procurando correr de forma diferente acabei a correr da mesma forma

No seguimento deste post aqui continuo à procura das variáveis que possam explicar duas questões que coloco a mim mesmo:

  • porque razão alguns apiários mostraram uma taxa demasiado elevada de colmeias com varroose após os tratamentos com bayvarol e outros, pelo contrário, apresentavam taxas de elevada eficácia do tratamento?
  • porque razão no mesmo apiário 5% a 10% das colmeias estavam à beira do colapso (abelhas com varroas e/ou com asas deformadas ) e, simultaneamente, a maioria das colmeias estava saudável?

Neste momento a minha melhor hipótese é que na altura do tratamento com o bayvarol as colmeias não estavam todas no mesmo ponto de partida no que respeita à infestação da varroa. Dito de outra forma, tenho uma forte convicção que na altura em que iniciei os tratamentos tinha colmeias já muito infestadas (com 5% ou mais de varroas foréticas), ainda que a infestação não fosse visível aos meus olhos e, ao lado, outras colmeias tinham níveis muito mais baixos de infestação.

Um pequeno parentesis polémico, estou consciente:

Digo hipótese porque não fiz uma monitorização da taxa de infestação da varroose colmeia a colmeia, simplesmente porque é impraticável na dimensão em que trabalho. Poderia, contudo, ter feito uma amostragem aleatória de abelhas em 10% a 25% das colmeias de cada apiário para decidir se tratava na altura ou se adiaria os tratamentos. Pergunto a mim mesmo de que me serviria essa monitorização? Pergunto: num apiário onde encontrei 5 a 10% das colmeias com asas deformadas (e isto no caso dos apiários mais infestados) o que me teria dito uma monitorização aleatória de 10% a 25% das colmeias 40 a 50 dias antes? Estou convencido que me diria que não seria necessário iniciar os tratamentos na altura em que de facto os iniciei. Sei que é controverso mas não estou, neste momento, absolutamento convencido da validade e até da credibilidade que nós apicultores devemos dar à monitorização por amostragem e contagem das varroas nas abelhas adultas através dos diversos métodos de lavagem das varroas dos seus corpos (ver lavagem por açucar de pasteleiro, água com detergente e outros).

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Fig. 1 — Apicultor utilizando o “sugar roll” para monitorizar a taxa de infestação por varroa

Importa sustentar a minha hipótese anterior e que relembro ser estar na presença de colmeias com níveis de infestação muito diversos na altura dos tratamentos com Bayvarol. Com base na análise dos meus relatórios verifico que um dos dois apiários na Beira Alta com mais problemas foi um daqueles para onde transumei um número significativo das minhas colmeias a partir do meu apiário no distrito de Coimbra. Mais, verifico que nestas colmeias transumadas, as colmeias mais infestadas eram na sua maioria colmeias onde iniciei o anterior tratamento, com Apivar, no final de novembro (30 de novembro de 2015) tendo tirado as tiras no início de março (ficaram 12 semanas por razões sustentadas em dois estudos científicos independentes que conto traduzir brevemente). Isto significa que entre o fim do tratamento com Apivar e o início do tratamento com Bayvarol passaram 5 meses grosso modo, quando o intervalo entre tratamentos que procuro seguir não ultrapassa os 4 meses. A somar a este facto lembro que estas colmeias transumadas apresentaram postura intensa nos meses de inverno (influência do clima e pasto apícola conhecido por todos nós no litoral centro do nosso país). Das 4 colmeias mais infestadas, 3 colmeias pertenciam a este grupo de colmeias. Vamos designar este grupo de colmeias pelas letras BL.

Por contraste nesse mesmo apiário e nas colmeias que sempre estiveram pela Beira Alta iniciei o tratamento com Apivar na segunda semana de Fevereiro e foram tiradas na segunda semana de Maio (as mesmas 12 semanas). Nestas colmeias o intervalo entre tratamentos não ultrapassou os dois meses e meio. Por outro lado as rainhas diminuíram naturalmente a postura nos meses de inverno (influência do clima e pasto apícola conhecido de todos nós no interior centro do nosso país). Das 4 colmeias mais infestadas, apenas 1 colmeia pertencia a este grupo de colmeias. Vamos designar este grupo de colmeias pelas letras BI.

Este apiário em questão tem 50 colmeias, sendo 20 do grupo BL e 30 do grupo BI.

Uma questão final neste momento: não seria de esperar que o Bayvarol (ou outro qualquer tratamento homologado ou não) desse conta de quase todas as varroas presentes na colmeia fossem estas 2000 ou 10000? Neste momento tudo me leva a crer que a reposta é que não é mesmo nada de esperar isso. Se o tratamento for eficaz a 90% significa que ficam 200 e 1000 varroas na colmeia, respectivamente. Como já foi dito pelos companheiros nos comentários podemos ter colmeias no nosso apiário ou em apiários vizinhos a adicionarem generosamente varroas a estas colmeias. Mais, a diminuição abrupta da criação nas colmeias nos meses de Julho e Agosto faz subir a pico o número de larvas e pupas parasitadas. No final deste cocktail temos ainda as ondas de calor de Julho e Agosto que diminui significativamente o contato das abelhas com as tiras acricidas e das abelhas entre si, contrariando o mecanismo básico que preside à concepção destas tiras.

Concluindo, neste momento estou convencido que neste apiário a resposta às minhas duas questões iniciais é que mais uma vez cheguei tarde demais, não a todas as colmeias, mas ainda assim a um número significativo delas.

3 thoughts on “procurando correr de forma diferente acabei a correr da mesma forma”

  1. Eu nunca mais vou usar bayvarol, depois da ma experiencia que tive a dois anos!E olhe que ñ sou a primeira pessoa com queixas desse produto!
    Na minha opinião você fex o tratamento, e as que tinham poucas varroas o tratamento resultou( pk o bayvarol algumas ade matar) nas que estavam mais afetadas o resultado ja você constatou! Acho que é tão simples quanto isso!

  2. Bom dia
    Na minha opinião, o facto de não ter feito o tratamento de Primavera nas colmeias transumadas para a Beira Interior poderá ter sido a causa da grave infestação, visto que só tratou em Novembro 2015 e em Agosto de 2016.
    Problema que não se verificou nas outras que sempre estiveram na Beira Interior, pois tratou-as em Fevereiro e novamente em Agosto de 2016.
    Esse estudo diz que se deve deixar as tiras durante 12 semanas? Mas isso vai contra todas as indicações das marcas?
    Eu tratei as minhas a 02 de Setembro, fiz o teste da varroa e tinha uma percentagem de infestação de 12%…vou tirar as tiras (APITRAZ) esta semana e fazer novamente o teste para verificar a eficácia.

    Com os melhores cumprimentos,
    JO

    Mais uma vez, obrigado pela sua partilha de conhecimento!!

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