backfilling — o que é?

Já há uns anos que conheço as ideias do falecido apicultor Walt Wright acerca do fenómeno que ele designou backfilling. Deixo aqui alguns excertos traduzidos acerca deste fenómeno, por mim verificado váriadíssimas vezes nas minhas colmeias e que, segundo ele, são um sinal de preparação da colónia para a enxameação reprodutiva. Tendo a concordar, sustentado nas minhas observações.

Backfilling (preenchimento) é uma palavra. que, usada apropriadamente, substitui uma frase inteira e descreve um processo-chave no desenvolvimento da colónia com vista à enxameação reprodutiva: para reduzir a área de criação os alvéolos no ninho, antes ocupados por cria fechada, são preenchidos com néctar ou pólen, à medida que esta vai emergindo (nascendo). […]

O preenchimento deste espaço é semelhante ao ajuste do tamanho dos ninhos de cria nas colónia de abelhas na fase de contracção do enxame. Durante o final do inverno/princípio da primavera a colónia expande o ninho. Ela (colónia) precisa destas abelhas extra para ter um número de indivíduos que lhe permita fazer um enxame reprodutivo. Quando a expansão produz abelhas suficientes para a divisão por enxameação, este alvéolos extra cumpriram seu propósito. Então a colónia precisa reduzir a área de cria para um nível que possa ser mantido pela população mais pequena que irá permanecer após a partida do enxame. A colónia faz isso preenchendo as áreas de cria com néctar ou pólen. O néctar é preferido — é mais fácil e rápido —, mas se o néctar for escasso e o pólen estiver disponível, ela (a colónia de abelhas) usará o pólen. À medida que a ninhada emerge, a forragem disponível é colocada nesses alvéolos para reduzir o volume da ninhada. Esse é o processo que chamamos de backfilling (preenchimento).

Esquema 1: O backfilling inicia-se quando as abelhas começam a armazenar néctar abaixo da linha curva e a ocupar a zona designada “capped brood”

O backfilling não se restringe à redução do ninho no momento da enxameação reprodutiva. Toda vez que o volume da criação é reduzido, o backfilling é aplicado. Isso acontece durante toda a primavera/verão no fluxo principal de néctar. Também é aplicado no outono/inverno, em certos locais, com fluxos de forragem intensos (zona de eucaliptal, por ex.). […]

Dica do mês

Quando os mestreiros/realeiras de enxameação são iniciadas, a colónia já está comprometida com a enxameação. A “febre” está instalada, as medidas de prevenção da enxameação chegaram tarde ou foram insuficientes. Resta ao apicultor controlar a enxameação. Teremos de ser capazes de olhar e identificar sinais anteriores para anteciparmos e intensificarmos as medidas que dispomos para a prevenção da enxameação. A monitorização do backfilling é para onde o nosso olhar e atenção se devem dirigir.

Se tiver um número de colónias que exceda os limites de sua memória visual, coloque um alfinete ou uma pequena sinalização no quadro no topo da zona de expansão da cria. Se o néctar aparecer abaixo da marca, terá cerca de duas semanas para iniciar uma ação corretiva antes de a colónia entrar em “modo de enxameação.”

Fig.1.: Quadro exemplo de backfilling

Fonte: https://beesource.com/point-of-view/walt-wright/backfilling-whats-that/

Nota: quando as abelhas, por falha da rainha ou por falta de alças meleiras, enchem os quadros do ninho com mel e/ou pólen numa altura do ano em que o volume de cria deve estar em notória expansão não estamos perante o backfilling tal e qual aqui descrito.

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