Do ponto de vista do consumidor, é fundamental reconhecer a importância da manutenção da cadeia de frio para preservar inalteradas as características naturais da geleia real.
A geleia real é uma substância gelatinosa e viscosa, parcialmente solúvel em água, com uma densidade aproximada de 1,1 g/mL. A sua cor varia entre o branco e o amarelo, sendo que o tom amarelado tende a intensificar-se com o tempo de armazenamento. O odor é ácido e penetrante, e o sabor simultaneamente ácido e ligeiramente doce. Estas características sensoriais constituem critérios essenciais de qualidade. Geleia real envelhecida ou mal armazenada tende a escurecer e pode desenvolver sabores rançosos, sinal inequívoco de degradação. Para garantir uma qualidade ótima, a geleia real deve ser conservada em estado congelado.
A viscosidade da geleia real varia em função do seu teor de água e da idade do produto, aumentando progressivamente quando armazenada à temperatura ambiente ou mesmo sob refrigeração a cerca de 5 °C. Estas alterações estão associadas à continuação da atividade enzimática e à interação entre as frações lipídica e proteica, processos que conduzem à perda gradual das suas propriedades originais.
(fonte: Royal Jelly, Bee Brood: Composition, Health, Medicine: A Review; Stefan Bogdanov, 2011)

Do ponto de vista do apicultor que pretende ir muito além de “alimentar às cegas” e que tem como objetivo maximizar o efeito nutricional dos suplementos e substitutos alimentares utilizados nas suas colónias, saber “ler” a geleia real é uma competência absolutamente basilar.
Essa leitura não é simbólica nem intuitiva: trata-se de compreender a relação entre os seus constituintes, usando a geleia real como referência biológica para perceber quais os equilíbrios nutricionais que sustentam uma criação intensa e de qualidade.
Uma leitura competente e fundamentada, associada a uma calculadora simples mas rigorosa, que permita calcular com precisão os ingredientes necessários para atingir um “bolo” ou “bife” proteico equilibrado, constitui o pré-requisito para transformar o ato de alimentar numa ação verdadeiramente nutricional — e até nutricêutica.
Quando a alimentação deixa de ser um gesto automático e passa a ser uma estratégia pensada, adaptada ao estado da colónia e aos objetivos pretendidos, o impacto na vitalidade, na longevidade das abelhas e no desempenho global da colónia torna-se evidente.
É precisamente esta abordagem que será trabalhada no curso Nutrição Apícola Aplicada, com início no próximo dia 16. Ao longo da formação, os participantes adquirirão a competência de “ler” corretamente a geleia real e outros produtos da colmeia e terão acesso a uma calculadora exclusiva e inovadora (entre outras), concebida para apoiar decisões nutricionais fundamentadas.
Deixo abaixo uma imagem da versão atualizada dessa calculadora, que será explorada em detalhe durante a formação e que tem capacidade para:
- calcular a quantidade proteica e PB respectiva da bolo/bife proteico;
- calcular a componente açucarada, lipídica e húmida e ajustar dentro de limiares de acordo com os objectivos pretendidos e o estado da colónia;
- calcular com grande rigor o equilíbrio dos diversos componentes para obter um efeito nutritivo de estimulação ou um efeito de manutenção;
- calcular o consumo semanal tendo em conta a dimensão do enxame
