avaliação dos tratamentos orgânicos de primavera contra a Varroa destructor (Acari: Varroidae) em abelhas Apis mellifera (Hymenoptera: Apidae) em colónias no leste do Canadá

Deixo em baixo a transcrição/tradução de um estudo muito citado, que avalia o impacto do ácido fórmico e ácido oxálico, quando aplicados na primavera para o controle da varroa, no desenvolvimento das colónias, na produção de mel e na sobrevivência das colmeias. Acho que este estudo é muito interessante e que merece a sua divulgação no meu blog, pois se o controlo da varroa nos importa muito, de pouco nos servirá se coloca em causa o desenvolvimento das nossas colónias assim como a sua produção. Não nos interessa mesmo nada deitar o bebé fora juntamente com a água do banho. Pois parece que isso pode acontecer com algumas formulações acaricidas estudadas. Leiam, por favor, o sumário do estudo e tirem as vossas conclusões.

“O objetivo deste estudo foi medir a eficácia de dois tratamentos com ácidos orgânicos, o ácido fórmico (AF) e o ácido oxálico (AO) para o controle do Varroa destructor (Anderson e Trueman) em colónias abelhas (Apis mellifera L.) na primavera. Quarenta e oito colónias infestadas de varroa foram distribuídas aleatoriamente por seis grupos experimentais (n = 8 colónias por grupo):

  • um grupo controle (G1);
  • dois grupos testados com aplicações com diferentes dosagens de uma solução de 40g de AO/1 litro de xarope de açúcar 1:1 gotejado sobre as abelhas (G2 e G3);
  • três grupos testados com diferentes aplicações de AF: 35 ml de AF a 65% veiculado numa almofada absorvente (G4); 35 ml de AF a 65% despejada diretamente sobre o estrado das colmeias (G5) e as placas MiteAwayII ™ (G6).

A eficácia dos tratamentos (queda varroa), o desenvolvimento das colónias, a produção de mel e a sobrevivência das colmeias foram monitorados a partir de maio e até setembro.

  • Cinco rainhas de abelhas morreram durante esta pesquisa, todas verificadas nas colónias tratadas com AF (G4, G5 e G6).
  • As colónias G6 tiveram significativamente menos criação e menor desenvolvimento durante a temporada de apicultura.
  • As populações de criação no final do verão foram significativamente maiores nas colónias G2, tratadas com AO.
  • A produção de mel por colónia na primavera foi significativamente menor no G6 e maior no G1.
  • O fluxo de mel no verão foi significativamente menor no G6 e superior no G3 e G5.
  • Durante o período de tratamento, houve um aumento da queda de ácaros em todas as colónias tratadas. A queda diária de varroa no fim da estação de apicultura (Setembro) foi significativamente mais elevada no G1 (colónias não tratadas) e significativamente inferior no G6.
  • O número médio de abelhas mortas encontradas na frente de colmeias durante o tratamento foi significativamente menor no G1, G2 e G3 em relação G4, G5 e G6.

Os resultados sugerem que o controle varroa é conseguido com todas as opções de tratamento aplicadas na primavera. No entanto, todos os grupos tratados com ácido fórmico (AF) mostraram um crescimento da população mais lento no verão, resultando numa recolha de mel reduzida e enxames mais fracos no final do verão. O ácido fórmico teve um efeito tóxico imediato sobre abelhas, que resultou na morte da rainha em cinco colónias. Os tratamentos com ácido oxálico que foram testados têm impactos tóxicos menores sobre as colónias de abelhas.”

fonte: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21442305

5 thoughts on “avaliação dos tratamentos orgânicos de primavera contra a Varroa destructor (Acari: Varroidae) em abelhas Apis mellifera (Hymenoptera: Apidae) em colónias no leste do Canadá”

    1. Bom dia Dino
      Não conhecia este estudo do R. Oliver. Muito obrigado por tê-lo trazido para cima da mesa. É minha intenção fazer um ou mais posts dedicados a cada um dos tratamentos homologado no nosso país. Os dados deste estudo irão servir-me para o post acerca do MAQS. Nunca utilizei o MAQS, mas as técnicas da nossa associação, quando lhes perguntei se já tinham dados acerca da sua eficácia por cá, lembro-me de terem referido que a aplicação de meia-dose (uma saqueta apenas) por colmeia não era muito eficaz. Lembro que o fabricante recomenda a aplicação de duas saquetas por colmeia forte. O R. Oliver chega a uma conclusão semelhante quando analisa os níveis de infestação nas colmeias tratadas apenas com uma saqueta.

      A terminar, noto que as conclusões do R. Oliver não confirmam as conclusões do estudo canadiano. Contudo, o estudo canadiano não utilizou o MAQS, mas sim formulações e veículos/formas de administração que irei designar de caseiras.
      Um abraço!

      1. Boa tarde, Eduardo.
        Gostei deste estudo, mas como o meu inglês é fraco não percebi muito bem, a parte em que fala de ventilação, e o método que utilizou.
        Outro assunto que fiquei com duvidas, foi a forma como ele fez o tratamento, embora trata-se colmeias fortes não refere se tinham criação, ou não.
        Tenho lido que não podemos tratar com acido fórmico, quando a colmeia tem criação.
        Como este tratamento tem a mesma base, aqui na minha zona, penso que esta fora de questão.
        Também fiz a mesma questão na nossa associação, a resposta foi a mesma.

        PS, A eng. da associação de Estarreja já me falou deste tratamento, gostaria de utilizar mas tenho que pesquisar mais, só com a pouca informação que tenho, não arrisco
        Abraço.

        1. Olá Dino
          As colmeias testadas tinham criação. Foram testadas colmeias com duplo ninho, com 10 quadros por caixa e com 9 a 12 quadros de abelhas, com a entrada das abelhas com cerca de 1 cm de altura. Não vi referido o modelo de colmeia, mas deve ser o Langstroth.

          Entre os diversos grupos de colmeias testadas num deles com 6 colmeias, o Randy deslocou os sobreninhos cerca de 2cm para trás por forma a aumentar a ventilação na colmeia.

          O tratamento foi iniciado em Junho com temperaturas a rondar os 24ºC. No último dia do tratamento a temperatura era de 32,2ºC.

          Para o teu caso que utilizas reversíveis julgo que deves ter bastante precaução. Ou muito me engano ou este tratamento foi desenhado e testado em ninhos com caixas maiores (Langstroth, suponho). Pode ser que um dos companheiros que lê o blogue possa dar mais informações em primeira mão.

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