alimentar ou não alimentar

[Na Austrália] Ensaios em quatro apiários testando várias estratégias de alimentação suplementar foram conduzidos durante os períodos de inverno de 2003 e 2004.

O objetivo do estudo de 2003 foi verificar se colónias de abelhas com alimentação suplementar aumentariam a sua população durante o período de inverno, com o objetivo de fortalecer prematuramente as colónias antes do início da floração das amendoeiras, em meados de agosto. Ao grupo experimental de colónias foram fornecidos suplementos alimentares (xarope de açúcar, pólen ou uma combinação de xarope de açúcar e pólen) durante o período de inverno e, em contraste, o grupo de controle não foi suplementado.

Neste estudo de 2003, houve diferenças significativas entre os apiários, mas as diferenças não dependeram da suplementação alimentar, e sim da flora local. Não se verificaram diferença significativa nos níveis de proteína bruta nas pupas entre as colónias suplementadas e as colónias não suplementadas. Na medição de outubro, não se verificou um benefício claro sobre aumento da população de abelhas com qualquer uma das práticas alimentares testadas. Além disso, o estudo forneceu evidências de que o fornecimento de suplementos a uma colónia durante o período de inverno pode ter aumentado os níveis de nosema em abelhas adultas.

O objetivo do estudo de 2004 foi avaliar a evolução de população de abelhas em colónias num local com um bom um fluxo de néctar (mugga ironbark,
Eucalyptus sideroxylon) mas deficiente em pólen. No grupo experimental foram usados suplementos de pólen com diversas composições, enquanto que o grupo de controle não foi suplementado.

Os resultados do estudo de 2004 forneceram evidências de que todas as três diferentes preparações de alimentação suplementar tiveram algum benefício. O tipo suplementação com mais benefício foi o pólen que surge em primeiro, seguido pela a mistura de farinha de soja / pólen / levedura e em último farinha de soja. Mesmo assim, as colónias de controle (não suplementadas) produziram mais mel num apiário, portanto, o benefício não foi uniforme nos dois apiários.

Notas de rodapé:

  • A farinha de soja, por si só, como suplemento, era muito mais atraente para as abelhas nos alimentadores colectivos do que quando colocadas em bandejas sob as tampas de cada colmeia.
  • O pólen enquanto suplemento alimentar deve ser de origem muito segura do ponto de vista higiénico ou em alternativa ter garantias que foi irradiado. O pólen de fontes desconhecidas pode ser veículo de esporos de loque americana.
  • Os alimentadores colectivos podem ser veículos de diversas patologias das abelhas.
  • A alimentação suplementar é importante/imprescindível quando usada para evitar a fome.

fonte: https://extensionaus.com.au/professionalbeekeepers/to-feed-or-not-to-fee/#comment-6

Reflexão: mais um caso que confirma o velho e sábio adágio que a apicultura é local. Neste caso verificou-se que os impactos da suplementação alimentar são contingentes do local. A apicultura moderna é contexto, contexto, contexto. Cabe ao apicultor avaliar esse contexto, e até fazer testes, para melhor discernir da necessidade de fazer esta ou qualquer outra opção no âmbito da nutrição dos seus enxames.

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