de que morreu a minha colmeia…

O inverno é a estação mais crítica que a colónia de abelhas tem de ultrapassar. E, na verdade, algumas não a conseguem ultrapassar. Todo o apicultor que se vê confrontado com uma ou várias colónias mortas deve procurar fazer o diagnóstico post mortem. Este diagnóstico, se bem feito, é uma peça essencial para melhorar o seu maneio no futuro. Só sabendo as causas das perdas invernais ele estará em boas condições de as evitar no futuro. Deixo em baixo algumas pistas para fazerem este diagnóstico.

  • Se a colónia morreu por fome, encontra uma colmeia leve em peso e abelhas enfiadas de cabeça para baixo nos alvéolos (ver fig. em baixo).

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  • Se a colónia morreu pelos danos causados pelo ácaro da varroa, encontra poucas abelhas, pequenas áreas de criação operculada e abelhas com asas deformadas (ver fig. em baixo).

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  • Se a colónia morreu porque a rainha chegou ao seu fim, encontra realeiras ou criação de zângãos(ver fig. em baixo).

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  • Se a colónia morreu por humidade excessiva, encontra muito mofo nos quadros (ver fig. em baixo) e muita humidade condensada nas paredes interiores da colmeia e no fundo do estrado.

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  • Se a colónia morreu por desinteria, encontra muitas manchas de resíduos fecais no topo dos quadros (ver fig. em baixo) e/ou na entrada da colmeia.

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  • Se a colónia morreu por doença na criação, encontra sinais de loque americana (ver fig. em baixo), ou loque europeia.

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  • Se a colónia morreu porque foi pilhada por outras abelhas encontra os alvéolos e opérculos ligeiramente mastigados ou roídos (ver fig. em baixo) e pequenos resíduos de cera no estrado e entrada da colmeia.

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  • Se a colónia morreu pela acção dos roedores (ratos e outros), encontra os favos muito roídos (ver fig. em baixo), pedaços de favo no estrado e na entrada da colmeia, caganitas de rato no meio dos resíduos de cera, cheiro a urina do roedor no interior da colmeia.

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A terminar sublinho que várias vezes se encontram sinais a apontar para diversas causas. Neste caso importa tentar destrinçar qual foi a causa primeira, a causa que fragilizou a colónia inicialmente. Foi esta a causa que permitiu o aparecimento e desenvolvimento dos outros problemas a jusante. Interessa-nos, no futuro, evitar a causa primeira. Estando esta resolvida, os outros danos têm menos oportunidade de se desenvolverem. Não sendo uma regra que deva ser aplicada a 100% dos casos, a varroa é geralmente a causa primeira de mortandade no inverno. Sobre os ombros de uma varroose deficientemente controlada surgem outros danos que, de forma oportunista, se aproveitam da fragilidade da colónia e lhe dão o golpe de misericórdia.

Esta lista de pistas não é exaustiva e pode ser completada com os vossos contributos. De apicultor e de detective todos temos um pouco!

3 thoughts on “de que morreu a minha colmeia…”

  1. Tenho tido enormes problemas em controlar a humidade dentro das colmeias num dos meus apiários. No meu primeiro ano invernei com 3 caixas reversíveis que segundo o colega que considero mais entendido , defende que a “quantidade de espaço” diz ele, não é problema uma vez que elas farão o cacho invernal e adaptar-se-ão com facilidade, basta lembrar aquelas que estão instaladas à anos em tectos, bidões etc onde espaço exterior é o que não falta. É verdade que sobreviveram mas grande parte dos quadros que não ficaram com abelhas ficaram com o aspecto do quadro que ai apresenta tendo que substitui-los na sua maioria. Este ano invernei com duas caixas e senti praticamente o mesmo embora obviamente com menos quadros. Resta-me dizer que todas elas invernaram com boas reservas, grande quantidade de abelhas e ligeiramente inclinadas para a frente . Haverá mais alguns cuidados a ter, ou localização do apiário é por si só o único verdadeiro responsável. É verdade que neste apiário tenho encontrado resultados piores que no outro em matéria de humidade mas tb é verdade que produz um mel com um sabor que não gostava nada de deixar de produzir . Cumprimentos

    1. Fernando, sempre que tiver quadros com manchas significativas de pólen e que não são cobertos pelas abelhas durante dias seguidos e nos dias húmidos de inverno, julgo que lhe irá acontecer sempre o mesmo. Vai encontrar estes quadros com muito bolor no final do inverno. A mim também me acontece, talvez não na mesma quantidade porque a grande maioria das minhas colmeias inverna só com o ninho (ninhos Langstroth e Lusitanos). No final do inverno tiro os quadros com muito bolor e derreto-os. Os que têm pouco bolor e têm uma área significativa de alvéolos vazios indicados para a postura, ficam na colmeia e as abelhas acabam por limpá-los muito bem.

      Também encontro diferenças entre apiários. Uns melhores que outros neste aspecto. Como as colmeias não me têm morrido por causa da humidade, deixo andar, e no final da primavera/verão são apiários onde tenho mel para crestar.

      Deixo-lhe uma questão: sim é verdade que as abelhas não aquecem o espaço circundante, mas se o sobreninho não é necessário para as acomodar ou não é necessário como armazém de néctar ou pólen não será melhor passarem o inverno só no ninho? Nos ninhos maiores que eu utilizo (o Fernando utiliza os reversíveis e poderá ser muito diferente) quando muito deixo uma meia-alça por cima do ninho (modelo Oksman). Só em casos muito excepcionais invernam com sobreninho. Esta é a minha realidade na beira interior. Na beira litoral o que disse não o aplico, porque é época de produção, não de invernagem/escassez.

  2. Em relação à sua questão falta-me experiencia para ter uma melhor perspectiva sobre as varias situações pq neste momento parece-me demasiado redutor apenas uma caixa reversível para ninho e reservas, ainda mais quando uma larga maioria chegou em muito boas condições para o arranque de 2016 que por aqui coincide com a grande floração de incenso que inicia no fim de Janeiro até fins de Março (se o vento deixar). De qualquer maneira fiquei satisfeito em saber que quadros com algum bolor é de certa forma normal, cumprimentos

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