vespa velutina: impacto das armadilhas de primavera num concelho da Galiza

Apresento em baixo extractos de uma notícia acerca dos resultados muito positivos alcançados em 2018 num concelho da vizinha Galiza na luta contra a velutina. A estratégia passou pela colocação de inúmeras armadilhas para capturar o maior número possível de fundadoras, com a participação alargada dos munícipes/fregueses, e com a intervenção/assessoria técnica de uma empresa especializada. Neste ano de 2019 a estratégia vai ser melhorada com a colocação de armadilhas mais selectivas (com entradas de 8 mm) para evitar o mais possível os impactos negativos desta prática na restante entomofauna.

Estes dados aparentemente divergem dos dados apresentados pelos especialistas e autoridades francesas acerca do impacto das medidas de colocação massiva de armadilhas para capturar fundadoras à saída da invernagem. Este tipo de divergência aparente é muito frequente quando as realidades observadas não são exactamente iguais (por ex. se as populações avaliadas já atingiram o seu ponto de equilíbrio), os períodos de recolha de dados não são os mesmos, a extensão geográfica das áreas avaliadas não é equivalente, quando os protocolos de acção e de observação/quantificação são diferentes e/ou por um conjunto de outras variáveis ainda desconhecidas. Nesta área falta conhecimento sólido porque em grande medida falta também investimento na criação de equipas de especialistas com as ferramentas e pré-requisitos necessários à produção desse conhecimento.

No imediato, quem desejar contribuir para a captura das vespas fundadoras deve, na minha opinião, ter em consideração um dado que é consensual: as armadilhas devem ser o mais selectivas possível por forma a minimizar os impactos negativos sobre os insectos não-alvo que uma utilização massiva implica.

“No ano 2017 retiramos máis de 400 niños e houbo unha afectación moi importante sobre a produción de mel no municipio. Por iso o ano pasado decidimos actuar desde o Concello. Puxemos case 300 trampas. Fixémolo directamente, con persoal de Protección Civil, pero asesorados tecnicamente pola empresa Serpa. Era o primeiro ano que trampeabamos, foi como unha experiencia piloto, e os resultados foron moi positivos. Pasamos de retirar máis de 400 niños en 2017 a só 73 no 2018. É certo que foi un peor ano para elas polas condicións climatolóxicas que se deron, pero aquí ao lado, no concello de Viveiro non trampearon e, coa mesma superficie que O Valadouro, uns 110 quilómetros cadrados, retiraron 529 niños[…].

Un dos efectos negativos do trampeo masivo é a captura doutras especies de insectos que, a diferenza da vespa asiática, son positivos. Para tratar de minimizar estas consecuencias sobre a biodiversidade reduciron ao máximo o tamaño dos orificios de entrada. “O importante no trampeo é facelo o máis selectivo posible. Cun oco de 8 milímetros de diámetro evitas que entren mariposas ou outros insectos beneficiosos[…].

Para activar de novo este ano o programa de captura de raíñas, o Concello celebra este sábado unha xuntanza formativa á que está convidada toda a veciñanza. Da parte técnica encargarase José María Vázquez, xerente da empresa Serpa, especializada na loita contra a velutina.”

fonte: http://www.campogalego.com/apicultura/o-valadouro-un-concello-que-logrou-reducir-un-83-a-presenza-da-vespa-velutina/?fbclid=IwAR0tWiQKCPh-QToWTSvjAvueV6CDDQEWkeNCJzQwdLRo1KDONcG5rlD5eJU

vespa velutina: impacto das armadilhas de primavera

Em algumas regiões de França, a monitorização do impacto no número de ninhos resultante da utilização de armadilhas para a captura das primeiras velutinas fundadoras e obreiras não são animadores. A minha esperança é que estes dados estejam errados. Caso estejam correctos, parecem apontar para uma estabilização do número de ninhos ao longo dos anos independentemente de uma maior ou menor intensidade nas acções de captura de fundadoras à saída da invernagem.

Rede de monitorização e controlo montada na região de Pays-de-la-Loire
Outono de 2008: 1 vespão identificado no sul de Vendée.
Início de 2009: montagem de uma rede de monitorização e controle (organização e treino, supervisão de caçadores, perícia, coleta de informações confiáveis).
Primavera de 2009: captura de fundadoras com um número limitado de “armadilhas seletivas de cerveja” num raio de 30 km em torno da área onde foi identificado o primeiro adulto em 2008.
Balanço 2009 => Nenhuma fundadora capturada, 12 ninhos descobertos
2010: distribuição de 400 armadilhas “seletivas” entre caçadores treinados e apicultores voluntários. Armadilhas colocadas perto de apiários. Ampla informação pública.
Avaliação 2010 => 6 fundadoras capturadas, 195 ninhos identificados.
2011: renovação do plano de vigilância e luta de 2010.
Balanço de 2011 => aprox. 10 fundadoras capturadas, 485 ninhos identificados.

Operação de armadilhagem intensiva na cidade de Bordeaux
(Rome et al., 2013)
Desde 2007: Implantação de uma alta densidade de armadilhas de fevereiro a abril (exemplo: 15.000 armadilhas / 550 km2 em 2009)
Balanço final => Vários milhares de fundadoras capturadas em cada ano, mas o número de ninhos encontrados permanece estável: 300 / ano

2007 a 2011: muitas experiências semelhantes foram realizadas a uma escala comunal ou departamental (Dordogne, Gironde, Morbihan, etc.)
Balanço => densidade de ninhos encontrados estável.

2007 a 2009: nenhuma campanha de captura maciça em Lot-et-Garonne
Balanço => número de ninhos detectados é metade em 2007/2008 (609 para 267). Ligeira recuperação do número de ninhos em 2009.

Conclusão: Nenhuma campanha de armadilhagem na primavera parece eficaz na redução da densidade de colónias de vespas asiáticas.
As diminuições são devidas ao clima (inverno) e à estabilização natural das populações.

Feedback sobre outras vespas invasoras
Vespa germânica (Vespula germanica) introduzida na Nova Zelândia.

Única forma de diminuir a densidade = destruição quase total de todos os ninhos.
Armadilhas de captura de fundadoras (outono ou primavera) = ineficaz
Cálculo da taxa de mortalidade dos diferentes estágios de desenvolvimento das colónias de vespas (Vespula germanica e V. vulgaris):
1% das fundadoras poderão fundar uma colónia no ano seguinte
95% de mortalidade no inverno + 4% de mortalidade na primavera (competição).
Usurpação de ninhos primários muito comuns em vespas (30% das colónias com ninhos usurpados).
Em média, 12 mudanças de fundadoras por ninho.
Frequência de usurpação aumenta com a densidade das fundadoras no local.”

fonte: https://www.concarneau-cornouaille.fr/files/ACTUALITES-2018/04-Avril/FrelonAsiatique_AChevallierV2018red.pdf

vespa velutina : uma armadilha muito selectiva

Apresento em baixo uma outra solução [uma grande esperança entre alguns apicultores franceses] para capturar as rainhas das vespas velutinas após a saída do período de hibernação e que, segundo os seus proponentes (Denis Jaffré e outros), apresenta uma elevada selectividade, a caixa autónoma de captura preventiva e selectiva.

Fig. 1. Caixa autónoma de captura preventiva e selectiva

Os módulos de acesso selectivos ou JABEPRODE (acrónimo francês pelo qual são conhecidos) vão ser fixados na Caixa autónoma de captura preventiva e selectiva dos vespões asiáticos.

Fig. 2: Vista aproximada do JABEPRODE

A extremidade mais fina e seletiva da pirâmide de malha, no interior da caixa permite a fácil passagem fácil das rainhas velutinas e deve estar perfeitamente calibrados para a envergadura destas e, simultaneamente, impedir a passagem de rainhas crabro (vespão europeu). Para conseguir este objectivo a secção na passagem deve ser superior a 6 mm e inferior a 9 mm.

O JABEPRODE  tem a forma de um funil de forma piramidal e é fixo a uma base de cerca de 1 cm por meio de cola (cola de resina de poliuretano ou de neopreno de suporte de plástico) na caixa. A malha deste funil (com mais de 3mm e menos de 5mm) permite a passagem/fuga para o exterior de abelhas e outros insetos de menor tamanho que os vespões asiáticos.


Fig. 3. : Vista superior de uma caixa autónoma de captura preventiva e selectiva onde podemos ver dois JABEPRODE instalados

A profundidade da pirâmide e sua estrutura totalmente ventilada é longa o suficiente para impedir que o vespão asiático encontre a saída (princípio básico da armadilha). As experiências realizadas em 2017 constataram que nenhuma rainha que entrou entrou conseguiu sair.

A caixa autónoma de captura preventiva e selectiva independentemente da sua forma, natureza ou capacidade (caixa de vinho de madeira, caixa de plástico, colmeia …) é sempre composto de quatro elementos: o recipiente para o isco, o JABEPRODE com o maior comprimento possível para otimizar a circulação dos odores do isco, a gaiola de captura e o fundo que é coberto com uma malha fina (1 a 2 mm). A ampla abertura garante a atração, recepção e captura de todas as rainhas velutinas no ambiente envolvente a distâncias muito grandes (várias centenas de metros). A eficácia destas armadilhas será avaliadas em 2019.


Fig. 4. : Colmeia, sem enxame, que funciona como caixa autónoma de captura preventiva e selectiva.

Tipos de iscos: Aqueles que, até agora, mostraram a melhor eficiência e eficácia consistem em ceras de opérculos com mel e/ou quadros quebrados de mel que devem imperativamente ser protegidas por uma rede de arame fino (tipo rede de arame de aço inoxidável) ou redes de própolis que impeçam acesso das abelhas ao isco.

Figs. 5 e 6: Imagem da rede que impede o acesso das abelhas e outros insectos à zona/caixa onde é colocado o isco com ceras dos opérculos e/ou quadros com algum mel.

Três razões para a colocação da rede de malha fina:
1- A necessidade de uma saída rápida de insetos não-alvo (porque eles não podem chegar ao isco) é óbvia e para evitar que eles se tornem presas das velutinas já presentes na caixa.


2- Evitar o risco potencial de transmissão de patogenos pela contaminação de abelhas por via de esporos de loque americana que podem estar presentes em ceras (ou suco de cera) e/ou quadros com algum mel. No verão, é possível usar iscos de carne ou restos de peixe cru (que devem ser substituído a cada dois / três dias), ou o Nuöc Màn (suco de peixe fermentado) parece também dar bons resultados . Os restos de peixes gordos, crustáceos e moluscos são um isco muito apreciados pelas velutinas. Para aqueles que não têm ceras com mel, a mistura de xarope de frutas vermelhas, sidra artesanal saturada com açúcares à qual podemos adicionar as sobras de geléias ou potes de mel esquecidos no fundo do armário funcionam muito bem. Pedaços de esponja embebidos destes sucos são também bons difusores destas fragrâncias olfativas.

3- A necessidade de não alimentar as vespas cujo metabolismo diminuirá muito rapidamente como resultado. Sua temperatura diminuirá rapidamente e sua morte geralmente ocorre após as 36 h (segunda noite). Por outro lado, mesmo sendo uma praga estes insetos não devem sofrer desnecessariamente.

Fig. 7: Vista superior de uma caixa autónoma de captura preventiva e selectiva onde podemos ver dois JABEPRODE instalados, com o isco de restos de cera com mel devidamente protegidos por uma rede de malha fina.

fonte: https://www.labeilledefrance.com/lutte-preventive-contre-le-frelon-asiatique-jabeprode/

vespa velutina: manual de boas práticas na destruição de ninhos

Um manual útil, bem escrito e com diversas propostas de intervenção para as equipas especializadas na destruição de ninhos de vespa velutina… e que todos os apicultores e restantes cidadãos devem ler.

fonte: http://fnap.pt/web/wp-content/uploads/VVManual-Destruição-de-Ninhos_Dezembro2018.pdf

vespa asiática: uma estratégia alternativa para a colocação de armadilhas

Apresento esta estratégia alternativa para ser conhecida. Não a defendo nem deixo de defender, porque desconheço os seus méritos ou deméritos. Conheço alguns estudos, realizados em França, que desaconselham também a eliminação prematura das fundadoras, e preconizam que se deixe a natureza/competição interespecífica entre as fundadoras eliminar um bom número das mesmas quando saem da hibernação. Repito que não advogo esta posição nem deixo de advogá-la, estou apenas a dar a conhecê-la. Como Pilatos, lavo as minhas mãos… façam o que entenderem melhor para proteger as vossas abelhas! Eu farei o mesmo!

“Nós neste gráfico estabelecemos o período em que se deve usar as armadilhas para capturar as fundadoras …

Fig. 1: O calendário alternativo para colocar armadilhas para eliminar as fundadoras e primeiras obreiras V. velutina (a amarelo). A vermelho o número de rainhas decresce acentuadamente entre fevereiro e março, resultado da luta feroz pelo território entre fundadoras.


Após a saída da hibernação (quando os dias ultrapassam os 13º-15ºC) as velutinas fundadoras desenvolvem uma luta feroz entre elas pelo território e ninhos em construção. Esta luta desenrola-se em duas ou três semanas, e as 20.000 velutinas fundadoras (que representamos na figura) caiem para pouco mais mais de cem no início de março, e será esta centena de fundadoras a responsável pela construção dos ninhos secundários, tantos quantos os do ano anterior.

Portanto, a nossa estratégia de armadilhagem pressupõe que devemos deixar a natureza fazer seu trabalho primeiro.

Em março, quando já não vemos velutinas no ambiente é que a nossa tarefa começa, devemos agora sim colocar as armadilhas.
Como dizemos, é possível que num raio de quilómetro e meio a dois quilómetros, em torno do nosso apiário, exista apenas um pouco mais de uma centena de velutinas fundadoras, mas é esta centena de ninhos que está agora em construção que fará aumentar exponencialmente a população meses mais tarde. Portanto, agora cada velutina caçada é um ninho a menos e muitos milhares de velutinas obreiras mais adiante.
[…]
Neste período raramente as veremos, mas uma parte dessas cem velutinas visitará o seu apiário nos próximos três meses: março, abril, maio.
Não se desespere se as suas armadilha capturam apenas alguns exemplares, deve persistir e manter as armadilhas ativas ao longo desse tempo, porque cada velutina caçada agora será um ninho menos. Com esta captura vai eliminar os ninhos mais próximos do seu apiário, e, portanto, os que mais dano lhe causariam se atingissem a maturidade (a fase de ninho secundário).

No final de maio/ início de junho, as velutinas fundadoras que conseguiram sobreviver às armadilhas deixam de sair do ninho e começam a surgir as primeiras obreiras. A caça a estas primeiras obreiras é essencial: subtrair dez obreiras de um ninho ainda incipiente, com trinta irmãs, é subtrair 30% da força de trabalho necessário ao crescimento desse ninho. Isso atrasará/ evitará a explosão geométrica de indivíduos no ninho no final do verão.

Se executar bem a captura das fundadoras e primeiras obreiras durante a primavera no seu apiário, observará como a população de velutinas no verão pouco o afetará. […]

Por outro lado a administração local deve fazer o mesmo, com uma rede de armadilhas selectivas distribuídas em todo o território municipal, armadilhas selectivas municiadas com ambos os atrativos, doce e proteína, para capturar o punhado de rainhas que, mais cedo ou mais tarde as visitará. Observe que estamos falando de um período considerável de tempo que pode chegar a três meses.
Esta estratégia não é para caçar grandes quantidades de velutinas, esta é a proposta para capturar os indivíduos essenciais à próxima geração e que neste período são poucos. Em nossa opinião, é altura do ano mais vulnerável da espécie e, portanto, quando podemos fazer mais danos.

Nós pensamos que este período é de extrema importância, a batalha contra a VELUTINA ou se ganha nos meses de março, abril ou maio, ou NÃO se ganhará.”


Finalmente, também consideramos a captura de rainhas no final do outono praticamente inútil, se no exemplo que demos, existem 20.000 velutinas que vão hibernar, qual é o sentido de matar 5, 10, 15.000 velutinas, até 19.500 velutinas? se apenas cem serão suficientes para cobrir todo o território novamente.

Portanto, consideramos, sob nossa humilde opinião, uma perda total de tempo e dinheiro a armadilhagem do outono, não somos contra a captura nessas datas, simplesmente consideramos uma perda de tempo e dinheiro.”

fonte: https://sanve.weebly.com/el-trampeo.html

vespa velutina: se eu fosse investigador…

É verdade, sou apicultor a tempo inteiro. Contudo, se fosse investigador, e só soubesse o que sei hoje, esta seria a minha linha de investigação: criar um atraente/isco específico para a vespa velutina. Como?

Sabemos que a vespa velutina adulta, que vai aos apiários caçar as abelhas, o faz para conseguir o tórax das nossas amigas. Com este pedaço de proteína vai para o ninho onde o entrega às larvas famintas. Estas, por sua vez, fornecem-lhe um líquido claro, rico em aminoácidos, que contribui substancialmente para a sua nutrição e que, paralelamente, estabelece um vínculo indestrutível de interdependência, que condiciona pelo reforço positivo o comportamento de caça assanhado na vespa adulta.

Fig. 1: Vespa velutina trucidando uma abelha melífera para lhe retalhar o seu tórax. A natureza também é isto… não é feita apenas de animaizinhos fofinhos e peludinhos!

Este comportamento é característico de todas as vespas pertencentes à superfamília Vespinae, isto é, estas vespas ao invés de consumirem as presas que caçam, trucidam-nas e alimentam com elas as suas larvas.

O mais importante e relevante para este post, e para a minha hipotética linha de investigação, é este dado: a composição exacta dos aminoácidos presentes no tal líquido claro fornecido pelas larvas varia substancialmente entre as espécies de vespas. Confirmado que no caso das vespas velutinas este líquido as atrai exclusivamente ou muito próximo disso, o passo seguinte seria fazer a sua análise e posterior síntese.

Correndo tudo pelo melhor teríamos o tão desejado atraente selectivo. Fica a ideia…

ciclo de vida da vespa velutina (em França)

Uma das chaves para a luta contra o invasor vespa velutina nigrithorax é aprofundar o conhecimento sobre o seu ciclo de vida, dieta, tamanho da colónia, reprodução, comportamento predatório, …

Fig. 1 : Zonas colonizadas pela Vespa Velutina até 2017

O ciclo de vida

O ciclo de vida do vespão de patas amarelas é anual. Uma nova rainha funda a colónia na primavera. Dos primeiros ovos nascem as fêmeas que serão as primeiras obreiras dessa colónia. Do ovo à emergência vão 4 a 5 semanas. Estas obreiras permitirão que a rainha gradualmente se dedique exclusivamente à postura. No final do verão, começa a geração dos primeiros machos e futuras rainhas. O ninho pode então abrigar milhares de indivíduos. Estima-se que ao longo de um ano cada ninho produza entre 5.000 a 15.000 indivíduos, nas maiores colónias. A título de comparação, um ninho de vespas crabro produz cerca de 1.000 a 1500 indivíduos. A fecundação da nova geração de rainhas acontece antes do inverno. Nos primeiros dias de geadas, a nova geração de jovens fundadoras deixa o ninho e procura um esconderijo para passar o inverno, onde hibernam solitariamente. O resto da colónia é abandonado ao seu destino, a velha rainha morre, a falta de comida e o frio fazem colapsar a colónia e a estrutura do ninho deteriora-se com o mau tempo.

Fig. 2: Principais diferenças entre a V. Crabro (à esquerda) e a V. Velutina (à direita).
Fig. 3: Esquema geral do ciclo de vida da Vespa Velutina

 O período solitário: o fim da hibernação e desenvolvimento da colónia no ninho primário

Com os primeiros dias mais quentes (> 13 ° C), em geral em meados de fevereiro, as fêmeas fundadores saem da hibernação, pelo menos aquelas cujo esconderijo permite um rápido aquecimento. Em poucos dias recuperam a sua vitalidade, desenvolvem os seus ovários se encontrarem os açúcares energéticos de que precisam. As rainhas sobreviventes iniciam um novo ciclo infernal. Cada uma com vontade de fundar uma nova colónia, construirá o seu ninho e alimentará as larvas até que se tornem adultas obreiras, 5 semanas após a postura dos ovos. Em três semanas, a larva atinge o seu tamanho máximo. Então, tece ao seu redor um casulo sob o qual se vai isolar por mais 2 semanas, período das metamorfoses. A vespa adulta emergirá depois de ter rasgado seu casulo com suas mandíbulas e se libertar de seu alvéolo. Durante este período a rainha fundadora é a única a assumir a sobrevivência de sua colónia. Durante este período as suas necessidades e tarefas são diversas: procura de açúcares para ela, proteínas para alimentar as larvas, fibras de madeira e água para construir e aumentar o ninho primário. Ao contrário das rainhas das abelhas melíferas europeias, a rainha velutina passa a maior parte do seu tempo fora do ninho, até ao nascimento das primeiras obreiras. Gradualmente a rainha fundadora ficará cada vez mais no ninho dedicada à postura de mais e mais ovos, e chegará a pôr 100 ovos por dia, até à sua exaustão no outono.

Fig. 4: Imagens da construção do ninho primário

O período cooperativo ou de transição: a construção do ninho secundário

Este período coincide com o surgimento das primeiras obreiras até à cessação completa da atividades fora do ninho por parte da rainha. Este período dura cerca de 3 meses. Na verdade, o papel da rainha vai evoluir com o crescimento da colónia. O grau de divisão do trabalho entre rainha e operárias, após a emergência destas varia com o tamanho das colónias. A rainha “liberta-se” dos trabalhos realizados no exterior para dedicar-se principalmente à postura 20 a 40 dias após a emergência das primeiras obreiras. Às vezes, no caso de falta de espaço, comida ou água, a colónia vai mudar de local e iniciar a construção de um ninho secundário localizado em local mais propício ao seu desenvolvimento.

Fig. 5: Ninho secundário de V. Velutina no topo de uma árvore
Fig. 6: Vista aproximada de um ninho secundário

Período polietico de desenvolvimento: o aumento acentuado de obreiras, quando a rainha só desova

Este período de desenvolvimento é caracterizado por um aumento acentuado no número de obreiras assim como o tamanho da colónia, bem como uma separação total de atividades entre a rainha (desova) e as obreiras (coleta de recursos, manutenção da colónia) . Após a forte expansão do ninho, a rainha não faz nada além de desovar e não participa mais nas atividades extra-ninho. A postura concentra-se nos novos andares do ninho, que as obreiras vão construindo. Neste último terço do ciclo da colónia, alvéolos maiores são construídas para criar machos e novas rainhas. Nas V. velutina, rainhas, machos e obreiras são de tamanhos muito semelhantes no final do outono e o tamanho dos alvéolos ainda não foi relacionado com a casta.

Fonte principal: https://tel.archives-ouvertes.fr/tel-01758929/document

decálogo para lutar contra a vespa velutina

Nota prévia: não pretendo neste post fazer publicidade aos equipamentos e marcas. Pretendo apenas partilhar informação que me parece pertinente.

1.– No começo da primavera as velutinas só buscam o néctar e começam a desenvolver seu ninho, nesta fase elas são praticamente inofensivas para as abelhas, muitas se matam entre elas lutando pelos ninhos.

2 .- Se encontrarmos um ninho primário, não devemos eliminá-lo até que saibamos que as primeiras obreiras já nasceram, será o sinal de que é um ninho definitivo e que vai dar origem em algumas semanas a um ninho secundário.

Um ninho primário é um tesouro, se o eliminarmos antes do tempo outra velutina iniciará seu ninho num lugar desconhecido, se o eliminarmos quando tiver obreiras recém-nascidas ou prestes a nascer, será um ninho secundário a menos.

3.- Há lugares onde as velutinas têm predileção especial para fazer os ninhos primários a cada ano, por exemplo, nos cemitérios, nos nichos, entre a cobertura de vidro que protege a cobertura de granito, esses locais são ideais para eliminar ninhos usando a regra n º 2.

4.- Devemos usar armadilhas tão seletivas quanto possível, para não danificar os insetos nativos, para isso, se usarmos armadilhas do tipo garrafa, elas devem ser feitas corretamente, com um orifício de entrada não superior a 8 mm de diâmetro e com saídas de 4 mm para permitir que os insectos menores saiam.

5.- As armadilhas combinadas SANVE-elétricas não só não matam os insetos nativos, mas estes são usadas como atrativos, uma vez que também fazem parte da alimentação das velutinas. Esta armadilha pode ser usada na primavera para substituir as garrafas, e também no resto da temporada em frente aos alvados.

6.- Durante o verão no apiário existem vespas com dois papéis, algumas procuram proteína e, portanto, caçam abelhas, outras procuram carboidratos (açúcares, néctares, mel). Esse tipo de armadilha atrai ambas.

7.- Devemos reorganizar os apiários para serem mais eficazes contra a vespa.

Uma boa estratégia é colocar as colmeias em agrupamentos, deixando um espaço livre a cada 5 colmeias para inserir harpas elétricas, muito efetivas nos meses de julho, agosto e setembro, quando as velutinas são mais agressivas com as abelhas.

8.- Durante esses meses devemos diminuir o alvado para cerca de 5 mm de altura para evitar que a velutina entre na colmeia.

9.- Devemos também separar cerca de 5 mm a base da colmeia do ninho, o que permite que as abelhas entrem e saiam de todo o perímetro da colmeia e assim possam fugir das velutinas que estão em vôo estático em frente à entrada.

10.- Devemos manter as armadilhas até ao outono até que deixemos de ver a última velutina no apiário.”

fonte: www.sanve.weebly.com

vespa velutina: um adaptador para a entrada das colmeias salva as abelhas da predação

Um apicultor francês, Norbert Mathieu, inventou um adaptador que, fixado às pranchas de vôo das colmeias, permite às abelhas atingirem uma velocidade de vôo mais alta à saída e entrada na colmeia, dificultando o ataque dos vespões asiáticos. Este sistema também tem o efeito de inibir o comportamento de predação da vespa, e abre a possibilidade de as abelhas se defenderem através do comportamento de “pelotagem”.

Nota: não tenho dados pessoais que me permitam confirmar ou infirmar a eficácia do dispositivo.

vespa asiática: nova técnica para produzir cavalos de tróia

Procurando soluções eficazes, baratas e de rápida execução no terreno encontrei aqui [https://www.ledauphine.com/france-monde/2018/08/02/un-apiculteur-affirme-savoir-comment-vaincre-le-frelon-asiatique] uma proposta que mereceu a minha atenção. Se se confirmar a sua eficácia, é a forma mais simples e rápida de preparar cavalos de tróia que eu conheço.

Isso é o que afirma um apicultor francês (Augustin Sottile), persuadido de ter encontrado o segredo para se livrar das vespas asiáticas.

Sua receita vencedora: leite de maquilhagem a que se mistura produto de pulgas para cães e gatos. O produto sozinho mataria a vespa imediatamente. A mistura com água não funciona porque se evapora. O leite de maquilhagem permite que o produto permaneça agarrado ao inseto até que ele retorne ao ninho. A técnica: apanhe com uma rede mosquiteira a vespa e pulverize-a com a mistura. O vespão retorna ao seu ninho e o envenena.

O que me anima nesta técnica é que o suporte do biocida, o leite de maquilhagem, pode ser pulverizado o que me parece que aumenta significativamente a rapidez da operação.

Fig.1 : Augustin Sottile está convencido de que seu método, por mais rudimentar que seja, é eficaz na erradicação do vespão asiático.