questões pós-tratamento contra a varroose

Como referi num post anterior este ano decidi antecipar os tratamentos de final de verão contra a varroose cerca de 2 a 4 semanas relativamente ao período utilizado nos dois anos anteriores. Como referi esta decisão advém de ter observado que em algumas colmeias os tratamentos colocados em finais de Agosto/início de Setembro eram já tardios (via aqui e ali abelhas com as asas deformadas, com criação calva e até um padrão de criação salpicada/dispersa nos quadros).

Este ano utilizei pela primeira vez o Bayvarol, coloquei as 4 tiras por colmeia como recomendado pelo fabricante. Na altura em que coloquei os tratamentos tive oportunidade de confirmar visualmente a ausência de danos na criação e abelhas pela varroose. Passados cerca de 2 a 3 semanas fiz uma inspecção visual às zonas de postura de algumas colmeias de vários apiários e não vi sinais de varroa. Fiquei relativamente descansado!

Cinco a seis semanas após a introdução das tiras tive a oportunidade de voltar a fazer a inspecção aos ninhos de algumas colmeias e com relativa surpresa encontro algumas colmeias com abelhas com asas deformadas. Decido fazer uma inspecção aprofundada a todas as minhas colmeias (cerca de 600) e encontro varroas em cima das abelhas em cerca de 20% das colmeias e nestas, em 4% a 5%, encontro um estado de infestaçãoo já bastante avançado (abelhas com asas deformadas e inúmeras abelhas com varroas agarradas ao seu corpo). Dos 11 apiários inspeccionados verifico que em dois deles tenho cerca de 30% a 40% das colmeias infestadas e em cinco apiários não vejo qualquer sinal de varroas nas colmeias. Nos restantes apiários encontro 10% a 15% de colmeias com varroas.

A minha questão inicial é:

  • se tenho apiários com 30 a 80 colmeias instaladas onde aparentemente o Bayvarol foi 100% eficaz como explicar que noutros apiários, com as mesmas dimensões, a eficácia tenha aparentemente sido de apenas 60% a 70%?

A outra questão é:

  • ­o que fazer diferentemente no próximo ano no tratamento do meio-final de verão?

Nota: comentando estes resultados com as técnicas da minha associação foi-me dito que outros apicultores associados apresentam resultados semelhantes aos meus (eficácia dos tratamentos numa boa parte das colmeias mas ineficácia em algumas outras) e com outros tratamentos e outros princípios ativos.

os meus números da cresta de meis claros até à data de hoje

Iniciei a cresta de meis claros nos meus apiários no dia 21 de Junho. Até à data de hoje extraí o mel de 379 meias-alças. Vou mais ou menos a meio da cresta das meias-alças com mel claro. Destas 228 são do modelo Langstroth e 151 são do modelo Lusitana.

A produção média das meias-alças do modelo Langstroth é de 14,38 Kg por meia-alça até à data.

A produção média das meias-alças do modelo Lusitana é de 9,74 Kg por meia-alça até à data.

Como o método de extracção “old-fashion” que ilustrei e me referi no post anterior está a ser mais lento do que é desejável e um pouco mais cansativo do que é tolerável vou ensaiar na próxima 3ª feira extrair o meu mel numa cooperativa com uma linha de extracção automática “new-fashion”.

Se tiver autorização do proprietário para a nomear e até ilustrar com fotos alguns dos momentos da extracção aqui voltarei em breve.

aspectos da minha cresta de meis claros de 2016

Iniciei há cerca de 2 semanas a cresta de meis claros. Ficam em baixo algumas fotos ilustrativas do processo “old fashion” que estou a utilizar para crestar as mais de 800 meias alças de meis claros que tenho em cima das minhas colmeias. Mais adiante virão as meias alças dos meis escuros e conto voltar a apresentar mais algumas fotos.

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Foto 1: As 38 1/2 alças que vieram do apiário neste dia.

 

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Fotos 2, 3 e 4: Aspectos concretos do “estado” das 1/2 alças e dos quadros.

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Fotos 5 e 6: Desoperculação com recurso à faca (ainda estou à espera que o Pai Natal me ofereça uma linha de desoperculação e extracção!).

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Fotos 7, 8 e 9: Da centrifugação, em extractor radial eléctrico, para o balde.

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Foto 10: Já enfrascado e à mesa.

como está a correr? e não faço translarve!

Como está a correr? é uma pergunta que alguns amigos me vão colocando e que eu reciprocamente vou colocando também.

Do lado de lá as respostas têm sido, regra geral, desanimadoras. Elevada mortalidade de colmeias (com fome, abelhas que desapareceram…), enxames fracos, condições climatéricas madrastas, são as respostas que mais tenho recebido à pergunta “como está a correr?”.

Até me custa a falar do meu caso (pensei diversas vezes se deveria ou não fazer este post) pois sei muito bem que o sucesso dos outros se pode tornar muito pesado, até massacrante, num contexto em que as coisas não nos correram de acordo com o desejado. Mas cortar-me a própria palavra seria uma auto-censura que me parece desnecessária porque acredito que os que me lêem são suficientemente adultos para aceitarem realidades diferentes e até contrastantes das suas.

Pois à pergunta “como está a correr?” posso  dizer sincera e humildemente que a minha realidade é diversa. Este foi o ano com menor mortalidade desde que tenho colmeias (abaixo dos 5%). Muito fondant depois, muitos euros gastos, é verdade! mas  os resultados na taxa de sobrevivência das minhas colónias foram muito positivos. Este ano apenas me morreu uma colmeia por fome. Os tratamentos contra os ácaros da varroa continuam a ser eficazes. Mudo o princípio activo de ano e meio em ano meio. A verdade é que a resistência aos princípios activos não dei por ela. À saída do inverno tinha cerca de 435 colmeias e agora estou próximo das 600. Ah, e não faço translarve. Há quem acredite que com 10 colmeias só será um apicultor bem sucedido se fizer translarve. Onde foram buscar essas ideias é fácil de saber: vejam os cursos de criação de rainhas que se multiplicam por todo o lado, a somar ao que se vai escrevendo na blogosfera apícola, e depressa se perceberá como um apicultor novato depressa ficará condicionado por esta ideia e um crente devoto da ideia que o sucesso apícola está na criação de rainhas por translarve.

Dizer que o caminho mais seguro para uma apicultura de sucesso é o bom e frequente maneio das colmeias (é preciso trabalhar!), o investimento em alimentação e tratamentos adequados (é preciso gastar dinheiro!), ter um bom sistema de informação sobre cada colmeia (mais trabalho e mais tempo a dispender!) a juntar a uma ou outra inovação já bem testada por outros e muito reflectida por nós (ler e reler!) não tende a colher muitos adeptos. Mas é este o caminho que tenho seguido e julgo que este ano será mais um ano compensador. Pelos sinais que tenho até agora o mais compensador de todos!

Se alguém tiver boas referências para o valor do mel a granel para este ano agradeço que me/nos informe através dos comentários. Neste link espanhol podemos constatar que as ofertas rondam entre o 4€ e os 5€ por Kg. E por cá?

P.S. Neste link encontramos os valores médios praticados na campanha passada em Espanha quer no mercado a grosso quer no mercado retalhista (abril de 2015 a março de 2016)  http://www.magrama.gob.es/es/estadistica/temas/novedades/preciosmiel2015-2016_tcm7-421520.pdf

1ª enxameação de 2016 em que perdi as abelhas

Ontem, dia 4 de maio, passei por um apiário onde a minha última inspecção tinha sido no dia 15 de Abril (20 dias de intervalo entre inspecções). E paguei a factura de ter alargado demasiado o intervalo entre inspecções. Uma das colmeias tinha todos aqueles sinais inequívocos de ter enxameado: 6 a 7 quadros de abelhas quando 20 dias antes tinha 10 quadros de abelhas, vários mestreiros rotos, ausência de ovos e criação aberta/não operculada.

Por ser um apiário com apenas 4 colmeias foi ficando para trás no agendamento da inspecção. É um apiário no qual pela primeira vez deixei colmeias a invernar, e para minimizar os riscos deixei apenas 4 colmeias para ver como se passaria o inverno àquela altitude. O resultado foi muito positivo e neste inverno deverão ficar por lá cerca de 60 colmeias.

Em baixo fica o histórico desta colmeia.

341 Lusi Rainha de Abril da 2015 (filha da 89)

Linha de enxameação

19-03: Deixei 1 Q com ovos no ninho. Vai receber campeiras da 89. Fiz OTS. Filha da 89. Designei 89M.

25-03: Viu 3 mestreiros fechados.

19-04: Vi postura nos 3 estádios. 4 a 5 Q de abelhas no ninho e muita criação e abelhas na ½ alça. Colocar tira de Apivar. Tem 10 Q no ninho. Expandir. Numerei 341. Transumei da…  para… .

20-05: 5 Q de abelhas. Expandiu.

11-06: 8 Q de abelhas. Transumei da … para …. Coloquei 1ª ½ alça de cera puxada.

26-06: Colocar ½ alça na próxima visita.

02-07: Coloquei 2ª ½ alça de ceras puxadas.

08-07: Crestei. Coloquei sobreninho.

13-01: 7 Q de abelhas.

17-02: 5 a 6 Q de abelhas.

22-03: 6 Q com criação. 8 Q de abelhas. Tinha néctar novo. Coloquei 2 tiras de Apivar.

15-04: Ninho cheio de abelhas. Colocar 1ª ½ alça.

04-05: Enxameou. Vi mestreiros rotos.

morte por fome em abril 2016 ou um caso de um mundo inconstante

No dia 20 de abril fui encontrar a minha primeira baixa por fome deste novo ano apícola 2015-16 (o ano apícola vai de setembro a agosto do ano seguinte, no meu caso).

Foi uma colmeia Langstroth que tinha sobreninho, uma colmeia forte. Uma prova que o mundo não é constante, que as verdades que trazemos de anos anteriores poderão servir de pouco ou até iludir-nos no presente ano.

Fica aqui o historial desta colmeia:

356 Lang. Rainha de Junho de 2015 (filha da 155)

Tem abelhas híbridas

20-05: Está zanganeira.

23-05: Transumei da … para a ….

25-05: Está zanganeira. Tentar reverter.

29-05: Coloquei Q com mestreiros fechados retirados da 155.

02-06: Coloquei Q com criação nos 3 estádios da 243.

26-06: Está composta. Tem rainha em postura. 8 Q de abelhas. 4 Q de criação.

02-07: Coloquei 1ª ½ alça de ceras puxadas.

20-11: Transumei da… para….

26-01: 8 a 9 Q de abelhas.

15-02: 8 a 9 Q de abelhas.

29-02: 9 Q de abelhas.

10-03: 5 Q de criação. 9 a 10 Q de abelhas. Expandi. Coloquei 2 tiras de Apivar.

16-03: Coloquei 1ª ½ alça de ceras puxadas.

31-03: 6 Q com criação. Expandi. Coloquei sobreninho. Coloquei Apipasta.

08-04: 3 Q de criação no sobreninho.

20-04: Eliminei. Morreu com fome.

 

primeiros desdobramentos de 2016 para controlar a enxameação

No passado dia 7 (5ª feira) na inspecção às colmeias de um apiário, situado a cerca de 800 m de altitude no coração da Serra da Estrela, fui surpreendido com duas colónias que apresentavam vários mestreiros fechados e abertos. Os sinais eram inequívocos: vários mestreiros, criação a ocupar ninho e meia-alça, densamente povoada, abelhas muito calmas… sinais mais do que suficiente para concluir que era necessário intervir para controlar a enxameação. Noutras 3 colmeias encontrei ovos em cálices reais. As primeiras duas e estas 3 colmeias foram divididas no dia seguinte.

A minha surpresa perante esta situação prende-se com o que decorre das notas gerais das duas últimas visitas a este apiário, onde estão cerca de 70 colmeias :

24-03: Colmeias com muita criação e com poucas reservas. Alimentei colmeias com poucas reservas (coloquei 26 sacos de Apipasta). Urgueira muito florida. Estavam a meter pólen.

07-04: Colmeias com muito néctar de urgueira armazenado nos ninhos e nas ½ alças. Coloquei mais 34 ½ alças com ceras puxadas. Dividi 5 colmeias com sinais de enxameação.

Apesar da primavera envergonhada, as colmeias em menos de 15 dias passaram do estatuto de carentes de reservas a colmeias com muita população e com bom nível de reservas, inclusivé com estas 5 a mostrarem sinais claros de se prepararem para enxamear, em especial as duas inicialmente descritas.

A principal fonte de néctar nesta altura do ano, neste apiário, são as urgueiras (urzes) que dão aquele mel “amargo” muito apreciado por alguns consumidores.

A intervenção passou por dividir cada uma destas 5 colmeias por 3 núcleos, cheios de abelhas, de criação e as reservas suficientes. No local ficou um núcleo por cada colmeia dividida e transumei 10 núcleos para um outro apiário a cerca de 20 Km de distância, zona de rosmaninho, local onde o andamento ainda é duas mudanças abaixo.

Ficam em baixo as notas acerca das últimas visitas realizadas a uma destas colmeias que apresentava sinais claros de enxameação.

Rainha de Junho de 2014 (rainha do João Gomes)

17-02: 8 Q de abelhas.

14-03: 6 Q de criação excelente. 9 a 10 Q de abelhas. Coloquei 2 tiras de Apivar.

16-03: Coloquei 1ª ½ alça de ceras puxadas.

24-03: 8 Q de criação. Coloquei Apipasta.

07-04: Vi vários mestreiros. Dividi em mais 2 núcleos. Ficou com rainha?

à saida do inverno… os primeiros desdobramentos

à saída do inverno… à laia de balanço do inverno 2015/2016, e em 7 invernos já passados com abelhas, assinalo o primeiro ano em que as minhas perdas invernais se situam abaixo dos 5%.

Tenho a certeza, como todos os apicultores, que este inverno não foi “pêra doce”. Os meses de novembro e dezembro foram pouco menos que primaveris tendo provocado um efeito importante e duas consequências mais importantes ainda: a postura das rainhas não abrandou/parou como era costume, o que provocou o natural incremento da varroa assim como um consumo acelerado das reservas invernais. De seguida temos 3 meses de muita chuva, algum frio, que apanhou muitas das minhas colmeias da beira no fio da navalha, sem um nível razoável de reservas e sem grandes condições para aproveitarem alguns pequenos fluxos de néctar que surgem em finais de fevereiro, início de março por aqueles lados. Tudo poderia ter acabado muito mal! Mas se as condições climatéricas estão fora do nosso controle, algumas das nossas acções podem mitigar ou até eliminar os efeitos nefastos de um inverno surpreendente.

O maneio que deu suporte a esta percentagem baixa de perdas teve dois pilares, um já habitual, outro inovador. O habitual foi fazer os tratamentos à saída do verão, após a cresta, com acaricidas que se mostraram uma vez mais continuarem eficazes. A segunda, a intervenção inovadora, foi alimentar de forma massiva, sistemática, calendarizada, todas as minhas colmeias da beira. As do litoral, na zona de Coimbra, não necessitei de o fazer. Muitas centenas de euros foram investidos em fondant, quando nos anos anteriores esse investimento foi de poucas dezenas de euros. Esta opção mais cara, revelou-se custo-efectiva, pelos muito bons resultados alcançados, pois se assim não o tivesse feito acredito que estaria em mãos com a ruína deste projecto apícola. Um inverno para não esquecer as lições que ele trouxe. Aprendemos com os erros, é verdade, mas aprendemos tanto ou mais com os acertos. E é imensamente mais agradável!

… os desdobramentos. Finalizei hoje os primeiros desdobramentos do ano. Foram 20, em Coimbra. Depois de numa primeira fase ter dividido estas 20 colmeias que tinham ninho e sobreninho, com criação em ambas as caixas, com uma grelha excluidora, passados 4 dias, voltei ao apiário para identificar a caixa onde tinha ficado a rainha (a que tinha ovos), e estas foram levadas para a beira a cerca de 150 Km de distância. As filhas ficaram no apiário original, onde hoje introduzi 20 realeiras criadas pelo João Tomé. Espero que as condições climatéricas ajudem durante o seu vôo de fecundação as novas princesas.

Dando tudo certo com estes primeiros 20 desdobramentos praticamente reponho as minhas perdas invernais, causadas maioritariamente por terem ficado zanganeiras.

as minhas colmeias de 9 quadros no ninho

Apicultores conceituados (Charles Dadant entre outros) foram apologistas das colmeias com 9 quadros no ninho. A distância entre os centros dos quadros nestas colmeias é de 38mm. Lembro que a configuração de 10 quadros no ninho determina uma distância entre o centro dos quadros de 35mm e 32 mm no caso de ninhos com 11 quadros. Estas distâncias referem-se a colmeias padronizadas Langstroth, Dadant/Jumbo ou outras, com uma distância interior entre as extremidades laterais do ninho de 37,5 cm.

Entre as vantagens mais notáveis apresentadas pelos defensores da configuração com 9 quadros surge a diminuição do impulso para a enxameação. A maior ventilação e o menor congestionamento do ninho são as razões mais referidas para explicar o fenómeno.

Mas como na apicultura raramente se encontram unanimismos, há um outro grupo de apicultores, entre os quais se destaca Michael Bush, que entendem que esta opção pelos 9 quadros no ninho atrasa significativamente o crescimento da população de abelhas à saída do inverno e entrada da primavera. A razão que estes apicultores dão é que a distância de 38 mm entre o centro dos quadros é demasiada o que dificulta o aquecimento dos ovos e larvas.  Na sua opinião este facto tem consequências, nomeadamente as áreas de criação acabam por ser inferiores se comparadas com as das configurações de 10 quadros e/ou 11 quadros, e isto numa época do ano crítica para o crescimento da população de uma colónia.

Como sabemos em Portugal, assim como noutros países, a prevenção da enxameação é uma tarefa à qual os apicultores devem dar muita atenção com o objectivo de maximizarem a capacidade produtiva das suas colónias. Tendo eu lido acerca da inibição ou atraso do impulso da enxameação em ninhos de 9 quadros decidi fazer a experiência colocando 20 colmeias com esta configuração nos meus apiários. No final desta primavera fará 2 anos sobre o início desta experiência, que tem decorrido sem preocupações de controlar ao detalhe as condições envolventes, mas que me permitirá tirar conclusões gerais acerca da validade desta opção tendo em conta as minhas condições.

Avanço alguns dos dados que possuo até agora, e que surgem na decorrência da dinâmica que surgiu dos diálogos no blog.

À entrada do inverno de 2015/2016 tinha 18 colmeias com esta configuração do ninho nos meus apiários. De acordo com a última inspecção realizada há poucos dias, as 18 colmeias estão vivas sendo que uma delas se encontra zanganeira. O tratamento dos dados que recolhi nestas 18 colmeias foram trabalhados no sentido de obter uma visão de conjunto acerca de três aspectos:

  1. Enxameação no ano de 2015.
  2. Produção de mel no ano de 2015.
  3. Força dos enxames à saída do actual inverno (2015/2016).
  1. No final do verão das 18 colmeias existentes, 12 não enxamearam no decorrer da época de enxameação de 2015 e não mostraram sinais de o desejar fazer; 4 foram divididas para controlar a enxameação eminente; 2 enxamearam. Uma nota que me parece importante: nas 12 colmeias que não enxamearam 9 tinham uma rainha com mais de um ano; 2 substituíram a rainha e numa introduzi uma rainha para melhorar a genética.

2. Relativamente à produção de mel nas 12 colmeias que não enxamearam 7 delas tiveram uma boa produção (acima dos 20 Kg/colmeia); 4 produziram medianamente (entre 10 e 20 Kg/colmeia); não disponho de dados acerca da produção de uma colmeia. Lembro que o ano passado foi um ano de baixa produção um pouco por todo o país (temperaturas muito altas em maio e meses seguintes e uma pluviosidade inexistente).

3. Já em 2016, com base nos dados mais atuais que disponho, as colónias estão a sair vivas do inverno. Das 18 colónias avaliadas, todas estão vivas e uma está zanganeira. Das 17 que interessa detalhar: 7 colónias apresentam mais de 8 quadros de abelhas; 4 apresentam entre 5 e 7 quadros de abelhas; 6 apresentam menos de 5 quadros de abelhas.

Deixo três notas para enquadrar alguns dos aspectos observados: das 6 colónias mais fracas 4 têm rainhas com mais de dois anos; as 17 colmeias estão em zonas de escassez durante o outono-inverno (não é zona de eucaliptais ou outras florações invernais); foram alimentadas com pasta açucarada/fondant durante o inverno.

Estes dados, num primeiro olhar deixam-me relativamente optimista acerca do futuro das minhas colmeias com 9 quadros no ninho. Vou continuar a recolher dados durante esta época para fortalecer as conclusões que daí possa vir a tirar.

A terminar enfatizo que estes dados são acerca das minhas colmeias, nos meus apiários e com o meu maneio. Reforço que esta experiência pessoal está a ser realizada sem um controlo rigoroso de um conjunto de outras variáveis naturalmente envolvidas.

quantas lâminas de cera vou necessitar

Um dos erros frequentes dos apicultores, sobretudo dos menos experientes, é não fazerem uma previsão e aquisição atempada de material e equipamentos necessários ter mais à mão. Quando a velocidade das diversas operações no apiário passa do ponto morto, ou de uma primeira velocidade, para a 5ª ou 6ª velocidade, e muitas vezes em menos de três semanas (o que acontece habitualmente no final do inverno/início da primavera), ter o material e os equipamentos preparados ou disponíveis, traz um ganho de tempo assinalável na prontidão da resposta e na execução da mesma. Importa ter sempre presente que todo o apicultor que deseja ser efetivo no seu maneio deve estar uma meia-alça à frente das abelhas.

Vem isto a propósito de uma chamada que o meu fornecedor habitual de cera me fez nesta manhã, a pedir-me que fizesse a reserva de cera laminada para as minhas necessidades de 2016. A cera laminada é um produto de primeiríssima necessidade para o exercício de uma série de operações apícolas da maior importância.

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Fig. 1 — Cera laminada pronta a colocar em quadros de colmeia

Importa-me agora, no entanto, mais que descrever e qualificar  a utilização de cera laminada nova, quantificar as suas necessidades. Esta quantificação permite-nos adquirir a cera laminada, presumivelmente necessária, em tempo útil. Apresento os meus cálculos, e mais importante a forma de os fazer. Assim, todos os que os entenderem como adequados, poderão ajustá-los à sua dimensão apícola.  Naturalmente, não me arrogando dono da verdade, estou humildemente disposto a que, através dos comentários que acharem por bem fazer, melhorar e rectificar o que haja a rectificar nestes cálculos.

1.Partindo do meu cenário com 500 colmeias, vou identificando as etapas e os factores dos meus cálculos. Inicio pelo cálculo das necessidades de cera laminada para os ninhos das 500 colmeias:

1.1. — renovar em média 3 quadros do ninho de cada colmeia: 500 x 3 = 1500. Necessito de ter 1500 lâminas de cera para os ninhos;

1.2. — em média 12 ceras laminadas (quadros Langstroth e Lusitanos) pesam cerca de 1Kg: 1500/12 = 125 Kg. Necessito de 125 kg de cera laminada para suprir as necessidades de cera nos ninhos das minhas colmeias.

  1. Cálculo das necessidades de cera laminada para as meia-alças meleiras, tendo em conta que tenho cerca de 300 meias-alças armazenadas com cera puxada:

2.1 — colocar em média 1,5 meia-alças por colmeia e por fluxo de néctar: 750 meia-alças a que subtraio as 300, resulta que vou ter que laminar 450 meia-alças;

2.2. — estimo necessitar de laminar cerca de 200 meias-alças Langstroth. Cada meia-alça leva 8,5 quadros (algumas meias-alças são de 9 quadros e outras são de 8). Necessito laminar 200 x 8,5 = 1700 quadros de meia-alça Langstroth. Em média 24 lâminas de meia-alça Langstroth pesam cerca de 0,9 Kg. Para suprir as minhas necessidades de cera laminada para as minhas meia-alças Langstroth necessito de cerca de 65 Kgs de cera (1700/24 x 0,9 = 63,75 Kgs);

2.3. — Estimo necessitar de laminar cerca de 250 meias-alças Lusitana. Cada meia-alça leva 8,5 quadros (algumas meias-alças são de 9 quadros e outras são de 8). Necessito laminar 250 x 8,5 = 2125 quadros de meia-alça Lusitana. Em média 24 lâminas de meia-alça Lusitana pesam cerca de 0,75 Kg. Para suprir as minhas necessidades de cera laminada para as minhas meia-alças Lusitana necessito de cerca de 65 Kgs de cera (2125/24 x 0,75 = 66,40 Kgs).

No fim destes cálculos quero realçar o óbvio: são cálculos aproximados, são os da minha realidade e são feitos tendo em conta o peso específico das lâminas de cera que vou adquirir. Em relação a este último ponto, nunca é de mais enfatizar, que dependendo do fabricante/moldador de cera, o número de lâminas por Kg pode variar um pouco.

A terminar desejo a todos que consigam adquirir cera de qualidade, que sendo de qualidade ajuda o trabalho das nossas abelhas.