choque-shake: o açúcar também mata as abelhas na monitorização da taxa de infestação

Este estudo (2025) demonstra que, apesar da suposição generalizada de que o método do açúcar em pó (powdered sugar shake) utilizado na monitorização da taxa de infestação de abelhas adultas é inofensivo, resulta numa mortalidade significativa de abelhas operárias nos primeiros cinco dias após o procedimento. Assim, a ideia de que as abelhas devolvidas à colmeia após este método não sofrem danos é falsa.

“Verificámos que as abelhas operárias submetidas ao powdered sugar shake apresentaram uma probabilidade significativamente menor de serem recapturadas na colmeia cinco dias depois do procedimento, quando comparadas com abelhas apenas polvilhadas com açúcar em pó (sem sacudir) e com o grupo controlo, que foi apenas marcado e libertado.

A combinação do açúcar em pó com a ação de sacudir vigorosamente as abelhas durante um minuto parece ser o fator responsável pelos efeitos negativos observados. Para além de possíveis danos físicos, sabe-se que a agitação pode provocar alterações cognitivas nas abelhas. Assim, os apicultores devem estar conscientes de que muitas das abelhas submetidas a este procedimento podem não sobreviver nos dias seguintes.

Os nossos resultados mostram que o powdered sugar shake e a lavagem em álcool apresentam resultados semelhantes quando os níveis de infestação por varroa estão acima de 3%, o limiar de intervenção mais utilizado. No entanto, a eficácia do método do açúcar em pó é altamente variável, situando-se aproximadamente entre 63% e 95%, sendo fortemente influenciada por fatores ambientais como a humidade e a presença de néctar, que provocam o empastamento do açúcar.

Esta variabilidade constitui uma limitação séria, pois pode levar os apicultores a subestimar níveis elevados de infestação e, consequentemente, a não intervir quando necessário, aumentando o risco de perdas de colónias. Em síntese, a suposição de que as abelhas sobrevivem sem consequências ao powdered sugar shake é incorreta, e este método revela-se menos fiável para estimar a infestação por varroa. Assim, recomendamos que a lavagem em álcool seja adotada como método predominante de monitorização.


Ao longo das diversas edições do curso Controlo efetivo da varroose ao longo do ano, perdi um ou outro formando por aconselhar a monitorização da varroa através do método do álcool em lugar do açúcar em pó.

A minha posição baseia-se na observação de campo e no conhecimento científico disponível: a monitorização com açúcar trata-se de um método pouco fidedigno — sendo a fidedignidade a consistência e estabilidade dos resultados de um instrumento de medição — e que provoca a morte de uma parte significativa das abelhas nos dias subsequentes ao procedimento.

Independentemente das consequências nunca darei prioridade, nos meus cursos, à necessidade de agradar em detrimento da exigência de ser verdadeiro, rigoroso e tecnicamente correto.

Em breve anunciarei as datas para nova edição do curso Controlo efetivo da varroose ao longo do ano, edição com inevitáveis actualizações, induzidas por um conhecimento e experiência de campo que não estão parados no tempo.

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