ciclo de vida da vespa velutina (em França)

Uma das chaves para a luta contra o invasor vespa velutina nigrithorax é aprofundar o conhecimento sobre o seu ciclo de vida, dieta, tamanho da colónia, reprodução, comportamento predatório, …

Fig. 1 : Zonas colonizadas pela Vespa Velutina até 2017

O ciclo de vida

O ciclo de vida do vespão de patas amarelas é anual. Uma nova rainha funda a colónia na primavera. Dos primeiros ovos nascem as fêmeas que serão as primeiras obreiras dessa colónia. Do ovo à emergência vão 4 a 5 semanas. Estas obreiras permitirão que a rainha gradualmente se dedique exclusivamente à postura. No final do verão, começa a geração dos primeiros machos e futuras rainhas. O ninho pode então abrigar milhares de indivíduos. Estima-se que ao longo de um ano cada ninho produza entre 5.000 a 15.000 indivíduos, nas maiores colónias. A título de comparação, um ninho de vespas crabro produz cerca de 1.000 a 1500 indivíduos. A fecundação da nova geração de rainhas acontece antes do inverno. Nos primeiros dias de geadas, a nova geração de jovens fundadoras deixa o ninho e procura um esconderijo para passar o inverno, onde hibernam solitariamente. O resto da colónia é abandonado ao seu destino, a velha rainha morre, a falta de comida e o frio fazem colapsar a colónia e a estrutura do ninho deteriora-se com o mau tempo.

Fig. 2: Principais diferenças entre a V. Crabro (à esquerda) e a V. Velutina (à direita).
Fig. 3: Esquema geral do ciclo de vida da Vespa Velutina

 O período solitário: o fim da hibernação e desenvolvimento da colónia no ninho primário

Com os primeiros dias mais quentes (> 13 ° C), em geral em meados de fevereiro, as fêmeas fundadores saem da hibernação, pelo menos aquelas cujo esconderijo permite um rápido aquecimento. Em poucos dias recuperam a sua vitalidade, desenvolvem os seus ovários se encontrarem os açúcares energéticos de que precisam. As rainhas sobreviventes iniciam um novo ciclo infernal. Cada uma com vontade de fundar uma nova colónia, construirá o seu ninho e alimentará as larvas até que se tornem adultas obreiras, 5 semanas após a postura dos ovos. Em três semanas, a larva atinge o seu tamanho máximo. Então, tece ao seu redor um casulo sob o qual se vai isolar por mais 2 semanas, período das metamorfoses. A vespa adulta emergirá depois de ter rasgado seu casulo com suas mandíbulas e se libertar de seu alvéolo. Durante este período a rainha fundadora é a única a assumir a sobrevivência de sua colónia. Durante este período as suas necessidades e tarefas são diversas: procura de açúcares para ela, proteínas para alimentar as larvas, fibras de madeira e água para construir e aumentar o ninho primário. Ao contrário das rainhas das abelhas melíferas europeias, a rainha velutina passa a maior parte do seu tempo fora do ninho, até ao nascimento das primeiras obreiras. Gradualmente a rainha fundadora ficará cada vez mais no ninho dedicada à postura de mais e mais ovos, e chegará a pôr 100 ovos por dia, até à sua exaustão no outono.

Fig. 4: Imagens da construção do ninho primário

O período cooperativo ou de transição: a construção do ninho secundário

Este período coincide com o surgimento das primeiras obreiras até à cessação completa da atividades fora do ninho por parte da rainha. Este período dura cerca de 3 meses. Na verdade, o papel da rainha vai evoluir com o crescimento da colónia. O grau de divisão do trabalho entre rainha e operárias, após a emergência destas varia com o tamanho das colónias. A rainha “liberta-se” dos trabalhos realizados no exterior para dedicar-se principalmente à postura 20 a 40 dias após a emergência das primeiras obreiras. Às vezes, no caso de falta de espaço, comida ou água, a colónia vai mudar de local e iniciar a construção de um ninho secundário localizado em local mais propício ao seu desenvolvimento.

Fig. 5: Ninho secundário de V. Velutina no topo de uma árvore
Fig. 6: Vista aproximada de um ninho secundário

Período polietico de desenvolvimento: o aumento acentuado de obreiras, quando a rainha só desova

Este período de desenvolvimento é caracterizado por um aumento acentuado no número de obreiras assim como o tamanho da colónia, bem como uma separação total de atividades entre a rainha (desova) e as obreiras (coleta de recursos, manutenção da colónia) . Após a forte expansão do ninho, a rainha não faz nada além de desovar e não participa mais nas atividades extra-ninho. A postura concentra-se nos novos andares do ninho, que as obreiras vão construindo. Neste último terço do ciclo da colónia, alvéolos maiores são construídas para criar machos e novas rainhas. Nas V. velutina, rainhas, machos e obreiras são de tamanhos muito semelhantes no final do outono e o tamanho dos alvéolos ainda não foi relacionado com a casta.

Fonte principal: https://tel.archives-ouvertes.fr/tel-01758929/document

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