No âmbito do acompanhamento técnico regular, realizei hoje uma visita com análise aprofundada a cerca de 25% das colónias dos apiários da Quinta da Machada, com foco na avaliação sanitária e no estado nutricional.
O primeiro aspeto que merece destaque é o efeito prolongado do Protocolo Inovador de controlo da Varroose. A última aplicação foi realizada há cerca de 90 dias, e os resultados observados — ilustrados nas fotografias que acompanham esta publicação — mostram uma eficácia elevada, na ordem dos 95%, valor que tem sido recorrente quando o protocolo é corretamente aplicado. Mesmo após este intervalo de tempo, a pressão de Varroa mantem-se baixa e controlada, o que demonstra não apenas a eficácia imediata, mas também a consistência e durabilidade deste protocolo.


Este desempenho reflete-se nos indicadores globais do efetivo. Durante o ano de 2025, registou-se o colapso por varroose de apenas uma colónia, num universo superior a 100 colónias em produção. Este dado é particularmente relevante num contexto em que a varroose continua a ser a principal causa de perdas de colónias, e demonstra o impacto de uma estratégia sanitária estruturada, baseada em monitorização, timing correto e aplicação rigorosa dos procedimentos.
Um segundo indicador técnico observado foi o armazenamento significativo de pão de abelha em muitas colónias. A presença de reservas proteicas excedentárias indica que a recolha de pólen ultrapassa as necessidades imediatas de consumo, o que só ocorre quando as colónias apresentam boa vitalidade, equilíbrio demográfico e ausência de stress sanitário relevante. O armazenamento de pão de abelha constitui um excelente marcador indireto do estado sanitário e nutricional, refletindo eficiência forrageira e capacidade metabólica adequada.

Apesar do bom desempenho global, foram identificadas colónias com desenvolvimento mais lento. Nestes casos, está a ser implementado apoio técnico dirigido, recorrendo a suplementação proteica, ajustada ao estado de cada colónia. Este apoio tem como objetivo reduzir assimetrias no apiário, acelerar a recuperação das colónias mais atrasadas e promover uma evolução mais homogénea do conjunto, sem comprometer o equilíbrio nutricional.

Do ponto de vista ambiental, observa-se atualmente um incremento progressivo de recursos florais, com o campo a entrar numa fase de forte potencial polinífero e nectarífero. Este cenário apresenta boas perspetivas para a campanha, desde que os apiários se encontrem devidamente estabilizados do ponto de vista sanitário. Colónias com cargas elevadas de Varroa ou pressão viral não conseguem converter este potencial em produtividade efetiva, reforçando a importância do controlo prévio da varroose.

Tudo isto reforça uma ideia central: o sucesso da apicultura começa muito antes da florada. A visita confirma que o controlo eficaz da Varroose é um pré-requisito para qualquer estratégia produtiva, e que os resultados observados no campo são diretamente proporcionais à qualidade do maneio sanitário implementado ao longo do ano.

Neste contexto, e em resposta a diversos pedidos — em particular de apicultores que enfrentaram perdas significativas e dificuldades técnicas no ano transato — será anunciada em breve uma nova edição do curso Controlo efectivo da Varroose ao longo do ano, incluindo os procedimentos detalhados de aplicação do Protocolo Inovador. As datas serão divulgadas oportunamente, permitindo a mais apicultores adquirir ferramentas técnicas para enfrentar este desafio de forma informada, consistente e sustentável.