o crash do sector apícola neo-zelandês

Na Nova Zelândia, a terra do mel mais caro do mundo, o mel de manuka, o sector apícola está a atravessar uma dura crise. A história conta-se em poucos parágrafos.

Nos primeiros anos de 2000, um pouco antes do mel de manuka começar a subir de preço, existiam na Nova Zelândia cerca de 200.000 colmeias. Na altura o sector apícola estava em declínio, com baixas margens de lucro, e muitos apicultores estavam velhos e a aposentar-se. Eram poucos os novos apicultores a entrarem no sector. A maioria das diferentes variedades de mel tinha o mesmo preço, de modo que não havia estímulo para distinguir os diferentes tipos de mel e não havia regras para isso.

Então o mel de manuka ganhou reputação e tornou-se cada vez mais valioso, muito valioso mesmo. Os embaladores de mel que vendiam o mel de manuka por muito dinheiro descobriram que se fosse diluído 50/50 com outro mel, poderiam continuar a chamá-lo de manuka, quem saberia da fraude??, e teriam 2 frascos com preço alto em vez de um.

Mel de Manuka: preços médios de 300 € o kg

A competição entre os embaladores para comprar mel não manuka dos tipos adequados para fazer a mistura inflaccionou o preço de todo o mel na Nova Zelândia. Os apicultores aumentaram os seus efectivos para produzir mais e mais, ganhando muito dinheiro, independentemente do tipo de mel que estavam produzindo. Houve apicultores que se viram milionários da noite para o dia. Este dinheiro todo que o sector estava a gerar atraiu novos atores, e o número de colmeias subiu para cerca de um milhão.

Os problemas começaram a surgir quando os clientes estrangeiros começaram a perceber que nem todo o mel de manuka pelo qual estavam pagando muito dólares/euros era um artigo genuíno. Para proteger a reputação e a base de clientes, o governo interveio e obrigou a testes para determinar a pureza do mel de manuka. Todo o mel de manuka exportado passou a ser testado em laboratório. Isso reduziu enormemente a procura de mel não manuka do dia para a noite e, com todas as colmeias extras, a Nova Zelândia confrontou-se com um excesso de produção e colmeias.

Como resultado, a maioria dos apicultores está sendo forçada a vender sua colheita não manuka das últimas temporadas por preços abaixo do custo de produção, ou até não a consegue vender.

Até os produtores de manuka atravessam dificuldades, porque a única opção agora é tentar produzir manuka, ou seja, qualquer lugar com um pedaço de manuka está sendo bombardeado por um grande número de colmeias pertencentes a apicultores desesperados e neste cenário a produção por colmeia está muito abaixo do que era há poucos anos atrás.

Nota: post inspirado num post publicado no beesource por OT, um apicultor veterano neo-zelandês.

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