eureka, tenho uma colónia de abelhas resistente à varroa!

O titulo desta publicação é um “click bait” (caça cliques, muito utilizado nas redes sociais, vulgarmente utilizando títulos sensacionalistas). Mas já que aqui estão aproveitem para ler o resto. Serei breve.

Num dos dois apiários a 600 m de altitude, onde fui confrontado no início de setembro com algumas das colónias mais fortes na temporada com sinais de infestação pelo ácaro varroa, isto com o tratamento de final de verão iniciado na primeira semana de agosto, fui encontrar uma colónia com um padrão de postura estranhíssimo, mas que não apresentava sinais de varroose. Identifiquei este padrão de postura duvidoso no dia 09.09.

O padrão de postura é terrivelmente medíocre, muito mau para ser mais preciso.

Tem muitos ovos, tem larvas cor de pérola… mas parece-me que algures no processo, entre o quarto “instar” larval e a fase pré-pupal ou pupal, as abelhas eliminam boa parte da criação.

Ovos e larvas em vários estadios de desenvolvimento.
Não observo, inclusive, sinais de guanina (excrementos das varroas) no fundo e nas paredes dos alvéolos.

A rainha e abelhas novas fazem parte da comunidade… aparentemente cheias de saúde.

Rainha e uma das abelha novas assinaladas pelo meu filho, num desafio que lhe lancei para as identificar.

Voltando ao título. Na ilha sueca de Gotland, foram identificados vários enxames “naturais” resistentes ao varroa. Estes enxames resistentes foram muito estudados ao longo de vários anos. Entre outros mecanismos associados à resistência, verificou-se que muitas destas colónias perduravam com pouca criação e que os ninhos se mantinham pequenos ano após ano. Lembrei-me deste caso quando observava a minha colónia e a questão instalou-se em mim: será que este problema na criação ajudou e está a ajudar na manutenção de níveis de varroose aparentemente baixos desde o final do verão? Como o Randy Oliver gosta de afirmar “the easiest person to fool is always yourself” (a pessoa mais fácil de enganarmos somos nós mesmo) e, portanto, afirmar que tenho aqui uma colónia que apresenta um comportamento VSH, ou um outro comportamento supressor da reprodução do ácaro, será muito provavelmente um delírio. Contudo, sobrevivendo ao inverno, e acho que vai sobreviver, vou prestar muita atenção a esta colónia. Resta dizer, a terminar, que esta colónia foi das mais produtivas ao longo da temporada.

2 comentários em “eureka, tenho uma colónia de abelhas resistente à varroa!”

  1. O mesmo se está a passar com uma colónia minha tb a 600 M de altitude, parece saudável, mas tem um padrão igual a esse, não fiz teste da varroa para não enfraquecer a colmeia, e tb foi das que mais produziu….
    Estava a atribuir isto a problemas com a rainha e a pensar substituí-la na Primavera. Vou ficar atento para ver o padrão na Primavera, pois agora vai ficar quase sem cria devido ao frio.
    Um abraço

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