morta ou viva: o Vírus das asas deformadas e o Varroa destructor reduz a esperança de vida das abelhas de inverno

Nesta nova categoria, designada estudos, conto ir colocando posts com traduções de estudos científicos que nos possam ajudar a compreender e até a perspectivar melhor as nossas abelhas e o seu mundo, hoje e no futuro.

Sumário/Abstract

“As elevadas perdas de colónias de abelhas no Inverno são uma grande preocupação, mas os mecanismos subjacentes permanecem controversos. Entre os suspeitos estão o ácaro Varroa destructor, o microsporídio Nosema ceranae, e os vírus associados. A nossa hipótese é que os agentes patogénicos reduzem a esperança de vida das abelhas de inverno, constituindo assim um mecanismo imediato para perdas de colónias. A monitorização das colónias foi realizada ao longo de 6 meses na Suíça a partir do Verão de 2007 e Inverno de 2007/2008. As obreiras que foram morrendo foram recolhidas diariamente e analisadas quantitativamente para o vírus das asas deformadas (VAD), o vírus da paralisia aguda da abelha (VPA), Nosema ceranae, e os níveis de expressão do gene da vitelogenina, como um biomarcador para a longevidade da abelha. As obreiras de colónias que não conseguiram sobreviver no inverno tinham uma vida útil reduzida logo no final do outono, tinham maior probabilidade de estar infectadas com o VAD, e tinham cargas mais altas de VAD. A infecção ao nível da colónia com o ácaro Varroa destructor e infecções ao nível individual com VAD também foram associados com reduzida esperança de vida das abelhas. Em nítido contraste, o nível de infecção Nosema ceranae não se correlacionou com a longevidade. Além disso, a expressão do gene da vitelogenina foi significativamente correlacionado de forma positiva com VPA e com as cargas de N. ceranae.

As descobertas sugerem fortemente que a V. destructor e o VAD (mas não a N. ceranae nem o VPA) reduzem o tempo de vida das abelhas de inverno, constituindo assim um mecanismo directo possível para perdas de colónias de abelhas.”

fonte: http://aem.asm.org/content/78/4/981.long

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Fig. 1 — Abelha com as asas deformadas por acção do VAD

2 thoughts on “morta ou viva: o Vírus das asas deformadas e o Varroa destructor reduz a esperança de vida das abelhas de inverno”

  1. Boa tarde Eduardo.
    Blogue formativo e esclarecedor.
    É um regalo ler o que escreve.
    Tudo de bom.

    PS – A continuar a escrever desta forma cuidada, estruturada com testemunhos de experiência feita e rigor cientifico no futuro poderá reunir o que por aqui “postou” num livro.

    1. Viva Martinho

      É um grande prazer manter também aqui as nossas conversas do fórum As Abelhas.
      A lingua portuguesa é o nosso maior património. Procuro, dentro das minhas muitas limitações, fazer bom uso dele. Não gosto de tratar as minhas abelhas de forma abrutalhada. Espero ir conseguindo fazer o mesmo com o português. A minha esposa também vai ajudando nas revisões dos textos.

      Relativamente à sua sugestão do livro não está para já nos meus horizontes. Mas quem sabe… nunca digas nunca, não é verdade?
      Um abraço!

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