o pagamento dos serviços ecossistémicos: uma mudança radical no pensamento ambiental

“Como professor de ecologia, sei muito bem que não faltam problemas ambientais para nos manter acordados à noite – alterações climáticas, disseminação de doenças/pragas, zonas mortas no Golfo do México, pesca em colapso, extinção em massa e cem outras coisas que são o habitual repertório dos profetas do alarmismo ambientalista.

O que nos permite dormir é o conhecimento de que os programas ambientais estão realmente progredindo na solução desses problemas. E há um conceito – chamado serviços ecossistémicos – que está por trás da solução de praticamente todos os desafios ambientais que enfrentamos. Se este milénio for lembrado por qualquer coisa ambiental, ele será lembrado por uma mudança radical no pensamento ambiental centrado em torno do conceito de serviços ecossistémicos.

Mas o que é um serviço ecossistémico? E podemos usar princípios científicos para avaliar e projetar projetos ambientais que geram pagamentos dos serviços ecossistémicos que eles fornecem?

Manguezais e zonas húmidas fornecem ajuda para controlar a erosão e filtrar o ar e a água. Serviços vitais, mas quanto valem financeiramente?

A definição mais simples para um serviço ecossistémico é qualquer coisa que a natureza faça por nós que melhore nosso bem-estar. De fato, algumas pessoas chamam esses serviços de “naturais” ou “serviços da natureza”.

Tal definição ajuda, mas qual é o “serviço” num “serviço ecossistémico”?

Usamos muitos serviços em nossas vidas diárias: e-mail, eletricidade, internet, telefone, televisão a cabo, serviços financeiros, serviços de saúde, serviços governamentais, principalmente na forma de impostos para água, saneamento, polícia, militares e educação. Na verdade, o dinheiro do meu ordenado vai para pessoas de vários lugares que são essencialmente provedores de serviços.

Os serviços ecossistémicos são exatamente isso, menos a parte das pessoas. Em vez disso, eles são fornecidos por plantas, animais e microorganismos que compõem os ecossistemas. São os milhões de espécies na Terra, em florestas, pastagens, desertos, relvados , recifes de corais, tundra ártica, zonas húmidas e muito mais, que nos fornecem ar respirável, água potável, solos férteis, pesca produtiva, madeira, e um clima mais equilibrado.

Eles também fornecem a vida selvagem que eu amo ver, produtos medicinais, carne para muitas pessoas ao redor do mundo e para quem a caça é o principal meio para obter proteína, polinização por abelhas, contenção da propagação de doenças, protegem as margens costeiras dos impactos das ondas, impedem a erosão do solo, produzem solo, decompõem resíduos, e centenas de milhares de muitos outros serviços que tornam nosso mundo habitável.

Há uma grande diferença entre serviços prestados pela natureza e antropogénicos, ou fornecidos por humanos: não pagamos à natureza um centavo pelos seus serviços. E se o fizermos?

Muitas pessoas sentem que o nosso ambiente está indo para o inferno porque nós não pagamos por isso, então nós realmente não temos qualquer incentivo financeiro tangível para sermos criativos ou eficientes no nosso uso dos serviços da natureza e não temos qualquer desincentivo por destruir a natureza.

O governo da Costa Rica paga aos proprietários de terras para que não cortem as florestas, que fornecem serviços ambientais (ar e água limpos) e benefícios económicos diretos via turismo.

[…] Quando você pensa sobre isso, se os projetos de Pagamento dos Serviços Ecossistémicos estão rapidamente se tornando a maneira dominante para o nosso ambiente ser gerido, então todos nós estamos confiando a eles coisas que valorizamos quase mais do que qualquer outra coisa – um mundo saudável para nós e nossos filhos. É também um mundo rico em espécies e mais resistente aos caprichos de um planeta às vezes aleatório e caótico que pode provocar tornados, tsunamis, secas, incêndios e pode mesmo ser atingido pela queda de um asteróide ocasional.

Todos nós podemos dormir um pouco à noite por causa do fantástico trabalho de projetos Pagamento dos Serviços Ecossistémicos em todo o mundo. Mas podemos dormir um pouco melhor agora, sabendo que eles estão se unindo para melhor proteger os serviços que a natureza nos proporciona.”

Autor: Shahid Naeem Shahid Naeem
Diretor do Science, Earth Institute Center for Environmental Sustainability , Universidade de Columbia, EUA.

fonte: https://theconversation.com/bringing-scientific-rigor-to-ecosystem-services-38817

quando todos estamos de acordo nas soluções… mas posso esperar pelos seus efeitos?

No mundo actual o comércio global é uma realidade. Uma parte dos produtos produzidos em Portugal são vendidos nos quatro cantos do mundo. Estas portas abertas para a exportação dos nossos produtos tem como contrapartida Portugal (ou melhor a UE) ter de adoptar uma política recíproca: manter as portas abertas às importações de produtos dos mais diversos pontos do mundo.

No que respeita ao mel estas mesmas regras também se aplicam. Se exportamos uma parte da nossa produção, também importamos mel de outros países, em particular do maior produtor mundial, a China. Sobre as certezas e suspeitas em relação à qualidade do “mel” chinês já escrevi por aqui várias vezes. Sobre o impacto da concorrência destrutiva deste produto, a que alguns chamam mel, também já por aqui escrevi. O que me traz agora aqui é um aspecto correlacionado: como manter um sector profissional à tona de água se o mercado de mel a granel mantiver este ano a mesma tendência baixista que se verificou no ano passado?

Para responder a esta questão muitos de nós focam aspectos como a necessidade de se rotular o mel de forma mais transparente, como sempre se fez em Itália, por ex.; a necessidade de concentrar a produção em cooperativas eficientes e com mercados que escoem a valores justos as 5 a 10 mil toneladas/ano que se produzem em Portugal; a necessidade de fiscalizar mais e melhor as 200 mil toneladas/ano de mel importado pela UE com instrumentos e técnicas capazes de identificar as fraudes cada vez mais sofisticadas; a necessidade de campanhas de sensibilização para promover o consumo de mel nacional, de forma a convencer os consumidores que tem ganhos em comprar mel a 10 €/kg, quando na mesma prateleira encontra outros produtos também chamados mel a 5 €/kg. Relativamente a estas propostas só um idiota se lhes oporia. Claro que são medidas justas e necessárias. Desde 2011 que venho escrevendo em público sobre a maior parte delas. Deixo no entanto uma questão: se elas forem aplicadas já amanhã, coisa em que só um sonhador em delírio acredita, estará cada um de nós, apicultor profissional, em condições de esperar que as mesmas produzam efeitos e se reflictam no dinheiro que precisamos ter nos bolsos para honrar os nossos compromissos de hoje?

Apêndice: neste link podemos ver algumas infografias elucidativas do mercado de mel europeu e mundial: http://www.europarl.europa.eu/news/en/headlines/economy/20180222STO98435/key-facts-about-europe-s-honey-market-infographic

primeiros desdobramentos de 2019: o seguimento

No final de março deste ano realizei os primeiros desdobramentos como descrevi aqui.

A técnica que utilizei para criar as melhores condições para a construção de alvéolos reais foi a OTS (on the spot). Esta técnica permite às abelhas construir alvéolos reais de emergência quase na vertical, assim como o fazem quando se trata de alvéolos reais de substituição ou de enxameação. Alguns de nós, grupo onde me incluo, acreditam que a verticalidade do alvéolos reais permite às larvas das futuras rainhas alimentar-se mais facilmente e mais abundantemente da geleia real depositada no fundo do alvéolo real.

Ficam em baixo, e passados pouco mais de dois meses, fotos tiradas hoje do padrão de postura apresentado por duas rainhas criadas com a aplicação desta técnica.

Foto do ninho da colmeia “1” onde se podem ver os quadros assinalados onde realizei o OTS e um dos quadros exemplificativo do actual padrão de postura.


Foto do ninho da colmeia “2” onde se pode ver o quadro assinalados onde realizei o OTS e um dos quadros ilustrativo do actual padrão de postura.

Uma nota final: como noutros casos as abelhas nem sempre lêem os mesmos livros que o apicultor lê. Neste caso em concreto da utilização do OTS, nem sempre as abelhas optam por construir os alvéolos reais no local OTS, caso tenham outras alternativas viáveis, como ovos ou larvas num rebordo do favo ou mesmo no centro do favo. O OTS sendo uma técnica de fácil utilização, não é 100% efectiva e não garante sempre a produção de rainhas de grande qualidade. Em geral, e de acordo com a minha experiência, os resultados são muito satisfatórios. Gosto também de utilizar esta técnica pela sua simplicidade e, sobretudo, por estar sempre e imediatamente disponível nos casos em que por razões imprevistas desejo dividir/orfanizar uma colónia, em especial no período de pré-enxameação ou enxameação.

3 condições para a puxada de cera

  • As abelhas puxam cera quando precisam: as abelhas não são preguiçosas; mas também não são desperdiçadoras. Puxar um favo requer muito esforço e energia para produzir a cera e moldar os alvéolos. Se elas não precisarem do espaço, teremos dificuldade em fazê-las puxar cera.

  • As abelhas precisam de temperaturas relativamente quentes para puxarem cera: 35ºC no interior da colmeia/ninho é a temperatura ideal para as abelhas moldarem as pequenas escamas de cera que produzem Se as temperaturas externas forem muito baixas ou muito elevadas, será muito mais difícil para as abelhas trabalharem a cera.

  • As abelhas precisam de muito néctar: as abelhas precisam consumir grandes quantidades de néctar/mel para estimular as glândulas de cera. O néctar/mel é metabolizado e transformado nas glândulas cerígenas que lhes permite produzir cera. As operárias consomem pólen nos primeiros dias de vida para promover o desenvolvimento destas glândulas.

guru da saúde das abelhas: ajudando os apicultores a manter as abelhas saudáveis

“Para muitos, a apicultura é um trabalho de amor. E quem não gosta de manter as abelhas saudáveis?

Tradicionalmente, manter as abelhas saudáveis ​​significa vestir as luvas, acender o fumigador, fumigar as abelhas para acalmá-las, abrir a tampa da caixa, usar o levanta-quadros para soltar os quadros, levantar os quadros e então examinar as suas abelhas com cuidado.

E se suas abelhas puderem ser o guru e lhe disserem se estão ou não saudáveis? O aplicativo Bee Health Guru permite que você faça exatamente isso.

O Bee Health Guru é um aplicativo de smartphone Android e Apple iOS que a nossa equipe de investigadores em abelhas da Universidade de Montana vem desenvolvendo há quase uma década. Nossos principais investigadores, Jerry e Colin, trabalham com abelhas há mais de 30 anos e, a partir disso, trabalhando com milhares de apicultores ao redor do mundo, sempre suspeitaram que as abelhas faziam barulhos diferentes quando tinham diferentes problemas. Usando técnicas de pesquisa sofisticadas e equipamentos de áudio de última geração que enviámos para apicultores especialistas em todo o mundo, nossa equipe coletou os sons específicos que as abelhas produzem quando não estão bem. Em seguida, combinámos isso com nossa programação de inteligência artificial especialmente desenvolvida para levar até você um aplicativo de smartphone que leva apenas 30 segundos para ouvir suas abelhas e usar nosso banco de dados de sons e IA para informar em segundos o que está errado com suas abelhas.

Bee Health Guru – Pressione o botão vermelho e coloque seu telefone na entrada da colmeia.

Depois de ouvir suas abelhas, o Guru da Saúde das Abelhas lhe dirá em segundos (30 a 60) se alguma coisa está errado com as suas abelhas.

Nesta colmeia com criação apodrecida (loque americana/foul brood), que é particularmente difícil para os apicultores iniciantes identificarem, foi correctamente diagnosticada.

Aplicativo de smartphone Bee Health Guru – criação apodrecida encontrada/diagnosticada

Usar o aplicativo de smartphone Bee Health Guru é fácil! Basta colocar suas luvas de apicultura, pressione o botão de gravação vermelho e coloque seu telefone na entrada da colmeia.

O aplicativo emitirá um bip quando a varredura de 30 segundos terminar, e você simplesmente retirará o telefone da colmeia, permitirá que nossa IA (inteligência artificial) faça seu trabalho rapidamente e leia os resultados. Normalmente o seu telefone ficará coberto de abelhas, por isso, limpe-as com cuidado!

 project video thumbnail

A equipe de Guru da Saúde das Abelhas é formada por pesquisadores e cientistas de classe mundial. Jerry Bromenshenk, o nosso principal pesquisador, tem mais de 30 anos como professor de biologia na Universidade de Montana e leciona o único Programa de Mestrado de Apicultura on-line, oferecido pela University Academic Credit na América do Norte, com estudantes de todos os estados e províncias e 15 outros países.”

fonte: https://www.kickstarter.com/projects/beehealthguru/bee-health-guru-a-smartphone-app-for-beekeepers?fbclid=IwAR2OleKW-W0iptt3YofetL0Bo57w3yWW4Vk1SwhtB1qVi8Q6Wr7webyHlYY

Nota: tenho ideia que nunca promovi nenhum produto comercial ainda na sua fase beta no meu blog (ou mesmo outros, já consolidados, tem sido muito raro). Este será o primeiro e faço-o porque acredito nele e na sua enorme utilidade, caso se venham a confirmar as minhas expectativas assim como as de muitos outros. Na minha opinião para ser quase perfeito falta a capacidade preditiva de uma situação de pré-enxameação a esta aplicação. Desejo os melhores sucesso para a equipa de desenvolvimento desta aplicação, porque o seu sucesso será também o nosso e o das nossas abelhas.

alguns remédios “orgânicos” para controle de ervas daninhas não são tão seguros quanto parecem

“Você pode aprender muito na Internet. Aqui está um pouco da sabedoria em jardinagem que aprendi ultimamente sobre como controlar ervas daninhas com soluções supostamente orgânicas:

• Para matar ervas daninhas, use uma mistura de sabão, sal e vinagre […]

Temos a tendência de nos sentirmos confortáveis com os produtos caseiros. Mas é bom ser cauteloso mesmo com remédios caseiros supostamente seguros.

O sabão aparece constantemente como uma cura milagrosa nas páginas do Facebook dedicadas à jardinagem. Existe alguma lógica por trás da mistura. O sabão ajuda a mistura a espalhar-se nas folhas. O sal pode ser tóxico para as plantas. E o vinagre tem sido usado para combater ervas daninhas, embora geralmente o vinagre para horticultura tenha cerca de quatro vezes o ácido acético do vinagre que usamos na cozinha. Com 20% de ácido acético, o vinagre para horticultura é perigoso o suficiente para que os utilizadores devam usar mangas compridas, luvas e óculos para se protegerem de queimaduras e respingos.

Esta mistura é um herbicida de contacto que funciona secando as folhas da planta. Como o Roundup, a mistura não faz distinção entre plantas boas e ruins, então, se você decidir usá-lo, observe bem onde o pulveriza.

Como a água quente, esta mistura geralmente mata apenas pequenas ervas daninhas. Embora os resultados com ervas daninhas maiores pareçam boas no início, as ervas daninhas perenes e grandes ervas daninhas provavelmente se recuperarão. […]

Também não há nada orgânico na mistura. Todos os três ingredientes principais são produtos químicos, e um cientista que escreveu sobre o assunto argumenta que os níveis de toxicidade no vinagre e no sal podem ser altos (pode ler sua análise aqui: weedcontrol-freaks.com/2014/06/salt-vinegar-and-glyphosate/). […]

Então, o que é que um jardineiro que procura soluções orgânicas deve fazer? Sempre há o bom poder muscular, aplicado a cada duas semanas, auxiliado por sacholas e colheres de jardinagem e um ancinho rígido que podem remover muitas ervas daninhas.

As soluções mágicas geralmente não são tão boas quanto parecem e, às vezes, podem causar danos consideráveis. Faça sua pesquisa antes de usar qualquer produto químico – caseiro ou não – no jardim.

Mary Jane Smetanka é escritora freelancer mestre de jardinagem em Minneapolis.”

fonte: http://www.startribune.com/some-organic-weed-control-remedies-aren-t-as-safe-as-they-sound/323254201/

o ddt e a batata ou a revisão do que julgamos saber

“O DDT e outros pesticidas iniciais similares foram alvo de grande preocupação devido à sua lipofilia e persistência incomuns, embora não haja evidência epidemiológica convincente de perigo carcinogénico para os seres humanos (Key e Reeves, 1994) e embora os pesticidas naturais também possam bioacumular. Num estudo recente, no qual o DDT foi ministrado na alimentação de macacos rhesus e cynomolgus ao longo de 11 anos, o DDT não foi avaliado como carcinogénico (Takayama et al., 1999; Thorgeirsson et al., 1994) […]

O DDT é muitas vezes visto como o pesticida sintético tipicamente perigoso porque se concentra no tecido adiposo e persiste durante anos. O DDT foi o primeiro pesticida sintético; erradicou a malária em muitas partes do mundo, inclusive nos Estados Unidos, e foi eficaz contra muitos vetores de doenças, como mosquitos, moscas tsé-tsé, piolhos, carrapatos e pulgas. O DDT também foi letal para muitas pragas e aumentou significativamente a oferta e reduziu o custo de alimentos frescos e nutritivos, tornando-os acessíveis a mais pessoas. Um relatório de 1970 da Academia Nacional de Ciências concluiu: “Em pouco mais de duas décadas, o DDT evitou 500 milhões de mortes devido à malária, que de outro modo teriam sido inevitáveis” (National Academy of Sciences, 1970).

O DDT é incomum em relação à bioconcentração e, por causa de seus constituintes de cloro, leva mais tempo para se degradar na natureza do que a maioria dos produtos químicos; no entanto, estas são propriedades de relativamente poucas substâncias químicas sintéticas. Além disso, milhares de produtos químicos clorados são produzidos na natureza (Gribble, 1996). Os pesticidas naturais também podem se bioconcentrar se forem lipossolúveis. As batatas, por exemplo, contêm naturalmente as neurotoxinas solanina e chaconina lipossolúveis (Ames et al., 1990a; Gold et al., 1997a), que podem ser detectadas na corrente sanguínea de todos os comedores de batata. Níveis elevados dessas neurotoxinas de batata mostraram causar defeitos congénitos em roedores (Ames et al., 1990b).”

fonte: https://toxnet.nlm.nih.gov/cpdb/pdfs/handbook.pesticide.toxicology.pdf

os enxames secundários: os mistérios da enxameação segundo Doolittle

“Todos os enxames que possuem uma rainha jovem ou virgem podem ser adequadamente classificados como enxames secundários. Quando um enxame principal/primário sai, geralmente deixa realeiras maduras na velha colmeia mãe, das quais emergirão jovem rainhas que liderarão todos os enxames posteriores.

Como regra, cerca de seis a oito dias após o enxame principal ter saído a primeira jovem rainha emerge do casulo real, e se uma nova enxameação é aceite pelas abelhas como a melhor solução para a colónia, as outras jovens rainhas são mantidas nas suas células reais por um pequeno grupo de abelhas que se aglomeram sobre elas constantemente, de modo que a tampa/extremidade da célula não possa ser removida para deixar a jovem rainha sair. Se uma enxameação adicional não for considerada uma boa solução pelas abelhas, então todas as restantes realeiras serão destruídas depois da eliminação das jovens rainhas, de modo que a primeira rainha que emergiu será a única da colmeia.

Se as células são protegidas como acima se descreve, a primeira rainha emergida parece entrar em fúria, e profere notas estridentes em intervalos, soando algo como tee-tee, tee-te, t, t, t, soaria proferido neste maneira, e designou-se “encanamento/piping da rainha”, que é mantido por cerca de dois dias, durante a formação do segundo enxame, ou o primeiro dos enxames secundários. Este “piping” da rainha é sempre ouvido no caso de existir uma pluralidade de rainhas numa colónia que pretenda enviar mais enxames secundários. As rainhas retidas nas suas realeiras pelas abelhas estão crescendo em idade e força e, durante a pressa e a agitação da segunda enxameação, uma ou duas dessas rainhas terminam apressadamente roendo a tampa da realeira e saem com este novo enxame, dando-se o caso de duas ou mais rainhas serem encontrado neste primeiro enxame. secundário.

Se um terceiro enxame for lançado, as abelhas agrupam-se sobre as células reais remanescentes tendo rainhas nelas, e acontece o mesmo que anteriormente e o terceiro enxame sai. Como há menos abelhas em número nesta altura do que aquando da saída do segundo enxame e rainhas mais maduras mantidas como prisioneiras, as realeiras são geralmente menos vigiadas pelas abelhas-guarda. Nesta altura as rainhas, abelhas correm para fora, e nesses casos eu tenho contado muitas vezes de 8 a 15 rainhas com um desses enxames, embora de um a cinco seja o número usual.

Ocasionalmente, uma colónia enviará um quarto e, às vezes, um quinto enxame, embora este seja de ocorrência muito rara; e às vezes todas as jovens rainhas deixam suas realeiras e saem com o último enxame, neste caso a colónia mãe fica irremediavelmente sem rainha, e morre pela sua incapacidade de produzir uma rainha. Assim que as abelhas se vão, as larvas da traça da cera destroem os quadros, e o dono/apicultor declara que as traças foram quem destruiu as suas colmeias.

Acima, tentei dar uma pequena visão dos mistérios da enxameação de abelhas, muitos dos quais parecem não ser totalmente compreendidos, mesmo por aqueles que mantiveram as abelhas por vários anos”

“Duas rainhas num enxame – mistérios da enxameação”, G. M. DOOLITTLE, ABJ, agosto de 1902.

vespa velutina: impacto das armadilhas de primavera num concelho da Galiza

Apresento em baixo extractos de uma notícia acerca dos resultados muito positivos alcançados em 2018 num concelho da vizinha Galiza na luta contra a velutina. A estratégia passou pela colocação de inúmeras armadilhas para capturar o maior número possível de fundadoras, com a participação alargada dos munícipes/fregueses, e com a intervenção/assessoria técnica de uma empresa especializada. Neste ano de 2019 a estratégia vai ser melhorada com a colocação de armadilhas mais selectivas (com entradas de 8 mm) para evitar o mais possível os impactos negativos desta prática na restante entomofauna.

Estes dados aparentemente divergem dos dados apresentados pelos especialistas e autoridades francesas acerca do impacto das medidas de colocação massiva de armadilhas para capturar fundadoras à saída da invernagem. Este tipo de divergência aparente é muito frequente quando as realidades observadas não são exactamente iguais (por ex. se as populações avaliadas já atingiram o seu ponto de equilíbrio), os períodos de recolha de dados não são os mesmos, a extensão geográfica das áreas avaliadas não é equivalente, quando os protocolos de acção e de observação/quantificação são diferentes e/ou por um conjunto de outras variáveis ainda desconhecidas. Nesta área falta conhecimento sólido porque em grande medida falta também investimento na criação de equipas de especialistas com as ferramentas e pré-requisitos necessários à produção desse conhecimento.

No imediato, quem desejar contribuir para a captura das vespas fundadoras deve, na minha opinião, ter em consideração um dado que é consensual: as armadilhas devem ser o mais selectivas possível por forma a minimizar os impactos negativos sobre os insectos não-alvo que uma utilização massiva implica.

“No ano 2017 retiramos máis de 400 niños e houbo unha afectación moi importante sobre a produción de mel no municipio. Por iso o ano pasado decidimos actuar desde o Concello. Puxemos case 300 trampas. Fixémolo directamente, con persoal de Protección Civil, pero asesorados tecnicamente pola empresa Serpa. Era o primeiro ano que trampeabamos, foi como unha experiencia piloto, e os resultados foron moi positivos. Pasamos de retirar máis de 400 niños en 2017 a só 73 no 2018. É certo que foi un peor ano para elas polas condicións climatolóxicas que se deron, pero aquí ao lado, no concello de Viveiro non trampearon e, coa mesma superficie que O Valadouro, uns 110 quilómetros cadrados, retiraron 529 niños[…].

Un dos efectos negativos do trampeo masivo é a captura doutras especies de insectos que, a diferenza da vespa asiática, son positivos. Para tratar de minimizar estas consecuencias sobre a biodiversidade reduciron ao máximo o tamaño dos orificios de entrada. “O importante no trampeo é facelo o máis selectivo posible. Cun oco de 8 milímetros de diámetro evitas que entren mariposas ou outros insectos beneficiosos[…].

Para activar de novo este ano o programa de captura de raíñas, o Concello celebra este sábado unha xuntanza formativa á que está convidada toda a veciñanza. Da parte técnica encargarase José María Vázquez, xerente da empresa Serpa, especializada na loita contra a velutina.”

fonte: http://www.campogalego.com/apicultura/o-valadouro-un-concello-que-logrou-reducir-un-83-a-presenza-da-vespa-velutina/?fbclid=IwAR0tWiQKCPh-QToWTSvjAvueV6CDDQEWkeNCJzQwdLRo1KDONcG5rlD5eJU

vespa velutina: impacto das armadilhas de primavera

Em algumas regiões de França, a monitorização do impacto no número de ninhos resultante da utilização de armadilhas para a captura das primeiras velutinas fundadoras e obreiras não são animadores. A minha esperança é que estes dados estejam errados. Caso estejam correctos, parecem apontar para uma estabilização do número de ninhos ao longo dos anos independentemente de uma maior ou menor intensidade nas acções de captura de fundadoras à saída da invernagem.

Rede de monitorização e controlo montada na região de Pays-de-la-Loire
Outono de 2008: 1 vespão identificado no sul de Vendée.
Início de 2009: montagem de uma rede de monitorização e controle (organização e treino, supervisão de caçadores, perícia, coleta de informações confiáveis).
Primavera de 2009: captura de fundadoras com um número limitado de “armadilhas seletivas de cerveja” num raio de 30 km em torno da área onde foi identificado o primeiro adulto em 2008.
Balanço 2009 => Nenhuma fundadora capturada, 12 ninhos descobertos
2010: distribuição de 400 armadilhas “seletivas” entre caçadores treinados e apicultores voluntários. Armadilhas colocadas perto de apiários. Ampla informação pública.
Avaliação 2010 => 6 fundadoras capturadas, 195 ninhos identificados.
2011: renovação do plano de vigilância e luta de 2010.
Balanço de 2011 => aprox. 10 fundadoras capturadas, 485 ninhos identificados.

Operação de armadilhagem intensiva na cidade de Bordeaux
(Rome et al., 2013)
Desde 2007: Implantação de uma alta densidade de armadilhas de fevereiro a abril (exemplo: 15.000 armadilhas / 550 km2 em 2009)
Balanço final => Vários milhares de fundadoras capturadas em cada ano, mas o número de ninhos encontrados permanece estável: 300 / ano

2007 a 2011: muitas experiências semelhantes foram realizadas a uma escala comunal ou departamental (Dordogne, Gironde, Morbihan, etc.)
Balanço => densidade de ninhos encontrados estável.

2007 a 2009: nenhuma campanha de captura maciça em Lot-et-Garonne
Balanço => número de ninhos detectados é metade em 2007/2008 (609 para 267). Ligeira recuperação do número de ninhos em 2009.

Conclusão: Nenhuma campanha de armadilhagem na primavera parece eficaz na redução da densidade de colónias de vespas asiáticas.
As diminuições são devidas ao clima (inverno) e à estabilização natural das populações.

Feedback sobre outras vespas invasoras
Vespa germânica (Vespula germanica) introduzida na Nova Zelândia.

Única forma de diminuir a densidade = destruição quase total de todos os ninhos.
Armadilhas de captura de fundadoras (outono ou primavera) = ineficaz
Cálculo da taxa de mortalidade dos diferentes estágios de desenvolvimento das colónias de vespas (Vespula germanica e V. vulgaris):
1% das fundadoras poderão fundar uma colónia no ano seguinte
95% de mortalidade no inverno + 4% de mortalidade na primavera (competição).
Usurpação de ninhos primários muito comuns em vespas (30% das colónias com ninhos usurpados).
Em média, 12 mudanças de fundadoras por ninho.
Frequência de usurpação aumenta com a densidade das fundadoras no local.”

fonte: https://www.concarneau-cornouaille.fr/files/ACTUALITES-2018/04-Avril/FrelonAsiatique_AChevallierV2018red.pdf