o oeste é o melhor (the west is the best)

The west is the best, aproveitando este conhecido verso da letra do the End, emblemática canção dos The Doors, que cumprem este ano 50 anos sobre a 1ª edição do seu 1º album, nos idos de 1967, expresso genericamente a boa impressão com que fiquei da minha primeira visita deste ano ao apiário que tenho mais a oeste, no distrito de Coimbra.

Este apiário com poucas colmeias neste momento, onde já estiveram 100 colmeias no 2 anos anteriores,  previ desfazê-lo no final de 2016. Por razões diversas não foi possível até ao momento. E agora penso que até foi bom que assim tivesse acontecido. As 8 colmeias e 2 núcleos que por lá ficaram, resultaram de desdobramentos mais tardios em 2016 (Junho e Julho). Nestes dois últimos meses todos se desenvolveram de forma notável, com excepção de um núcleo que apresenta pequenos sinais de ascosferiose.

Na minha visita anterior a este apiário, efectuada no dia 12 de Dezembro, coloquei 3 sobreninhos/alças com cera laminada em 3 colmeias do modelo Langstroth e 2 meias alças, também com cera laminada, sobre 2 colmeias do modelo Lusitana. Numa destas colmeias Lang coloquei hoje a 2ª alça. Fui encontrá-la cheia de abelhas, criação e mel no sobreninho colocado na visita anterior. Numa outra colmeia, as abelhas ocupavam 6 quadros do sobreninho, estavam a puxar bem a cera e a encher com néctar. Na terceira não vi criação alguma. Vi dois mestreiros rotos. Aparentemente decidiram substituir a rainha. Coloquei 1 quadro com ovos retirado de outra colmeia para salvaguardar a possibilidade de a nova rainha não poder ser fecundada nestes dias de clima incerto. Já em casa verifico nos meus registos que a 30 de Maio de 2016, quando esta rainha iniciou a postura, me interrogar acerca da possibilidade de ter sido mal fecundada. A sua substituição pelas abelhas nestas últimas semanas parece confirmar a justeza da minha dúvida na altura. Nas colmeias Lusitana a história conta-se mais rapidamente. As duas colmeias que receberam meia-alças com 8 quadros com cera laminada puxaram-na bem e estão meias-cheias de mel. Verifiquei que não fizeram favos adventícios entre os quadros, como cheguei a temer.

Fig. 1: Favo adventício entre dois quadros (quando o espaço abelha é excedido as abelhas preenchem este espaço com um favo)

Um dos dois núcleos foi passado para uma colmeia e na próxima visita receberá um quadro cheio de criação fechada para acelerar o seu desenvolvimento.

Realço que não estimulei estas colmeias. Alimentei algumas destas colmeias, e apenas uma vez com 1 Kg de fondant/pasta de açúcar, logo à saída do verão, dado que as encontrei com as reservas num nível baixo.

No dia de hoje coloquei mais dois sobreninhos/alças sobre as Langstroth e uma meia-alça sobre uma Lusitana. Na próxima visita conto colocar pelos menos dois sobreninhos/alças sobre as Lusitanas e pelo menos uma 2ª alça sobre uma das Langstroth. Conto ainda iniciar o tratamento contra a varroa. O anterior foi concluído no final de Setembro.

Os meus objectivos para este apiário não estão direccionados para a produção de mel. Pretendo até meados de Abril das actuais 10 colmeias fazer mais 15-20 núcleos fortes para levar para as terras altas da Beira onde os fluxos se iniciam em meados de Maio.

Num post, que surgirá em breve, explicarei como um bom núcleo estará apto, no prazo de um mês, a iniciar a sua subida às meias-alças, o nível do apicultor.

abelhas na beira à saída do outono 2016

Nos passados dias 7 e 8 fiz mais uma passagem por todas as minhas colónias da Beira Alta para renovar a alimentação com fondant (pasta de açúcar) em todas as que necessitavam.

Nas cerca de 600 colmeias encontrei 3 colónias mortas. Em duas delas não encontrei abelhas no interior da colmeia e numa terceira fui encontrar umas 100 abelhas mortas agarradas a um quadro com reservas.  Em duas destas colmeias encontrei um ou dois quadros com uns  20 a 40 alvéolos com criação operculada. Em duas delas havia uma quantidade significativa de reservas de mel. Em casa analisei o histórico destas 3 colónias e constatei que em duas a infestação pelo ácaro da varroa atingiu patamares elevados: abelhas com asas deformadas e abdomens atrofiados, criação operculada com um padrão “salpicado”, abelhas prestes a nascer mortas e com a língua estirada. Estas duas colónias tinham uma população muito reduzida à entrada de outubro, com menos de um quadro de abelhas. Já esperava que não passassem os primeiros dias/noites de temperaturas mais baixas. Da 3ª colónia não possuo um registo detalhado dos últimos 3 meses, o que me indica que não vi nada de suspeito durante este período. Recordo no entanto que no início de outubro vi um pequeno enxame num arbusto a cerca de 5m dessa colmeia. Estranhei a saída tão tardia deste enxame. Agora coloco a hipótese desta enxameação tardia ter ocorrido nesta colmeia.

No final desta volta de dois dias a avaliar o peso das colónias e a alimentá-las fico muito satisfeito com o que encontrei:

  • mortalidade pelo efeito da varroose à saída do outono está abaixo dos 0,5%. E este ano não foi nada fácil controlar esta praga (ver aqui e aqui);
  • a mortalidade pelo efeito da fome até à data é de 0%;
  • não vi sinais de ascosferiose nem de diarreia nas rampas de vôo e/ou paredes das colmeias;
  • não vi sinais de ratos que se pudessem ter instalado no interior das colmeias (todas as colmeias têm réguas de entrada);
  • não encontrei tectos ou telhados de colmeias tombados (os quilos de pedras em cima mostram-se muito eficazes contra os ventos que se fazem sentir em alguns apiários);
  • havia um bom movimento de abelhas (no primeiro dia estava acima dos 12ºC) na entrada das colmeias, com algumas abelhas a transportarem pólen de um amarelo pálido e outro alaranjado;
  • o consumo do fondant (colocado por cima da prancheta junto ao óculo da mesma) diminuiu nestas duas últimas semanas o que me permitiu baixar o seu gasto para cerca de 250 kg nesta passagem.

procurando correr de forma diferente acabei a correr da mesma forma

No seguimento deste post aqui continuo à procura das variáveis que possam explicar duas questões que coloco a mim mesmo:

  • porque razão alguns apiários mostraram uma taxa demasiado elevada de colmeias com varroose após os tratamentos com bayvarol e outros, pelo contrário, apresentavam taxas de elevada eficácia do tratamento?
  • porque razão no mesmo apiário 5% a 10% das colmeias estavam à beira do colapso (abelhas com varroas e/ou com asas deformadas ) e, simultaneamente, a maioria das colmeias estava saudável?

Neste momento a minha melhor hipótese é que na altura do tratamento com o bayvarol as colmeias não estavam todas no mesmo ponto de partida no que respeita à infestação da varroa. Dito de outra forma, tenho uma forte convicção que na altura em que iniciei os tratamentos tinha colmeias já muito infestadas (com 5% ou mais de varroas foréticas), ainda que a infestação não fosse visível aos meus olhos e, ao lado, outras colmeias tinham níveis muito mais baixos de infestação.

Um pequeno parentesis polémico, estou consciente:

Digo hipótese porque não fiz uma monitorização da taxa de infestação da varroose colmeia a colmeia, simplesmente porque é impraticável na dimensão em que trabalho. Poderia, contudo, ter feito uma amostragem aleatória de abelhas em 10% a 25% das colmeias de cada apiário para decidir se tratava na altura ou se adiaria os tratamentos. Pergunto a mim mesmo de que me serviria essa monitorização? Pergunto: num apiário onde encontrei 5 a 10% das colmeias com asas deformadas (e isto no caso dos apiários mais infestados) o que me teria dito uma monitorização aleatória de 10% a 25% das colmeias 40 a 50 dias antes? Estou convencido que me diria que não seria necessário iniciar os tratamentos na altura em que de facto os iniciei. Sei que é controverso mas não estou, neste momento, absolutamento convencido da validade e até da credibilidade que nós apicultores devemos dar à monitorização por amostragem e contagem das varroas nas abelhas adultas através dos diversos métodos de lavagem das varroas dos seus corpos (ver lavagem por açucar de pasteleiro, água com detergente e outros).

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Fig. 1 — Apicultor utilizando o “sugar roll” para monitorizar a taxa de infestação por varroa

Importa sustentar a minha hipótese anterior e que relembro ser estar na presença de colmeias com níveis de infestação muito diversos na altura dos tratamentos com Bayvarol. Com base na análise dos meus relatórios verifico que um dos dois apiários na Beira Alta com mais problemas foi um daqueles para onde transumei um número significativo das minhas colmeias a partir do meu apiário no distrito de Coimbra. Mais, verifico que nestas colmeias transumadas, as colmeias mais infestadas eram na sua maioria colmeias onde iniciei o anterior tratamento, com Apivar, no final de novembro (30 de novembro de 2015) tendo tirado as tiras no início de março (ficaram 12 semanas por razões sustentadas em dois estudos científicos independentes que conto traduzir brevemente). Isto significa que entre o fim do tratamento com Apivar e o início do tratamento com Bayvarol passaram 5 meses grosso modo, quando o intervalo entre tratamentos que procuro seguir não ultrapassa os 4 meses. A somar a este facto lembro que estas colmeias transumadas apresentaram postura intensa nos meses de inverno (influência do clima e pasto apícola conhecido por todos nós no litoral centro do nosso país). Das 4 colmeias mais infestadas, 3 colmeias pertenciam a este grupo de colmeias. Vamos designar este grupo de colmeias pelas letras BL.

Por contraste nesse mesmo apiário e nas colmeias que sempre estiveram pela Beira Alta iniciei o tratamento com Apivar na segunda semana de Fevereiro e foram tiradas na segunda semana de Maio (as mesmas 12 semanas). Nestas colmeias o intervalo entre tratamentos não ultrapassou os dois meses e meio. Por outro lado as rainhas diminuíram naturalmente a postura nos meses de inverno (influência do clima e pasto apícola conhecido de todos nós no interior centro do nosso país). Das 4 colmeias mais infestadas, apenas 1 colmeia pertencia a este grupo de colmeias. Vamos designar este grupo de colmeias pelas letras BI.

Este apiário em questão tem 50 colmeias, sendo 20 do grupo BL e 30 do grupo BI.

Uma questão final neste momento: não seria de esperar que o Bayvarol (ou outro qualquer tratamento homologado ou não) desse conta de quase todas as varroas presentes na colmeia fossem estas 2000 ou 10000? Neste momento tudo me leva a crer que a reposta é que não é mesmo nada de esperar isso. Se o tratamento for eficaz a 90% significa que ficam 200 e 1000 varroas na colmeia, respectivamente. Como já foi dito pelos companheiros nos comentários podemos ter colmeias no nosso apiário ou em apiários vizinhos a adicionarem generosamente varroas a estas colmeias. Mais, a diminuição abrupta da criação nas colmeias nos meses de Julho e Agosto faz subir a pico o número de larvas e pupas parasitadas. No final deste cocktail temos ainda as ondas de calor de Julho e Agosto que diminui significativamente o contato das abelhas com as tiras acricidas e das abelhas entre si, contrariando o mecanismo básico que preside à concepção destas tiras.

Concluindo, neste momento estou convencido que neste apiário a resposta às minhas duas questões iniciais é que mais uma vez cheguei tarde demais, não a todas as colmeias, mas ainda assim a um número significativo delas.

questões pós-tratamento contra a varroose

Como referi num post anterior este ano decidi antecipar os tratamentos de final de verão contra a varroose cerca de 2 a 4 semanas relativamente ao período utilizado nos dois anos anteriores. Como referi esta decisão advém de ter observado que em algumas colmeias os tratamentos colocados em finais de Agosto/início de Setembro eram já tardios (via aqui e ali abelhas com as asas deformadas, com criação calva e até um padrão de criação salpicada/dispersa nos quadros).

Este ano utilizei pela primeira vez o Bayvarol, coloquei as 4 tiras por colmeia como recomendado pelo fabricante. Na altura em que coloquei os tratamentos tive oportunidade de confirmar visualmente a ausência de danos na criação e abelhas pela varroose. Passados cerca de 2 a 3 semanas fiz uma inspecção visual às zonas de postura de algumas colmeias de vários apiários e não vi sinais de varroa. Fiquei relativamente descansado!

Cinco a seis semanas após a introdução das tiras tive a oportunidade de voltar a fazer a inspecção aos ninhos de algumas colmeias e com relativa surpresa encontro algumas colmeias com abelhas com asas deformadas. Decido fazer uma inspecção aprofundada a todas as minhas colmeias (cerca de 600) e encontro varroas em cima das abelhas em cerca de 20% das colmeias e nestas, em 4% a 5%, encontro um estado de infestaçãoo já bastante avançado (abelhas com asas deformadas e inúmeras abelhas com varroas agarradas ao seu corpo). Dos 11 apiários inspeccionados verifico que em dois deles tenho cerca de 30% a 40% das colmeias infestadas e em cinco apiários não vejo qualquer sinal de varroas nas colmeias. Nos restantes apiários encontro 10% a 15% de colmeias com varroas.

A minha questão inicial é:

  • se tenho apiários com 30 a 80 colmeias instaladas onde aparentemente o Bayvarol foi 100% eficaz como explicar que noutros apiários, com as mesmas dimensões, a eficácia tenha aparentemente sido de apenas 60% a 70%?

A outra questão é:

  • ­o que fazer diferentemente no próximo ano no tratamento do meio-final de verão?

Nota: comentando estes resultados com as técnicas da minha associação foi-me dito que outros apicultores associados apresentam resultados semelhantes aos meus (eficácia dos tratamentos numa boa parte das colmeias mas ineficácia em algumas outras) e com outros tratamentos e outros princípios ativos.

os meus números da cresta de meis claros até à data de hoje

Iniciei a cresta de meis claros nos meus apiários no dia 21 de Junho. Até à data de hoje extraí o mel de 379 meias-alças. Vou mais ou menos a meio da cresta das meias-alças com mel claro. Destas 228 são do modelo Langstroth e 151 são do modelo Lusitana.

A produção média das meias-alças do modelo Langstroth é de 14,38 Kg por meia-alça até à data.

A produção média das meias-alças do modelo Lusitana é de 9,74 Kg por meia-alça até à data.

Como o método de extracção “old-fashion” que ilustrei e me referi no post anterior está a ser mais lento do que é desejável e um pouco mais cansativo do que é tolerável vou ensaiar na próxima 3ª feira extrair o meu mel numa cooperativa com uma linha de extracção automática “new-fashion”.

Se tiver autorização do proprietário para a nomear e até ilustrar com fotos alguns dos momentos da extracção aqui voltarei em breve.

aspectos da minha cresta de meis claros de 2016

Iniciei há cerca de 2 semanas a cresta de meis claros. Ficam em baixo algumas fotos ilustrativas do processo “old fashion” que estou a utilizar para crestar as mais de 800 meias alças de meis claros que tenho em cima das minhas colmeias. Mais adiante virão as meias alças dos meis escuros e conto voltar a apresentar mais algumas fotos.

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Foto 1: As 38 1/2 alças que vieram do apiário neste dia.

 

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Fotos 2, 3 e 4: Aspectos concretos do “estado” das 1/2 alças e dos quadros.

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Fotos 5 e 6: Desoperculação com recurso à faca (ainda estou à espera que o Pai Natal me ofereça uma linha de desoperculação e extracção!).

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Fotos 7, 8 e 9: Da centrifugação, em extractor radial eléctrico, para o balde.

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Foto 10: Já enfrascado e à mesa.

como está a correr? e não faço translarve!

Como está a correr? é uma pergunta que alguns amigos me vão colocando e que eu reciprocamente vou colocando também.

Do lado de lá as respostas têm sido, regra geral, desanimadoras. Elevada mortalidade de colmeias (com fome, abelhas que desapareceram…), enxames fracos, condições climatéricas madrastas, são as respostas que mais tenho recebido à pergunta “como está a correr?”.

Até me custa a falar do meu caso (pensei diversas vezes se deveria ou não fazer este post) pois sei muito bem que o sucesso dos outros se pode tornar muito pesado, até massacrante, num contexto em que as coisas não nos correram de acordo com o desejado. Mas cortar-me a própria palavra seria uma auto-censura que me parece desnecessária porque acredito que os que me lêem são suficientemente adultos para aceitarem realidades diferentes e até contrastantes das suas.

Pois à pergunta “como está a correr?” posso  dizer sincera e humildemente que a minha realidade é diversa. Este foi o ano com menor mortalidade desde que tenho colmeias (abaixo dos 5%). Muito fondant depois, muitos euros gastos, é verdade! mas  os resultados na taxa de sobrevivência das minhas colónias foram muito positivos. Este ano apenas me morreu uma colmeia por fome. Os tratamentos contra os ácaros da varroa continuam a ser eficazes. Mudo o princípio activo de ano e meio em ano meio. A verdade é que a resistência aos princípios activos não dei por ela. À saída do inverno tinha cerca de 435 colmeias e agora estou próximo das 600. Ah, e não faço translarve. Há quem acredite que com 10 colmeias só será um apicultor bem sucedido se fizer translarve. Onde foram buscar essas ideias é fácil de saber: vejam os cursos de criação de rainhas que se multiplicam por todo o lado, a somar ao que se vai escrevendo na blogosfera apícola, e depressa se perceberá como um apicultor novato depressa ficará condicionado por esta ideia e um crente devoto da ideia que o sucesso apícola está na criação de rainhas por translarve.

Dizer que o caminho mais seguro para uma apicultura de sucesso é o bom e frequente maneio das colmeias (é preciso trabalhar!), o investimento em alimentação e tratamentos adequados (é preciso gastar dinheiro!), ter um bom sistema de informação sobre cada colmeia (mais trabalho e mais tempo a dispender!) a juntar a uma ou outra inovação já bem testada por outros e muito reflectida por nós (ler e reler!) não tende a colher muitos adeptos. Mas é este o caminho que tenho seguido e julgo que este ano será mais um ano compensador. Pelos sinais que tenho até agora o mais compensador de todos!

Se alguém tiver boas referências para o valor do mel a granel para este ano agradeço que me/nos informe através dos comentários. Neste link espanhol podemos constatar que as ofertas rondam entre o 4€ e os 5€ por Kg. E por cá?

P.S. Neste link encontramos os valores médios praticados na campanha passada em Espanha quer no mercado a grosso quer no mercado retalhista (abril de 2015 a março de 2016)  http://www.magrama.gob.es/es/estadistica/temas/novedades/preciosmiel2015-2016_tcm7-421520.pdf

1ª enxameação de 2016 em que perdi as abelhas

Ontem, dia 4 de maio, passei por um apiário onde a minha última inspecção tinha sido no dia 15 de Abril (20 dias de intervalo entre inspecções). E paguei a factura de ter alargado demasiado o intervalo entre inspecções. Uma das colmeias tinha todos aqueles sinais inequívocos de ter enxameado: 6 a 7 quadros de abelhas quando 20 dias antes tinha 10 quadros de abelhas, vários mestreiros rotos, ausência de ovos e criação aberta/não operculada.

Por ser um apiário com apenas 4 colmeias foi ficando para trás no agendamento da inspecção. É um apiário no qual pela primeira vez deixei colmeias a invernar, e para minimizar os riscos deixei apenas 4 colmeias para ver como se passaria o inverno àquela altitude. O resultado foi muito positivo e neste inverno deverão ficar por lá cerca de 60 colmeias.

Em baixo fica o histórico desta colmeia.

341 Lusi Rainha de Abril da 2015 (filha da 89)

Linha de enxameação

19-03: Deixei 1 Q com ovos no ninho. Vai receber campeiras da 89. Fiz OTS. Filha da 89. Designei 89M.

25-03: Viu 3 mestreiros fechados.

19-04: Vi postura nos 3 estádios. 4 a 5 Q de abelhas no ninho e muita criação e abelhas na ½ alça. Colocar tira de Apivar. Tem 10 Q no ninho. Expandir. Numerei 341. Transumei da…  para… .

20-05: 5 Q de abelhas. Expandiu.

11-06: 8 Q de abelhas. Transumei da … para …. Coloquei 1ª ½ alça de cera puxada.

26-06: Colocar ½ alça na próxima visita.

02-07: Coloquei 2ª ½ alça de ceras puxadas.

08-07: Crestei. Coloquei sobreninho.

13-01: 7 Q de abelhas.

17-02: 5 a 6 Q de abelhas.

22-03: 6 Q com criação. 8 Q de abelhas. Tinha néctar novo. Coloquei 2 tiras de Apivar.

15-04: Ninho cheio de abelhas. Colocar 1ª ½ alça.

04-05: Enxameou. Vi mestreiros rotos.

morte por fome em abril 2016 ou um caso de um mundo inconstante

No dia 20 de abril fui encontrar a minha primeira baixa por fome deste novo ano apícola 2015-16 (o ano apícola vai de setembro a agosto do ano seguinte, no meu caso).

Foi uma colmeia Langstroth que tinha sobreninho, uma colmeia forte. Uma prova que o mundo não é constante, que as verdades que trazemos de anos anteriores poderão servir de pouco ou até iludir-nos no presente ano.

Fica aqui o historial desta colmeia:

356 Lang. Rainha de Junho de 2015 (filha da 155)

Tem abelhas híbridas

20-05: Está zanganeira.

23-05: Transumei da … para a ….

25-05: Está zanganeira. Tentar reverter.

29-05: Coloquei Q com mestreiros fechados retirados da 155.

02-06: Coloquei Q com criação nos 3 estádios da 243.

26-06: Está composta. Tem rainha em postura. 8 Q de abelhas. 4 Q de criação.

02-07: Coloquei 1ª ½ alça de ceras puxadas.

20-11: Transumei da… para….

26-01: 8 a 9 Q de abelhas.

15-02: 8 a 9 Q de abelhas.

29-02: 9 Q de abelhas.

10-03: 5 Q de criação. 9 a 10 Q de abelhas. Expandi. Coloquei 2 tiras de Apivar.

16-03: Coloquei 1ª ½ alça de ceras puxadas.

31-03: 6 Q com criação. Expandi. Coloquei sobreninho. Coloquei Apipasta.

08-04: 3 Q de criação no sobreninho.

20-04: Eliminei. Morreu com fome.

 

primeiros desdobramentos de 2016 para controlar a enxameação

No passado dia 7 (5ª feira) na inspecção às colmeias de um apiário, situado a cerca de 800 m de altitude no coração da Serra da Estrela, fui surpreendido com duas colónias que apresentavam vários mestreiros fechados e abertos. Os sinais eram inequívocos: vários mestreiros, criação a ocupar ninho e meia-alça, densamente povoada, abelhas muito calmas… sinais mais do que suficiente para concluir que era necessário intervir para controlar a enxameação. Noutras 3 colmeias encontrei ovos em cálices reais. As primeiras duas e estas 3 colmeias foram divididas no dia seguinte.

A minha surpresa perante esta situação prende-se com o que decorre das notas gerais das duas últimas visitas a este apiário, onde estão cerca de 70 colmeias :

24-03: Colmeias com muita criação e com poucas reservas. Alimentei colmeias com poucas reservas (coloquei 26 sacos de Apipasta). Urgueira muito florida. Estavam a meter pólen.

07-04: Colmeias com muito néctar de urgueira armazenado nos ninhos e nas ½ alças. Coloquei mais 34 ½ alças com ceras puxadas. Dividi 5 colmeias com sinais de enxameação.

Apesar da primavera envergonhada, as colmeias em menos de 15 dias passaram do estatuto de carentes de reservas a colmeias com muita população e com bom nível de reservas, inclusivé com estas 5 a mostrarem sinais claros de se prepararem para enxamear, em especial as duas inicialmente descritas.

A principal fonte de néctar nesta altura do ano, neste apiário, são as urgueiras (urzes) que dão aquele mel “amargo” muito apreciado por alguns consumidores.

A intervenção passou por dividir cada uma destas 5 colmeias por 3 núcleos, cheios de abelhas, de criação e as reservas suficientes. No local ficou um núcleo por cada colmeia dividida e transumei 10 núcleos para um outro apiário a cerca de 20 Km de distância, zona de rosmaninho, local onde o andamento ainda é duas mudanças abaixo.

Ficam em baixo as notas acerca das últimas visitas realizadas a uma destas colmeias que apresentava sinais claros de enxameação.

Rainha de Junho de 2014 (rainha do João Gomes)

17-02: 8 Q de abelhas.

14-03: 6 Q de criação excelente. 9 a 10 Q de abelhas. Coloquei 2 tiras de Apivar.

16-03: Coloquei 1ª ½ alça de ceras puxadas.

24-03: 8 Q de criação. Coloquei Apipasta.

07-04: Vi vários mestreiros. Dividi em mais 2 núcleos. Ficou com rainha?