poupar cera… as abelhas e as suas circunstâncias

Os preços actuais que pago por cera de boa qualidade são 12 € por kilograma. E mesmo estando disposto a pagar este preço por um produto de  qualidade, logo surge um outro problema: ela é escassa e nem sempre se encontra.

Há cerca de 3 ou 4 anos atrás para baixar os gastos com a cera e para experimentar as teses do alvéolo pequeno/alvéolo à vontade das abelhas e o corte da criação de zângão, como medida de controlo da varroa, decidi colocar apenas um pequena tira com 2 cm de cera em vários quadros (quadros iscados). Desta forma as abelhas eram obrigadas a construir o favo restante de acordo com os seu próprios critérios. Alguns destes quadros coloquei-os no centro da câmara de criação e outros na posição 9. Estes últimos visaram estimular a criação intensiva de zângãos que funcionaria como armadilha para as varroas com o posterior corte dos mesmos. Mas é dos quadros que coloquei no centro do ninho que desejo falar.

Ao realizar esta experiência estava convencido que os quadros iscados (com a tira de cera de apenas 2 cm) colocados bem no interior da zona de criação iriam ser puxados com rapidez e com alvéolos de obreira. A primeira expectativa realizou-se mas a segunda não. Isto é, as colmeias estavam fortes, com vontade de puxar cera e puxaram-na a bom ritmo, mas na grande maioria puxaram-na com alvéolos de zângão. Obviamente este não era o resultado que eu pretendia. Assim sendo deixei de utilizar os quadros iscados, tirando as excepções de colónias onde me interessa pelas suas características genéticas que produzam mais zângãos do que naturalmente produziriam.

Este ano. contudo vou voltar à carga com esta medida: vou voltar a iscar uma boa quantidade de quadros. O que mudou? As abelhas seguramente que não. Mudei eu, ou melhor mudou aquilo que julgo saber. Sei que as colmeias fortes por norma fazem aquilo que já relatei. Assim, em colónias fortes só utilizarei folhas/lâminas completas de cera. Por outro lado, sei que as colónias/núcleos com uma rainha nova, acabadinha de fecundar, com uma força menor, têm pouca propensão a construírem alvéolos de zângão nos quadros iscados. É nestas colónias que irei fazer a poupança de umas centenas de lâminas de cera. Importa-me conhecer as abelhas e seu comportamento circunstanciado, por forma a utilizar com benefício quer para elas quer para mim a sua inteligência colectiva.

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Fig. 1 — Quadro iscado 

5 thoughts on “poupar cera… as abelhas e as suas circunstâncias”

  1. Bom dia,
    Também já entrei nessa poupança e consegui uma produção de zangoes brutal nos enxames que inseri os quadros iscados. No entanto, nos enxames novos provenientes de enxameação funciona 5*! Puxaram me tudo com criação de obreira no ninho no entanto nas alças já puxaram de zangão onde armazenaram o mel.

    1. Obrigado Luís Moreira pelo teu testemunho, que confirma também as minhas observações: os quadros iscado introduzidos em colmeias fortes e desenvolvidas promove uma criação de zângãos muito acima do habitual. Neste caso parece-me claramente que as condições ambientais/contextuais manipulam o instinto/impulso das abelhas de produzirem uma percentagem determinada e baixa de zângãos. Elas perdem a cabeça com estes quadros!

  2. Olá Eduardo,
    Já muitas vezes me senti tentado a usar tiras e até caio na tentação de usar apenas meia folha de cera na diagonal para POUPAR nos custos da cera. Mas quando a parte mais racional de mim me chama a atenção e me diz que um kg de cera “custa” aproximadamente 7 ou 8 kg de mel, começo a pensar 2 vezes nas poupanças de cera. Na tua opinião, achas que compensa monetariamente poupar na cera tendo em conta o mel que vamos usar como matéria prima? As minhas contas pelo ar dizem que não mas gostava de saber a tua opinião.

    Abraço
    Luís Medeiros

    1. Bom dia Luís
      Se a produção de 1 kg de cera equivale a um custo de 7 a 8 kg de mel e ainda que sejam valores relativamente consensuais na comunidade apícola, não está claramente e indubitavelmente provado, tanto quanto conheço.
      Mas ainda assim faço as contas que tu também fazes. Assim a minha opção passa por apenas fornecer quadros iscados a colmeias que no ano não estão direccionadas para a produção de mel: núcleos com rainhas novas e desdobramentos com rainhas “velhas” em que tive que reduzir bastante a sua força de trabalho. Reforço, que na minha opinião fornecer quadros iscados a colónias bem desenvolvidas pode trazer dissabores, como a construção excessiva de favos com alvéolos de zângão.
      Um abraço!

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