monitorização da varroa por queda natural: os testes e conclusões de Randy Oliver

A monitorização da queda natural de varroa é uma técnica a que muitos apicultores recorrem para estimarem o grau de infestação nas suas colónias.

Como em todas as técnicas de monitorização, também nesta se levantam questões acerca da sua fiabilidade ou sensibilidade. No excerto que traduzo, Randy Oliver levou a cabo alguns testes empíricos em algumas das suas colónias com o objectivo de testar a fiabilidade desta técnica e confirmou os resultados obtidos por outros investigadores. Assim, apesar da técnica não ser muito confiável, ela é uma ferramenta que ajuda o apicultor a fazer uma radiografia mais próxima da realidade do que a que obtém na monitorização por simples inspecção visual.

Estrado dedicado à monitorização da queda natural de varroas.

“A maioria dos apicultores bem-sucedidos (avaliados pelas altas taxas de sobrevivência das colónias) monitorizam os níveis de ácaros nas suas colmeias.
[…]
A avaliação da queda natural de varroa é um método popular porque não requer a abertura da colmeia ou o maneio das abelhas. Os resultados das comparações de campo da queda natural de ácaros com a população total de ácaros são mistos, com alguns pesquisadores a encontrar uma boa correlação, e outros nem tanto. Meus próprios dados sugerem que a queda natural de ácaros pode subestimar ou superestimar a taxa real de infestação das abelhas na colmeia e variar muito de dia para dia na mesma colmeia.”

“A queda natural de ácaros avaliada no final de julho e início de agosto, em comparação com lavagens com álcool feitas nos mesmos horários. Observe como as contagens da queda natural podem subestimar muito uma infestação grave de ácaros [ver na zona do gráfico circundada a vermelho colónias com taxas de infestação, medidas com lavagem de abelhas adultas, entre 5% e 10% apresentam um número de varroas caídas naturalmente muito baixo].

“Richard Fell também avaliou a queda natural de ácaros ao longo do tempo e concluiu que: Os resultados deste estudo… indicam que os dados de amostragem de ácaros podem ser altamente variáveis. Os números de ácaros em amostras nos tabuleiros podem variar até 250% em apenas duas semanas.

A queda natural dos ácaros é fortemente afetada pela alta taxa de mortalidade dos ácaros imediatamente após emergirem dos alvéolos. As contagens da queda natural também devem ser avaliadas considerando força de cada colónia, uma vez que 25 ácaros caindo de uma colónia de 4 quadros é mais grave do que 25 caindo de uma colónia de 20 quadros. O método requer também olhos afiados para identificar os ácaros no meio do lixo da colmeia, é entediante e requer pelo menos uma viagem de volta ao apiário.”

fronte: https://scientificbeekeeping.com/re-evaluating-varroa-monitoring-part-1/

Nota: o assunto desta publicação é uma nota de rodapé no seio da informação e reflexão que será feita nos diversos workshops sobre o controlo da varroose que irão decorrer em Coimbra e Macedo de Cavaleiros. É, no entanto, uma nota elucidativa das diversas “armadilhas” colocadas no caminho que temos de percorrer para impedir a morte de colónias por varroose, sabendo que temos à disposição um conjunto de ferramentas, que aplicadas de forma informada, com critério e oportunidade, nos permitem alcançar este objectivo.

O Francisco e eu esperamos que a informação e a reflexão em grupo que resultará deste workshop sejam um factor de mudança que permita aos presentes passar a fazer parte dos apicultores bem-sucedidos, com altas taxas de sobrevivência das colónias à varroa.
A segunda edição do workshop em Coimbra, ainda tem algumas vagas disponíveis e tudo aponta para que se realizará na data prevista, dado o ritmo e número de pré-inscrições já registadas.

A concluir, um agradecimento, em particular aos inscritos, pela confiança no nosso trabalho. Votos de uma Boa Páscoa!

acompanhamento e serviço técnico em apiário

Informo os caros leitores apicultores que estou disponível para fazer acompanhamento e serviço técnico em apiário. Os interessados deverão enviar mensagem através deste blogue com o seu contacto telefónico.

Neste âmbito e nesta sexta feira a prometer chuva, fiz o acompanhamento e serviço técnico num apiário na zona de Coimbra de um companheiro apicultor que tem como objectivo prioritário aumentar o seu efectivo.

Após 6 horas de trabalho, este companheiro contava com mais 16 colónias no seu efectivo. Metade destas foram transferidas para outro apiário próximo. Além deste trabalho de multiplicação de enxames houve ainda tempo para avaliar a taxa de infestação por varroa e optimizar/organizar os cerca de 30 ninhos ali assentes.

E enquanto o trabalho ía sendo executado houve naturalmente conversas com vista a orientar e guiar este companheiro na execução destas e de outras tarefas de condução optimizada do apiário.

Foto parcelar do apiário.
8 colónias novas que foram transferidas para outro apiário.

workshop avançado controlo da varroose: 2ª edição

Juntamente com os amigos Marcelo Murta e Nuno Capela, propus um workshop avançado para aquisição de conhecimentos, competências e procedimentos de controlo da varroose, a realizar no próximo dia 2o de abril na cidade de Coimbra. A escolha do tema justifica-se sem dificuldade: podemos ser os apicultores mais competentes nas diversas áreas de condução de enxames de abelhas, mas sendo ineficazes no controlo da varroose não conseguiremos ser sustentáveis, nem economicamente nem motivacionalmente.

Sala de formação, onde irá decorrer a sessão matinal no próximo dia 20 de abril. Na parte da tarde o workshop prosseguirá em apiário, também localizado em Coimbra.

E a incapacidade de controlar a varroose é uma realidade muito transversal. Os frequentes testemunhos de apicultores dentro e fora do país, os resultados epidemiológicos europeus e norte-americanos permitem concluir de forma inequívoca que a varroa e suas sequelas matam um número enorme de colónias de abelhas; a varroa é a principal ameaça à saúde e sobrevivência da abelha melífera europeia, quer em Portugal quer noutras regiões do mundo onde está presente.

O facto mais surpreendente neste quadro de dificuldade generalizada do seu controlo é que alguns apicultores estão a conseguir ser bem sucedidos, mantendo a praga abaixo de limiares estreitos, com baixas taxas de mortalidade e de forma sustentável.

Foi com os melhores que aprendemos e, ao mesmo tempo, foi necessário ultrapassar e esquecer propostas incompletas, vagas ou falhadas de intervenção, que incompreensivelmente ainda são divulgadas e fazem escola em tantas comunidades de apicultores.

Da aplicação nos nossos apiários destas aprendizagens e de uma mão cheia de reflexões pessoais, com algumas adaptações locais, estamos a ser bem sucedidos neste controlo.

Com o objectivo de difundir estas boas práticas e dada a rapidez com que se esgotaram as vagas da primeira edição deste workshop, abrimos uma segunda edição, a realizar no próximo dia 11 de maio em Coimbra. Deixo em baixo o cartaz de sua divulgação.