serviços ecossistémicos: uma visão da UE, uma constatação e duas perguntas

Fico muito agradado que no próximo Fórum Nacional de Apicultura, que irá decorrer em Viseu nos próximos dias 22, 23 e 24 de Novembro, os serviços ecossistémicos seja um tema do programa do mesmo. A este propósito apresento em baixo a visão que a Comissão Europeia já apresentava em 2009 acerca da necessidade de uma maior consciencialização sobre o valor económico dos bens e serviços do ecossistema entre os tomadores de decisão e o público em geral.

  • Os ecossistemas sustentam toda a vida e atividades humanas. Os bens e serviços que eles fornecem são vitais para a manutenção do bem-estar e para o futuro desenvolvimento económico e social.
  • Os benefícios que os ecossistemas oferecem incluem comida, água, madeira, purificação do ar, formação do solo e polinização.
  • Mas as atividades humanas estão destruindo a biodiversidade e alterando a capacidade dos ecossistemas saudáveis ​​de fornecer essa ampla gama de bens e serviços.
  • No passado, as sociedades frequentemente não levavam em conta a importância dos ecossistemas. Eles eram frequentemente vistos como propriedade pública e, consequentemente, subvalorizados.
  • Os cientistas prevêem que um aumento da população mundial para 8 mil milhões em 2030 pode levar a uma escassez dramática de alimentos, água e energia.
  • A perda de serviços dos ecossistemas naturais exigirá alternativas caras. Investir em nosso capital natural economizará dinheiro a longo prazo e é importante para nosso bem-estar e sobrevivência a longo prazo.
  • É necessária uma maior consciencialização sobre o valor económico dos bens e serviços do ecossistema entre os tomadores de decisão e o público em geral. Se deixarmos de agir agora para impedir o declínio, a humanidade pagará um preço alto no futuro.

fonte: https://ec.europa.eu/environment/nature/info/pubs/docs/ecosystem.pdf

A minha constatação e depois as minhas perguntas:

  • em todo o mundo, pelo menos 75% das culturas alimentares dependem, de alguma forma, da polinização. A produção agrícola dependente de animais polinizadores aumentou 300% durante os últimos 50 anos. Só a produção de cereais e frutas, que depende diretamente da polinização entre 5% a 8%, representa cerca de 213 a 523 mil milhões de euros.
  • será que em 10 anos, de 2009 a 2019, os decisores europeus interiorizaram devidamente o valor económico dos serviços do ecossistema, em particular o da polinização? Se sim onde estão os apoios justos, tendo em conta as mais-valias alcançadas com a polinização, para a conservação e protecção dos polinizadores e do sector apícola europeu? — sector que passa por uma crise de sustentabilidade económica, que não me lembro de ver nos dez anos que levo como apicultor profissional, e que tanto precisa dessa mão amiga e ecológica da UE.
À esquerda uma banca com produtos “feitos” pelas abelhas e outros polinizadores. À direita uma banca que ilustra a pobreza que seria não termos abelhas para polinizarem as nossas hortas, pomares e demais espaços silvestres.

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