termorregulação numa colmeia: alguns aspectos

Sabemos que as abelhas, em condições normais, são capazes de manter constante a temperatura interior da colmeia assim como um grau de humidade próximo da saturação.

No verão, com dias em que as temperaturas rondam frequentemente os 40ºC, as obreiras promovem a ventilação da colmeia colocando-se, estrategicamente, na rampa de vôo a bater energicamente as asas. Esta acção contribui para a evaporação da água contida no néctar e no mel desoperculado e, simultaneamente, para o refrescamento do ar no interior da colmeia. Quando tal acção não é suficiente um número apreciável de abelhas sai para o exterior da colmeia formando a conhecida “barba”.

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Fig. 1 — Abelhas à entrada de uma colmeia a fazerem a “barba” num dia quente

No inverno, o esforço das abelhas é dedicado a manter a sua temperatura corporal superior à do ambiente externo. As abelhas cuja temperatura corporal desce abaixo dos 9º-11º C ficam paralisadas e entram no chamado coma por esfriamento, ficando incapacitadas de se alimentar, acabando por morrer. Em Portugal encontramos regiões, sobretudo no interior centro e norte, com dias seguidos em que as temperaturas atmosféricas rondam os 0ºC. As abelhas, nestas circunstâncias, mantêm as temperaturas corporais formando o cacho invernal, agrupamento denso de abelhas em várias camadas sobrepostas. O enxame ou super-organismo consegue, com este comportamento colectivo, manter a temperatura corporal dos seus indivíduos entre os 13ºC e 20ºC. O mecanismo pelo qual as abelhas conseguem esta façanha é conhecido, e passa por uma sequência de etapas, que se inicia pela ingestão do mel presente na colmeia, a combustão do mesmo no seu corpo, o movimento intenso dos músculos das asas, a geração de calor corporal tão necessário ao aquecimento das abelhas e do cacho de abelhas, que se forma no interior da colmeia sempre que as temperaturas no exterior baixam a 10ºC ou menos.

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Fig. 2 — Vista de topo do cacho invernal numa colónia de abelhas 

Nos invernos mais rigorosos, em muitas zonas do interior do nosso país, as rainhas param a postura. Nesta condição o enxame não necessita de manter uma temperatura no cacho acima dos 13-20ºC. O consumo de mel é baixo, porque o isolamento térmico conseguido pela estrutura do cacho invernal, com uma reduzida superfície externa, diminui as perdas de calor.

Isto num outono-inverno como manda a tradição.

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