nem todos os ovos nascem iguais?

Uma questão que me tem acompanhado, praticamente desde que iniciei a minha actividade apícola, é esta: os ovos/larvas que darão futuras rainhas são escolhidos pelas abelhas ou qualquer um/uma serve? Será que os ovos que estão na origem de futuras rainhas têm alguma coisa diferente dos ovos que darão origem a futuras obreiras? Ainda que de uma forma mais complexa e estruturada é esta a “importante questão” que o excerto do artigo em baixo traduzido e referenciado coloca.

“Finalmente, coloca-se a importante questão de quem decide se um ovo é  o de uma futura obreira ou o de uma futura rainha e como essa decisão é tomada. As obreiras constroem as taças reais durante toda/alguns meses da temporada, mas muitas vezes permanecem vazios. As novas rainhas são criadas quando a rainha velha morre, ou em preparação para a divisão/enxameação da colónia. Os ovos são muitas vezes colocados pela rainha diretamente nas taças reais, caso em que ela presumivelmente tomou a decisão de que este ovo em particular deveria ser a origem de uma futura rainha. No entanto, as obreiras também movem ovos de de alvéolos normais/regulares para estas taças reais e, ainda, larvas de rainha e pupas são frequentemente destruídas pelas obreiras. Assim, as obreiras podem interferir substancialmente com o destino real, e isso levanta a questão de saber se há algum nepotismo* envolvido. Embora a diferenciação de castas em rainhas e obreiras seja amplamente mediada pela nutrição das abelhas, também parece haver uma influência genética. Por causa dos hábitos promíscuos da rainha, uma colmeia de abelhas geralmente contém múltiplas subfamílias de obreiras cada uma gerada por um zângão diferente, e algumas subfamílias podem estar mais representadas na produção das futuras rainhas, presumivelmente mediada por tratamento preferencial de certas larvas e aborto seletivo de outras. Isso agrega um nível de complexidade à interação entre fatores genómicos e ambientais: a intervenção de fatores epigenéticos através da nutrição larval pode, por sua vez, ser controlado por fatores genéticos que controlam o comportamento de fornecimento de geleia real às larvas de futuras rainhas.”

fonte: http://journals.plos.org/plosbiology/article?id=10.1371/journal.pbio.1000532

* nepotismo: Favoritismo excessivo dado a parentes ou amigos por pessoa bem colocada. = AFILHADISMO, AMIGUISMO

Se a resposta à questão colocada no título deste post for que os ovos de futuras rainhas e de futuras obreiras são seleccionados pelas abelhas e/ou rainhas-mãe, isto é, que os ovos na origem são diferentes para as duas castas de abelhas, a criação de rainhas pelo método Doolittle/translarve pode revelar-se uma simplificação questionável do processo natural de criação de rainhas.

3 thoughts on “nem todos os ovos nascem iguais?”

  1. Olá Eduardo

    O progresso humano tem resultado da curiosidade da espécie. Fazer perguntas e levantar hipóteses é o primeiro passo para chegar a novas conclusões e novos conhecimentos.
    Na verdade a Rainha deposita os ovos com conhecimento: os de obreiras nas células de obreira e os de zangãos nas de zangão e quem sabe ? – os de Rainha nas células próprias. Para os primeiros dois casos já foram apresentadas explicações convincentes.
    Quanto à escolha dos ovos ou larvas destinados a futuras Rainhas, ainda falta a demonstração e a explicação para podermos chegar a conclusões. Um bom exercício para algum dos seus seguidores ficar na História da apicultura !
    Foram feitos ensaios para verificar se havia diferença entre a qualidade das Rainhas seleccionadas naturalmente e as Rainhas produzidas pelo método de Doolittle.
    A conclusão foi a de que, seguindo as regras recomendadas, não se notaram diferenças !
    Cumprimentos

  2. Olá Eduardo

    Parte 2ª
    Podem sempre fazer-se perguntas ou sugerir-se novos ensaios, mas o que importa na prática são as conclusões confirmadas.
    Ainda nos falta uma visão larga das possibilidades oferecidas pela evolução. Com o tempo iremos, sempre, progredindo no conhecimento.
    Na ciência quando se chega a uma conclusão surgem uma ou mais novas interrogações.
    Sabemos, dentro de limites, como as abelhas e rainha procedem para criar novas rainhas, zangãos e obreiras.
    De degrau em degrau, desde há milhares de anos, que se foram descobrindo técnicas para criação de rainhas e multiplicação de colmeias.
    A divisão de colmeias já era praticada, há 2.500 anos, por gregos e egípcios.
    Modernamente, o método de Doolittle veio satisfazer a industrialização ( produção massiva ) de rainhas.
    Quando afirmamos que a qualidade das rainhas produzidas por este método é igual à qualidade das rainhas produzidas naturalmente, devemos esclarecer que os ensaios realizados definiram a qualidade por uma só variável : média de ovos/dia . Não foi medida a adaptação ao meio ambiente, nem a resistência às doenças, nem outras características importantes.
    Em termos práticos o que importa salientar é que os apicultores profissionais, de todo o mundo, estão satisfeitos … até melhores descobertas !
    Cumprimentos

    1. Boa noite José Marques
      Como já é habitual mais um excelente comentário da sua parte. Nada a acrescentar ou a rebater, apenas aproveito reforçar esta ideia: “os apicultores profissionais, de todo o mundo, estão satisfeitos … até melhores descobertas !”. O caminho da investigação nesta área continua aberto!

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