equalização de colónias de abelhas

A equalização de colmeias permite atingir vários objectivos em simultâneo, e era uma das ferramentas muito utilizada pelo irmão Adam, na abadia de Buckfast, para atingir elevadas produções nas suas colmeias.

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Fig.1 — “Brother” Adam a inspeccionar uma colmeia, com a velha abadia de Buckfast ao fundo

De uma forma sumária, a equalização de colónias de abelhas consiste em fortalecer as colmeias mais despovoadas à saída do inverno, fornecendo-lhes quadros com criação operculada prestes a nascer ou abelhas, sobretudo abelhas jovens ou ambos os recursos simultaneamente.

Que colmeias fortalecer? Como já foi referido são as colmeias mais despovoadas. Contudo, nem todas as colmeias justificam este esforço e este custo. Só faço esta equalização em colmeias saudáveis, com rainhas com um bom padrão de postura e com uma razoável massa crítica, isto é, com 4 a 5 quadros bem cobertos por abelhas.

Nos meus apiários da beira alta, no final do inverno, ou seja, na primeira quinzena de março, uma colónia com 7 a 8 ou mais quadros cobertos com abelhas e pelo menos 4 quadros com boas áreas de criação é considerada uma colónia forte. Pelo contrário, uma colónia com 4 a 5 quadros de abelhas é classificada como uma colmeia susceptível de ser “apoiada”.

A partir de meados de abril, nas terras baixas da beira alta onde tenho parte dos apiários, uma colónia forte terá 10 a 15 quadros cobertos com abelhas e, pelo menos, seis quadros repletos de criação, com muitas forrageiras a fazer os seus vôos e a fazer crescer as reservas de pólen e de néctar. Pelo contrário, uma colónia com 6 a 8 quadros coberto com abelhas e 3 a 4 quadros de criação é classificada como uma colmeia susceptível de ser “apoiada”.

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Fig.2 — Colmeia forte que pode ser utilizada como doadora

Vantagens da equalização para o apicultor

  • Obtém colónias mais ou menos iguais em força para o fluxo de néctar;
  • Estimula as colónias menos povoadas e não afeta as colónias doadoras, pois estas rapidamente recuperam;
  • É um método eficaz de prevenção da enxameação, porque reduz o congestionamento nos enxames mais populosos;
  • Contribui para uma maior produção de mel;
  • Contribui para que todas as colónias se tornem produtivas;
  • Minimiza a possibilidade de pilhagem no apiário.

Desvantagens da equalização

  • Pode transmitir doenças e ácaros entre colónias no apiário;
  • Pode causar esfriamento da criação se não for feita com cuidado.

O apicultor deve ter um grande cuidado para não distribuir quadros com criação e abelhas a partir de colónias doentes. Deve verificar sempre se as colónias não apresentam sinais de doença antes da equalização.  A concluir, deve ter cuidado para não colocar muita criação em colónias fracas, pois estas não conseguirão dispor de abelhas em número suficiente para manter a criação quente durante as noites mais frias, ainda frequentes na primeira metade da primavera no interior do nosso país.

renovação de ceras post 1)

Gostava de saber se me pode esclarecer umas dúvidas em relação à renovação que faz dos quadros de ninho.
Quando começa a fazer essa renovação logo em Fevereiro e prolonga-se por quanto tempo? Ou a renovação é feita o mais rápido possível? Tira 3Q por ninho, que serão aqueles mais antigos com ceras mais escuras certo? E que ainda não tenham criação da rainha, logo terão que estar mais nas laterais da colmeia certo? Nos quadros que pretende renovar mas que ainda tenham mel e pólen também os tira? E que faz com eles?” João Oliveira

Procurando responder às questões do João Oliveira, começo pela primeira.

A renovação dos quadros de cera nos ninhos é uma das tarefas mais importantes do apicultor. Para que o seu trabalho seja efetivo necessita de ter em atenção dois pré-requisitos fundamentais: o timing em que deve fazê-lo e a qualidade da cera laminada.

Relativamente ao timing, a colocação dos primeiros quadros de cera laminada no ninho varia de zona para zona e de ano para ano. Devemos olhar para as colmeias e observar o que as abelhas nos dizem. A cera nova branca é o sinal. Quando as abelhas começam a fazer cera nova nos rebordos dos quadros e /ou nas pranchetas está na altura de iniciarmos a renovação de quadros de cera no ninho.

 

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Fig. 1 — Cera branca nas colmeias

Em geral este período de produção de ceras novas está associado aos seguintes factores:

  • fluxo razoável a bom de néctar;
  • temperaturas máximas acima dos 16-18º C e abaixo dos 26-28ºC;
  • bons níveis de humidade no ar atmosférico;
  • expansão assinalável da criação no ninho/rainha vigorosa.

Nos meus apiários na beira alta começo a renovar as ceras nos ninhos entre meados de março e meados de maio. Na beira litoral começo a renovar a cera, em regra, a partir de meados de janeiro, sendo que aqui os timings são mais oscilantes.

Relativamente à segunda parte da primeira questão “por quanto tempo” são também as abelhas a responder. Por norma nos apiários da beira alta as abelhas puxam muito bem a cera nos meses primaveris, até à entrada de junho, e isto nos apiários localizados nas terras mais baixas. Nos apiários localizados nas terras mais altas puxam muito bem a cera a partir de meados de maio e até finais de julho. Nos apiários da beira litoral a partir do início de abril praticamente deixam de puxar a cera.

Na minha opinião as abelhas deixam de puxar a cera quando os factores atrás referidos deixam de coexistir. Dito de outra forma, cada factor per si não é suficiente para estimular a produção de cera nova.

João as restantes questões não ficaram esquecidas.

tenho que fazer cera

Nas abelhas Apis mellifera, a cera é uma substância secretada por meio de oito glândulas cerígenas, que estão localizadas na parte inferior do abdômen, sendo libertada na forma líquida e que ao entrar em contacto com o ar solidifica e fica em forma de lâminas brancas que são perfeitamente visíveis.

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Fig. 1 — Abelha a produzir pequenas escamas de cera nas oito glândulas cerígenas

Estas pequenas escamas de cera nova são produzidos por abelhas operárias com idade entre 12 a 18 dias de vida adulta. Após este período, normalmente as glândulas atrofiam-se e param de funcionar nas abelhas mais velhas. A cera pura, tal como se encontra nas escamas secretadas pelas operárias, é branca, e a coloração final dependerá da presença de pólen e própolis. A cera contém mais de 300 componentes, o que ilustra bem a complexidade deste composto.

Sabendo que a época de produção de cera pelas abelhas varia com os locais e até com os anos, importa ao apicultor ir precisando no seu calendário apícola a altura do ano em que as abelhas a produzem num ritmo intenso e rápido. Assim, o apicultor munido desta informação pode organizar devidamente a colocação das lâminas de cera nos quadros e, sobretudo, gerir o momento mais oportuno para ir colocando os quadros de cera laminada nos ninhos das suas colmeias. Será muito perturbador para a colónia ver colocados no seu ninho quadros de cera laminada quando as abelhas ainda não estão preparadas para os  puxar. Estes quadros, ao invés de terem um papel na expansão da câmara de criação como era intenção do apicultor, acabam por constituir barreiras às abelhas, quais muralhas de uma fortificação.

É sabido que que as abelhas campeiras/forrageiras não armazenam o néctar nos favos; elas transferem a sua carga de néctar para as abelhas armazenadoras mais novas que estão na entrada da colmeia. Quando estas abelhas armazenadoras estão cheias, partem à procura de um local, no interior da colmeia, onde possam armazenar o néctar. Se depois de um tempo razoável (o “tempo razoável” não parece estar bem determinado na literatura, mas provavelmente será alguns minutos) a abelha armazenadora não encontra um alvéolo onde depositar o néctar — um que não esteja já cheio de néctar, que não esteja a ser utilizado por outra abelha, ou que não tenha cria — acaba por ingerir o néctar. Neste processo, o néctar, que era parte da colheita, acaba no sistema digestivo da abelha. Este consumo elevado de açucares transforma estas abelhas em produtoras de cera, em abelhas cerieiras. Esta transformação é um ponto crítico na vida da colónia de abelhas ao qual o apicultor deve estar muito atento.

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Fig. 2 — Cacho de abelhas a construírem favo novo

A minha experiência diz-me que estas abelhas cerieiras estão em grande número e “esfomeadas” por fazerem cera quando começo a ver pequenas extensões de cera nova, muito clara, a aparecerem nas faces laterais dos travessões superiores dos quadros.

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Fig. 3 — Pequenos favos adventícios de cera nova

Esta transformação começa usualmente quando 60-70% do espaço disponível para o armazenamento está ocupado. As abelhas, que se converteram às tarefas de produzir cera e construir favos, visitam frequentemente a entrada da colmeia para se reabastecerem de combustível junto das abelhas forrageiras.

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Fig. 4 — Cera branca na face interior da prancheta

Quando o fluxo de néctar termina, este comportamento cessa também. A necessidade de construir favo novo cessa com o abrandamento e fim do fluxo de néctar. Este mecanismo autorregulado permite e garante que as abelhas não construam mais favo do que aquele que necessitam.

Uma questão que divide os apicultores gira em torno de como apresentar a cera laminada às abelhas para que elas procedam o mais rapidamente possível à construção dos favos para armazenar o mel. Será ou não importante colocar as quadros com cera laminada logo por cima do ninho? Como já foi referido, o que mais importa nesta equação é a necessidade que as abelhas sentem de construir favo novo e um fluxo de néctar generoso que forneça o combustível à realização desta tarefa. Acrescento que, em geral, a puxada de cera é mais fácil no local mais quente da colmeia, e este local é imediatamente por cima do ninho. No entanto, se os dias estiverem quentes e se houver um fluxo de néctar generoso, as abelhas puxarão alegremente a cera se a alça ou meia-alça de cera laminada estiver mais distante do ninho, no topo da colmeia. Colocar um ou dois quadros com mel nesta caixa do topo poderá encorajar as abelhas a subirem e a puxarem a cera laminada mais cedo.

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Fig. 5 — Quadro puxado com cera nova

dando espaço à postura de uma rainha prolífera

A Lei de Farrar é muito clara relativamente à relação que existe entre o número de abelhas de uma colónia e a produção de mel. Mais, diz-nos que esta relação é não-proporcional, isto é, uma colónia de 60 000 abelhas produz mais que duas colónias com 30 000 abelhas.

Em Portugal, os modelos de colmeias mais utlizados são a reversível, a lusitana e a langstroth. Estes ninhos, na configuração de um só andar, não têm uma dimensão suficientemente ampla para albergar a postura de uma rainha prolífera na altura do pico de postura que, em geral, ocorre na primeira metade da primavera. Alguns apicultores, conhecendo os constrangimentos destes ninhos, colocam uma segunda caixa, o chamado sobre-ninho ou segundo ninho, de igual dimensão para duplicarem o espaço da câmara de criação. Esta solução, com alguns inconvenientes não o negamos (ver post relacionado), justifica-se pelo facto de potenciar o desenvolvimento de colónias mais populosas, logo mais produtivas e, em simultâneo, promover o descongestionamento do ninho, reduzindo o potencial de enxameação (ver post relacionado).

Mas… (há sempre um “mas”, não é?) para que o efeito do sobreninho seja optimizado e se concretize em colmeias mais populosas e menos congestionadas há um “saber-fazer”, que tem de ser dominado pelo apicultor que deseja fazer da apicultura algo mais do que um simples acto de colocar caixa sobre caixa.

Neste sentido vamos identificar duas técnicas, a saber, pyramiding e checker boarding. Vou manter as designações em inglês pela simples razão da minha dificuldade em traduzi-las de forma satisfatória para o português.

Pyramiding é uma técnica que pode ser utilizada para dar um acesso rápido quer à rainha quer às obreiras ao sobre-ninho, permitindo um aumento da postura e população e, simultaneamente, reduzindo o congestionamento no ninho. Esta técnica é desencadeada com a colocação  do sobre-ninho sobre a colmeia que até aí tinha apenas um ninho. Se possível, é desejável utilizar quadros com cera puxada, mas se tal não for possível podem ser utilizados quadros com cera moldada. O diagrama em baixo ilustra como os quadros são reconfigurados quando utilizamos esta técnica com quadros de cera puxada.

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Com os diagramas à nossa frente, passo agora à descrição passo a passo da técnica pyramiding:

1— Crie um espaço na nova caixa a adicionar (o sobre-ninho) retirando 3 quadros de cera puxada do centro desta caixa;

2— Tire 2 quadros com criação do ninho e um quadro com mel e pólen do ninho original e coloque-os no espaço central criado na nova caixa;

3— Centre os quadros com criação na caixa original e preencha os espaços vazios nas laterais da câmara de criação com quadros vazios (preferencialmente com cera puxada) retirados da nova caixa/sobre-ninho.

Depois de colocada esta segunda caixa ou sobreninho, mais opções ficam disponíveis por forma a reduzir o congestionamento e ajudar a prevenir a enxameação. Devido à tendência natural das abelhas fazerem o seu movimento para cima, a partir de um certo momento a probabilidade de a câmara de criação se localizar neste segunda caixa é grande. Neste caso, a caixa superior e a caixa inferior podem ser invertidas. Esta operação estimula as abelhas a acederem e a utilizarem de forma mais equilibrada as duas caixas aos invés de uma só.

Uma situação menos comum surge quando a rainha está a fazer criação em simultâneo nas duas caixas, ninho e sobreninho. Apesar de não utilizar o modelo reversível, tudo me leva a crer que esta situação é relativamente comum neste modelo de colmeia (aqueles que utilizam este modelo e que me estiverem a ler podem confirmar ou infirmar esta ideia fazendo um comentário). Nesta circunstância a inversão das caixas pode não ser adequado porque pode resultar numa divisão indesejada da câmara de criação ou ainda porque esta inversão não diminui de forma notável o congestionamento de abelhas nos ninhos. Outra acção deverá ser tomada que não a inversão das caixas. Para gerir esta circunstância, rainhas a fazer postura nas duas caixas, ninho e sobre-ninho, podemos utilizar a técnica do checker boarding, com o objectivo de aliviar o congestionamento do ninho e assim reduzir o impulso da enxameação.

Lembremo-nos que como resultado da enxameação por falta de espaço, perdemos não só a rainha e 40 a 50% das abelhas, mas também a esperança de aquela colónia vir a fazer uma boa produção de mel. Não nos podemos esquecer que metade das abelhas produzem menos que metade do mel.

Sobre o checker boarding escreverei mais adiante.

erros frequentes do apicultor pouco experiente (e não só!)

Serão estes os erros mais frequentes do apicultor pouco experiente (e não só!)?  Façam a vossa lista e publiquem-na nos comentários.

  • Desvalorizar o impacto da varroa;
  • Pouco ou nada fazer para prevenir ou controlar a enxameação;
  • Não ser capaz de reconhecer o estado de orfandade de uma colónia;
  • Deixar poucas reserva numa colmeia para a invernagem;
  • Não tirar notas acerca das suas colmeias;
  • Não ter um plano e objectivos claros para as intervenções a realizar no apiário (pode decorrer de não ter notas das colmeias);
  • Colocar as colmeias em locais problemáticos;
  • Não estar devidamente protegido quando vai ao apiário;
  • Iniciar o hobby apícola só com uma colmeia;
  • Estar satisfeito com os poucos conhecimentos que tem sobre a apicultura;
  • Não se aconselhar quando as coisas não correm bem com as colmeias;
  • Guiar as suas intervenções pelo que vê no youtube, por apicultores de locais distantes e com outra raça de abelhas;
  • Preocupar-se excessivamente com as abelhas, quase no pólo oposto do ponto 1 e 2 por ex.;
  • Não levar o material e equipamento necessário para o apiário;
  • Realizar as tarefas no apiário de forma apressada, a contra-relógio;
  • Desejar ser um apicultor profissional, mas não trabalhar aos fins-de-semana, feriados, no dia de anos dos primos, …
  • Não ter o material necessário com antecipação no armazém (por ex. colmeias e/ou cera);

Para fazer esta lista comecei por olhar para mim e olhar para os erros que cometi!

a colmeia está zanganeira?

Sabemos que 3 a 4 semanas depois de uma colónia ter ficado órfã, caso não consiga criar uma nova rainha, começam a surgir abelhas poedeiras e a colónia fica zanganeira.

As causas do aparecimento de colmeias zanganeiras são várias, podendo decorrer de uma tentativa das próprias abelhas de substituição de uma rainha velha e/ou esgotada e, por alguma razão, a nova rainha não é gerada ou morre durante os seus vôos de fecundação. Este acontecimento pode decorrer também de uma intervenção do próprio apicultor. Sobretudo quando na vistoria de novos núcleos, provoca na rainha recém fecundada um elevado estado de nervosismo. Este nervosismo súbito pode provocar uma acção de pelotagem/asfixiamento da rainha pelas abelhas mais velhas. Apicultores veteranos recomendam que se evite, ou se reduza ao mínimo, a inspecção de núcleos onde se presume que possa haver uma rainha que tenha iniciado há poucos dias a sua postura. Como fazer  então uma análise de um núcleo ou colmeia que nos permita, com uma observação muito pouca intrusiva, recolher alguma informação confiável da presença ou não de uma rainha fecundada?

O apicultor experimentado tem alguma facilidade de identificar se uma colónia tem ou não uma rainha fecundada ou se está zanganeira (isto levantando apenas a prancheta e observando atentamente o comportamento das abelhas nos travessões superiores dos quadros). Se as abelhas estão claramente mais nervosas, com passeios erráticos, mal definidos quanto ao sentido ou orientação, como que sem objectivo e mais defensivas que o habitual, podemos desconfiar que ainda não têm uma rainha fecundada. Se a juntar a estes sinais, as abelhas estiverem dispersas em pequenos grupos por todos os quadros do núcleo ou da colmeia, podemos desconfiar que estão no estado zanganeiro, com obreiras poedeiras. Se as abelhas apresentarem tranquilidade, até alguma indiferença à nossa presença, se estiverem sobretudo aglomeradas sobre dois ou três quadros (caso dos núcleos) ou sobre os quadros centrais (caso das colmeias), se nos cheirar a muita criação aberta (o cheiro da geleia real e papa larvar) o melhor é deixar a colónia tranquila por mais 2 a 3 semanas, até que a nova rainha adquira a “liderança serena” daquela colónia.

Alguns apicultores há que afirmam e reafirmam que observando o movimento de abelhas no alvado (entrada) da colmeia é suficiente para diagnosticar se a colónia está zanganeira ou não. Ainda não cheguei a esse nível de perícia. Para alguns, a entrada de pólen é um sinal de uma colónia com rainha em postura. O que tenho observado é que a entrada de abelhas com pólen não chega para garantir que a colmeia não esteja zanganeira. Já observei inúmeras vezes as abelhas a entrarem com pólen em colmeias zanganeiras. Para mim, faz sentido que assim seja. No fim de contas elas têm larvas para alimentar!

Se a observação dos sinais atrás referidos nos leva a suspeitar que a colónia está zanganeira há que o confirmar. A confirmação passa pela observação dos quadros, observação esta que nos permite identificar um conjunto de sinais inequívocos do estado disfuncional da colónia. As colónias zanganeiras apresentam, quase universalmente, um conjunto de sinais bem conhecidos que passo a elencar pensando nos apicultores que estão a dar os primeiros passos neste mundo das abelhas.  Alguns dos sinais indicam um estado inicial ou recente de “zanganisse”, outros um estado mais avançado. São estes os sinais:

  • postura de vários ovos no mesmo alvéolo (seja de obreira, seja de zângão);

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  • postura significativa de zângãos em alvéolos de obreira em áreas bem definidas (surge habitualmente no estádio inicial e/ou em colónias populosas);
  • postura mais reduzida de zângãos em alvéolos de obreiras em pequenas áreas mal definidas de alguns quadros (surge habitualmente num momento mais tardio e/ou em colónias menos populosas);

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  • vários ovos surgem colados na parede dos alvéolos (as abelhas poedeiras por terem o abdómen mais curto que a rainha nem sempre conseguem depositar os ovos no fundo do alvéolo);
  • acumulam pólen em excesso;
  • mais tarde aparecem falsas realeiras, muito largas e compridas (4 a 5 cm), com uma forma cilíndrica, com uma larva de zângão e com muita geleia real.

O que o apicultor pode e deve fazer com uma colmeia zanganeira depende de vários aspectos, entre os quais destaco: força do enxame e altura do ano.

Se a altura do ano for propícia, com um fluxo de néctar próximo, se o enxame for valente, por norma, não sacudo as abelhas. Por norma, procuro reverter a situação o que exige alguma persistência. Aos enxames zanganeiros nas condições atrás descritas coloco um quadro com muita criação larvar e alguma criação fechada, com poucos ou nenhuns ovos, durante  duas ou três semanas a um ritmo de um por semana. Na terceira ou quarta semana, coloco um quadro sobretudo com criação fechada e ovos, de preferência numa cera nova mais flexível, ou caso tenha disponível, uma ou duas realeiras abertas ou fechadas. Com este maneio tenho revertido esta situação tão indesejável numa percentagem muito aceitável.