backfilling — o que é?

Já há uns anos que conheço as ideias do falecido apicultor Walt Wright acerca do fenómeno que ele designou backfilling. Deixo aqui alguns excertos traduzidos acerca deste fenómeno, por mim verificado váriadíssimas vezes nas minhas colmeias e que, segundo ele, são um sinal de preparação da colónia para a enxameação reprodutiva. Tendo a concordar, sustentado nas minhas observações.

Backfilling (preenchimento) é uma palavra. que, usada apropriadamente, substitui uma frase inteira e descreve um processo-chave no desenvolvimento da colónia com vista à enxameação reprodutiva: para reduzir a área de criação os alvéolos no ninho, antes ocupados por cria fechada, são preenchidos com néctar ou pólen, à medida que esta vai emergindo (nascendo). […]

O preenchimento deste espaço é semelhante ao ajuste do tamanho dos ninhos de cria nas colónia de abelhas na fase de contracção do enxame. Durante o final do inverno/princípio da primavera a colónia expande o ninho. Ela (colónia) precisa destas abelhas extra para ter um número de indivíduos que lhe permita fazer um enxame reprodutivo. Quando a expansão produz abelhas suficientes para a divisão por enxameação, este alvéolos extra cumpriram seu propósito. Então a colónia precisa reduzir a área de cria para um nível que possa ser mantido pela população mais pequena que irá permanecer após a partida do enxame. A colónia faz isso preenchendo as áreas de cria com néctar ou pólen. O néctar é preferido — é mais fácil e rápido —, mas se o néctar for escasso e o pólen estiver disponível, ela (a colónia de abelhas) usará o pólen. À medida que a ninhada emerge, a forragem disponível é colocada nesses alvéolos para reduzir o volume da ninhada. Esse é o processo que chamamos de backfilling (preenchimento).

Esquema 1: O backfilling inicia-se quando as abelhas começam a armazenar néctar abaixo da linha curva e a ocupar a zona designada “capped brood”

O backfilling não se restringe à redução do ninho no momento da enxameação reprodutiva. Toda vez que o volume da criação é reduzido, o backfilling é aplicado. Isso acontece durante toda a primavera/verão no fluxo principal de néctar. Também é aplicado no outono/inverno, em certos locais, com fluxos de forragem intensos (zona de eucaliptal, por ex.). […]

Dica do mês

Quando os mestreiros/realeiras de enxameação são iniciadas, a colónia já está comprometida com a enxameação. A “febre” está instalada, as medidas de prevenção da enxameação chegaram tarde ou foram insuficientes. Resta ao apicultor controlar a enxameação. Teremos de ser capazes de olhar e identificar sinais anteriores para anteciparmos e intensificarmos as medidas que dispomos para a prevenção da enxameação. A monitorização do backfilling é para onde o nosso olhar e atenção se devem dirigir.

Se tiver um número de colónias que exceda os limites de sua memória visual, coloque um alfinete ou uma pequena sinalização no quadro no topo da zona de expansão da cria. Se o néctar aparecer abaixo da marca, terá cerca de duas semanas para iniciar uma ação corretiva antes de a colónia entrar em “modo de enxameação.”

Fig.1.: Quadro exemplo de backfilling

Fonte: https://beesource.com/point-of-view/walt-wright/backfilling-whats-that/

Nota: quando as abelhas, por falha da rainha ou por falta de alças meleiras, enchem os quadros do ninho com mel e/ou pólen numa altura do ano em que o volume de cria deve estar em notória expansão não estamos perante o backfilling tal e qual aqui descrito.

eliminação de rainhas/linhagens que enxamearam: uma boa prática?

Achei que estas linhas de pensamento do apicultor norte-americano Mike da empresa apícola Bjornapiaries merecem uma tradução e publicação no meu blogue.

Ao longo dos anos, ouvi comentários de que um apicultor deve matar e substituir rapidamente uma rainha que tenha saído com um enxame. O raciocínio sempre foi que, ao manter tal rainha, estamos a criar e perpetuar um “traço de enxameação”. Esta avaliação é equivocada e errada acerca do que realmente acontece dentro da colmeia.

A enxameção é a substituição da rainha enquanto se perpetua a espécie através da sua propagação. Embora a substituição da rainha nem sempre envolva a enxameação, a enxameação envolve sempre a substituição. A rainha é substituída por uma rainha mais jovem.

Ouviremos os apicultores comentando que a enxameação é uma característica que pode ser eliminada nas abelhas, ou pelo menos diminuída, e ao mesmo tempo sugere-se que devemos comprar rainhas que foram seleccionadas para apresentarem enxameação baixa. E, no entanto, não é possível encontrar um criador que comercialize, promova ou anuncie suas rainhas que dê garantias reais na redução das taxas de enxameação. O fato é que quase todos os insetos estão programados ao longo das eras para reproduzir, multiplicar e propagar as suas espécies quase todos os anos. As abelhas não são exceção.

Mesmo tentar criar essa característica nas abelhas poderia ter impactos negativos. Estudos mostraram que as rainhas do primeiro ano produzem mais que rainhas mais velhas. Eles produzem mais cria, mais mel e falham numa taxa mais baixa. Na natureza, as colónias de abelhas selvagens enxameiam quase todos os anos. A natureza coloca suas melhores chances de sobrevivência nas mãos de uma jovem rainha virgem, enquanto expulsa a bem-sucedida rainha mais velha via enxameação, onde, se tal não acontecesse, elas morreriam a um ritmo extremamente alto. Muito poucas enxames que saem para as árvores acumulam o suficiente para sobreviver no primeiro inverno. Se não fossem os apicultores que os apanham e cuidam, os alimentam e os ajudam, estes novos enxames morreriam a uma taxa de cerca de 90%.

Quando um enxame primário é apanhado, sim, recebemos uma rainha mais velha. No entanto, devemos lembrar-nos de algumas coisas. Ela veio de uma colónia que passou com sucesso o inverno. Esta colónia também foi saudável o suficiente para se fortalecer ao ponto de enxamear. Ela não foi substituída devido à saúde ou condição de fraqueza. Ela foi substituída pela enxameação, que permite que a espécie se perpetue, continue por mais um ano e passe adiante sua melhor genética. Pensar que alguns gostariam de sair rapidamente e comprar uma rainha comercial produzida em massa e matar essa rainha do enxame, é apenas louco!

Agora você realmente sabe o que você ganha quando apanha um enxame? Na verdade não. É por isso que você, como apicultor, deve monitorar a nova colónia, certificar-se de que a rainha é o que você quer e substituí-la se se justificar. Mas não a substitua devido a um equívoco e ideia errada que ela vai transmitir algum “traço de enxameação”. A enxameação (e qualquer referência a traços de enxameação) deve ser visto como uma colónia com boa saúde e invernagem bem sucedida.

Pensar que nós, como apicultores, deveríamos estar concentrando os nossos esforços na criação de abelhas que não enxameiam é uma ideia equivocada. È não ter uma compreensão completa dos benefícios do que a enxameação oferece. Pensar que podemos nos intrometer nas forças naturais de propagação e perpetuação das abelhas é apenas outro exemplo de ignorância e arrogância.

Anos atrás, antes dos ácaros varroa, a natureza nos dava um produto maravilhoso (rainhas) que nos permitia manter uma rainha por vários anos sem problemas graves. Com as bactérias, vírus e ácaros de hoje, e outros problemas que estão causando enormes perdas, esses dias de ter rainhas de três ou quatro anos de idade já passaram. É benéfico ter rainhas jovens dentro de cada colmeia. Mas isso não significa matar, possivelmente, a sua melhor genética que vem à sua maneira no último enxame que se apanhou. Eu coloco rainha vindas nos enxames contra as rainhas de produção de criadores no mercado. E não se deixe enganar pelo marketing do criador, sugerindo que eles seleccionam para impulsos de enxameação mais baixos. Eu duvido que seja validado, e eu questionaria qualquer criador disposto a seguir esse caminho.

O enxame controlado através de divisões/desdobramentos oportunos, utilizando realeiras de enxameação, perpetuando sua própria genética e compreendendo os benefícios da enxameação, é benéfico. Não estou sugerindo deixar suas colmeias enxamearem. Eu estou sugerindo que vantagens podem ser obtidas, ao invés de matar rainhas de enxameação e de destruir realeiras de enxameação,  e pensar que você está perpetuando traços negativos. Mantenha a rainha de enxameação, use as realeiras de enxameação e saiba que você está se beneficiando de uma colmeia e genética que foram dignas de enxamear em primeiro lugar.

fonte: http://www.bjornapiaries.com/badbeekeeping.html

5 breves notas acerca deste post:

  • interpretar o que o autor escreve como a apologia de “laissez-faire”/deixa andar acerca da prevenção e controlo da enxameação é, na minha opinião, ter passado ao lado das mensagens centrais do texto;
  • não costumo apanhar enxames nas árvores, contudo na minha experiência de quase 10 anos tenho aproveitado diversas vezes mestreiros de enxameação para dar início a novas famílias. Em geral o resultado da produção de mel nesse ano ou ano seguinte agradam-me o suficiente para continuar a utilizar este procedimento, mas sobretudo agrada-me a vitalidade com que estas colmeias passam o inverno e arrancam no final do mesmo;
  • com base nos registos que vou fazendo verifico frequentemente que existe uma propensão maior para enxamear nas colónias com rainhas no segundo ano de postura, em colónias que se desenvolvem prematuramente no final do inverno, em apiários mais abafados, em colmeias com o chamado ninho infinito, em colmeias congestionadas por abelhas, e por fim e sobretudo pelas condições climatéricas nos momentos pré-fluxo de néctar. Parece-me que a enxameação é despoletado mais do que se refere por aspectos de contexto ou situacionais e não tanto como se julga por factores de natureza hereditária;
  • em 2017 tive uma taxa de tentativa de enxameação/enxameação a rondar os 5% e em 2018 esta mesma taxa esteve entre os 20-25%. Com as mesmas abelhas e com um maneio melhorado. As condicionantes climatéricas explicam em grande medida as diferenças;
  • este ano um conceituado e experimentado apicultor, que me comprou vários enxames, e que tem colónias buckfast junto a casa confessou-me que até essas tinham enxameado.

histórico de uma linha enxameadora que não enxameou em 2017

Aproveitando os recursos já disponíveis (neste caso o histórico das colmeias) para dar uma resposta possível à questão do Hugo Martins (outras respostas haverá… com mais tempo, mais disponibilidade mental e mais e melhor informação que continuo a recolher nos meus apiários acerca dos impactos do meu maneio na enxameação e produção deste ano), fica em baixo o histórico de uma colónia que eu tenho classificada como pertencente a uma linha enxameadora.

Contudo este ano ainda não enxameou!! Ano diferente sim e maneio diferente … sobretudo no timing das intervenções e no grau/intensidade em que este maneio é realizado. Neste momento tenho a profunda convicção que a eficácia das minhas operações para prevenir a enxameação, está fortemente dependente da conjugação criteriosa de 3 factores: condições ambientais, que são variáveis em cada ano que passa, a que associo o ajustamento do momento oportuno da intevenção (timing) e, muito importante, o grau/intensidade da minha intervenção (ver aqui).

Esteja certo ou errado nestas convicções um dado é pacífico neste momento na minha operação: a taxa de enxameação em 2017 não ultrapassou até agora os 3% (enxamearam até agora menos de 15 colónias). Nesta altura acredito que a grande maioria delas já saíram do modo de enxameação e que esta taxa não irá sofrer grandes alterações.

Nota: esta colónia está num apiário a cerca de 900 m de altitude. A floração mais nectarífera do local está agora a surgir no campo e vai-se prolongar por cerca de 2 meses.

513 Lusi Rainha de Abril de 2015 (filha da 322)

Linha de enxameação e dócil.

29-04: Vi mestreiros. Coloquei tabuleiro divisor. Rainha fica por cima. O ninho fica orfanizado com mestreiros fechados.

20-05: Vi mestreiros rotos no ninho. Coloquei 2ª ½ alça por debaixo do tabuleiro divisor. Por cima do tabuleiro divisor estão 5 Q de criação e 6 a 7 Q de abelhas. (T)

06-06: Desfiz tabuleiro divisor. Nova colmeia designada Nuc 58 tem 7 Q de criação. 9 a 10 Q de abelhas. Levei para […]. Coloquei 1ª ½ alça de ceras puxadas. Numerar 513.

14-06: Poucas abelhas na ½ alça.

22-06: Coloquei 2ª ½ alça de ceras puxadas.

07-07: Coloquei 3ª ½ alça de ceras intercaladas.

03-10: 3 Q de criação. 8 a 9 Q de abelhas. Não vi sinais de varroa. (T)

21-10: 9 a 10 Q de abelhas. Tem reservas.

17-11: 8 Q de abelhas. Boa de reservas.

08-03: 4 Q de criação. 8 Q de abelhas.

30-03: Coloquei sobreninho. (T)

13-04: Muita criação no sobreninho. Deu 2 Q. Coloquei 2 ceras laminadas no sobreninho. Coloquei ½ alça puxada sobre sobreninho.

02-05: Deu 1 Q de criação do sobreninho. Coloquei 1 cera laminada. ½ alça com algum mel. (T)

20-05: Rainha em postura no sobreninnho. Ninho desbloqueado. Tirei Q com criação. Coloquei cera laminada. 1/2 alça quase cheia. Colocar 2ª ½ alça.

pistas e limiares relacionados com a enxameação

Estou a aproximar-me a grande velocidade da “época de enxameação”. Nada melhor que ler e ouvir os que entre nós sabem um pouco mais do assunto (entre outros, Randy Oliver) e agir em conformidade com as suas orientações.

O timing da enxameação

A enxameação apresenta picos e ocorre normalmente na primavera, mas não é necessariamente determinada pelo mês do ano. O timing tem menos a ver com o calendário do que tem a ver com a fenologia da flora local, que por sua vez é determinada não só pelo comprimento do dia, mas também pela temperatura e precipitação. A preparação da enxameação é provavelmente decidida e realizada por obreiras que nunca se aventuraram para fora da escuridão e da temperatura regulada do centro do ninho. Que pistas terão elas acerca de como as coisas estão lá fora? Bem, elas estão muito cientes da oferta de néctar fresco e pólen que entra diariamente na colmeia. A sazonalidade do acúmulo de abelhas nas colónias e seu declínio é determinado em grande medida pela entrada de pólen e néctar: quando o pólen e o néctar são abundantes, a população das colónias crescem; quando é escasso, as colónias encolhem.

Fig. 1: A população da colónia (linha negra) segue a disponibilidade de pólen (área amarela)

Aplicação prática: Dependendo da fenologia da flora local e do contingente de abelhas, a “época de enxameação” pode ocorrer antes, no início ou mesmo durante o fluxo principal de néctar. E o chamado tempo “normal” de enxameação pode estar completamente desajustado num ano em particular. Isto significa que não existe uma fórmula única para o calendário de gestão da enxameação .

Olhando para a demografia das colónias verificamos que o timing mais favorável para uma colónia enxamear ocorre quando ela atinge o pico de criação selada e apresenta uma grande proporção de obreiras jovens. Isso ocorre cerca de 6-8 semanas após o início do crescimento linear, no designado turnover da Primavera.

A condição do ninho e a quantidade de quadros com áreas disponíveis para a postura da rainha

Winston refere: É notável que a criação de realeiras começa precisamente quando a criação de operárias está no seu auge, e quase não há alvéolos desocupados na área central do ninho … Assim, as colónias sincronizam a produção de realeiras de forma a coincidir com os picos populacionais.

Aplicação prática: certificando-se de que há sempre abundância de alvéolos desocupados no ninho, o apicultor pode induzir a colónia a pensar que deve continuar a crescer, em vez de enxamear. Ao fazê-lo, pode até mesmo incentivar as abelhas a reverter a pulsão de enxameação e levá-las a destruir todas as realeiras existentes.

Normalmente, a enxameação não ocorre a menos que a colmeia esteja cheia de quadros com criação fechada. Lembre-se que as pupas num quadro de criação fechada, quando emergirem como abelhas adultas, cobrem cerca de três quadros. Esta expansão de um para três significa que não só a população de colónias está prestes a explodir, mas também que ela pode recuperar rapidamente a sua população de obreiras depois da enxameação ter ocorrido (1).

Aplicação prática: a remoção criação fechada pode deter a pulsão da enxameação. Os apicultores que pretendem que as suas colónias produzam mel em favo, removem os quadros com criação, e confinam a rainha e todas as abelhas numa caixa cheia de mel, colocando a alça meleira por cima. Apesar de as abelhas e rainha estarem numa caixa completamente bloqueadas pelo mel, essas colónias não enxameiam, devido à inexistência de criação.

Fonte: http://scientificbeekeeping.com/understanding-colony-buildup-and-decline-part-7b/

(1) Caso o apicultor evite que a colónia forme os enxames secundários ou “garfos”. De acordo com as minhas observações e experiência são os enxames secundários os que mais impacto têm na produção de mel, reduzindo a praticamente zero a possibilidade de o apicultor colher mel dessa(s) colónia(s) no ano, caso esta drenagem de abelhas para as árvores ocorra antes ou no início do principal fluxo de néctar.

prevenção da enxameação em colónias de abelhas: uma visão mais global e integrada

Como escrevi aqui a enxameação está, geralmente, associada a este conjunto de factores:

  • dimensão da colónia;
  • congestionamento do ninho;
  • distribuição desequilibrada da idade das obreiras;
  • transferência reduzida das feromonas da rainha.

As medidas abaixo elencadas destinam-se a evitar o mais possível que surjam os alveólos reais de enxameação . Estamos a fazer neste caso prevenção da enxameação. Quando o apicultor intervém já na presença destes alveólos reais está a fazer controlo da enxameação.

A primeira medida que devemos considerar na prevenção da enxameação implica um ajuste das nossas expectativas. Ponderar se todas as medidas que tomamos no intuito  de atingir um nível de enxameação igual a zero são benéficas no médio e longo-prazo e se não comportarão riscos demasiado elevados. Aceitar que a enxameação é o mecanismo de reprodução deste insecto e que temos de aprender a viver com ele naturalmente. Ao mesmo tempo fazer todo o possível para que a enxamear enxameiem no momento em que nos for menos prejudicial e o façam para as nossas caixas/colmeias (desdobramentos ou outras medidas de controlo da enxameação).

A segunda medida passa por possuir um registo dos nossos apiários, construído ao longo dos anos, que identifique os períodos de enxameação e florações que habitualmente lhes estão associadas (naturalmente a consulta de fontes externas fidedignas deve ser tomada também em consideração). Este registo deve apoiar-nos ainda na selecção das matriarcas e sua descendência, que ao longo dos anos têm mostrado tendências mais baixas para enxamear, associadas a alta produtividade e bom estado sanitário.

A terceira medida inclui ter o material que habitualmente utilizamos na prevenção da enxameação pronto a ser utilizado num muito curto espaço de tempo (por ex. a cera).

A quarta medida é ter disponibilidade e vontade para fazer inspecções regulares às colónias durante o período de enxameação, que em regra se prolonga por 30 a 45 dias, não mais, e fazer um maneio competente (aqui e aqui entre outros).

Assumidos estes pré-requisitos e acreditando que em boa medida é possível prevenir a enxameação, porque muitos outros apicultores, tão bons e melhores que nós, o têm vindo a fazer ao longo dos mais de 100 anos de apicultura moderna, detalhemos agora um pouco mais algumas intervenções a realizar e o seu racional.

  • A manipulação do ninho deve garantir muito espaço para a rainha fazer a ovodeposição assim como uma distribuição mais equilibrada das diferentes gerações de abelhas. A abertura/expansão do ninho, garantindo que os quadros estão em boas condições para armazenar todos os ovos no período de elevada postura,  o pyramiding, o chekerboarding, o tabuleiro de snelgrove, o tabuleiro simples de divisão vertical, a equalização, a inversão do ninho e alça, a tecnica de Demarée, colmeias de maiores dimensões, shook swarm são,  entre outras, técnicas e equipamentos que contribuem para uma adequada gestão deste período de acelerado crescimento de uma colónia.
  • A manipulação do espaço superior ao ninho de forma a que permita espaço para o armazenamento de néctar é uma medida absolutamente essencial. Se tiver alças ou meia-alças meleiras com a cera já puxada, devem ser estas as primeiras a ser colocadas. Em zonas e alturas de fluxos muito intensos é recomendável colocar mais alças/meias-alças do que as necessárias e de uma só vez. Esta medida permitirá às abelhas espalhar o néctar por uma área maior e desidratá-lo mais rapidamente, drenando mais abelhas para o exterior e diminuindo o congestionamento do ninho.
  • As colónias devem receber o máximo de luz solar no período invernal, e terem sombra à tarde nos dias mais quentes de verão. Árvores de folha caduca podem servir muito bem este fim. A mais fácil termorregulação das colónias nos dias mais quentes descongestiona o ninho e liberta abelhas para outras actividades. As entradas das colmeias devem estar orientadas para receberem o sol da manhã (nascente) em zonas mais quentes, ou o do meio-dia (sul) em zonas mais frias. As colmeias pintadas de branco são úteis na regulação da temperatura, mas mais visíveis na mancha vegetativa envolvente o que pode potenciar os roubos.
  • Deve haver ventilação suficiente. As entradas de inverno devem ser removidas no início dos primeiros fluxo de néctar e/ou pólen sempre que as abelhas estejam activas e em número suficiente para defenderem a entrada da colmeia. As alças sobre o ninho podem apresentar uma pequena abertura para ajudar a ventilação. Os óculos das pranchetas devem estar abertos para permitir uma melhor convecção do ar quente. Podem também utilizar-se estrados com rede, sobretudo em apiários menos arejados. No nosso país há que avaliar se este tipo de estrado não aumenta a atracção/predação feita das velutinas devido ao odor a mel e criação exalado através deste tipo de estrados.
  • A renovação das rainhas ajuda na prevenção da enxameação. As rainha novas produzem mais feromona mandibular e mantém a colónia mais coesa. A dispersão por toda a colónia da feromona mandibular da rainha suprime tanto a supersedure da rainha como a enxameação (Winston et al., 1989). Esta renovação deve ser feita preferencialmente com rainhas de ecotipos locais e que provenham de colónias com um histórico de enxameação baixa. As rainhas do mesmo ecotipo são mais facilmente aceites pelas abelhas que rainhas exóticas. Devemos também ter em atenção que rainhas de raças exóticas, importadas do estrangeiro, podem veicular novas doenças ou parasitas, desarranjar a integridade genética do nosso efectivo e dos efectivos dos apicultores vizinhos. Estas rainhas importadas poderão ainda apresentar baixa qualidade devido aos constrangimentos sofridos durante o transporte aéreo e/ou rodoviário.

o estatuto de rainha única e o efeito da sua mensagem química (feromona mandibular da rainha) na supressão da criação de novas rainhas e na enxameação

Muitas sociedades de insetos são monogínicas, o que significa que uma única rainha (fêmea fecundada) está presente em cada colónia. Em sociedades pequenas e primitivas a manutenção da dominância de uma determinada rainha é conseguido através da luta e competição física entre elas; em contraste, em grandes colónias monogínicas este tipo domínio não é possível e evoluíram para um sistema mais eficiente de manutenção da dominância de uma só rainha que se baseia em sinais feromonais.

Sabemos que a remoção da rainha de uma colónia de A. Melífera provoca nas abelhas operárias um comportamento específico: constroem alvéolos especiais (realeiras ou mestreiros) para a criação de novas rainhas (Winston, 1992), mas a forma exacta como tudo isto acontece ainda é desconhecida em parte.

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Fig.1 — Realeira operculada em primeiro plano e cálice real num segundo plano

A criação de novas rainhas numa colónia tem dois objectivos principais: a reprodução da colónia através enxameação ou a substituição da rainha quando está velha ou fraca (este fenómeno é conhecido como supersedure), ou morre por algum motivo apícola ou patológico (emergência).

A dispersão por toda a colónia da feromona mandibular da rainha (FMR) suprime tanto a supersedure da rainha como a enxameação (Winston et al., 1989). Vários estudos foram efectuados para nos elucidar acerca dos mecanismos de dispersão da FMR no seio da colónia e sua transferência entre as obreiras. Em 1991 Naumann et al. identificou o grupo de obreiras amas da rainha como as primeiras intervenientes na transferência da feromona da rainha para as outras obreiras. A auto-limpeza (grooming) é o meio através do qual a feromona é transferida das peças bucais e da cabeça para o abdómen das obreiras (Naumann, 1991). A distribuição da FMR parece ser influenciada pelo tamanho da colónia, uma vez que as obreiras na periferia de colónias populosas obtêm uma menor quantidade de feromona do que em ninhos menos populosos (Naumann et al., 1993). Isso explica a razão da enxameação em colónias populosas: o sinal da feromona que comunica “a rainha está presente” tende a diminuir quando a colónia cresce porque a dispersão da feromona é reduzida. As obreiras apercebendo-se de uma menor quantidade de feromona, iniciam a construção de realeiras e a colónia dá inicio ao processo de enxameação e reprodução. Quando a rainha morre ou é removida, o sinal da feromona desaparece completamente e as obreiras são rapidamente estimulados a criar novas rainhas.

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Fig. 2 — Rainha e suas amas

O papel da FMR na supressão do comportamento de criação de novas rainha foi confirmada por vários estudos que mostraram que a administração de FMR sintético em colónias órfãs (ou seja, colónias, sem uma rainha) suprime a produção de realeiras (Pettis et al., 1995), se a administração ocorrer no prazo de 24 horas a partir de perda de rainha. Verificou-se ainda que se e a FMR sintética for aplicada 4 dias após a perda de rainha não é observado nenhum efeito, indicando que a FMR inibe o início da criação das rainhas mas não produz efeitos na maturação de realeiras já estabelecidas (Melathopolous et al., 1996).

Fonte: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK200983/

a expressão do impulso sexual nas abelhas

Walter Wright, conhecido apicultor norte-americano, pai da técnica checkerboarding, faleceu há poucos dias atrás. Como forma de o relembrar, aproveito este momento para divulgar as suas ideias, muito próprias, acerca do fenómeno enxameação. Um dos textos mais provocadores (no sentido de provocar a nossa reflexão) que lhe conheço intitula-se Is it Congestion (fonte http://www.beesource.com/point-of-view/walt-wright/is-it-congestion/) e do qual vou traduzir alguns excertos.

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Walter Wright

“A mentalidade desculpadora é a minha frase para classificar a teoria de que a enxameação é “causada” pelo congestionamento, e de que a grande aglomeração de abelhas limita a distribuição da feromona da rainha. A limitação da distribuição da feromona da rainha é considerada como o ponto de partida na criação de realeiras.  A intenção deste artigo é mostrar que esta teoria da “congestão do ninho” não resiste a uma análise atenta.

Temos visto colónias de enxames que não estão muito congestionadas de abelhas e que enxameiam e, inversamente, colónias muito congestionadas que não enxameiam.  O congestionamento do ninho surge de duas formas. Uma através de uma grande aglomeração de abelha, que é o que associamos frequentemente ao termo. Um segundo tipo de congestionamento é provocado pelo armazenamento de reservas, pólen e mel, no espaço que tinha sido anteriormente usado para a criação. O néctar é usado para reduzir a área disponível para a criação antes de se iniciar a construção de realeiras. Se o néctar não abunda no campo, a colónia, por vezes, usa o pólen para iniciar a redução da câmara de criação.

Existem dois tipos principais de enxames gerados na estação da primavera. O enxame reprodutivo, que é anterior e menor do que o enxame derivado da superlotação de abelhas. Para se construir uma população de abelhas a um nível intolerável demora-se um pouco mais e o enxame é geralmente maior. A literatura não faz distinção entre estes dois tipos de enxames, o que leva a uma confusão quanto à “causa” de ambos. No entanto, as causas são diferentes para cada um deles.

As abelhas não precisam de uma desculpa para se reproduzirem através do único método que têm disponível. A sua motivação para se reproduzirem será tão intenso quanto o impulso sexual entre mamíferos. Duvido que alguém, lendo este artigo, considerou alguma vez ser necessário fabricar uma desculpa, uma razão, ou uma “causa” para seu desejo sexual. Por que temos de inventar uma justificação para o processo reprodutivo da abelha do mel?

Os passos para a enxameação reprodutiva fazem parte de um processo deliberadamente controlado pelas abelhas. A partir do fim do inverno, o acúmulo da população tem uma finalidade específica: a divisão por enxameação reprodutiva. Controles naturais das próprias abelhas e integrados no processo evitam a superpopulação, como a redução da área de criação pelo armazenamento de néctar, que serve vários propósitos, e um deles é evitar a sobrepopulação. Se há uma “causa” para a enxameação de reprodução, a causa é o impulso da colónia para se reproduzir.

Os enxames causados pela superlotação de abelhas também ocorrem. Eles são criados pela intromissão do apicultor. O apicultor que deliberadamente interfere no processo controlado da reprodução pode causar superlotação. Por exemplo, invertendo os corpos da colmeia de forma periódica, o apicultor mantém quase duas caixas cheias de criação. Ele adiciona mais espaço para as abelhas geradas por esta enorme quantidade de criação. Contudo as abelhas foram privados de seu controle natural de redução da área de criação. Vemos a enxameação por superlotação como um mecanismo de defesa para proteger a sobrevivência da colónia existente.

Em resumo, com estes dois tipos de congestionamento e estes dois tipos de enxameação, a teoria da “enxameação por congestão”, avançada na literatura, não se aplica a todas as circunstâncias. Podemos dizer com segurança que a enxameação por superlotação é “causada” pelo congestionamento, mas a origem está no mau maneio do apicultor. Ela termina aí.

Nenhum tipo de congestionamento está na “causa” da enxameação reprodutiva. Precisamos  de reconhecer que enxameiam simplesmente pelo que é: um esforço deliberado para perpetuar a espécie. Sem outras desculpas.

Os traços de sobrevivência discutidos desviam-se consideravelmente da sabedoria convencional. Eles são o resultado das minhas observações pessoais. É da natureza humana rejeitar qualquer conceito que difere do que nós pensamos e que julgamos ser verdadeiro. A aceitação do que vejo acontecer numa colmeia será difícil, se não impossível, para alguns, com uma forte convicção do contrário.”

abelhas no desemprego… à beira da enxameação

As colónias de abelhas iniciam a criação de realeiras de enxameação durante um período de rápido crescimento da população de novas abelhas obreiras (ver post relacionado). A altura do ano em que este fenómeno ocorre varia com as zonas e é do interesse do apicultor ir anotando de ano para ano quando se inicia e quando abranda ou pára. Para além deste calendário pessoal, deverá olhar também para as florações que habitualmente estão associadas ao arranque da enxameação.

Por norma, verificamos que nas semanas anteriores à enxameção a entrada de pólen nas colmeias é intensa, que um fluxo de néctar, ainda que relativamente lento está a decorrer, que as temperaturas sobem, com as máximas a tocar frequentemente os 20ºC — 22ºC e as mínimas não descem abaixo dos 12ºC—15ºC. Estamos num contexto de relativa abundância de recursos e as abelhas andam felizes.

Nestas condições, a rainha, intensamente alimentada pelas suas aias, aumenta gradualmente a sua postura e acaba por atingir o pico, que mantém por alguns dias, após os quais diminui gradualmente o ritmo de postura. As 2 a 3 semanas após este pico são semanas que enchem de alegria todos os apicultores, que se apercebem do bom ritmo a que as suas colónias crescem. Mas, fora do seu olhar, está a germinar um fenómeno com uma importância crítica na vida daquela colónia: a predisposição para se reproduzir através da enxameação. Analisemos com algum detalhe este momento.

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Fig. 1 — Quadro típico de criação operculada numa época em que a rainha atingiu o seu pico de postura

Lembremo-nos que a rainha atingiu o seu pico de postura, e nas 2 a 3 semanas seguintes vão nascer muitas abelhas novas. O pico de nascimento destas abelhas coincide com um momento em que a rainha já abrandou o seu ritmo de postura. Em quadros onde 2 ou 3 semanas antes encontrávamos postura de uma ponta à outra, encontramos agora áreas ocupadas com pólen, mel e menos criação. Neste momento, o número de abelhas amas disponíveis é muito grande, assim como é grande a sua vontade/instinto de alimentar as larvas. Para além das abelhas amas, as abelhas cerieiras anseiam por construir novos favos e darem bom uso às suas glândulas secretoras de cera. Não tendo favos para construir aplicam-se a fazer pontes de cera entre os quadros ou entre os topos dos quadros e a prancheta, enfim, enchem de cera qualquer espaço apetecível. Por outras palavras estas abelhas (amas e cerieiras) encontram-se desempregadas. O seu potencial produtivo excede em larga medida as exigências da colónia. A colónia está em desequilíbrio. Para agudizar mais as coisas, este período costuma coincidir com a época em que as abelhas campeiras/forrageiras, vindas do exterior, trazem néctar e pólen fresco em quantidade. “Uummhh… há boas condições lá fora”, deverão pensar estas entediadas abelhas amas e cerieiras.

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Fig. 2 — Quadro com grandes áreas ocupadas por mel e pólen e com uma pequena área central disponível para a postura da rainha

Instintivamente as abelhas parecem compreender que este desequilíbrio pode ser resolvido com a cisão do enxame. A pulsão para a enxameação e colonização de um novo espaço está criado e é muito difícil de travar. Quase tanto como parar um comboio em andamento…

factores indutores da enxameação reprodutiva

É sabido que a enxameação reprodutiva é precedida por preparações que se iniciam 2 a 4 semanas antes de ocorrer. A construção de novos cálices reais é o primeiro sinal visível da preparação para a enxameação — nesta altura as abelhas constroem 10 a 20 na maioria dos casos, podendo chegar até 40-50.

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Fig. 1 — Dois cálices reais

Com a deposição de ovos nestes cálices reais, a fase de criação das novas rainhas arranca, e o processo da enxameação está iniciado. Em média são construídas entre 15 a 25 realeiras. As colónias enxameiam habitualmente no mesmo dia, ou no dia seguinte à operculação da primeira realeira. Para conhecer os factores que induzem a enxameação há portanto que conhecer quais são os factores que induzem a criação de realeiras.

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Fig. 2 — O fundo dos quadros é o local mais escolhido pelas abelhas para criarem as inúmeras realeiras de enxameação

Na base da enxameação reprodutiva encontramos factores intrínsecos (de natureza demográfica) e factores extrínsecos (abundância de recursos/alimento) que impulsionam as abelhas a iniciar a criação de novas rainhas.

Os estímulos básicos de natureza demográfica, e importa realçar que não operem isoladamente nem de forma independente, são:

  • dimensão da colónia;
  • congestionamento do ninho;
  • distribuição desequilibrada da idade das obreiras;
  • transferência reduzida das feromonas da rainha.

A abundância de recursos influencia directamente  os três primeiros factores, sendo considerado, por essa razão, o estímulo primeiro da criação de realeiras, logo da enxameação. O apicultor dificilmente conseguirá manipular este factor, e suspeito até que o deseje. Há portanto que  incidir a nossa acção sobre os factores de natureza demográfica. Sobre estes temos possibilidade de fazer alguma diferença. Realço que a intervenção do apicultor terá tanto maior eficácia quanto mais os efeitos da sua acção forem de largo espectro, ou seja, tenham um impacto no redimensionamento da colónia e em  simultâneos no descongestionamento do ninho e também no re-equilíbrio na distribuição da idade das obreiras. Fácil de dizer, mais difícil de fazer. Contudo, sempre possível.

Vamos abordar estes factores de forma mais detalhada e chegar ao desenho de estratégias de intervenção para melhor prevenir a enxameação. Só bem compreendidos estes factores estaremos capazes de aumentar a eficiência e a eficácia dos nossos procedimentos. Consciente, contudo, que a enxameação zero não é um objectivo razoável, ou sequer desejável numa perspectiva de longo prazo.

Como já disse alguém, a teoria sem a prática é inútil, mas a prática sem a teoria é cega.

controlar a enxameação eminente

O apicultor que deseja viver da produção de mel das suas abelhas é melhor ignorar as teorias daqueles que dizem que as abelhas não costumam enxamear; que não enxameiam se lhes dermos muito espaço, etc. Todo o apicultor experiente sabe que enxameiam com alguma frequência. O apicultor que é eficaz no seu trabalho com as abelhas tem bem interiorizado que na época da enxameação não deve confiar, sem mais, que uma colónia forte, saudável, que ainda não tenha enxameado, não o poderá vir a fazer.

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Fig. 1 — Enxame de abelhas pendurado no ramo de uma árvore

Podemos esperar que em colónias com abelhas bem-nutridas a enxameação não deverá ultrapassar os 15%. Mas em certos anos, independentemente dos métodos de prevenção da enxameação utilizados, da raça de abelhas em causa, a enxameação poderá ultrapassar esta percentagem. Noutros anos a enxameação será mais baixa, ainda que as abelhas sejam de uma linha mais propensa a enxamearem, ou mesmo que o maneio das colónias tenha sido incompetente.

Realizar vistorias regulares às colmeias com intervalos não superiores a 8 dias é um plano que tenho seguido nestes anos e na época da enxameação reprodutiva. O intervalo de 8 dias é determinado pela biologia da abelha. De um ovo de primeiro dia ao nascimento da rainha virgem vão 15 a 16 dias e desde que o alvéolo real é selado ou fechado, vão apenas 8 dias.

Em regra inspecções com esta regularidade permite-me identificar colmeias que estando na emergência de enxamearem, fenómeno facilmente verificável através das inúmeras realeiras abertas e fechadas presentes nos quadros, ainda não o fizeram.

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Fig.2 — Realeiras de enxameação na zona lateral e no fundo dos quadros

Nesta circunstância o que habitualmente faço é dividir a colmeia em dois ou mais núcleos, de acordo com a população de abelhas. A rainha é colocada num núcleo ou mesmo numa nova colmeia, com um a dois quadros com criação e um a dois quadros com reservas de mel e pólen e levada para outro apiário. Ao proceder assim satisfizemos a pulsão reprodutiva daquela colónia: foi dividida, demos-lhe uma nova casa e demos-lhe um novo local. Na colónia filha, que fica no lugar da colmeia mãe, deixamos ficar apenas 2 a 3 realeiras bem formadas. Geralmente estas colónias dão-nos grandes alegrias no ano seguinte, com rainhas muito prolíferas capazes de fazer crescer muito e rapidamente a população da colónia. Em algumas situações em que deseje sangue de outra genética, destruo todas as realeiras e introduzo um quadro contendo ovos e larvas, retirado de uma colmeia selecionada pelas suas boas características. Passados os oito dias volto a inspeccionar para destruir as realeiras em excesso e/ou com menos bom aspecto.

São técnicas muito simples (não me atrevo a dizer que são as melhores), e que me permitem agir de uma forma muito orgânica, num momento crítico da vida da colmeia, momento em que prefiro deixar às abelhas o trabalho de fazerem, e fazerem bem melhor do que eu, o que fazem há muitos milhões de anos.

Num outro post falarei sobre as técnicas que utilizo para prevenir a enxameação, que utilizo com antecipação, com o objectivo de ter que recorrer o menos possível ao controlo da enxameação, esta uma medida de emergência e de último recurso.