aspectos da minha cresta de meis claros de 2016

Iniciei há cerca de 2 semanas a cresta de meis claros. Ficam em baixo algumas fotos ilustrativas do processo “old fashion” que estou a utilizar para crestar as mais de 800 meias alças de meis claros que tenho em cima das minhas colmeias. Mais adiante virão as meias alças dos meis escuros e conto voltar a apresentar mais algumas fotos.

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Foto 1: As 38 1/2 alças que vieram do apiário neste dia.

 

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Fotos 2, 3 e 4: Aspectos concretos do “estado” das 1/2 alças e dos quadros.

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Fotos 5 e 6: Desoperculação com recurso à faca (ainda estou à espera que o Pai Natal me ofereça uma linha de desoperculação e extracção!).

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Fotos 7, 8 e 9: Da centrifugação, em extractor radial eléctrico, para o balde.

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Foto 10: Já enfrascado e à mesa.

o futuro da apicultura (por Gilles Ratia)

Numa entrevista publicada na Abeilles et Fleures (ed. nº 779 de Fevereiro de 2016), a Gilles Ratia, presidente da Apimondia até muito recentemente, foi-lhe colocada a seguinte questão: Como vê a apicultura no mundo e o seu futuro, à luz das muitas viagens que realizou pelo mundo?

Porque achei a resposta deste experimentado e viajado apicultor muito interessante, deixo aqui a tradução da sua resposta.

“Na verdade, existem várias apiculturas. Há países onde ainda existem os api-coletores — você sabe, aqueles que sobem a árvores para colher o mel das Apis dorsata, ou o ainda mais temerário como suspender escadas feitas de cordas improváveis para re-colectar o mel da Apis laboriosa que vivem agarradas às altas falésias nepalesas.

Há também a apicultura tradicional onde as colmeias sem quadros, feitos de todos os tipos de material, utilizando raças locais (cerana, andansonii, etc.), sem qualquer selecção ou insumo (não utiliza cera laminada, alimentação artificial, tratamento veterinário, etc.).

Em terceiro lugar há a chamada apicultura “intermédia”, com as colónias instaladas em colmeias minimalistas como a famosa KTBH (colmeia queniana de barras superiores) ou as Warré, às vezes alimentadas artificialmente.

Finalmente, há a apicultura como a conhecemos em França, com colmeias Dadant e Langstroth. Este última categoria é altamente afetada no seu lado intensivo e muitas vezes é levantada a questão do seu futuro. Embora eu não seja um adivinho, nem um futurólogo, existem cenários mais ou menos complexos/difíceis de definir, esta é a minha visão quadripartida face ao declínio das colónias de abelhas:

  • Ou os apicultores nada fazem além de se adaptar continuamente, mal ou bem, às novas pressões da profissão: pesticidas cada vez mais perniciosos, globalização das doenças e das parasitoses, produtos veterinários de eficácia questionável, climatologia aleatória, legislação cada vez mais rigorosa a respeito da qualidade dos produtos apícolas, deixando passar simultaneamente as adulterações industriais vindas do Extremo Oriente, custos de produção crescentes, etc. Poucos sobreviverão …
  • Ou os apicultores se voltam para a “apicultura slow”: abandono da criação de rainhas, das ceras laminadas, da alimentação artificial que não seja a estritamente necessária à sobrevivência dos enxames, da redução da transumância e dos tratamento alopáticos, etc., com os outros agricultores a fazerem o mesmo ao seu nível e na sua prática, como parte de uma abordagem holística e cautelosa sobre o futuro da biodiversidade,  e assim de toda a humanidade. Todos sobreviverão…
  • Ou os apicultores se tornam grandes consumidores de alta tecnologia para arrancar com a apicultura 2.0: abelhas geneticamente modificadas, produtos para todos os estádios da colónia e personalizados para cada uma de acordo com o seu estado fisiológico — à imagem das vacas equipadas com coleiras de identificação —, todas as colmeias equipadas com vários sensores para monitorar 24/24 e 7 dias/7 por satélite, previsões metereológicas finas, diversificação de produtos para venda, como sabem fazer os chineses: o pólen + geleia real + ginseng + placenta humana, etc.. Não se sabe se se tratará da sobrevivência a longo prazo ou de um suicídio a curto prazo …
  • Ou ninguém precisa dos apicultores e os políticos vão deixá-los morrer no altar do progresso: plantas GM auto-férteis que não requerem polinização, e nos casos raros em que tal não será possível, micro-drones tocarão o pistilo das flores em vez desses insetos traquinas que picam! Como para o mel, ele é tão facilmente substituído pelo “xarope de frutose de milho” com sabor, não é cavalheiros das fraudes?
  • É óbvio que haverá (na verdade, já existe) uma re-partição dos apicultores na arte das três primeiras apiculturas referidas acima, de acordo com a sua cultura, crença, idade, experiência passada e conta bancária. A verdadeira pergunta que todos devem fazer será: “Em que tipo de mundo viverão os nossos filhos se a quarta opção se impuser?”

vendo mel claro da colheita de 2016 já enfrascado

Nos próximos dias iniciarei a cresta dos meis claros (a floração predominante é o rosmaninho, ainda que não possa garantir que é um mel que cumpra os requisitos necessários a um monofloral).

Neste momento inicial vou comercializar o meu mel só na modalidade enfrascado em frascos sem rótulo, a pensar no potencial mercado de companheiros apicultores que necessitem de uns frascos para satisfazer as necessidades dos seus clientes.  Os frascos que terei ao dispôr serão de 1Kg, o,5Kg e 0,25 Kg.

Deixo a tabela de preços* aos interessados:

1 Kg = 4,80 €;

0,5 Kg = 2,80 €;

0,25 Kg = 1,80 €.

* (ao qual acrescem os 6% do IVA)

Aceitam-se encomendas para quantidades não inferiores a 48 Kg, a entregar no distrito da Guarda ou no distrito de Coimbra.

Estou disponível neste endereço electrónico para receber as encomendas e detalhar o que entenderem necessário: jejgomes@gmail.com

como está a correr? e não faço translarve!

Como está a correr? é uma pergunta que alguns amigos me vão colocando e que eu reciprocamente vou colocando também.

Do lado de lá as respostas têm sido, regra geral, desanimadoras. Elevada mortalidade de colmeias (com fome, abelhas que desapareceram…), enxames fracos, condições climatéricas madrastas, são as respostas que mais tenho recebido à pergunta “como está a correr?”.

Até me custa a falar do meu caso (pensei diversas vezes se deveria ou não fazer este post) pois sei muito bem que o sucesso dos outros se pode tornar muito pesado, até massacrante, num contexto em que as coisas não nos correram de acordo com o desejado. Mas cortar-me a própria palavra seria uma auto-censura que me parece desnecessária porque acredito que os que me lêem são suficientemente adultos para aceitarem realidades diferentes e até contrastantes das suas.

Pois à pergunta “como está a correr?” posso  dizer sincera e humildemente que a minha realidade é diversa. Este foi o ano com menor mortalidade desde que tenho colmeias (abaixo dos 5%). Muito fondant depois, muitos euros gastos, é verdade! mas  os resultados na taxa de sobrevivência das minhas colónias foram muito positivos. Este ano apenas me morreu uma colmeia por fome. Os tratamentos contra os ácaros da varroa continuam a ser eficazes. Mudo o princípio activo de ano e meio em ano meio. A verdade é que a resistência aos princípios activos não dei por ela. À saída do inverno tinha cerca de 435 colmeias e agora estou próximo das 600. Ah, e não faço translarve. Há quem acredite que com 10 colmeias só será um apicultor bem sucedido se fizer translarve. Onde foram buscar essas ideias é fácil de saber: vejam os cursos de criação de rainhas que se multiplicam por todo o lado, a somar ao que se vai escrevendo na blogosfera apícola, e depressa se perceberá como um apicultor novato depressa ficará condicionado por esta ideia e um crente devoto da ideia que o sucesso apícola está na criação de rainhas por translarve.

Dizer que o caminho mais seguro para uma apicultura de sucesso é o bom e frequente maneio das colmeias (é preciso trabalhar!), o investimento em alimentação e tratamentos adequados (é preciso gastar dinheiro!), ter um bom sistema de informação sobre cada colmeia (mais trabalho e mais tempo a dispender!) a juntar a uma ou outra inovação já bem testada por outros e muito reflectida por nós (ler e reler!) não tende a colher muitos adeptos. Mas é este o caminho que tenho seguido e julgo que este ano será mais um ano compensador. Pelos sinais que tenho até agora o mais compensador de todos!

Se alguém tiver boas referências para o valor do mel a granel para este ano agradeço que me/nos informe através dos comentários. Neste link espanhol podemos constatar que as ofertas rondam entre o 4€ e os 5€ por Kg. E por cá?

P.S. Neste link encontramos os valores médios praticados na campanha passada em Espanha quer no mercado a grosso quer no mercado retalhista (abril de 2015 a março de 2016)  http://www.magrama.gob.es/es/estadistica/temas/novedades/preciosmiel2015-2016_tcm7-421520.pdf

44% de colónias de abelhas perdidas nos EUA em 2015-16

Apicultores em todo os Estados Unidos perderam 44% das suas colónias de abelhas durante 2015-16, no período de abril 2015 a abril de 2016, segundo os últimos resultados preliminares de uma pesquisa nacional anual. Esta taxa inclui as perdas de inverno e verão e constata-se que as perdas totais pioraram em comparação com as do ano passado. É o segundo ano consecutivo em que as taxas de perda de verão rivalizam com as taxas de perda de inverno. A pesquisa, que pede a apicultores de pequena escala e a apicultores profissionais para controlar as taxas de sobrevivência das suas colónias de abelhas, é realizado anualmente pela Beeinformed em colaboração com os Inspetores de Apiários da América do Norte, e com financiamento do Departamento de Agricultura norte-americano (USDA). Os resultados da pesquisa para este ano e todos os anos anteriores estão disponíveis ao público no site da Beeinformed.

“Nós estamos no segundo ano de altas taxas de perda de verão, o que é motivo de grande preocupação”, disse Dennis van Engelsdorp, um professor assistente de entomologia da Universidade de Maryland e diretor do projeto Beeinformed. “Algumas perdas de inverno são normais e esperados. Mas o fato de que os apicultores estão a perder abelhas no verão, quando as abelhas devem estar no seu mais saudável, é bastante alarmante. “Os apicultores que responderam à pesquisa perderam um total de 44,1 % de suas colónias ao longo do ano. Isto reperesenta um aumento de 3,5 por cento em relação ao ano anterior (2014-15), quando as taxas de perda foram 40,6%. A taxa de perda de inverno aumentou de 22,3% no inverno anterior, para 28,1 % este inverno, enquanto a taxa de perda de verão aumentou de 25,3% para 28,1%.

Os pesquisadores referem que são muitos os fatores que contribuem para a perda de colónias. Um culpado claro é o ácaro Varroa , um parasita letal que se pode espalhar facilmente entre as colónias. Pesticidas e desnutrição causadas por mudanças nos padrões de uso da terra também são propensos promover estas perdas, especialmente entre os apicultores profissionais.

” A alta taxa de perda ao longo de todo o ano significa que os apicultores estão trabalhando horas extras para substituir constantemente as suas perdas”, disse Jeffrey Pettis , entomologista sénior do USDA e um coordenador da pesquisa. “Estas perdas custam tempo e dinheiro ao apicultor. Mais importante, a indústria precisa dessas abelhas para atender à crescente demanda por serviços de polinização. Precisamos urgentemente de soluções para diminuir as taxas de perdas de colónias de inverno e verão ” .

in https://beeinformed.org/2016/05/10/nations-beekeepers-lost-44-percent-of-bees-in-2015-16/

E entre nós? Se não me falha a memória os dados mais recentes para Portugal publicados no Coloss referem perdas a rondarem os 10%.

a matemática das abelhas

Inicio hoje esta nova categoria biologia da abelha porque entendo ser esta dimensão do conhecimento das abelhas uma das pedras basilares, senão mesmo a pedra basilar, de um maneio eficiente, de um maneio coerente, de um maneio competente.

Neste contexto começo por referir alguns números fundamentais acerca do ciclo de vida das três castas dos insectos que tanto nos interessam e que podendo parecer irrelevantes são extremamente úteis para prosseguirmos e atingirmos um maneio cada vez mais capaz.

  • Castas: abelha obreira; zângão; abelha rainha;
  • Eclosão do ovo: ocorre ao 3º dia e meio para as 3 castas, isto é, desde a ovoposição até ao surgimento da larva passam 3 dias e meio;
  • Operculação: ocorre ao 8º dia para as abelhas rainhas; ao 9º dia para as abelhas obreiras (± 1 dia); ao 10º dia para os zângãos (± 1 dia), sempre a contar do dia da ovoposição;
  • Emergência: ocorre ao 16º dia para as abelhas rainhas(± 1 dia); ao 20º dia para as abelhas obreiras (± 1 dia) e ao 24º dia para os zângãos(± 1 dia), sempre a contar do dia da ovoposição.

Mais alguma matemática das abelhas:

  • As abelhas rainhas iniciam a postura ao 28º dia (± 5 dias) após a ovoposição do ovo que lhes deu origem.
  • As abelhas obreiras iniciam o forrageamento ao 42º dia (± 7 dias) após a ovoposição do ovo que lhes deu origem.
  • Os zângãos iniciam os vôos para as zonas de congregação de zângãos ao 38º dia (± 5 dias) após a ovoposição do ovo que lhes deu origem.

Tomando agora como referência a emergência (vulgarmente apelidado de nascimento)  de cada uma das 3 castas os números são os seguintes:

  • as abelhas rainhas iniciam a postura ao 12º dia (± 5 dias) após a sua emergência.
  • As abelhas obreiras iniciam o forregeamento ao 20º dia (± 7 dias) após a sua emergência.
  • Os zângãos iniciam os vôos para as zonas de congregação de zângãos ao 14º dia (± 5 dias) após a sua emergência.

Esta matemática das abelhas ou matemática da natureza (se não me engano era Einstein que dizia que Deus não jogava aos dados) é de grande utilidade para tomarmos decisões coerentes com a natureza dos ciclos de vida das abelhas. Por exemplo, uma célula real não operculada com larva tem entre quatro e oito dias de idade (a contar da ovoposição). Uma célula real operculada tem entre oito e dezesseis dias de idade (a contar da ovoposição). Ao olhar para a ponta da célula real pode-se inferir se é recentemente operculado (macia e branca) ou se é uma célula real na qual a rainha está prestes a emergir (castanha e fina quase como o papel na ponta). Uma célula real branca macia terá entre oito e doze dias de idade. A célula real mais acastanhada e fina como o papel terá entre treze e dezesseis dias de idade. A rainha surgirá ao 16º dia (15º dia se o tempo está quente). Ela, normalmente, vai iniciar a postura aos 28º dia (± 5 dias) a contar da ovoposição.

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Fig. 1 —  Célula real que deverá ter entre 8 e 12 dias a contar da ovoposição

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Fig. 2 —  Duas células reais que deverão ter entre 13 e 16 dias a contar da ovoposição

A terminar, refiro que tenho cerca de 60 rainhas que deverão ter nascido na passada semana. A ver vamos se conseguem fazer os vôos de fecundação a tempo e horas (janela de 7 ± 5 dias após a sua emergência) e não saem prejudicadas por estes dias de mau tempo.

Nota: post inspirado por Michael Bush (Bushfarms)

1ª enxameação de 2016 em que perdi as abelhas

Ontem, dia 4 de maio, passei por um apiário onde a minha última inspecção tinha sido no dia 15 de Abril (20 dias de intervalo entre inspecções). E paguei a factura de ter alargado demasiado o intervalo entre inspecções. Uma das colmeias tinha todos aqueles sinais inequívocos de ter enxameado: 6 a 7 quadros de abelhas quando 20 dias antes tinha 10 quadros de abelhas, vários mestreiros rotos, ausência de ovos e criação aberta/não operculada.

Por ser um apiário com apenas 4 colmeias foi ficando para trás no agendamento da inspecção. É um apiário no qual pela primeira vez deixei colmeias a invernar, e para minimizar os riscos deixei apenas 4 colmeias para ver como se passaria o inverno àquela altitude. O resultado foi muito positivo e neste inverno deverão ficar por lá cerca de 60 colmeias.

Em baixo fica o histórico desta colmeia.

341 Lusi Rainha de Abril da 2015 (filha da 89)

Linha de enxameação

19-03: Deixei 1 Q com ovos no ninho. Vai receber campeiras da 89. Fiz OTS. Filha da 89. Designei 89M.

25-03: Viu 3 mestreiros fechados.

19-04: Vi postura nos 3 estádios. 4 a 5 Q de abelhas no ninho e muita criação e abelhas na ½ alça. Colocar tira de Apivar. Tem 10 Q no ninho. Expandir. Numerei 341. Transumei da…  para… .

20-05: 5 Q de abelhas. Expandiu.

11-06: 8 Q de abelhas. Transumei da … para …. Coloquei 1ª ½ alça de cera puxada.

26-06: Colocar ½ alça na próxima visita.

02-07: Coloquei 2ª ½ alça de ceras puxadas.

08-07: Crestei. Coloquei sobreninho.

13-01: 7 Q de abelhas.

17-02: 5 a 6 Q de abelhas.

22-03: 6 Q com criação. 8 Q de abelhas. Tinha néctar novo. Coloquei 2 tiras de Apivar.

15-04: Ninho cheio de abelhas. Colocar 1ª ½ alça.

04-05: Enxameou. Vi mestreiros rotos.

o efeito do favo com alvéolos de zangão sobre a produção de mel numa colónia de abelhas do mel

Apresento em baixo o resumo/sumário de um estudo levado a cabo por um dos mais prestigiados investigadores norte-americanos na área da apicultura, e refiro-me ao Dr. Thomas Seeley.

Mais do que a questão acerca do impacto negativo na produção de mel da criação intensiva de zângãos, importa-me neste momento sublinhar um outro aspecto que resulta da sua investigação: uma colónia com favos/quadros de criação intensiva de zângãos aparenta produzir mais zângãos do que os produzidos por colónias que não são providas com este tipo de favos/quadros. Estes dados de Thomas Seeley confirmam o que eu tenho visto em colmeias em que coloco um quadro iscado na posição 2 ou 9 para a produção intensiva de zângãos: observo uma quantidade de zângãos muito superior nestas colónias quando comparo este número com o de colónias sem estes quadros “especiais” para a criação intensiva de zângãos. Com base nestes dados estou convicto que a tese de que as abelhas conhecem e e não ultrapassam um determinado número de zângãos a criar deverá ser substituída pela ideia que o número de criação de zângão é alterado quando se introduz na colmeia quadros com a finalidade de promoverem a criação de zângãos, ou seja, um pretenso determinismo genético é facilmente manipulado com a introdução de quadros “especiais” que  promovem a criação de zângãos.

“Resumo: Este estudo examinou o impacto sobre a produção de mel de uma colónia ao provê-la com uma quantidade natural (20%) de favos com alvéolos de zangão. Durante 3 verões, no período de meados de maio a finais de agosto, eu medi os ganhos de peso de 10 colónias, 5 com favo de zângão e 5 sem ele. As colónias com favo de zangão ganharam apenas 25,2 kg ± 16,0 kg de peso (mel) enquanto aquelas que não provi de favos com alvéolos de zangão ganharam 48,8 kg ± 14,8 kg de peso.

As colónias com favo de zângão também apresentavam uma maior taxa média de voos de zângão** e uma menor incidência de construção de favo de zângão. A menor produção de mel de colónias com favo de zângão aparentemente surge, pelo menos em parte, porque os favos com alvéolos de zângão promove a criação de zângãos e manutenção de zângãos é cara. Eu sugiro que o fornecimento de favos com alvéolos de zângão, como parte de um programa de controle da Varroa destructor, sem pesticidas, pode ainda ser desejável uma vez que eliminando a criação zangão para matar os ácaros pode eliminar grande parte do efeito negativo do favo com alvéolo de zangão na produção de mel.”

fonte: https://hal.archives-ouvertes.fr/hal-00891902/document

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Fig. 1: Quadro de meia-alça que quando introduzido no ninho funciona como quadro de criação intensiva de zângãos

 

** Segundo as medições levadas a cabo por Seeley, a taxa média de saída de zângãos das colmeias foi 4-13 vezes maior nas colónias com favo/quadro com alvéolos de zângãos do que em colónias sem favo/quadro com alvéolos de zângãos.

morte por fome em abril 2016 ou um caso de um mundo inconstante

No dia 20 de abril fui encontrar a minha primeira baixa por fome deste novo ano apícola 2015-16 (o ano apícola vai de setembro a agosto do ano seguinte, no meu caso).

Foi uma colmeia Langstroth que tinha sobreninho, uma colmeia forte. Uma prova que o mundo não é constante, que as verdades que trazemos de anos anteriores poderão servir de pouco ou até iludir-nos no presente ano.

Fica aqui o historial desta colmeia:

356 Lang. Rainha de Junho de 2015 (filha da 155)

Tem abelhas híbridas

20-05: Está zanganeira.

23-05: Transumei da … para a ….

25-05: Está zanganeira. Tentar reverter.

29-05: Coloquei Q com mestreiros fechados retirados da 155.

02-06: Coloquei Q com criação nos 3 estádios da 243.

26-06: Está composta. Tem rainha em postura. 8 Q de abelhas. 4 Q de criação.

02-07: Coloquei 1ª ½ alça de ceras puxadas.

20-11: Transumei da… para….

26-01: 8 a 9 Q de abelhas.

15-02: 8 a 9 Q de abelhas.

29-02: 9 Q de abelhas.

10-03: 5 Q de criação. 9 a 10 Q de abelhas. Expandi. Coloquei 2 tiras de Apivar.

16-03: Coloquei 1ª ½ alça de ceras puxadas.

31-03: 6 Q com criação. Expandi. Coloquei sobreninho. Coloquei Apipasta.

08-04: 3 Q de criação no sobreninho.

20-04: Eliminei. Morreu com fome.

 

varroose: uma lição no youtube

Nesta série de vídeos publicado no youtube https://www.youtube.com/watch?v=ti2xcXxwOzM (ver lista completa à direita) podemos assistir a uma série de conferências muitíssimo recente apresentada por António Gomez Pajuelo, um dos maiores especialistas espanhois em apicultura e em varroose. A conferência é dada em catalão. Com a ajuda dum forista espanhol transcrevo algumas das ideias principais apresentadas por este especialista espanhol. Muito do que ele refere já foi escrito e abordado por mim neste blog, servindo este post como um sumário de alguns desses aspectos e, naturalmente, como confirmação e reforço do que foi por aqui escrito.

A introdução faz um enquadramento geral da atual situação da varroose e ciclo de vida da varroa. Refere que 25% da varroa é forética e permanece no corpo da abelha entre 3 a 10 dias. 75% está operculada. Os tratamentos que introduzimos na colmeia devem assegurar que, além de atacar a varroa forética (25%), também atacam a varroa operculada, devendo ser eficazes durante os próximos 12 dias. Isto porque quando nós introduzimos o tratamento pode acontecer que a varroa tenha acabado de ser coberta pelo opérculo, de modo que a varroa só sairá do opérculo 12 dias mais tarde, portanto o produto deve ter o potencial de atacar estas varroas que não foram atacado pelo produto no momento da sua introdução. Pajuelo explica ainda que os produtos têm o início da libertação ou ataque sobre as varroas 3 ou 4 dias após a introdução, portanto devemos adicionar 3 ou 4 dias a esses 12 dias, o período que a abelha leva até nascer depois de operculada. Então, se não temos um suporte para libertar o produto por 30 dias devemos fazer um segundo tratamento após 15 dias para atacar a varroa que sobreviveu no alvéolo operculado.

Este especialista refere que por cada varroa que entra num alvéolo saem 2 varroas. A teoria diz que, se não houver intervenção do apicultor na luta contra a varroa, por cada mês a partir fevereiro e até agosto a varroa duplica o seu número por cada mês que passa e atinge as 6400 no final deste período, conduzindo a colónia à morte. Os sinais visuais mais evidentes da varroose  são abelhas com abdómen reduzido e abelhas com asas deformadas.

Acerca do teste de monitoragem da varroa na criação que o apicultor desopercula (por exemplo com um garfo de cresta — o método de monitoragem que prefiro) encontramos 75% das varroas existentes na colmeia (exceção feita ao meses de paragem de postura). Esta monitoragem deve ser realizada após o término do tratamento, porque não há garantias da eficiência do tratamento por forma a ficarmos tranquilos (produto com prazo de validade expirado, manuseio incorreto apicultor, tempo pouco auspicioso, etc.).

Pajuelo refere que hoje os tratamentos mais eficazes são os que têm o amitraz como substância activa. O Amicel, tiras de celulose impregnadas com amitraz, é mais eficaz do que as tiras de plástico, porque as abelhas retalham as tiras de celulose e as fibras de celulose envolvem e impregnam mais os corpos das abelhas. Além disso as fibras que caem no fundo da colmeias aumentam ainda mais contato com o produto. Diz que as tiras de celulose atingem mais rapidamente que as de plástico uma maior mortalidade das varroas, mas tal não significa que o produto seja mais eficaz, apenas que é mais eficaz na fase de introdução, mas eventualmente ambas as tiras, tanto de plástico como celulose acabam por ter a mesma eficiência ou resultados.

Acerca do ácido oxálico afirma que gotejamento do mesmo deve ser prudente em função do seu grau de pureza. Quanto às sublimação do ácido oxálico, é um procedimento que mata apenas a varroa forética (25%) e 4 aplicações dão mais garantias do que apenas 3 aplicações. Se a sublimação do oxálico não é corretamente efectuada, por ex. com a utilização de sublimadores de construção caseira sem controle de temperatura, devido às temperaturas demasiado elevadas,  a molécula do oxálico é destruída e a eficácia do tratamento fica seriamente comprometida.

Acerca do thymovar diz que na zona onde o thymovar é colocado a rainha suspende a postura, podendo chegar a parar a postura por um par de dias assistindo-se ainda a aumento da agressividade das abelhas quando sujeitas à aplicação de tratamentos à base de timol.

Aborda também as teses do alvéolo pequeno dizendo que todos os estudos sérios que foram realizados confirmam que as colónias com os alvéolos de 4,9 mm acabam por ter mais abelhas/criação e, portanto, mais varroas sobre as abelhas. Conclui dizendo que, portanto, o alvéolo pequeno/natural não diminui a quantidade de varroa como defendido por alguns. Afirma ainda não é verdade que o tamanho de 4,9 mm é o tamanho natural dos alvéolos, porque os enxames naturais apresentam alvéolos com 4,9 mm na parte inferior dos favos, mas surgem alvéolos com 5,1 mm na zona intermédia e com 5,4 mm na zona superior do mesmo, isto é, a dimensão dos alvéolos não é uniforme ao longo de um favo natural. Refere ainda que a varroa não suporta mais de 40 graus, portanto no deserto do Arizona onde o casal Lusby afirma ter abelhas resistentes à varroa, as condições ambientais locais podem ajudar a explicar quase tudo.

Acerca do quadro de criação intensiva de zângãos refere que se ajuda a subtrair algumas varroas pode também causar dissabores se no dia ou dias previstos para o corte o favo de zângão não se pode ir ao apiário, porque o apicultor teve um impedimento/acidente ou porque está a chover. Em situações destas os zângãos acabarão por nascer e com eles todas as varroas que se tencionava eliminar.

Pajuelo termina dizendo o que todos sabemos ou deveríamos saber, que não existe uma fórmula única e maravilhosa para lidar com a varroa.