autópsia de uma colmeia morta no inverno

Neste blog http://blog.exometeofraiture.net/blog/2018/12/09/autopsie-ruche-morte-hivernage/ Fred l’apiculteur faz um conjunto de observações e apresenta um grupo de fotos que me parecem muito didácticos, em especial para a época invernal em que estamos a entrar. A todos, ou quase todos nós nos irão morrer colmeias neste período. Em muitos casos o enigma da causa da morte poderá ser resolvido com uma observação simples mas competente e qualificada dos quadros dos ninhos dessas colmeias. A identificação correcta da causa de mortalidade das colónias durante o inverno é uma boa parte do caminho para evitar que o mesmo volte a acontecer no ano seguinte. E, para mim, o mais importante objectivo que me coloco como apicultor é manter as minhas colónias vivas durante o inverno.

O inverno é um período sombrio para o apicultor; a maioria das perdas de colónias ocorre durante o inverno.

O cenário é sempre o mesmo: colmeias dinâmicas e populosas durante o verão, reservas suficientes e… em novembro / dezembro, é o desastre, essas mesmas colmeias ficam vazias de abelhas. Às vezes, encontramos uma pequena bola de abelhas com a rainha, e muitas vezes permanece alguma criação. Também existem quadros bem fornecidos de mel, mas em muitos casos, o apicultor não consegue fornecer dados sobre a eficácia do tratamento contra Varroa.

Nesse tipo de situação, todos têm a sua teoria para explicar o desastre: pesticidas aplicados no final da temporada, falta de qualidade das rainhas, alimento artificial de inverno de baixa qualidade, ambiente degradado, envenenamento, ondas electromagnéticas GSM,”teríamos que alimentar com mel “,” é uma pulverização do agricultor local “, … mas nunca a varroa é mencionado como causa plausível; “Tenho muito poucas varroas nas colmeias, não as vi sobre as abelhas! »….

Afinal o que matou realmente a colónia? Quais os elementos objetivos que ajudam a esclarecer qual a causa plausível? O que o apicultor pode fazer para analisar objetivamente o problema e mudar o que for necessário para parar de ter essas mortalidades na temporada seguinte?

No início do inverno de 2018 e 2019 Renaud Lavend’homme, palestrante apícola conhecido pelo seu envolvimento no projeto Arista Beeresearch, ofereceu-se para fazer a “autópsia” de uma colónia vítima desta doença de inverno. Com o equipamento necessário para realizar essa operação, ele oferece-nos uma série de documentos, fotos e vídeos, a fim de solucionar o enigma.

Uma descrição do estado geral quadros da colónia morta no início do inverno: criação operculada esparsa, bastante mel e pólen, poucas abelhas mortas encontradas na colmeia. A declaração típica do dono da colmeia:
Intrigado com a total ausência de abelhas na entrada de uma das minhas colmeias, eu olhei para dentro e… o ninho estava vazio. Ainda cheio de reservas e muito ativo durante a minha última visita do outono. Estou extremamente chateado e triste. Alguém tem uma explicação? Obrigado

As imagens em baixo foram tiradas com um simples telemóvel. Vemos imediatamente pequenos pontos brancos nas paredes da grande maioria dos alvéolos, o olho inexperiente concluirá erradamente que são cristais de açúcar. Na verdade, são cristais de guanina**, que nada mais são do que excrementos do ácaro Varroa !!!


Então, a criação restante é desoperculada para confirmar as nossas primeiras suspeitas. O suspense é de curta duração! Neste caso, Renaud encontrou apenas 3 pupas não infestadas em cerca de 30 alvéolos com criação operculada, ou seja, cerca de 90% da criação infestada …

A língua da pupa estirada é um dos sintomas de uma mortalidade por infestação maciça de Varroa. E a presença de cristais de guanina indica claramente que há “companhia” no alvéolo …”


Nota: Também este apicultor chegou à conclusão que o mês de agosto é crítico para o controlo da varroose com tratamentos de longo prazo, 10 a 12 semanas, como resposta às reinfestações (ver caixa de comentários). Conclusões que estão alinhadas com as que tirei de há uns anos para cá e que vou relembrando por aqui com alguma regularidade.

** Guanina: “O que diabos é a guanina?” Muito simplesmente, a guanina é uma das quatro bases que contêm nitrogénio encontradas no DNA. Provavelmente já viu sequências de letras representando a estrutura do DNA que se parecem com isto: ATGGATGTCGACGGT e assim por diante. As quatro letras representam as quatro bases: adenina, citosina, guanina e timina. Acontece que o excremento dos ácaros Varroa contém cerca de 95% de guanina. Guanina tão pura que aparece como um globo branco brilhante – um depósito que os ácaros deixam no interior dos alvéolos. Afinal, não há “WC” para serem usadas enquanto estão fechados sob uma tampa, espremidos entre uma pupa de abelha e uma parede de cera, de modo que os deixam onde estão.

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