vespa asiática: os melhores atraentes

Nestes dois vídeos colectados no youtube inicio o desenho uma sequência de etapas que operacionalizam um processo rápido e seguro para produzir “cavalos de troia” com vista à intoxicação dos ninhos das velutinas não visíveis ou inacessíveis.

1ª etapa: recrutar as vespas.

Os alimentos/líquidos açucarados são muito procurados pelas jovens rainhas/fundadoras.

O peixe fresco é um atraente muito forte, em especial na época em que as vespas operárias procuram proteínas para alimentar as suas larvas.

Estes atraentes colocados em recipientes que  não as afoguem/matem podem servir de alfobre para as nossas capturas. Com uma pinça como podemos ver aqui a sua caça é simples e rápida. Temos assim recrutados os soldados para fazermos deles cavalos de troia.

luta contra a velutina: novas armas

Na luta contra a velutina quase tudo vale e a imaginação é o limite. Em Cambre (Galiza) a protecção civil está a utilizar uma metralhadora dedicada para eliminar os ninhos da vespa asiática.

A metralhadora importada dos Estados Unidos é utilizada para disparar aos ninhos mais altos, a 30-40 m de altura. Esta arma é municiada com balas biodegradáveis que levam no seu interior insecticidas utilizados em agricultura ecológica e que não contaminam o ambiente em redor.

Lolo Andrade, membro da Protecção Civil de Cambre e especialista no combate à vespa asiática diz: “”Estamos probando una decena de productos efectivos pero más respetuosos con el entorno. Un insecticida con cipermetrina, que se usa en agricultura ecológica, es el que mejores resultados ha dado hasta ahora”

Para os ninhos mais acessíveis, os responsáveis localizam a entrada e introduzem o produto insecticida por ali. Para os que se encontram a 40 metros de altura ou mais ou em lugares inacessíveis, os membros da Protecção Civil empregam a metralhadora.

O produto insecticida é misturado com frutose de modo a que “las avispas que no mueren por contacto, mueren después al comer la fructosa con insecticida”, detalha.

Fonte: http://www.laopinioncoruna.es/gran-coruna/2017/09/12/armas-quimicas-velutina/1216437.html

vespa velutina: o caso de um apicultor viguês

Marcos Otero, apicultor da zona de Vigo, relata aqui a sua experiência recente no combate à velutina.

Este apicultor viguês elegeu duas técnicas para diminuir a predação das velutinas nos seus apiários este verão: armadilhas com xarope com mel e as harpas eléctricas.

 

Fig.1: Vespa velutina (espécie exótica) e Vespa Crabro (espécie autóctone). 

 

vespa velutina: novo atraente e novo cavalo de tróia

Neste artigo da edição do passado mês do “Campo Galego” são apresentados e descritos um novo atraente para velutinas a utilizar em apiários muito atacados e ainda uma nova forma de produzir cavalos de tróia. O autor do artigo sublinha a elevada selectividade do primeiro e a inocuidade do segundo junto dos outros seres vivos que habitem o meio.

A receita do novo atraente segue em espanhol/castelhano:

La receta para el jarabe de miel es la siguiente:
– Se ponen 2 litros de agua a calentar, y se disuelve en ella cuando esté bien caliente 1/2 kg de miel
– Se deja enfriar totalmente (tiene que estar frío del todo para el siguiente paso)
– Añadir 2 cucharadas de alcohol
– Añadir 1 cucharada de vinagre
– Añadir en cada bote la mezcla anterior, hasta una altura aproximada de 2 centímetros.

O novo cavalo de tróia:

É recomendado utilizar os próprios ninhos da Vespa Velutina como uma armadilha para veicular o insecticida. “Uma vez que o ninho Velutina está desativado; isto é, que o inseticida foi aplicado na entrada e selado, em vez de removê-lo para queimá-lo ou esmagá-lo, podemos usá-lo como uma armadilha “, explica. “Para fazer isso”, ele acrescenta, “cortamos com um cortador/faca uma camada do ninho de velutina, de modo a separar os favos com larvas de vespa asiática. Nós pulverizamos com um inseticida de dupla ação, larvicida e adulticida, e as Velutinas serão atraídas pelo líquido das larvas, ficarão contaminadas,  levarão para o seu ninho o insecticida, que também acabará contaminado“.

Relativamente ao insecticida utilizado é apresentado como inócuo para outros insectos e aves que habitem a zona, é constituído por Alfacipermetrina 3% (p/p) e Diflubenzuron 3% (p/p), sem neonicotinoides, e é utilizado frequentemente para combater piolhos em cães, gatos e galinhas.

o ácaro Tropilaelaps ou a arma de destruição massiva de colónias de abelhas

A maioria dos ácaros Tropilaelaps vivem e reproduzem-se dentro da criação, pois podem alcançar um ciclo de vida mais longo, vivendo apenas cerca de três dias em uma abelha adulta. A característica mais alarmante deste ácaro é a sua taxa de reprodução e ciclo de reprodução. Em 24 horas a contar da eclosão os ácaros entram num novo alvéolo e iniciam novo ciclo reprodutivo, colocando cerca de quatro ovos de cada vez. Um a quatro ácaros são encontrados geralmente num só alvéolo. No entanto, há relatos de ácaros encontrados em quantidades três vezes superiores num só alvéolo! Eles podem ultrapassar rapidamente e em grande número os ácaros da varroa em colónias de abelhas. O período de incubação é de apenas 12 horas e atingem a plena maturidade em apenas seis dias.

Fig. 1: Ácaros Tropilaelaps a parasitarem larvas de abelhas e abelha adulta enferma

Em comparação com o Tropilaelaps, os ácaros da Varroa não são problema. Os danos que provocam em colónias de abelhas é semelhante aos provocados pelo ácaro Varroa, como deformidades de desenvolvimento, infecções e, eventualmente, a morte da colónia mas a uma taxa muito rápida, porque devido à sua alta taxa de reprodução eles multiplicam-se muito mais rapidamente do que o Varroa causando danos muito mais extensos.

Fig.2: Zonas conhecidas de implantação e distribuição do ácaro Tropilaelaps (notar a coincidência com as zonas originais de implantação e distribuição do ácaro varroa)

quando o aethina tumida (pequeno escaravelho da colmeia) entrou em Portugal

O comércio mundial de abelhas e outras mercadorias acelerou a disseminação de “novos” patogeneos, predadores e pragas para outras partes do mundo. A União Europeia está extremamente preocupada com o risco de introdução de ácaros de aethina tumida (pequeno escaravelho da colmeia) e tropilaelaps na Europa. Em setembro de 2004, duas larvas deaethina tumida foram encontradas em gaiolas de rainhas de Apis mellifera ligustica e amas importados do Texas (EUA) para Portugal. Todas as colmeias do apiário e outro apiário a 5 km do primeiro apiário foram queimadas e a camada de solo foi removido e enterrado no fundo do solo. Os locais onde as colmeias estavam localizadas foram cobertos com plástico e o solo foi inundado com permetrina.

fontes: Murilhas, 2004; Neumann and Ellis, 2008; Valerio da Silva, 2014

Fig. 1: Em cima o pequeno escaravelho das colmeias adulto. Em baixo as suas larvas a parasitarem um quadro com mel. 

Depois da primeira entrada documentada do aethina tumida em solo português/europeu, prontamente erradicada, no dia 5 de setembro de 2014 foi feita uma nova detecção deste escaravelho, desta vez em território italiano, e continua por erradicar até à data.

Fig. 2: Queima de colmeias em Itália na tentativa de conter e erradicar a peste do pequeno escaravelho das colmeias.

vespa velutina ou vespa asiática: alimentação, iscos e armadilhas

Este conjunto de 3 vídeos dá-nos a conhecer o extraordinário trabalho levado a cabo pelo Sr. Ernesto Astiz no âmbito das sua investigação em torno da alimentação, iscos e armadilhas para as vespas velutinas. Muito obrigado pelos seus ensinamentos!

_mg_2083-jpg_20150630195242_20725_1

Fig. 1: Ernesto Astiz com uma gaiola para velutinas utilizada nas suas experiências

Vespa velutina (parte 1)

Vespa velutina (parte 2)

Vespa velutina (parte 3)

 

Aqui podemos ver o fim!

prevenção da traça durante o armazenamento da cera

O armazenamento e protecção de quadros de cera depois da extracção do mel é um dos principais problemas dos apicultores, especialmente em regiões com um Inverno ameno. A causa do problema está num insecto vulgarmente designado entre nós de traça da cera.

imgres-1

Fig. 1: Larvas da traça da cera

As traças da cera adultas são presença frequente na maioria dos apiários durante os meses mais quentes. Estes insectos são noturnos e passam o dia escondido em arbustos, árvores ou outros locais abrigados. No início da noite, as mariposas adultas fêmeas esgueiram-se para o interior das colmeias. Uma vez dentro da colmeia, as mariposas fêmeas adultas põem ovos nas fendas que encontram e saem da colmeia nas primeiras horas da manhã não sendo detectadas pelas abelhas.

O ciclo de vida da traça gigante (Galleria mellonella L.) e da traça pequena (Achroea grisella) na cera de abelha passa por 4 fases: o ovo, a larva, a pupa ou ninfa e o adulto. O ciclo de vida da traça é retardado devido a baixas temperaturas e ausência de alimento (principalmente pólen). O ciclo pode variar entre 6 semanas a 6 mese dependendo da temperatura e alimento.

imgres

Fig. 2: Traça gigante (Galleria mellonella L.)

As larvas destroem a cera porque se alimentam do pólen e outros materiais orgânicos que estão depositados na cera. Assim são, em regra, os quadros onde houve criação porque apresentam maiores ou menores quantidades de pólen e acumulam a seda dos casulos das pupas. Estes quadros são uma fonte de alimento muito mais atraente do que os favos que apenas armazenaram mel. Estes últimos oferecem um alto nível de resistência às traças de cera.

As traças adultas não causam estragos na cera devido às suas mandíbulas estarem atrofiadas.

Os tratamentos na prevenção e luta contra a traça podem ser os físicos (arejamento e congelamento), os químicos (enxofre, dissulfeto de carbono, ácido acético e fórmico) e os biológicos (Bacillus thuringiensis) para a prevenção e controlo da traça. É necessário ter em atenção que nem todos os tratamentos matam todas os estádios da traça (ver tabela 1).

Após a aplicação de tratamentos é essencial um período de 1 a 2 semanasde arejamento das alças antes de serem colocadas nas colmeias. Embora não exista legislação específica para os tratamentos no controlo da traça, é importante saber que alguns destes tratamentos são perigosos para a saúde pública devido ao risco de serem difundidos para o mel mesmo com o arejamento das alças. É o caso do paradiclorobenzeno (PDCB) e da fosfina. Outros tratamentos, como é o caso do dissulfeto de carbono, representam um risco para o apicultor devido à sua dificuldade de maneio como também apresentam riscos para a saúde do apicultor. Dos tratamentos mais seguros para a saúde pública é o dióxido de enxofre (“mechas” ou “pastilhas” de enxofre), pois é uma substância que não se acumula nas ceras, tal como o Bacillus thuringiensis.

 

Método Tratamento Objectivos Observações
 Físico  Arejamento (< 15ºC)  Retardar crescimento  Só é eficiente com luminosidade
 Físico  Refrigeração Mata todos os estádios 2h/-15ºC; 3h/-12ºC;

5h/-7,5ºC

  Físico  Calor Mata todos os estádios 80 min/46ºC;

40 min/50ºC

 Biológico  Bacillus thuringiensis (subespécie aizawai) Não mata os ovos  Por spray
 Químico Enxofre  Não mata os ovos  1 tira ± 10 meias-alças
 Químico  Ácido acético  Mata todos os estádios 200 ml (60-80%)/100 L
 Químico  Ácido fórmico Mata todos os estádios 80 ml (85%)/100 L

Tabela 1: Tratamentos na luta contra a traça da cera

A concluir refiro que nos últimos 4 anos tenho armazenado centenas de meias-alças do modelo Langstroth e Lusitana no período de Setembro a Março/Abril na Beira Alta a uma altitude de cerca de 900m. Estas meias-alças são colocadas em pilhas de 8 a 10 numa casa rústica, com bom arejamento e iluminação natural. Refiro ainda que não armazeno quadros com pólen e/ou ceras escurecidas onde houve vários ciclos de criação. Falta apenas dizer que coloco as meias-alças na pilha de forma cruzada/perpendicular de forma a que a meia-alça debaixo e a imediatamente de cima formem uma + ou um x. Procuro que o ar e a luz entrem o mais possível na pilha. Até agora esta técnica simples, orgânica e económica de armazenamento dos quadros de cera puxados resultantes da cresta, nas condições ambientais que descrevi, tem sido adequada no combate à traça da cera.

Fontes: “INTRODUÇÃO ÀS BOAS PRÁTICAS NA OBTENÇÃO DE CERA DE QUALIDADE”; http://www.clemson.edu/extension/beekeepers/publications/wax_moth_ipm.html

uma arma revolucionariamente simples contra a vespa velutina

Como muitos de nós sabem, por um saber de experiência feito, a apicultura quando levada seriamente é uma atividade muito exigente no que respeita à carga de trabalho a ela inerente. Por essa razão procuro, e julgo que procuramos todos nós, soluções simples, rápidas e que tenham uma elevada eficácia na resolução dos diversos problemas com os quais nos vamos confrontando.

Um dos problemas mais atuais em alguns países europeus e também em várias regiões de Portugal chama-se Vespa Velutina (também conhecida por Vespa asiática ou Vespa das patas amarelas). Ora nas minhas deambulações pela net encontrei aqui uma solução para eliminar pelo menos uma parte das Vespas Velutinas rainhas (também conhecidas por “fundadoras”).

A bandeja coletora de Vespas Velutinas rainhas

Um apicultor francês, Denis Jaffré, apicultor na Finisterra francesa e co-presidente da Associação Anti Vespa Asiática, descobriu uma forma inteligente para acabar com o pesadelo. “Em 2014, eu perdi seis colmeias, mas descobri o culpado no outono: dois enormes ninhos de vespa asiática, previamente escondida pelas folhas, e que estavam empoleirados em árvores num raio de 200 metros meu apiário “, diz ele. No ano seguinte, este apicultor decidiu utilizar pela primeira vez a “bandeja coletora” de Vespas Velutinas rainhas. É um dispositivo simples e eficaz que atrai e elimina as rainhas na primavera, antes de formarem uma nova colónia.

Um atrativo poderoso

O resultado é eloquente: “entre o início de março, quando elas saem da hibernação, e no final de junho, eu capturei 13 rainhas, o que me permitiu impedir a criação de 3 a 4 ninhos no meu ambiente imediato e lamentar a predação nas minhas colmeias “, diz este apicultor. O princípio é o de atrair estas jovens rainhas usando um poderoso atrativo: mel cristalizado colhido no outono, amalgamado com cera de uma colmeia saudável (para evitar a propagação de pragas, como loque americana). Denis Jaffré coloca este atrativo numa bandeja de metal grande (60 x 70 cm no mínimo) que é colocada sobre cavaletes. O conjunto é colocado em campo aberto, mas protegido da chuva, num local bem iluminado, garantindo que o sol não derreta o isco.

Esfomeadas por alimentos ricos em açucares

“No final do inverno e toda a primavera, as rainhas sentem uma bulimia por alimentos açucarados”, explica ele. “As rainhas nesta época do ano procuram avidamente acumular reservas de energia necessárias para a atividade reprodutiva no futuro próximo. Mel com cera misturada liberta aromas que atraem todas as fêmeas dentro que eu acho que cerca de 1,5 km”. “A captura é realizada no momento da visita diária com um frasco de boca larga com uma tampa (ver aqui vídeo exemplificativo), ou com um pau de espeto revestidos com cola (ver aqui vídeo exemplificativo) ou com um pequeno aspirador (ver aqui vídeo exemplificativo). Não há risco de ser picado “nesta época do ano, as rainhas jovens só pensam em comida e não são agressivas” garante Denis Jaffré. Além disso, ao contrário de um aprisionamento convencional, a bandeja coletora de rainhas é muito seletiva: não são eliminados as rainhas dos abelhões, vespas ou vespas europeias (inofensiva para as abelhas) para não mencionar as abelhas campeiras atraídas também pelo cheiro perfumado do mel e cera.

“Simples, eficaz, seletivo e limpo”

A última vantagem deste método revolucionário: não custa nada – o seu inventor (vespavelutinabzh@orange.fr) fornece o seu parecer gratuitamente — e é para todos: indivíduos, mas também as comunidades. “Os investigadores continuam a procurar e eu descubro num ano um truque simples, eficiente, seletivo e orgânico”, diz ele sarcasticamente. Segundo ele, a destruição de ninhos custa cerca de 300.000 euros por ano e por departamento, uma soma de 20-30 milhões de euros em todo o país. Tudo em vão, porque, ano após ano, a vespa asiática continua a proliferar …

Quanto a nós, por cá, é pôr mãos à obra porque uma boa velutina é uma velutina morta, sobretudo se ela for uma rainha.