pistas e limiares relacionados com a enxameação

Estou a aproximar-me a grande velocidade da “época de enxameação”. Nada melhor que ler e ouvir os que entre nós sabem um pouco mais do assunto (entre outros, Randy Oliver) e agir em conformidade com as suas orientações.

O timing da enxameação

A enxameação apresenta picos e ocorre normalmente na primavera, mas não é necessariamente determinada pelo mês do ano. O timing tem menos a ver com o calendário do que tem a ver com a fenologia da flora local, que por sua vez é determinada não só pelo comprimento do dia, mas também pela temperatura e precipitação. A preparação da enxameação é provavelmente decidida e realizada por obreiras que nunca se aventuraram para fora da escuridão e da temperatura regulada do centro do ninho. Que pistas terão elas acerca de como as coisas estão lá fora? Bem, elas estão muito cientes da oferta de néctar fresco e pólen que entra diariamente na colmeia. A sazonalidade do acúmulo de abelhas nas colónias e seu declínio é determinado em grande medida pela entrada de pólen e néctar: quando o pólen e o néctar são abundantes, a população das colónias crescem; quando é escasso, as colónias encolhem.

Fig. 1: A população da colónia (linha negra) segue a disponibilidade de pólen (área amarela)

Aplicação prática: Dependendo da fenologia da flora local e do contingente de abelhas, a “época de enxameação” pode ocorrer antes, no início ou mesmo durante o fluxo principal de néctar. E o chamado tempo “normal” de enxameação pode estar completamente desajustado num ano em particular. Isto significa que não existe uma fórmula única para o calendário de gestão da enxameação .

Olhando para a demografia das colónias verificamos que o timing mais favorável para uma colónia enxamear ocorre quando ela atinge o pico de criação selada e apresenta uma grande proporção de obreiras jovens. Isso ocorre cerca de 6-8 semanas após o início do crescimento linear, no designado turnover da Primavera.

 

A condição do ninho e a quantidade de quadros com áreas disponíveis para a postura da rainha

Winston refere: É notável que a criação de realeiras começa precisamente quando a criação de operárias está no seu auge, e quase não há alvéolos desocupados na área central do ninho … Assim, as colónias sincronizam a produção de realeiras de forma a coincidir com os picos populacionais.

Aplicação prática: certificando-se de que há sempre abundância de alvéolos desocupados no ninho, o apicultor pode induzir a colónia a pensar que deve continuar a crescer, em vez de enxamear. Ao fazê-lo, pode até mesmo incentivar as abelhas a reverter a pulsão de enxameação e levá-las a destruir todas as realeiras existentes.

Normalmente, a enxameação não ocorre a menos que a colmeia esteja cheia de quadros com criação fechada. Lembre-se que as pupas num quadro de criação fechada, quando emergirem como abelhas adultas, cobrem cerca de três quadros. Esta expansão de um para três significa que não só a população de colónias está prestes a explodir, mas também que ela pode recuperar rapidamente a sua população de obreiras depois da enxameação ter ocorrido (1).

Aplicação prática: a remoção criação fechada pode deter a pulsão da enxameação. Os apicultores que pretendem que as suas colónias produzam mel em favo, removem os quadros com criação, e confinam a rainha e todas as abelhas numa caixa cheio de mel, colocando a alça meleira por cima. Apesar de as abelhas e rainha estarem numa caixa completamente bloqueadas pelo mel, essas colónias não enxameiam, devido à inexistência de criação.

Fonte: http://scientificbeekeeping.com/understanding-colony-buildup-and-decline-part-7b/

(1) Caso o apicultor evite que a colónia forme os enxames secundários ou “garfos”. De acordo com as minhas observações e experiência são os enxames secundários os que mais impacto têm na produção de mel, reduzindo a praticamente zero a possibilidade de o apicultor colher mel dessa(s) colónia(s) no ano.

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