produtos da agricultura orgânica: o mito 100% livre de químicos

“Tal como acontece com a maioria esmagadora das amostras, os resíduos detectados nos itens orgânicos estão em níveis abaixo das “tolerâncias” conservadoras que são definidas pela EPA. Sim, resíduos estão presentes. Não, eles não são um problema de segurança. No entanto, a presença de resíduos entra em conflito com o que muitos consumidores são levados a acreditar na diferença entre o orgânico e o convencional. Muitas pessoas pensam que o orgânico significa “sem pesticidas”. Isso simplesmente não é verdade. Os agricultores orgânicos podem e usam uma série de pesticidas permitidos porque eles também precisam lidar com pragas. A lista de pesticidas orgânicos aprovados não se baseia em critérios de segurança, mas sim se eles podem ou não ser considerados “naturais”. Novamente, apesar de um marketing muito enganador, “natural” não significa automaticamente segurança. De fato, o USDA, que é responsável pela certificação orgânica, afirma especificamente em seu site que “nossos regulamentos não abordam a segurança alimentar ou a nutrição”. […]

“Os dados também nos dizem que existem algumas semelhanças impressionantes entre o orgânico e o convencional quando se trata de resíduos. O que os dados também nos dizem é que, como consumidores, devemos rejeitar alguns dos enganosos esforços de marketing  de certos elementos irresponsáveis ​​da indústria orgânica. Em vez de ceder a essas campanhas baseadas no medo, devemos sentir a liberdade de escolher produtos saudáveis ​​e deliciosos usando critérios importantes como frescura, sabor, qualidade e acessibilidade/custo.”

Fig. 1: Químicos detectados em amostras de produtos da agricultura orgânica

Fonte: http://appliedmythology.blogspot.pt/2017/03/organic-might-not-mean-what-you-think.html

Apêndice: Acerca da produção de mel em Portugal, também já vai sendo tempo que uns poucos deixem de valorizar o mel produzido em modo biológico, defendendo falsamente que está 100% livre de químicos, à custa e aos ombros de comparações enganadoras e que visam atemorizar e desviar os consumidores do mel de produção convencional. É um gesto que os engrandeceria e defenderia toda a apicultura Nacional.  Felizmente as análises publicadas têm mostrado que ambos os modos de produção respeitam os apertados critérios definidos pela Autoridade Europeia para a Segurança dos  Alimentos no que ao mel concerne.

maximizar o crescimento primaveril de uma colónia de abelhas

Neste vídeo Randy Oliver apresenta a uma audiência de apicultores canadianos um conjunto de ideias que ele segue para maximizar o crescimento primaveril das suas colónia situadas na Califórnia. Como se costuma dizer toda a apicultura é local. Contudo sendo as condições edafoclimáticas, os timings e algumas necessidades, diferentes de zona para zona, podemos aprender com este apicultor californiano tanto quanto os nossos companheiros canadianos o fazem.

Para a minha zona e com aplicabilidade destaco as seguintes ideias retiradas desta bela palestra de Randy Oliver:

  • ajustar o maneio das colónias aos objectivos: produzir mel, fazer pacotes, efectuar polinização, criar rainhas, produzir núcleos, …?;
  • preparar a primavera seguinte no final do verão anterior com o controlo atempado da varroa, com o fim de reduzir o impacto negativo do vírus das asas deformadas na longevidade da nova geração de abelhas que irão invernar;
  • estimular a postura da rainha no final do verão/início do outono com pasta proteica, se houver pouco pólen disponível no exterior, para ter mais abelhas a invernar;
  • conhecer os timings dos primeiros fluxos de pólen: tipicamente a colónia atinge a pulsão enxameatória 60 a 90 dias após a primeira entrada significativa de pólen;
  • prevenir a enxameação: colónia enxameadas necessitam 30 a 60 dias para recuperar a população de abelhas perdidas;
  • compreender a transição de abelhas de inverno para abelhas de verão: quando a criação começa a aumentar e as abelhas de inverno começam a morrer, a colónia passa por um período crítico de reequilíbrio populacional,  mais difícil ainda se as condições climatéricas forem desfavoráveis;
  • (MUITA ATENÇÂO aos 22′ 20” em que Randy Oliver mostra um belo quadro com criação fechada de uma ponta à outra, retirado de uma colónia no mês de Fevereiro, colónia esta com apenas três quadros de abelhas; Randy questiona a audiência acerca do futuro para esta colónia se as temperaturas nocturnas descerem muito: resposta a colónia está condenada; o número de abelhas disponíveis para aquecer tanta criação é insuficiente e o número de abelhas que nascerão não será suficiente para substituir as abelhas de inverno que estão a morrer em maior número cada dia que passa; será campo fértil para o surgimento de nosemose ceranae e loque europeia);
  • estar atento ao crescimento linear de uma colónia que se inicia com a estabilização do ninho (cerca de 5 quadros com criação) e continua durante cerca de 60 dias: nesta fase nascem 400-500 abelhas/dia, isto é, ao fim de 4 a 5 dias temos mais um quadro coberto de abelhas;
  • não esquecer que as rainhas atingem o pico de postura quando as abelhas cobrem 10 ou mais quadros;
  • não esquecer que a população de abelhas máxima de uma colónia corresponde a 42 vezes a taxa de ovoposição de uma rainha: se uma rainha põe 1000 ovos/dia a população máxima da colónia será de 42000 abelhas; a média de ovoposição de uma rainha nova é de 1500 ovos/dia;
  • não esquecer que as rainhas gostam do efeito chaminé alcançado quando se coloca um sobreninho com ceras já puxadas o que lhes permite “subir” e iniciar aí a postura; assim estamos a maximizar a postura da rainha e a prevenir a enxameação;
  • colónias grandes e em rápido crescimento necessitam de entrada de muito pólen; se as condições climatéricas não permitem o pastoreio a produção de geleia real diminui imediatamente (1 hora após o início de chuvadas por ex) e em casos mais graves as abelhas canibalizam os ovos e as jovens larvas para suprir algumas necessidades proteicas;
  • a escassez de alimento e a mortalidade por fome ocorre mais no início da primavera que durante o inverno;
  • importa monitorar a quantidade de alimento dado às larvas: larvas a nadar em geleia é muito bom sinal; larvas em alvéolos quase secos é sinal de desequilíbrio nutricional corrigido com suplementos proteicos;
  •  alimentar sempre que na primavera há vários dias seguidos com condições climatéricas que impeçam as abelhas de sair; nesta altura as reservas são as suficientes apenas para o dia-a-dia;
  • o gatilho para a  enxameação surge quando não existe feromona da criação emitida pelas larvas jovens antes da operculação;
  • é necessário quebrar a abóboda de mel no topo dos quadros para levar as abelhas a armazenarem o mel nas alças meleiras, sobretudo se estas tiverem apenas cera laminada;
  • inverter a posição do ninho com criação fechada e o sobreninho com criação aberta diminui a pulsão para enxamearem; a criação fechada irá emergir nos dias seguintes criando uma nova “cavidade” vazia que engana as abelhas e refreia a sua vontade de enxamearem;
  • happy beekeeping.

abelhas resistentes: um longo caminho espera randy oliver?

Randy Oliver escreveu no BeeL (fórum de apicultores reputados) recentemente acerca dos dados recolhidos na sua experiência para criar abelhas resistentes ao ácaro varroa. Em concreto escreve ele:

Uma coisa que vem à mente de alguns apicultores é que as abelhas sobrevivem sem tratamento. Muitas pessoas afirmam tê-las, mas muitas vezes não produzem evidências, ou então são casos pontuais e apenas histórias bem contadas. Posso oferecer algumas provas “duras”/quantificadas? Eu monitorei os níveis de ácaros numa população inicial de pouco mais de 1000 colónias no ano passado, para ver qual proporção realmente sobreviveria sem tratamento. As rainhas de todas as colónias eram filhas de aproximadamente 15 rainhas, cujas colónias anteriormente pareceram exibir resistência ao acúmulo de ácaros. Em cada evento de monitorização, tirei da experiência toda e qualquer colmeia em que a contagem de ácaros estava  numa trajetória para a eventual morte da colónia pela infestação pelo varroa (tratava-as, de modo que nem uma única colónia morreu pela acção de ácaros durante a experiência). À medida que nos aproximamos da marca de 1 ano, das mais de 1000 colmeias, parece que talvez 16 tenham mantido contagens de ácaros abaixo de 4 ácaros por 100 abelhas – menos de 2% de “sobreviventes” (eu estimo 16 colónia dado que eu já amostrei metade até agora). Se eu não tivesse tratado o resto ao longo do ano, acho que seus colapsos inevitáveis ​​teriam superado mesmo aqueles 2% com os ácaros que derivariam das colónias colapsadas. Isso não quer dizer que outros não possam começar com uma linhagem de abelhas que exiba um maior grau de resistência ao ácaro (VSH, russas ou outras confirmadas ), mas certamente se aplicará a qualquer pessoa que comece com linhas de abelhas comuns (que apresentam muito menos resistência do que as linhagens com que comecei). Eu estou tão entusiasmado quanto qualquer um sobre a criação de abelhas que exibem a resistência aos ácaros, mas a mensagem para levar para casa é que, de fato, devemos ser extremamente céptico sobre as reivindicações relativas à sobrevivência a longo prazo de qualquer linha de abelhas sem dados “duros”/quantificados que o suportem .

Destas linhas que caracterizam o estilo frontal, sólido e fundamentado próprio de Randy Oliver destaco:

  • a eventual existência de colónias de abelhas resistentes são pontuais/locais;
  • numa população de cerca de 1000 colónias apenas 16 (menos de 2% da amostra) mantiveram a infestação abaixo dos 4%;
  • a linhagem destas 1000 colónias provinham de 15 rainhas que na época anterior tinham aparentado alguma resistência ao varroa;
  • um cepticismo face a reivindicações de criadores de rainhas alegadamente resistentes que não apresentam dados “duros”/quantificados que as suportem.

Para nós, em Portugal, estes dados devem-nos fazer reflectir que das aparências às evidências a distância pode ser grande. Fazer rainhas a partir de uma matriarca que aparentemente tem alguma resistência ao varroa é, seguramente, uma actividade louvável. Muitíssimo questionável é promover as filhas destas como mais resistentes em qualquer grau ao varroa.

armonización de criterios frente a la protección y defensa de la raza autóctona de abeja Apis mellifera iberiensis

Foi no passado dia 8 de Fevereiro que nas VI Jornadas da Associação de Apicultores Espanhóis, em Guadalajara, se reuniram investigadores, técnicos e representantes de várias associações espanholas de apicultores para abordarem o tema: “Armonización de criterios frente a la protección y defensa de la raza autóctona de abeja Apis mellifera iberiensis”.

Ainda que o som não seja sempre de boa qualidade, fica muito claro a importância e gravidade que este tema adquire actualmente no sector apícola espanhol. Para nós, que em Portugal também nos importamos, fica o sempre reconfortante sinal que não estamos sós na Península.

manifesto a favor da abelha negra ibérica

“MANIFIESTO A FAVOR DE LA ABEJA NEGRA IBERICA
(Apis mellifera iberiensis)

En primer lugar nos atreveríamos a decir que la abeja es una de las pocas especies animales aprovechadas por el hombre que, siendo manejada desde hace unos pocos cientos de años (la miel fue el principal edulcorante en el antiguo mundo hasta la llegada del azúcar de caña), sigue siendo un animal salvaje.

Hasta la llegada de la varroa a Europa existía una gran población de abeja silvestre en todo el continente. Dicha población hoy está prácticamente desaparecida, siendo este el primer efecto de la llegada del ácaro asiático Varroa destructor (daños colaterales de la globalización).

Actualmente somos los apicultores quienes mantenemos ese reservorio de colonias silvestres, que se renueva de año en año con enjambres que se escapan de alguna explotación. A diferencia de otras especies en las cuales ha sido el hombre quien seleccionó en función de sus necesidades hasta crear las diferentes razas, en la abeja esto no ha sucedido así, siendo el ecosistema quien durante miles de años determinó las subespecies, ecotipos o las mal llamadas razas.

Dentro de la abeja europea Apis mellifera mellifera podemos ver como existen diferentes subespecies (tal vez podríamos llamarlo razas). En función de las características climatológicas, botánicas, etc. tendremos unas abejas de carácter atlántico distribuidas por zonas del norte y centro Europa, con inviernos frescos y largos, y otras, de colores más claros circunscritas al arco mediterráneo.

De igual forma que en la naturaleza en algunas especies botánicas muy cercanas genéticamente, es difícil discernir a cual pertenece un determinado ejemplar, ya que el paso de una especie a otra vendría condicionado por el propio factor ecológico como elemento de cribado gradual (ej. Quercus robur y Q. pyrenaica), en la abeja melífera europea posiblemente sucede lo mismo, originariamente y a grandes rasgos colores más oscuros para climas más fríos ( mayor fijación de radiación solar) colores más claros para climas más cálidos, longitudes de lengua (aprovechamiento de unas u otras especies botánicas), desarrollo primaveral, capacidad de invernada, etc., son caracteres pulidos durante miles de años por el conjunto clima-entorno botánico (por supuesto con todas las interacciones posibles).

La abeja negra en principio fue la más extendida por todo el arco atlántico europeo, incluido el Reino Unido. Con las diferentes glaciaciones bajó y subió al igual que los hielos. Actualmente el declive de la abeja negra es más que notorio encontrándonos con países como Inglaterra, Francia y Alemania donde es difícil encontrar una abeja negra en relativo estado de conservación genética, esto es debido a la mano del hombre que en sus manejos ha favorecido el cruce de todo tipo de abeja, sobremanera con ligústica (subespecie o raza característica de la zona Mediterránea) y con la recientemente creada raza de abejas Buckfast.

La contaminación genética está muy favorecida por los manejos de los nuevos apicultores que en un afán por mejorar sus rendimientos, posiblemente sin mala intención pero sí con una visión a corto plazo, transportan o compran sus abejas a veces a miles de kilómetros. Las características biológicas de la propia abeja en sí hacen lo demás; zánganos de cualquier subespecie no tendrán prejuicio alguno a la hora de fecundar una reina virgen volando a su libre albedrío sea de la raza que sea.

Así hemos llegado a la situación actual que consiste en que países como Francia tengan una gran amalgama de abejas en la que puedes ver de todos los tipos, habiendo perdido casi en su totalidad su abeja negra. Algunos apicultores de Italia tienen que adquirir su abeja ligústica en pureza en lugares como Nueva Zelanda. Por el contrario existen otros casos como Eslovenia donde tienen protegida su abeja “cárnica”, siendo el reservorio de dicha subespecie o raza con la que llevan trabajando cientos de años.

Actualmente España es el último reservorio de abeja negra europea en relativo buen estado de conservación siendo Apis mellifera iberiensis una especie salvaje y a su vez una subespecie o raza en peligro de desaparecer por la globalización.

Aquello que el clima y sus ecosistemas hicieron en miles de años podría desaparecer por sobredosis de globalización en un tiempo record si no se toman las medidas oportunas dentro de un marco legal de protección de la subespecie o raza Apis mellifera iberiensis.

Por si no fuese esto en sí suficiente argumentación desde un punto de vista como especie salvaje que es, vayamos a criterios meramente económicos; al igual que en Eslovenia que protege su raza de abeja, siendo para ellos un elemento económico además de identitario.

Hay cada vez una mayor demanda de abeja negra por parte de profesionales de países donde se ha perdido, bien para explotarla como tal o bien para efectuar cruces con lo cual necesitarán líneas lo más puras posibles. Algunos nos vemos inmersos en este mercado y vemos peligrar el principal de nuestros recursos que no es ni más ni menos que nuestra abeja negra para la cual pedimos un marco legal de protección. Con sencillos criterios de selección y sin olvidarnos de que es una especie salvaje, Apis mellifera iberiensis puede competir con cualquiera de las demás subespecies o razas.”

fonte: http://salines.mforos.com

Este assunto foi abordado aqui também.

a regra “não mais de 6”: sua operacionalização

Aproveito a pertinente questão do Alberto como motivo para fazer este post.

Para aplicar a regra “não mais de 6” utilizo uma estratégia muito simples. Imaginemos o seguinte cenário: num apiário de 40 colmeias lusitanas, identifico uma colmeia que tenha boas condições para receber um sobreninho (caixa igual ao ninho). Esta colmeia tem de estar muito forte de abelhas. Nessa colmeia coloco o sobreninho com 10 quadros com boa cera laminada. Passo a fazer a inspecção das restantes colmeias. Encontro uma colmeia com 7 ou 8 quadros de criação. A esta colmeia vou tirar um ou dois quadros com criação e conformá-la assim com a regra. Em geral tiro quadros com criação e que simultaneamente estejam parcialmente bloqueados com pólen e/ou mel. Na colmeia com sobreninho, anteriormente preparada, tiro um ou dois quadros de cera laminada do centro. No espaço vazio coloco os quadros com criação e sem abelhas. A colmeia que deu o(s) quadro(s) com criação recebe o(s) quadro(s) com cera laminada. Continuo a inspecção aos ninhos até encontrar outra colmeia que necessite da mesma intervenção. Faço novamente a mesma operação e o quadro com criação retirado vai juntar-se na colmeia com sobreninho que vou designar “colmeia armazém”. Nesta colmeia armazém não coloco mais que 4 a 5 Q com criação. Os restantes são quadros com mel e/ou pólen resultantes do desbloqueio de outros ninhos. Quando o sobreninho desta colmeia armazém está cheio com os 10 quadros resultantes das operações atrás descritas, crio uma nova colmeia armazém e prossigo o trabalho no apiário tal como descrevi. Em regra, levo a cabo estas operações 2 a 3 vezes durante o período de enxameação. Depois de passado o período de enxameação deixo de o fazer ou faço-o muito mais esporadicamente e para resolver alguma situação pontual e excepcional. Estes sobreninhos armazém são utilizado posteriormente para dar quadros e abelhas aos meus desdobramentos.

No ano de 2017, ano em que este procedimento se tornou regra no meu maneio, a taxa de colmeias enxameadas não chegou aos 5%. Ainda que seja cedo para tirar conclusões definitivas sobre a eficácia da regra na prevenção da enxameação, até pelo ano atípico, os resultados são encorajadores o suficiente para que neste ano de 2018 a volte a utilizar.

Resolvi construir este cenário com referência à colmeia Lusitana porque me parece que há uma regra oculta que nos impede de utilizar sobreninho nestas colmeias. Eu desconhecia essa rega e quebrei-a. Parece-me que não sou o único infractor (ver nestas duas afirmações ironia q.b.).  Utilizo sobreninho, as abelhitas têm tolerado bem esta mal-feitoria,  e os resultados agradam-me. Também utilizo os mesmos procedimentos com as Langstroth. Nestas últimas a utilização de sobreninhos parece-me que é muito mais comum. Sabendo que o volume interior dos dois tipos de ninhos se aproxima e sabendo que a configuração ninho mais sobreninho é utilizada com frequência no modelo norte-americano não vi razão forte para que não o experimentasse no modelo português. Em boa hora o fiz!

morte de uma colónia de abelhas por varroa: foto-filme

Com mais frequência que a desejável, a meio do inverno, surgem nos apiários colónias de abelhas como as em baixo descritas através deste foto-filme. Apicultores menos experientes poderão interrogar-se acerca do factor que determinou o curso dos acontecimentos. Neste post e com ajuda de imagens reais espero ajudar a fazer um diagnóstico post-mortem. Este diagnóstico ajudará a fazer diferente e melhor no futuro, para evitar ou minimizar a possibilidade destes eventos voltarem a assombrar-nos.

Fig. 1: Colónia com um punhado de abelhas mortas no travessão superior dos quadros, num dia frio de inverno.

 

Fig. 2: Colónia com um punhado de abelhas mortas no topo dos quadros e muito pouca criação fechada e muito dispersa.

 

Fig. 3: Colónia com um punhado de abelhas mortas no topo do quadro e com uma abelha com uma varroa no dorso.

 

Fig. 4: Colónia com um conjunto pequeno de abelhas mortas no fundo da colmeia.

 

Até a este momento do foto-filme, ainda que as suspeitas se avolumem, não podemos assegurar com elevada confiança que a causa da morte foi a varroose. Falta uma peça importante, a foto em baixo.

Fig. 5: Quadro com muito pontos brancos colados  às paredes dos alvéolos (excreções das varroas); abelhas a emergirem do alvéolo com a língua estirada; um ou outro alvéolo disperso com abelhas por eclodir.

Quando encontrarmos este lamentável filme nos nossos apiários, a conclusão de que foi a varroose que esteve na origem da debilidade que conduziu à morte da colónia não nos deve colocar a mais pequena dúvida.

eu faço assim: formação de núcleos e respectiva criação de rainha

Fica a descrição do processo que o Hugo Martins utiliza para a formação de núcleos e respectiva criação de rainhas.

“Relativamente à formação de núcleos e respectiva criação de nova rainha eu procedo do seguinte modo:

1- Selecciono uma colmeia do apiário tendo por base a prestação desta no último ano (produção, enxameação, necessidade de alimento no inverno são os meus critérios) que será a dadora de quadros com larvas de tenra idade e ovos.
2- Das restantes colmeias do apiário vou tirando um a dois quadros com criação operculada e reservas, consoante a força das mesmas, e formando núcleos com 4 quadros. Aqui é preciso ter especial cuidado na inspecção dos quadros para não levar a rainha. Contudo se a rainha for por engano as abelhas não a vão rejeitar e esse núcleo acaba por encher a caixa e eventualmente dar pelo menos uma meia alça de mel. Nesta fase pode haver necessidade de adicionar abelhas ao núcleo se as que forem agarradas aos quadros não forem suficientes, havendo duas hipóteses para isso: colocar os quadros em frente a colmeia de forma a obstruir a entrada directa para a colmeia obrigando ao acumular de abelhas no quadro, ou então dos quadros de cria aberta dessa colmeia, bater as abelhas dos mesmos para o interior do núcleo. Da minha experiência pessoal, uso mais vezes a primeira opção porque assim capto mais abelhas campeiras e ajuda mais a controlar a enxameação.
3- Depois dos núcleos estarem formados, retiro à colmeia dadora de cria, tantos quadros com cria aberta e ovos, como os núcleos que foram formados e coloco um por núcleo na posição central do mesmo.
4- Os núcleos formados desta forma são deslocados para outro apiário, de preferência a mais de 2 km.
5- Passados 7 a 10 dias da formação dos núcleos, faço a revisão dos mesmos e selecciono 2 alvéolos reais, dando primazia aos do quadro central, porque é nele que estavam as larvas mais jovens e a genética escolhida.
6-Verificar passados 40 dias da formação do núcleo a existência de postura e cria aberta.
Nota 1: Com este método podem formar-se ao invés de núcleos de 5 quadros, colmeias de 10 quadros e adicionar uma meia alça com cera puxada, o que garante produção de mel no próprio ano.
Nota 2: é possível realizar esta operação a cada 2 semanas no mesmo apiário ajudando no controlo da enxameação e renovação de ceras.
Nota 3: podem também usar-se meias alças nos núcleos com cera puxada, mas exige material feito “à medida” o que traz custos adicionais.

Cumprimentos
Hugo Martins”

recomendações e apoios para a captura de rainhas de vespa velutina na Galiza

Neste link podemos ler um conjunto de recomendações para a captura de fundadoras/rainhas de vespa velutina:

Estas recomendações acompanharam a distribuição pelas autoridades locais da Galizade de 5 659 armadilhas e respectivas doses de atraentes no ano de 2017. Pergunto se os apicultores com colmeias nos distritos de Portugal já colonizados por esta besta de patas amarelas tiveram este tipo apoio no combate que travam?

Os apicultores mais experientes no combate à velutina podem e devem utilizar o espaço dos comentários para partilharem as boas-práticas com aqueles que, como eu, procuram avidamente por esta informação. A velutina gera de ano para ano novas zonas de fronteira e os apicultores nestas zonas muito ganharão com os conhecimentos e práticas dos mais veteranos.

Fig.1: As vespas velutinas também são uma espécie prejudicial para os produtores de fruta.