxálico, foi muito difícil baixar esses valores, além do custo associado. Graças a tua formação em Coimbra com o Marcelo e o Nuno , cheguei a enviar amostras de varroa para o IPB, onde foi detetada a presença de varroas com resistência ao amitraz.

Este ano, após a floração do eucalipto(pouca pelos incêndios), levei as colmeias para a serra. Quando as voltei a descer, encontrei taxas de infestação entre 0% e 20%. As colmeias fixas apresentavam geralmente 0% devido ao tratamento nas alturas correctas, enquanto as transumadas mostravam valores mais elevados.

Tratei todas da mesma forma, embora, por questões de disponibilidade, não tenha conseguido respeitar totalmente os intervalos, como poderás verificar abaixo:
Dia 09/Ago: Contagem + Protocolo Inovador (PI) + Tiras de Amicel
Dia 23/Ago: Contagem 
Dia 28/Ago:  Protocolo Inovador (PI) + Oxálico Sublimado
Dia 13/Set: Contagem

No entanto, posso concluir que o tratamento foi eficaz. No caso de uma colmeia com 65 varroas, o número desceu para 6 e depois para zero nas contagens seguintes. As restantes estão  a zero ou muito perto.

Quanto à eficiência, reconheço que não foi a ideal devido à carga de trabalho, mas, se fizermos as contas ao custo real, pode não ser assim tão diferente de um tratamento convencional. Deixo abaixo os custos de “mercearia” :

Total de colmeias: 60
Média de quadros com criação: 2 (devido aos incêndios,  ao clima e a realização 2 desdobramentos com a ideia de aumentar efetivo, as colmeias apresentavam menos criação)
Tempo total de tratamento: cerca de 3,5 horas
Mão de obra (2 pessoas): 7,5 €/h × 2
Tratamento aplicado: 3 € (pode ser mais barato comprando em maiores quantidades)
Custo total: 55,5 €
Custo aproximado por colmeia: 0,93 €

Vou tentar ser mais eficiente nos tempos 😊

Em resumo, trata-se de um método eficaz e económico, que pode ajudar a reduzir a varroa a níveis controláveis, permitindo depois recorrer a outros tratamentos mais práticos ao longo do ano. O importante é testar.

Tenho procurado levar a apicultura de forma mais séria e controlada, e acredito que este tipo de abordagem é o caminho certo.

Deixo aqui um pequeno resumo do meu ponto de vista e aproveito para te agradecer pelo contributo que tens dado à apicultura, mesmo enfrentando alguma resistência de certos “experts” que temem a mudança.

Apesar de algumas resistências na comunidade apícola, pontuais e pouco consistentes no argumentário, vou continuar a trilhar o meu caminho! Cada vez acho mais necessária introduzir mudanças e adaptações nos velhos modos de fazer e pensar, para atingir uma apicultura sustentável, motivante e vencedora face aos desafios de hoje e àqueles que se avizinham vindos de leste europeu!

erradicação da V. velutina através da tecnologia de silenciamento de genes: os primeiros passos

A propósito da publicação anterior foi-me perguntado se a tecnologia de silenciamento de genes estava a ser investigada/aplicada com o objectivo de erradicar/controlar as populações de V. velutina. Os estudos não são muitos, ao que me parece e, entre outros, destaco este que está a ser desenvolvido na Universidade de Lausanne.

V.E.S.P.A. — Vespa velutina Eradication through gene Silencing and Precise AI-based recognition

Projeto do iGEM Lausanne 2024, conduzido por estudantes da Universidade de Lausanne (Suíça).


🎯 Objectivo principal

Desenvolver um sistema biotecnológico e inteligente para controlar a vespa asiática (Vespa velutina nigrithorax), espécie invasora que ameaça abelhas e ecossistemas europeus.

A abordagem combina:

  • Silenciamento de genes (RNAi / shRNA) — para enfraquecer ou eliminar as vespas;
  • Visão computacional (IA) — para garantir que apenas V. velutina é visada;
  • Entrega seletiva da substância — evitando impacto em espécies nativas.

⚙️ Conceito científico

1. Silenciamento genético (RNAi / shRNA)

  • O RNA de interferência (RNAi) é usado para “desligar” genes essenciais ao desenvolvimento ou sobrevivência da vespa.
  • O grupo da UNIL planeia sintetizar pequenas moléculas de RNA em forma de hairpin (shRNA) que, ao serem ingeridas, impedem a produção de proteínas vitais.
  • Entre os genes-alvo propostos estão:
    • V-ATPase — gene essencial ao metabolismo celular;
    • VgR (receptor de vitelogenina) — relacionado com a reprodução;
    • Chitin synthase (Chs1 / Chs2) — necessário à formação do exoesqueleto.
  • Estes genes foram escolhidos por apresentarem alta especificidade para V. velutina, minimizando riscos de afetar insetos nativos.

2. Vetor biológico (entrega da molécula)

  • O RNA de silenciamento seria produzido por bactérias modificadas (não patogénicas), que funcionariam como “transportadoras” vivas.
  • Estas bactérias seriam incorporadas num isco alimentar destinado às larvas da vespa (que são carnívoras e alimentadas pelos adultos).
  • Ao ingerir o isco, as larvas absorveriam o shRNA, levando ao silenciamento do gene e, em teoria, à morte ou infertilidade.

3. Sistema inteligente de identificação (VespAI)

  • O grupo desenvolveu o protótipo de um sistema de reconhecimento por IA, denominado VespAI, treinado para identificar Vespa velutina através de imagem (forma do corpo, coloração, tamanho).
  • Só quando o sistema reconhece a vespa-alvo é que liberta o isco com RNAi, garantindo seletividade e segurança ecológica.

Implementação e estado atual

  • O projeto está ainda em fase laboratorial e de simulação, não em campo.
  • Foram realizados:
    • Modelos in silico de estrutura genética e análise de alinhamento de sequências para garantir especificidade;
    • Simulações de eficácia do RNAi (com softwares de biologia molecular);
    • Protótipos iniciais de IA para reconhecimento visual da vespa asiática.
  • A fase experimental prática (testes em insetos vivos) ainda não decorreu, por questões éticas e de biossegurança.

⚠️ Considerações éticas e ambientais

  • A equipa reconhece que o uso de organismos geneticamente modificados e RNAi em ambiente aberto exige avaliação de biossegurança rigorosa.
  • Por isso, o projeto é conceptual e não visa libertação em campo nesta fase.
  • Propõem um futuro modelo de implementação controlada, com sistemas fechados de alimentação seletiva (ex.: caixas inteligentes em apiários).

🌍 Impacto potencial

Se for bem-sucedido, o método:

  • poderia reduzir drasticamente as populações de Vespa velutina sem afetar outras espécies;
  • representaria uma alternativa ecológica ao uso de inseticidas químicos;
  • e integraria tecnologia de biologia sintética + inteligência artificial, criando um modelo de controlo seletivo e automatizado de pragas invasoras.

🧠 Em suma

ElementoDescrição
InstituiçãoUniversidade de Lausanne (Suíça)
Ano / programaiGEM 2024
Nome do projetoV.E.S.P.A.
AbordagemRNAi / shRNA + visão por IA
AlvoVespa velutina nigrithorax
Estado atualLaboratorial (conceitual, sem testes em campo)
Potenciais benefíciosControlo seletivo, sem químicos, compatível com apicultura
Principais desafiosEntrega eficaz do RNA, biossegurança, regulamentação

uma nova esperança no controlo da varroose: Vadescana/Norroa

Nos últimos anos, o combate à Varroa destructor tornou-se um dos maiores desafios da apicultura moderna. Muitos tratamentos tradicionais perderam eficácia devido à resistência crescente dos ácaros, e a procura por alternativas mais seguras e sustentáveis é cada vez maior.

É neste contexto que surge o Vadescana, uma molécula inovadora de RNA de dupla cadeia (dsRNA) desenvolvida para atuar de forma altamente específica sobre a Varroa, interferindo na expressão de genes essenciais à sua reprodução e sobrevivência — sem prejudicar as abelhas nem outros organismos.


🔬 Como funciona

O Vadescana baseia-se no princípio da interferência por RNA (RNAi), uma tecnologia biológica de ponta que “silencia” genes-alvo.
Nos ácaros da Varroa, o Vadescana bloqueia a expressão do gene Calmodulina (CAM), fundamental para processos fisiológicos e reprodutivos.
Ao impedir a ação desse gene, os ácaros tornam-se estéreis ou incapazes de completar o seu ciclo de vida, levando à redução natural da população dentro da colmeia.

Ensaios laboratoriais mostraram que, após exposição ao Vadescana, a maioria dos ácaros não produziu descendência viável, enquanto as abelhas mantiveram elevadas taxas de sobrevivência, sem efeitos adversos detetados nas larvas ou pupas.


🌍 Um passo inovador na luta biotecnológica

O Vadescana é o primeiro produto aprovado que utiliza esta tecnologia de RNAi em apicultura.
Nos Estados Unidos, a EPA (Environmental Protection Agency) aprovou recentemente o seu uso sob o nome comercial Norroa, desenvolvido pela empresa GreenLight Biosciences.

Segundo os dados de campo, o tratamento com Vadescana/Norroa oferece controlo eficaz da varroa durante 16 a 18 semanas, sem deixar resíduos nocivos no mel, cera ou abelhas.
O produto degrada-se rapidamente no ambiente, representando baixo risco ecológico e uma ferramenta sustentável a longo prazo.


⚠️ Limitações e cuidados

Apesar do entusiasmo, o Vadescana não está isento de precauções:

  • Doses incorretas podem afetar negativamente as abelhas, pelo que o cumprimento rigoroso das instruções de uso é essencial.
  • A tecnologia RNAi, embora precisa, pode ocasionalmente interagir com genes semelhantes de outras espécies (efeito cruzado).
  • A eficácia depende da absorção adequada pelo ácaro e de fatores ambientais (temperatura, humidade e densidade populacional da colónia).
  • O custo e a disponibilidade comercial ainda estão a ser definidos em vários países europeus.

O que esperar no futuro

A introdução do Vadescana marca um novo capítulo na apicultura de precisão.
Trata-se de uma abordagem científica que alia biotecnologia e segurança ambiental — uma alternativa ao uso repetido de acaricidas químicos convencionais.

O objetivo é integrar o Vadescana em programas de maneio integrado da varroose (IPM), combinando monitorização regular, tratamentos biológicos e estratégias preventivas.


📌 Em resumo

AspectoDetalhe
NomeVadescana (molécula de dsRNA)
FabricanteGreenLight Biosciences
Nome comercialNorroa
MecanismoSilenciamento do gene CAM da Varroa
Duração do efeito16–18 semanas
Impacto ambientalDegrada-se rapidamente, baixo risco ecológico
Situação regulatóriaAprovado pela EPA nos EUA (em análise na UE)

🧑‍🔬 Conclusão:
O Vadescana representa uma das inovações mais promissoras dos últimos anos no controlo da varroose. Embora ainda não disponível em todos os mercados, esta tecnologia de RNAi pode redefinir a forma como os apicultores combatem este parasita, garantindo colónias mais saudáveis e sustentáveis no futuro.

4 de outubro, dia de portas abertas na JGS Beekeeping

No próximo dia 4 de outubro, a JGS Beekeeping abre as portas para um dia dedicado à partilha de conhecimento, experiências e boas práticas em apicultura.

📢 Oradores convidados:

  • Eduardo Gomes
  • Bruno Moreira
  • Henrique Rebelo

🛠️ Workshops práticos:

  • Tiago Morais
  • Candace

📍 O encontro será nas instalações da JGS e promete ser um momento único de aprendizagem e convívio entre apicultores e amantes das abelhas.

⚠️ A participação é gratuita, mas é necessária inscrição prévia (link na legenda).

👉 Não perca esta oportunidade de aprender, partilhar e viver de perto a paixão pelas abelhas.

“sem dúvida que os investimento que fiz nas suas formações foi o melhor investimento que fiz na apicultura nos últimos anos…”: um testemunho

Recebi hoje outro testemunho acerca das virtualidades da utilização do protocolo inovador de controlo da Varroose e expressão da satisfação por ter frequentado os meus cursos por Zoom.

Fui autorizado fazer aqui a sua publicação pelo autor, que me solicitou anonimato. Fico muito grato pelo testemunho, que muito me motiva para continuar, assim como a autorização para o publicar.

O autor frequentou em março e abril o percurso formativo “Controlo efectivo da Varroose ao longo do ano” que ministrei via Zoom. As fotos foram enviadas por este apicultor muito satisfeito pelo que está a ver nas suas colónias, situadas na zona centro do país.

O testemunho de seguida.

Boa tarde Sr. Eduardo só para partilhar consigo a minha experiência com o protocolo inovador. Fiz a cresta no final de julho e deparei-me com a perda de 5 colmeias. Após a cresta apliquei um tratamento de amitraz. No dia 9 de agosto testei e tinha uma taxa de infestação de cerca de 6% (19varroas/300abelhas). Nesta altura e perante esta alta infestação apliquei pela primeria vez o protocolo inovador conforme a sua recomendação e passados 2/3 dias coloquei tiras de apitraz. Na segunda semana de setembro voltei a testar e na primeira colmeia que testei ainda tinha 3% de varroa voltei a aplicar o protocolo inovador! Hoje fui ver as colmeias e estavam assim:

Não testei porque não levei comigo as coisas necessárias apenas fui com intenção de alimentar.

Mas tenho em cada colmeia 3 a 4 quadros de criação, abelhas gordas bem nutridas, as larvas bem alimentadas com geleia real.

Claramente o protocolo inovador entrou para numero 1 no tratamento/ prevenção contra a varroa a um custo muito baixo.

Sem dúvida que os investimento que fiz nas suas formações foi o melhor investimento que fiz na apicultura nos últimos anos…

Obrigado pela ajuda e partilha de informação.

Continuo a receber manifestações de interesse neste percurso formativo com a primeira data agendada para o dia 17 de outubro, e para a qual ainda há umas poucas vagas disponíveis.

Venha aprender a melhorar as suas competências de controlo da Varroose mesmo em circunstâncias de infestação elevada.

Solicite mais informação sobre este percurso formativo enviando e-mail para o endereço: jejgomes@gmail.com

Por cursos apícolas com propostas práticas, eficazes e económicas, respeitando de forma orgânica o ambiente interno e externo das colónias de abelhas.