tão perto e tão longe… mas tudo se aproximará

Este post tem como propósito comparar, genericamente, o nível de desenvolvimento de dois apiários que distam entre si cerca de meia-dúzia de quilómetros em vôo de pássaro.

Apiário 1) com 44 colmeias. 

Notas gerais da inspecção às colmeias realizada no dia 24-02:

  • todas as colmeias estavam vivas;
  • colmeias no geral com 4 a 5 Q de abelhas;
  • com 8 ou mais  quadros de abelhas: nenhuma colmeia;
  • com 6 e 7 Q de abelhas: 8 colmeias;
  • alimentei algumas colmeias;
  • estão a meter pólen amarelo.

Apiário 2) com 26 colmeias. 

Notas gerais da inspecção às colmeias realizada no dia 24-02:

  • todas as colmeias estavam vivas;
  • com 8 ou mais  quadros de abelhas: 8 colmeias;
  • com 6 e 7 Q de abelhas: 6 colmeias;
  • alimentei algumas colmeias;
  • estão a meter pólen amarelo e outro vermelho.

Facilmente se constata que no apiário 2, e à data, há um número significativamente maior de colmeias mais desenvolvidas. A razão que encontro para o sucedido passa pela melhor exposição ao sol nascente das colmeias no apiário 2. Resta dizer que no início de maio o histórico me diz que a força das colmeias nestes dois apiários estão equiparadas. Mais que uma vez vi colmeias “fracas” apanharem colmeias “fortes”. Nesta linha de raciocínio acrescento: mais que contar os quadros cheios de criação de uma ponta à outra a meio do inverno, importa-me contar os bidões que enchi com mel até ao final do verão. São estes que me vão pagar as contas.

Ver aqui como, em condições normais, uma colmeia com 4 a 5 Q de abelhas a 8 semanas do início do fluxo principal de néctar estará em condições de fazer uma boa colheita.

7 thoughts on “tão perto e tão longe… mas tudo se aproximará”

  1. Olá Eduardo

    Sobre os temas que coloca, aproveito para recomendar um livro ( em francês ) muito importante para quem encara a apicultura com seriedade: ” APICULTURE ” , de Pierre JEAN-PROST , Editions J. B. Baillière .
    Descreve ensaios muito pormenorizados, realizados no sul de França, com clima semelhante ao nosso.
    Aponta, igualmente, o caso de dois apiários próximos em que um apresenta sempre resultados melhores e que, no caso, seria devido a diferenças na flora.
    Em cada apiário há diferenças entre as colmeias, muito provavelmente, principalmente devido à rainha e seu historial.
    É indicado, com base prática , um exemplo possível da exploração dum apiário.
    Importante , ainda, com base em ensaios realizados, aponta as seguintes regras :
    1 – Colmeias com abelhas da mesma raça (negra), do mesmo tipo (Langsthrot), no mesmo apiário, desenvolvem a criação, depois do arranque (Janeiro), proporcionalmente ao peso das provisões que contêm.
    Isto é, a abundância das provisões duma colmeia constitui, depois do arranque, o factor de desenvolvimento da criação ( superfície de criação nos quadros ).
    2 – Conhecendo o peso das provisões em Janeiro podemos conhecer o número de quadros com criação em Março.
    3 – O peso das provisões no Inverno, a abundância de criação na Primavera e a produção de mel no Verão têm uma relação directa.
    Saudações e bons progressos

    1. Boa noite, José Marques
      Os factores que refere (flora, genética, idade da rainha e provisões) são seguramente outros determinantes importantes no desenvolvimento desigual das colmeias entre apiários e dentro do mesmo apiário. A exposição solar maior ou menor, em especial ao sol nascente, no período invernal não deve ser na minha opinião menorizada no momento da escolha do assentamento de colmeias.

      José Marques sabe se o especialista francês Pierre JEAN-PROST, que foi o mestre de outro grande investigador francês da actualidade Yves Le Conte, escreveu as suas obras antes da entrada da varroa em França?
      Um abraço.

      1. Olá Eduardo

        Do investigador e professor de apicultura Jean-Prost , só conheço o livro que referi e os ensaios são de 1961 – 1962 e anteriores.
        Descreve as doenças das abelhas e tratamentos, excepto a varrose que não existia ainda na Europa .
        Pelo rigor , meticulosidade e abrangência dos temas, penso que se mantêm actual ( excepto… a varroa ).
        Ele faleceu há três ou quatro anos e eu não conheço nada sobre a sua obra mais recente .
        Saudações

        1. José Marques perguntei devido a esta afirmação “2 – Conhecendo o peso das provisões em Janeiro podemos conhecer o número de quadros com criação em Março.” Desde o surgimento da varroa esta relação deixou de ser tão directa, na minha opinião. Em algum dos casos verifico claramente que colmeias minhas que foram demasiado afectadas pela varroa nos meses do final do verão (várias vezes as mais fortes e produtivas), e que entram no outono/inverno com bastantes reservas, mas com um baixo contingente de abelhas, tardam mais um pouco a desenvolverem-se.

          Não conheço a obra de Jean Prost, uma lacuna que deverei colmatar, contudo todo o trabalho que tenha sido feito de forma meticulosa tende a perdurar. Afinal o objecto de estudo (no caso a abelha melífera) mantém-se relativamente inalterado há muitos milhões de anos. Infelizmente não podemos afirmar o mesmo relativamente ao contexto (varroa e velutina, para lembrar dois exemplos que nos dizem muito).
          Um abraço.

          1. Olá Eduardo

            Penso que tem razão e que os resultados de Jean-Prost, com a varroa presente não seriam diferentes.
            Transcrevo uma 4ª regra : “Regra dos factores limitativos independentes : Um ou vários factores independentes limitativos ( seca, frio, penúria de provisões, predadores, doenças, intervenções desastradas do apicultor tais como a colocação de capta-polens, etc. ) limitam o ritmo de desenvolvimento da superfície de criação e fixam-no a um nível inferior ao máximo compatível com o peso das provisões . ”
            Saudações

  2. Bom dia,
    Para além da exposição solar, sem dúvida factor importante, será que a menor quantidade de colmeias no apiário 2 não poderá ter alguma influência no maior desenvolvimento das colmeias deste apiário?

    1. Boa noite, Fernando
      Na verdade não me atrevo a ser categórico na minha resposta, contudo julgo que não tem grande impacto neste caso. Nos invernos de 2015 e 2016 estes dois apiários tinham um número de colmeias muito aproximado e encontrei as mesmas diferenças que encontro este ano.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *