como fazer para não ter de tratar durante o fluxo de néctar — o simulador de Varroa –

As notícias que têm circulado nos grupos apícolas portugueses ao longo das últimas semanas confirmam aquilo que já se antevia: 2025 foi um ano de grande razia de colónias por efeito da varroa. Ainda em agosto e setembro alertei que, mantendo-se o rumo seguido no maneio de muitos apiários, mais de 200 mil colónias em Portugal acabariam por morrer devido à varroose. Infelizmente, os relatos de perdas generalizadas mostram que essa previsão não estava longe da realidade.

O mais preocupante é que, se nada mudar, este cenário tem tudo para se repetir no final de 2026. Um número elevado de apicultores anda visivelmente perdido e confuso sobre como controlar este parasita e a varroa não perdoa improvisos nem indecisões — e continuará a fazer estragos enquanto não for enfrentada com conhecimento, planeamento e rigor.

Esta realidade explica porque ferramentas como o simulador de varroa do Randy Oliver são hoje tão importantes. Não porque ofereçam respostas automáticas, mas porque ajudam a organizar o pensamento, a perceber a dinâmica real da varroa e a antecipar consequências. O simulador mostra de forma clara aquilo que no apiário muitas vezes passa despercebido: pequenos atrasos, decisões mal temporizadas ou níveis aparentemente baixos de infestação conduzem inevitavelmente a colapsos meses mais tarde. Ao visualizar a evolução da varroa ao longo do ano, o apicultor deixa de andar às cegas e passa a compreender quando, como e porquê intervir.

O simulador de varroa do Randy Oliver é um “abre-olhos” que contribui para compreender e prever a evolução da população de Varroa destructor ao longo do ano dentro de uma colónia de abelhas.

Num contexto em que muitos apicultores se sentem confusos e sem referências claras, o simulador funciona como uma ferramenta pedagógica poderosa, permitindo planear o controlo da varroa de forma integrada com o ciclo da colónia, o calendário apícola e os períodos de produção de mel. Em vez de tratamentos de emergência, aplicados tarde demais e em momentos impróprios, promove decisões informadas, atempadas e ajustadas à realidade de cada apiário — precisamente o tipo de abordagem que pode evitar que as perdas massivas se repitam nos próximos anos.

Uma das grandes vantagens do simulador de varroa é permitir antecipar a evolução da infestação ao longo do ano, em vez de reagir apenas quando os níveis já são preocupantes. Ao integrar o crescimento da colónia, a dinâmica da criação e a reprodução da varroa, o modelo ajuda-nos a identificar com antecedência os momentos críticos em que a população de ácaros irá ultrapassar os limiares de risco. Isto permite planear intervenções no momento biologicamente mais eficaz, quando a varroa ainda está controlável e os tratamentos têm maior impacto.

Na prática, esta abordagem reduz significativamente a necessidade de tratar em alturas impróprias, como durante os períodos de fluxo intenso de néctar e armazenamento de mel. Em vez de decisões tardias e forçadas, o apicultor passa a ter um plano baseado em previsão, podendo intervir antes do pico de varroa e preservar simultaneamente a saúde da colónia, a qualidade do mel e a tranquilidade do maneio. Controlar a varroa deixa assim de ser um exercício de emergência e passa a ser um processo estratégico ao longo do ano.

Convido-o a juntar-se ao curso Controlo efectivo da Varroa ao longo do ano, onde não só aprenderá a operar o simulador de varroa, mas sobretudo a interpretá-lo e adaptá-lo às condições específicas do seu apiário.

O objetivo não é aplicar modelos de forma cega, mas usar a ferramenta para pensar biologicamente, antecipar problemas e tomar decisões ajustadas à sua realidade.

Se a leitura deste artigo o fez perceber que conhecer e saber operar com ferramentas de apoio à decisão e planeamento, como é o caso do simulador aqui descrito, são fundamentais, então o curso Controlo efectivo da Varroa ao longo do ano foi pensado precisamente para si. Nesta nova edição, vamos muito além da aplicação de medicamentos de forma cega e tardia: trabalhamos a varroa como um problema biológico e populacional, integrado no ciclo anual da colónia, no clima e no maneio real do apiário.

O curso decorrerá online, via Zoom, nos dias 20 e 27 de fevereiro e 6 de março, com início às 20h30, permitindo participação a partir de qualquer ponto do país. Ultimas vagas disponíveis. Solicite mais informação para: jejgomes@gmail.com

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