varroa: tempo de vida, desenvolvimento populacional e dispersão

Tempo de vida do varroa

O tempo de vida dos ácaros varroa depende da presença de cria e pode variar de 25 dias a cerca de 5 meses. Durante o verão, os ácaros podem viver até 2 a 3 meses e, se a cria de abelha estiver presente, eles podem completar 3 a 4 ciclos de reprodução. No inverno, quando a cria não está presente ou é limitada, os ácaros passam o inverno sobre os corpos das abelhas adultas — fase forética. Um ácaro varroa adulto pode viver alimentando-se exclusivamente de uma abelha adulta durante 3 meses. Os ácaros adultos podem viver até 5 dias sem comida.

Fig. 1. : Os ácaros varroa podem alimentar-se e esconder-se entre os segmentos do abdómen da abelha.

Crescimento populacional do varroa
O crescimento populacional do ácaro varroa é determinado pelo número de ácaros fêmeas na colónia de abelhas, a sua taxa reprodutiva, bem como a disponibilidade de cria de abelhas e o tipo de cria disponível. Estes factores provavelmente variarão ao longo do ano, devido a flutuações na quantidade e no tipo de criação presente na colónia. Nas zonas onde a criação está presente durante todo o ano e onde a criação de zangões está frequentemente presente, o crescimento da população de varroas será mais rápido do que em zonas onde a criação não está presente durante algumas épocas do ano (por exemplo em zonas geográficas mais frias).

Fig. 2: Emergência de abelhas obreiras condenadas pela elevada taxa de infestação pelo ácaro varroa.

As larvas de zângão são escolhidas preferencialmente (10 vezes mais que as larvas de operárias). Como as crias de zângãos apresentam um tempo de maturação mais longo do que as crias de obreiras (mais três dias em média), mais ácaros varroa são capazes de amadurecer na cria dos zângãos. A pesquisa mostrou que um ácaro fêmea que põe ovos na cria de zangão produzirá, em média, 2,6 fêmeas adultas, em comparação com 1,6 fêmeas adultas, se os ovos forem colocados na cria de obreira. Isso significa que a taxa reprodutiva de ácaros varroa aumenta com a disponibilidade de crias de zângão. No clima temperado médio, estima-se que as populações de ácaros podem aumentar 12 vezes nas colónias com criação de abelhas pelo menos 6 meses ao longo do ano e 800 vezes nas colónias com criação durante o ano todo. Isso torna o varroa muito difícil de controlar, especialmente em climas mais quentes, onde as colónias mantêm criação durante todo o ano.

Fig. 3: Ácaros varroa em zângãos emergentes.

Na ausência de qualquer cria, a população de ácaros diminuirá lentamente à medida que morrem e não são substituídos. Estima-se que a sua população diminui aproximadamente 10% por cada mês em que a cria de abelhas está ausente. No entanto, assim que nova cria de abelhas for produzida, a população de ácaros começará a aumentar novamente. E de forma exponencial!

Crescimento exponencial da população de ácaros varroa

No final de cada ciclo reprodutivo do varroa dois a três ácaros mais por cada larva infestada não parece muito. No entanto, sob condições ideais para o ácaro, assistimos a um crescimento exponencial da população de ácaros na colónia. Assumindo 10 ciclos reprodutivos em 6 meses, um único ácaro geraria uma população de mais 1.000 ácaros se criados nas larvas de operárias, e mais de 59.000 se criados em larvas de zângão. Lembro que uma população de 5.000 — 6.000 ácaros numa colónia de abelhas é suficiente para começarmos a ver os primeiros impactos nas abelhas (especialmente a emergência/nascimento de abelhas com asas deformadas). E está a apenas duas semanas de duplicar o seu número e conduzir ao colapso da colónia. Felizmente (para nossas abelhas, não para os ácaros), as condições ideais não ocorrem na realidade.

Muitas coisas contribuem para a redução do potencial reprodutivo dos ácaros. Por exemplo, apenas 60% dos ácaros machos atingem a maturidade sexual, a criação de zângãos só está disponível em determinadas épocas do ano, a interrupção de postura e a indisponibilidade de qualquer criação interrompe o ciclo reprodutivo do ácaro e ajuda as abelhas adultas a livrarem-se de alguns dos ácaros foréticos.

No entanto, estas reduções naturais não são suficientes. Sem um maneio adequado, os níveis de ácaros atingem níveis perigosamente altos, ameaçando a viabilidade a médio/longo prazo da colónia (um ano a ano e meio se tanto: ver aqui) .

A dispersão/deriva de abelhas inter-colónias

Em alguns estudos com colmeias colocadas em filas rectilíneas, verificou-se que 50-90% das abelhas marcadas saíam da colmeia mãe para outras colmeias, e que aproximadamente 15% dessas abelhas mudavam de colmeias pelo menos três vezes durante as suas vidas. Verificou-se também que 40% das obreiras de uma colmeia podem não ter “nascido” nessa colmeia.

Se houver várias colónias numa área que estejam infestadas com ácaros varroa (por exemplo, colónias selvagens ou colmeias não tratadas ou incorrectamente tratadas), elas podem actuar como uma fonte constante de infestação. Os ácaros varroa causam o enfraquecimento das colónias e as abelhas naturalmente roubam e derivam das colmeias enfraquecidas para as mais fortes, o que resulta na disseminação e invasão dos ácaros.
Devido à natureza exponencial do crescimento populacional, a introdução de alguns ácaros extra pode ter efeitos dramáticos na rapidez com que esta população virá a atingir níveis prejudiciais.

Tendo estes aspectos em conta, a maior parte dos meus apiários têm uma configuração que procura “quebrar”, em parte, com a disposição em fila rectilínea das colmeias, como se pode ver na foto em baixo de um apiário meu.

Fontes:

  • http://beeaware.org.au/archive-pest/varroa-mites/#ad-image-0
  • https://agdev.anr.udel.edu/maarec/wp-content/uploads/2010/03/Varroa_Mites_PMP2.pdf
  • http://www.ask-force.org/web/Bees/Rosenkranz-Biology-Control-Varroa-2010.pdf
  • https://www.theapiarist.org/know-your-enemy/
  • http://scientificbeekeeping.com/the-varroa-problem-part-16a/


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