Vespa asiática de patas amarelas (V. velutina nigrithorax): ciclo de vida

Nota prévia: Estes dados são de uma região francesa (Aquitaine). Poderá ser necessário fazer alguns ajustamentos na sazonalidade e intensidade de comportamentos para a realidade portuguesa acerca dos aspectos abaixo descritos. Desconheço se há algum estudo deste tipo feito na nossa terra. Contudo, os dados desta região francesa, ajudam-nos a compreender melhor o ciclo de vida deste indesejado e exótico predador por terras lusas.

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Fig. 1 — Exemplar de uma V. velutina nigrithorax (as patas amarelas são um elemento distintivo em relação às V. crabro)

  • Período de postura: A emergência do período de hibernação das fundadoras da V. velutina vai do período de fevereiro a maio. A construção do ninho primário e os primeiros ciclos de postura ocorrem durante este período. Sabemos que a atividade das fêmeas fundadoras depende da temperatura ambiente. A antecipação dos dias de calor podem levar ao aparecimento precoce de alguma atividade, mas a fundação de uma nova colónia está dependente de alimentos em quantidades adequadas que a rainha fundadora possa encontrar. Nesta fase inicial da vida da nova colónia há uma preferência destes insectos por carbo-hidratos, daí que se aconselhe que as armadilhas para a captura das vespas fundadoras sejam elaboradas com uma base açucarada.

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Fig. 2 — Preparação de armadilhas para caçar as V. velutinas

  •  A invernagem: Em geral, para passar o inverno, as rainhas jovens já fecundadas escondem-se num lugar protegido (troncos podres, aterros, pilhas de madeira, buracos nas paredes, etc…).
  • Uma fundadora por ninho e por ano: A fundadora é, originalmente, apenas uma por colónia e por ano. Ela morre depois de um ano e são os seus descendentes (fêmeas fecundadas) que, no ano seguinte, se tornam as fundadoras de novos ninhos. Na primavera, cada fundadora constrói um novo ninho e desenvolve uma nova colónia que pode chegar a atingir 1800 indivíduos no final do verão.

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Fig.  3 — Exemplar de um ninho de uma colónia de V. velutinas

  • Modo de fecundação: Em geral, o acasalamento é realizado em vôo e prossegue no solo. A fecundação das fêmeas fundadoras da próxima geração tem lugar no final do verão ou no início do outono. As feromonas sexuais produzidas pela fêmea parecem estar envolvidos na atracção dos machos.
  • Composição da dieta alimentar: A componente proteica da dieta da V. velutina é composto por 80% de abelhas, quando em áreas urbanas e 45 a 50% nas zonas rurais. O resto da dieta é composta de lagartas, borboletas, moscas, libélulas e outros insetos. No final da temporada, as V. velutinas são especialmente atraídas por fruta madura (fazem estragos assinaláveis, por exemplo, em vinhas). A sua dieta depende do alimento disponível, do estágio de desenvolvimento da colónia e uma possível concorrência com outros predadores.

Os hidratos de carbono (açucares) e as proteínas são necessários ao desenvolvimento das colónias destes vespões. Os hidratos de carbono necessários para suprir os gasto de energia dos adultos estão sempre presentes na sua dieta. As proteína são necessárias para a criação da sua prole. E, infelizmente para as abelhas e para nós apicultores, uma das principais fontes de proteína desta praga de vespões são as abelhas.

Nota: Julgo que está a chegar a altura do ano para iniciar a caça das vespas fundadoras.  Neste momento sugiro armadilhas com um atraente açucarado . Espero que em breve surjam métodos de combate a esta praga mais efectivos que os actuais. Deposito uma grande esperança no aperfeiçoamento dos cavalos de tróia, uma estratégia que poderá levar a melhores resultados que os até agora alcançados.

o espaço abelha: o que nos dizem as abelhas naturalmente

Quando um enxame de abelhas enxameia e ocupa um buraco numa árvore, numa parede, etc., a primeira tarefa a que se dedica é à construção de um conjunto de favos. Independentemente do local onde os constroem, o espaçamento dos favos apresenta uma grande regularidade: 30 a 32 milímetros entre os centros dos mesmos. Somente nos favos nos lados de fora do ninho surge um espaçamento ligeiramente maior, mas estes são usados ​​quase exclusivamente para o armazenamento de mel ou para a criação de zângãos.

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Fig. 1 — Medição da distância entre os centros de dois favos de abelhas

Os favos que que as abelhas constroem em condições naturais raramente são planos. Os favos são muitas vezes curvados em arcos graciosos e apresentam uniões entre si, o que lhes dá integridade estrutural, para que possam suportar o peso do mel e resistam às altas temperaturas nos dias quentes de verão.

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No que respeita à sua utilização, os favos num ninho natural são multiuso e a postura da rainha surge quase em qualquer lugar, com a possível excepção dos favos externos. Os alvéolos onde antes houve criação são, habitualmente, ocupados com néctar, impedindo a rainha de aí fazer postura imediatamente a seguir, obrigando-a a procurar outros alvéolos. Isto significa que a rainha está constantemente a ser reconduzida para um outro favo, componente importante do comportamento higiénico da colónia.

Por que é que os favos naturais apresentam um espaçamento de 30-32mm entre os seus centros? As medições dos alvéolos preparados para a postura da rainha mostram que eles apresentam 11-12mm de profundidade. As medições mais detalhadas revelam que a profundidade não é uniforme e que a relação entre a largura/profundidade é aproximadamente de 1 / 2 — os alvéolos de diâmetro mais pequeno são alvéolos menos profundos, os alvéolos com um diâmetro maior são mais profundos.

Qual é a razão desta relação? Como sabemos, o alvéolo fica plenamente ocupado nos estágios finais de desenvolvimento da criação e estas são as proporções que se adequam exatamente ao seu ocupante — a pupa ou abelha pré-emergente. Alvéolos com diâmetros menores produzem abelhas mais pequenas. Em conclusão, é a relação largura/profundidade, e não somente a profundidade, que determina se a abelha é um pouco maior ou um pouco menor.

Assumindo que a profundidade média dos alvéolos é de 11,5 milímetros, a largura do favo, com ambos os lados preparados para receber criação, é de 23 milímetros (2 x 11,5 = 23). Se subtrairmos ao espaçamento entre favos (32 mm) estes 23 mm, resulta um espaço excedente de 9 milímetros entre as suas faces opostas (32-23 = 9). Estes 9 mm não acontecem por acaso (Deus não joga aos dados, dizia frequentemente Einstein).  O espaço de 9 mm é exatamente a distância adequada para que as abelhas sejam capazes de trabalhar nas faces opostas de dois favos, de costas umas para as outras, apenas com um ligeiro roçar de asas.

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Ilustração 1 — Duas abelhas de costas uma para a outra a trabalharem nas faces opostas de dois favos

Isto significa que as abelhas nutrizes se podem mover livremente nas duas faces do favo, sem se atropelarem mutuamente, aumentando a eficácia dos seus esforços nos cuidados que prestam à criação. Este espaço de 9 milímetros também é importante para a termorregulação. Esta distância permite que, com apenas duas camadas de abelhas entre os favos, o espaço entre eles fique quase totalmente preenchido e aquecido. Como sabemos em ambientes ou épocas mais frias as abelhas são chamadas a ocupar o espaço entre-favos, onde geram calor e retardam o fluxo convectivo do ar. Um espaçamento entre-favos maior exige mais abelhas ­— mais de duas camadas — para manter a criação quente. Como sabemos as colónias de abelhas são altamente sensíveis a este aspeto. Se aumentarmos o espaço entre favos muito provavelmente será produzida menos criação, particularmente durante o crescimento primaveril da colónia, o que implicará menos abelhas forrageiras disponíveis para os primeiros fluxos de néctar. Este é um aspecto com um grande impacto prático, nomeadamente no que respeita à opção por colocar 9, 10 ou 11 quadros no ninho de uma colmeia (tema a que voltaremos num futuro próximo).

Quando os favos de criação (ou partes deles) são utilizados para o armazenamento de mel no fim do verão (na preparação para o inverno), os alvéolos são estirados com maior profundidade restando um único espaço abelha entre eles (5-6 mm). O mesmo acontece nas alças meleiras. Antes destes alvéolos poderem ser reutilizados para a criação, na primavera seguinte, eles têm de ser aparados para uma profundidade correcta. Nesta época do ano podemos descortinar este comportamento, quando nos apercebemos dos fragmentos de cera sob os pisos em malha de rede ou à entrada da colmeia.

o estatuto de rainha única e o efeito da sua mensagem química (feromona mandibular da rainha) na supressão da criação de novas rainhas e na enxameação

Muitas sociedades de insetos são monogínicas, o que significa que uma única rainha (fêmea fecundada) está presente em cada colónia. Em sociedades pequenas e primitivas a manutenção da dominância de uma determinada rainha é conseguido através da luta e competição física entre elas; em contraste, em grandes colónias monogínicas este tipo domínio não é possível e evoluíram para um sistema mais eficiente de manutenção da dominância de uma só rainha que se baseia em sinais feromonais.

Sabemos que a remoção da rainha de uma colónia de A. Melífera provoca nas abelhas operárias um comportamento específico: constroem alvéolos especiais (realeiras ou mestreiros) para a criação de novas rainhas (Winston, 1992), mas a forma exacta como tudo isto acontece ainda é desconhecida em parte.

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Fig.1 — Realeira operculada em primeiro plano e cálice real num segundo plano

A criação de novas rainhas numa colónia tem dois objectivos principais: a reprodução da colónia através enxameação ou a substituição da rainha quando está velha ou fraca (este fenómeno é conhecido como supersedure), ou morre por algum motivo apícola ou patológico (emergência).

A dispersão por toda a colónia da feromona mandibular da rainha (FMR) suprime tanto a supersedure da rainha como a enxameação (Winston et al., 1989). Vários estudos foram efectuados para nos elucidar acerca dos mecanismos de dispersão da FMR no seio da colónia e sua transferência entre as obreiras. Em 1991 Naumann et al. identificou o grupo de obreiras amas da rainha como as primeiras intervenientes na transferência da feromona da rainha para as outras obreiras. A auto-limpeza (grooming) é o meio através do qual a feromona é transferida das peças bucais e da cabeça para o abdómen das obreiras (Naumann, 1991). A distribuição da FMR parece ser influenciada pelo tamanho da colónia, uma vez que as obreiras na periferia de colónias populosas obtêm uma menor quantidade de feromona do que em ninhos menos populosos (Naumann et al., 1993). Isso explica a razão da enxameação em colónias populosas: o sinal da feromona que comunica “a rainha está presente” tende a diminuir quando a colónia cresce porque a dispersão da feromona é reduzida. As obreiras apercebendo-se de uma menor quantidade de feromona, iniciam a construção de realeiras e a colónia dá inicio ao processo de enxameação e reprodução. Quando a rainha morre ou é removida, o sinal da feromona desaparece completamente e as obreiras são rapidamente estimulados a criar novas rainhas.

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Fig. 2 — Rainha e suas amas

O papel da FMR na supressão do comportamento de criação de novas rainha foi confirmada por vários estudos que mostraram que a administração de FMR sintético em colónias órfãs (ou seja, colónias, sem uma rainha) suprime a produção de realeiras (Pettis et al., 1995), se a administração ocorrer no prazo de 24 horas a partir de perda de rainha. Verificou-se ainda que se e a FMR sintética for aplicada 4 dias após a perda de rainha não é observado nenhum efeito, indicando que a FMR inibe o início da criação das rainhas mas não produz efeitos na maturação de realeiras já estabelecidas (Melathopolous et al., 1996).

Fonte: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK200983/

tabuleiro simples para desdobramento/divisão de uma colónia de abelhas

Este tabuleiro é usado pelos apicultores para dividir uma colónia em duas partes, uma inferior e outra superior, que funcionarão de forma independente.

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Fig. 1 — Tabuleiro simples para divisão de uma colónia de abelhas

Este equipamento é utilizados na apicultura desde o final do século 19 e há muitos modelos diferentes. O objectivo básico deste tabuleiro é o de nos permitir isolar uma colónia em duas partes, de modo a que as abelhas não passem de um piso para o outro. Esta característica essencial significa que o tabuleiro tem de incorporar uma entrada própria, que é feita no seu lado superior. A regra usual do espaço abelha deve ser observado tanto no lado inferior como no lado superior do tabuleiro, sendo recomendado que as molduras do mesmo garantam 9mm de espaço entre o plano do tabuleiro e os planos formados pelas duas caixas da colmeia. Para que as abelhas tenham maior facilidade de circulação, pode dar-se um espaço extra, e aumentar até 15 milímetros a altura da moldura no lado superior do tabuleiro. No centro do mesmo deve ser feito um orifício quadrado com 8-10cm de lado que deverá ser tapado de ambos o lados com uma rede com uma malha não superior a 3mm. Este buraco permite dois ganhos fundamentais: por um lado permite que calor gerado pelas abelhas no piso inferior ascenda ao piso superior; por outro lado mantém um odor comum em toda a colmeia o que facilita a reunião do enxame, se necessário for. O tabuleiro de Snelgrove (com suas 8 entradas controláveis) é provavelmente o tabuleiro de divisão mais avançado que conhecemos, mas para um propósito mais simples, como o nosso neste momento, uma única entrada e um só orifício de ventilação é tudo o que é necessário.

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Fig. 2 — Pormenor da entrada no tabuleiro de desdobramentos  (neste caso foram realizadas duas entradas nos dois lados do tabuleiro)

Podemos fazer este tabuleiro a partir de  prancheta normal com algumas modificações muito simples, ou fazê-lo de raiz, desde que esteja de  acordo com as características referidas.

A utilização deste tabuleiro de desdobramentos tem as seguintes vantagens:

  • Para efectuarmos o desdobramento não é necessário um novo assento, ou mais espaço nos assentos existentes;
  • Economiza vários equipamentos, como os estrados e os telhados que são os da colmeia original;
  • O andar superior da divisão é aquecido pelo andar debaixo e, portanto, pode conter menos abelhas;
  • Facilita a re-combinação da colónia, se necessário.

A desvantagem de usar este tipo de tabuleiro é a relativa dificuldade que levanta  à inspecção do andar inferior da colmeia, que não pode ser efectuada sem remover o andar de cima.

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Fig. 3 — Colónia de abelhas dividida por um tabuleiro de desdobramentos

Contudo, na prática o controle da enxameação pode ser mais espaçado dado que dividimos a colónia, o que significa que a parte inferior requer pouca atenção durante 4-6 semanas, desde que tenha espaço suficiente para armazenar o mel. Para este efeito podemos adicionar uma ou mais alças meleiras, no momento da divisão, por debaixo do tabuleiro de desdobramentos.

desdobramento vertical de uma colónia de abelhas

Vou descrever um método simples e orgânico de desdobramento de colmeias que me parece estar ao alcance de todos nós. Nunca o utilizei mas conto passar a utilizá-lo este ano, entre outros métodos, para aumentar o meu efectivo. Fica em baixo a sua descrição para quem desejar experimentá-lo. Se alguém já o experimentou agradeço que nos dê o seu feedback. No final da época dos desdobramentos conto voltar a este tema, com uma avaliação acerca dos seus prós e contras.

O desdobramento vertical descreve a divisão de uma colónia de abelhas em duas — uma fica com a rainha mãe, a outra fica sem rainha, isto é, fica orfã — na mesma colmeia e sob o mesmo teto, com as condições e intenção de permitir que a parte orfã crie uma nova rainha . Se o processo for bem sucedido, acabaremos com duas colónias: a colónia original com a rainha mãe e a nova colónia com a rainha filha. Esta abordagem pode ser utilizada como um meio de prevenção da enxameação, como uma forma de renovar a rainha de uma colónia, ou como um modo fazer duas colónias a partir de uma.

Prancheta modificada

Para efectuar este tipo de desdobramento o apicultor necessita apenas de um equipamento novo, que vou designar “prancheta modificada”.

Para levar a cabo este método, relativamente simples, precisamos de ter uma maneira de dividir a colónia em duas e, ao mesmo tempo, fornecer uma entrada superior à colónia. Há muitas maneiras de fazer isso, como por exemplo através da prancheta multi-entrada de Snelgrove. Neste caso vamos utilizar uma prancheta mais simples, com  uma só entrada, como ilustra a imagem em baixo.

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Fig. 1 — Prancheta modificada

Esta prancheta modificada pode ser feita a partir de uma outra normal, desde que apresente uma moldura dos dois lados com 9-12mm de altura que respeite o “espaço abelha” em ambas as faces. De um lado (o lado “superior “, quando em uso) fazemos uma entrada articulada simples como mostra a imagem . No meio da prancheta vamos abrir um buraco quadrado com 10 cm de lado, tapado de cada um dos lado com uma rede de malha estreita para que as abelhas, e sobretudo a rainha, não a consigam ultrapassar (malha inferior a 3mm). Esta abertura permite que o odor das colónias se funda e, simultaneamente, que o calor se espalhe a partir da caixa inferior para a caixa superior.

Princípio da divisão vertical

A ideia geral é dividir uma colónia forte, saudável e de boa genética em duas e, em simultâneo, manter a sua capacidade produtiva. A colmeia é organizada de modo que a parte superior da divisão, com a rainha mãe, fique relativamente despovoado de abelhas. A maior parte da população deve ficar na parte inferior da colmeia, sem rainha, proporcionando assim as condições ideais para a uma construção de realeiras de emergência de qualidade. Chegado o dia em que as realeiras são seladas/operculadas a colónia é manipulada, uma segunda vez, para transferir as abelhas da parte inferior da colmeia sem rainha,  para a parte superior da colmeia onde se encontra a rainha mãe. Esta manipulação diminui o impulso para a enxameação e não afecta a recolha de néctar que continua sem interrupção se houver um bom fluxo. Tudo isto é conseguido através da manipulação da colónia no sétimo dia após a orfanização. Cerca de 3 semanas mais tarde, e correndo tudo bem, devemos ter uma rainha fecundada no lado orfanizado da colmeia.

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Fig. 2 — Esquema global das duas manipulações a realizar para levar a cabo este desdobramento vertical (dia zero, dia um e dia sete, da esquerda para a direita). 

Legenda do diagrama:

  • A preto: estrado da colmeia
  • A verde: prancheta modificada
  • Listas diagonais a preto: teto ou telhado da colmeia
  • Circulo vermelho: câmara de criação
  • Q: rainha
  • QC: realeiras
  • Seta negra: indica as entradas da colmeia e sua orientação
  • Seta quadrada azul claro: indica o local onde deverão ser colocadas as alças ou meia-alças meleiras
  • Dia zero (à esquerda): podemos efectuar este desdobramento numa colónia só com o ninho, mas também numa colónia com ninho e sobreninho.

A divisão vertical na prática

Só nos interessa criar rainhas a partir de colónias que exibem qualidades desejáveis para nós ​​— bom comportamento higiénico, bom arranque primaveril, boa produção, bom ajustamento da postura às condições locais, bom padrão de postura, baixa propensão para a enxameação, mansidão, entre outros critérios. Destas, eu diria que a higiene, a produção e o ajustamento da postura às condições locais, são características que muito me interessam. A avaliação destas características deve ser feita durante um período prolongado. A elaboração de registos e sua manutenção ao longo de um período alargado de tempo são uma ferramenta crucial para fazer uma melhor seleção das colmeias-mãe, as que mais nos interessam do ponto de vista genético. Como na computação se entra lixo o que sai é lixo. Se a colónia a desdobrar não tem as características desejáveis ​​necessárias existem maneiras de modificar o método descrito abaixo para criar rainhas de melhor genética… mas, neste momento, vamos pressupor que a colmeia a desdobrar apresenta uma genética que nos interessa.

 

Dia 1)

Abrir a colmeia suavemente e, se tiver que fumigar, faça-o com pouco fumo e na horizontal sobre os quadros, não para o interior da colmeia. Como precisa de encontrar a rainha, este maneio aumentará a probabilidade de encontrar a rainha no quadro com ovos do dia.

Encontrada a rainha coloque o quadro onde ela se encontra numa colmeia ou núcleo vazio com a entrada fechada e no centro da caixa, para evitar que ela se perca ou passe para as paredes interiores da mesma.

Se a colónia está instalada numa só caixa (não tem sobreninho) vai precisar de uma segunda caixa e 11 quadros com cera puxada (situação ideal) ou, caso não tenha cera puxada ao seu dispor, utilize quadros com cera moldada.

De seguida reorganiza os quadros nas duas caixas de modo que os quadros com larvas mais velhas e boa parte da criação operculada fiquem na caixa a colocar superiormente, onde colocaremos o quadro com a rainha mãe no centro dos mesmos no espaço que lhe fica reservado, juntamente com um quadro ou dois de provisões, a colocar nas laterais da câmara de criação.

Os quadros com ovos e larvas jovens devem ficar predominantemente na caixa inferior. Esta não é uma ciência exata, mas o princípio que nos orienta é a necessidade de colocarmos criação suficiente na caixa com a rainha mãe para que ela tenha as condições para construir uma nova colónia, e aos mesmo tempo, colocamos ovos em bom número e larvas muito jovens na caixa inferior, a zona orfanizada, para que as abelhas tenham uma boa provisão de ovos e larvas jovens que lhes permitam escolher as melhores à luz dos seus próprios critérios.

A terminar, colocar os quadros com criação no centro da caixa, ladeados por quadros com reservas de pólen e mel e completar a caixa inferior e superior com os novos quadros.

A ideia é criar dois ninhos com criação, um em cima do outro, aproximadamente centrados em relação ao buraco da prancheta modificada, tapado com rede de malha estreita. Coloque a caixa sem rainha sobre o estrado da colmeia original (piso inferior). Coloque a prancheta modificada em cima com a entrada aberta, virada para a direcção oposta ao da entrada original (a entrada da prancheta modificada deve ficar orientada para as costas da colmeia). Coloque a caixa com a rainha mãe em cima da prancheta modificada, em seguida, coloque a prancheta original e o telhado da colmeia.

Deixe a colónia tranquila durante uma semana.

 

O que acontece durante esta semana…

Durante esta semana as abelhas forrageiras saem da caixa do topo e vão entrar através da entrada que lhes é familiar na frente da colônia, e assim aumentam significativamente o número de abelhas na caixa inferior. As abelhas nesta caixa inferior vão perceber rapidamente que estão orfãs e iniciarão a construção das realeiras. A concentração de abelhas na caixa de fundo irá garantir que as larvas nestas realeiras serão bem alimentados e aquecidas. Na caixa superior a rainha mãe, continuará a sua postura de forma ininterrupta.

 

No dia 7

Retira a caixa superior juntamente  com a prancheta modificada para que a rainha não se perca, coloca a caixa superior à parte, roda 180º a caixa inferior de modo a que a entrada no estrado fique agora voltado para as costas da colmeia, em seguida, coloca a caixa superior com a entrada da prancheta modificada agora voltada para a frente da colmeia.

Se desejar inspecionar a colónia, nesta fase deverá encontrar uma rainha feliz em boa postura na caixa superior. Não deverá haver realeiras nesta caixa, a menos que haja alguma coisa errada com a rainha. Encontrará um número relativamente menor de abelhas nesta caixa do topo. Por contraste, a caixa no fundo estará muito mais cheia de abelhas e haverá várias realeiras presentes, umas fechadas outras ainda abertas. Poderá deixá-las a todas… as abelhas vão escolher as melhores oportunamente. Caso não confie na escolha das abelhas poderá destruir as que lhe parecem ter menor qualidade.

 

O que irá acontecer depois do dia 7…

Durante os próximos dias, a caixa inferior vai ficar com menos abelhas que saem pela entrada inferior e regressam para a “frente” da colmeia, onde acabarão por encontrar a entrada superior e reforçarão a caixa superior contendo a rainha em postura. Inicialmente, haverá uma considerável confusão, com centenas de abelhas em torno da entrada inferior original. Por esta razão, deve fazer a manipulação do dia 7 ao início do dia para dar tempo suficiente às abelhas para se reorientarem para a entrada superior. Esta reorientação vai occorer durante um par de dias — não se preocupe por ver muito mais atividade das abelhas em torno das entradas durante este período de tempo.

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Fig. 3 — Abelhas a reorientarem-se para a entrada superior da colmeia após a manipulação do dia 7 (reparar que o apicultor colocou agora a meia-alça meleira no topo da colmeia)

Um determinado número de rainhas virgens deve nascer cerca de 16 dias após a manipulação inicial mas o reduzido números de abelhas actualmente na caixa do fundo irá garantir que a colónia não irá produzir garfos/enxames. Se várias virgens emergirem, ao mesmo tempo, provavelmente vão lutar e ficará apenas uma ou duas, as mais vigorosas e saudáveis. Passados cerca de 5-6 dias , a virgem irá efectuar um ou mais voos de acasalamento, será fecundada e retornará para a caixa inferior onde iniciará a sua postura.

Nesta altura poderá dividir as duas colónias, caso o seu objectivo seja aumentar o efectivo ou, caso não deseje aumentar o efectivo, elimina a velha rainha na caixa superior e reúne as abelhas das duas caixas pacificamente retirando a prancheta modificada.

 

Principais vantagens (em nenhuma ordem particular):

  • não necessitamos de mais espaço horizontal nos nossos assentos;
  • quase nenhum equipamento adicional necessário;
  • a manutenção do odor na colónia permite fazer a reunião das abelhas se for necessário ou o desejarmos;
  • prevenção da enxameação;
  • aumento controlado do nosso efectivo com pouca intervenção;
  • combina a produção de mel com a produção de novas colónias;
  • produção mais natural de rainhas.

As desvantagens:

  • a elevação vertical de caixas é necessário (e podem ser pesadas);
  • se for necessário efectuar alguma inspeção à caixa inferior esta é mais trabalhosa;
  • algumas colónias não criam realeiras na caixa orfanizada.

Inspiração e fonte consultada: http://theapiarist.org/

razões para aprender a fazer desdobramentos/divisões de colónias de abelhas

Desdobrar/dividir uma colónia é uma competência básica que todos os apicultores devem possuir. Contudo, ainda hoje, alguns apicultores dependem exclusivamente dos enxames que apanham para aumentar o número das suas colónias.

Há várias razões para corrigir esta situação, quer ao nível do apicultor individual como ao nível sectorial/nacional. Identifico algumas:

Para o apicultor individual os desdobramentos são a oportunidade para:

  • aumentar o seu número de colónias (e a baixo custo);
  • substituir as perdas no inverno;
  • fornecer colónias a outras pessoas — como por exemplo novos apicultores;
  • melhorar as características das suas abelhas — comportamento higiénico e produtividade, entre as mais importante;
  • aumentar o interesse e satisfação com a actividade apícola;
  • aumentar suas habilidades e competências apícolas.

 

Ao nível sectorial/nacional o desdobramento das melhores colónias justifica-se porque:

  • permite reduzir o número de rainhas que são importados e melhorar as abelhas nacionais localmente adaptadas;
  • a maioria dos problemas atuais na apicultura são o resultado da globalização, isto é, ter abelhas em movimento por todo o mundo;
  • diminui o potencial para introduzir novos problemas no sector apícola nacional, como a introdução de pragas exóticas (por exemplo o escaravelho das colmeias e o Tropilaelaps, ácaro tão ou mais perigoso que a varroa);
  • permite limitar a propagação de novas estirpes de virús com diferentes níveis de patogenicidade.

Ainda que os certificados veterinários tenham que acompanhar as importações legais, estes são uma salvaguarda relativamente limitada. Ainda não há muitos anos, uma importação de rainhas dos EUA, devidamente certificada, introduziu no nosso país o pequeno escaravelho das colmeias (Aethina tumida). Por um princípio de precaução devemos evitar o mais possível a importação de rainhas, ou qualquer outros animais/insectos, de outros países. Será paranóia colocar a possibilidade que aquela bonita rainha que acabámos de importar possa transportar consigo organismos ou microorganismos exóticos do sul de Itália ou do centro da Alemanha?

o processo de equalização de colónias de abelhas: alguns procedimentos

O processo de equalização visa transformar colónias que saíram debilitadas da invernagem em colónias fortes à entrada de um fluxo de néctar importante. A equalização é feita geralmente no período de desenvolvimento das colónias (na beira interior no início da primavera), três a seis semanas antes de um período importante de floração e de um bom fluxo néctar. Faz-se quando, num apiário, há colónias fracas a necessitarem de um estímulo e reforço que lhes permita aumentar a sua população de forrageiras até ao início de um fluxo de néctar que o apicultor deseje maximizar. Apenas as colónias muito fortes, com uma grande quantidade de criação e uma grande população abelhas, devem ser consideradas como dadoras. Por outro lado, as colónias fracas, com uma rainha velha ou com uma rainha com uma postura duvidosa, não devem ser equalizadas. Estes casos serão analisados num outro post.

Há muitas maneiras de fortalecer colónias enfraquecidas. Em baixo estão descritos os métodos mais utilizados:

 

  • Transferência de quadros com criação operculada de uma colónia forte para uma colónia fraca.

O quadro excedentário com criação operculada e com abelhas aderentes (abelhas novas) é retirado de uma colónia forte e é dado a uma colónia mais fraca. Os quadros retirados da colónia forte são substituídos por quadros com cera puxada, com boas áreas de postura e colocados na extremidade da câmara de criação. Se não tivermos ao nosso dispor quadros puxados utilizamos quadros com cera moldada. A colónia forte vai puxar rapidamente a cera moldada e a rainha em breve iniciará aí a postura de ovos.

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Fig. 1 — Colónia forte

Devemos dar às colónias fracas um quadro de criação de cada vez, de modo que as abelhas cubram toda a criação. O quadro com criação operculada deve ser inserido no meio da câmara de criação desta colónia, de forma a que os ovos e larvas sejam devidamente aquecidos e alimentados. Certifique-se de que qualquer quadro transferido não tem a rainha. Os quadros a adicionar devem ter uma boa superfície de criação operculada (mais de metade do quadro) em ambos os lados.

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Fig. 2 — Quadro com muita criação operculada e abelhas aderentes

Evite adicionar quadros como muita criação por opercular. O objectivo da adição de quadros com muita criação operculada é o de dar pouco trabalho às abelhas da colónia fraca e garantir que a criação operculada, que nascerá rapidamente, se some à população de abelhas jovens da colónia fraca. A criação não operculada requer o máximo de cuidado da colónia, enquanto a criação operculada requer cuidados mínimos. Depois de nascido, este contingente de abelhas novas vai começar por alimentar as larvas mais velhas, cerca de 6 dias após terem nascido tornam-se amas das larvas mais jovens e, três semanas depois, iniciam as sua tarefas no forrageio e que irão manter até sucumbirem.

Posteriormente, é importante verificar se a colónia fraca se está a desenvolver bem. Devemos fazer a inspecção destas colmeias durante uma a duas semanas para ver como se tudo corre bem. Se verificarmos que é oportuno podemos adicionar um novo quadro com criação operculada. Se a primeira tentativa não produziu os efeitos desejados,  há que verificar se há outros problemas que precisem ser solucionados (doenças, infestação pela varroa, uma má rainha, etc.). Ter ainda em atenção que as colónias fracas ao serem equalizadas podem necessitar de quadros com mel ou serem alimentados com alimentação artificial.

 

  • Sacudir abelhas jovens retiradas de colónia populosa para uma colmeia fraca.

Neste caso, o excedente de abelhas jovens de uma colónia com um grande número de abelhas adulta é sacudido para o interior de uma colmeia menos povoada.

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Fig. 3 — Sacudindo abelhas

Esta processo de equalização pode ser levado a cabo duas a três semanas antes de um importante fluxo de néctar. O apicultor ajuda, assim, a aumentar a população de abelha adultas de uma colmeias menos populosa. Mais uma vez certifique-se de que a rainha não é transferida com as abelhas quando sacudir as abelhas. Dica: Pode sacudir as abelhas sobre uma grelha excluidora de rainhas e capturar qualquer rainha que por engano foi sacudida.

Nota: nestes dois métodos anteriormente descritos, e se entender necessário ou benéfico, pode harmonizar os odores das abelhas borrifando as abelhas a introduzir, assim como as abelhas das colmeias mais fracas, com água açucarada com um aromatizante inócuo para as abelhas. Tenho utilizado o aroma de baunilha para este fim com bons resultados.

 

  • A troca de posições entre colónias fracas e colónias fortes.

Trocar a posição de colónias é uma prática muito fácil para aumentar o número de abelhas forrageiras numa colónia mais fraca e aliviar a congestão de abelhas na colónia mais forte. Uma colónia fraca é transferida para o local ocupado por uma colónia forte e a colmeia forte é transferida para a posição onde estava anteriormente a colónia fraca. Isto é normalmente feito quando as abelhas forrageiras de uma colónia forte se encontram no campo ao meio do dia. Quando as forrageiras da colónia forte retornam para a colmeia vão entrar na colónia fraca, agora neste local. Estas abelhas que regressam do campo carregadas com néctar ou pólen tendem a ser bem aceites e sem lutas. Esta operação deve ser realizada com o fluxo de néctar e pólen já a decorrer.

Como é costume dizer, as operações realizadas durante um bom fluxo de néctar tendem a correr muito bem porque as abelhas andam felizes e perdoam muitos dos nossos erros!

Talvez seja dispensável, mas nunca é demais  referir que estas operações de equalização exigem o maior cuidado da nossa parte, para não transferirmos quadros com criação e abelhas de ou para colmeias com doenças na criação (ler mais sobre a equalização).

a termorregulação na criação de novas abelhas no período outono-inverno: aspectos específicos

A temperatura da criação no ninho é de extrema importância para a colónia de abelhas e é controlada com a maior precisão. As abelhas mantêm a temperatura da câmara de criação entre os 32°C e os 35°C, de modo a que a sua prole se desenvolva em condições óptimas. Quando a temperatura no ninho é demasiado elevada, as abelhas ventilam o ar quente para o exterior, ou usam mecanismos de arrefecimento por evaporação da água do néctar ou da água simples temporariamente colocada nos alvéolos. Quando a temperatura é muito baixa, as abelhas geram calor metabólico, contraindo e relaxando os músculos das asas. A vibração resultante gera calor nesses músculos. Muitos insetos aquecem os seus músculos de voo antes de levantar voo, mas as abelhas têm explorado essa função para termorregular o seu ambiente.

A investigação tem mostrado que mesmo pequenos desvios (superiores a 0,5°C) a partir das temperaturas óptimas tem influência significativa sobre o desenvolvimento da criação e a saúde das abelhas adultas resultantes. Abelhas criadas em temperaturas sub-ótimas são mais suscetíveis a certos pesticidas como adultos. Curiosamente, a temperatura de desenvolvimento da pupa também afeta a atribuição de tarefas nas abelhas adultas resultantes.

Vejamos com maior detalhe como a termorregulação é levada a cabo pelas abelhas adultas, afim de originar condições de temperatura óptima para a criação da sua prole no período invernal. A termorregulação muito apertada da temperatura no ninho e, especificamente, na área da criação, a qual é altamente sensível às flutuações na temperatura como referido em cima, é conseguido através das duas formas descritas de seguida:

  • a criação operculada é aquecida por abelhas que pressionam os seus tórax firmemente para baixo sobre os opérculos dos alvéolos e transferem o calor para as pupas no seu interior. Desta forma, apenas um alvéolo é aquecido e uma abelha aquecedor consegue manter esta posição até 30 minutos e mantém a temperatura do seu tórax estabilizada em torno de 43° C. A fim de minimizar a dissipação do calor produzido por estas abelhas aquecedoras, as restantes abelhas estão densamente aglomeradas, sobrepondo-se em camadas, sobre esta área de criação a aquecer.
  • outra maneira mais eficiente ainda de aquecer a criação, é conseguido através da ocupação dos alvéolos vazios, aí deixados estrategicamente no seio da área de criação, pelas abelhas aquecedor. A área de criação operculada no favo normalmente contém 5-10% de alvéolos vazios. Esta percentagem varia de acordo com o clima exterior. Estes alvéolos vazios são ocupados pelas abelhas aquecedor que se inserem de cabeça para baixo no alvéolo e mantêm o seu abdómen a pulsar. Estas abelhas também mantêm uma temperatura média do tórax de cerca de 43°C.

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Fig. 1 — Abelhas-aquecedor no interior dos alvéolos nas proximidades de uma área com criação operculada

Estas abelhas aquecedor que actuam como descrito para aquecer a criação gastam enormes quantidades de energia na forma de mel maduro altamente concentrado. Ocasionalmente usam néctar não maduro, mas este combustível não é de tão alta qualidade como é a do mel maduro, que é transferida de boca em boca pelas abelhas (trofalaxia).

Para concluir realço os seguintes aspectos práticos:

  1. a colmeia deve estar bem povoada para aquecer as novas abelhas de inverno a criar, portanto é necessário fazer os tratamento da varroa atempadamente e evitar os desdobramentos tardios;
  2. os quadros centrais do ninho não devem estar bloqueados com mel e/ou pólen, devem ter um número razoável de alvéolos vazios, portanto devemos evitar o fornecimento excessivo de xarope no final do verão/início do outono.  

 

Fontes consultadas:

  • Medrzycki P, Sgolastra F, Bortolotti L, Bogo G, Tosi S, et al. (2009) Influence of brood rearing temperature on honey bee development and susceptibility to poisoning by pesticides. J Apic Res 49: 52–60.
  • Matthias AB, Holger S, Robin FAM (2009) Pupal developmental temperature and behavioral specialization of honeybee workers (Apis mellifera L.). Journal of Comparative Physiology A 195: 673–679
  • Tautz J (2008) The Buzz about Bees. Springer-Verlag, Berlin Heidelberg.
  • Winston ML (1987) The Biology of the Honey Bee. Harvard University Press, Cambridge Massachusetts.

aluen CAP para quando em Portugal?

Aluen Cap é um novo tratamento acaricida, formulado com ácido oxálico e desenvolvido por uma cooperativa de apicultores argentinos em estreita ligação com a Universidade local. Terei lido acerca deste novo tratamento há cerca de um ano. A propósito de uma questão do Bernardino, decidi fazer uma referência a este tratamento, que me parece muito promissor. Munido desta informação cada um de nós poderá falar do mesmo junto da sua Associação de Apicultores e estas, por sua vez, poderão fazer chegar os nossos anseios junto dos técnicos da DGAV, para que possam analisar a pertinência de iniciar o seu processo de homologação em Portugal, caso confirmem todas as características referidas pelos seus inventores e que transcrevo/traduzo em baixo.

“Aluen CAP” é um novo acaricida orgânico para combater a varroa, que elimina a necessidade de aplicação de produtos sintéticos, sem perder o potencial de produção. O tratamento, que atinge mais de 95% de eficácia e pode ser usado por décadas, foi recentemente aprovado pelo Serviço Nacional de Saúde e Qualidade Alimentar (SENASA) para a sua produção e distribuição.

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Fig. 1 — Rótulo/logotipo actual do acaricida Aluen CAP

O Dr. Elian Tourn observa: “o Aluen CAP é a única formulação acaricida orgânica do mundo que é eficaz em colmeias com grande desenvolvimento da criação e sem restrições ambientais”. Além do mais, indica que a sua utilização não exige que as abelhas o consumam, evitando a sua intoxicação; reduz de cinco para uma as visitas necessárias para a sua aplicação, reduzindo em 20% o consumo de combustível fóssil em apicultura.

Como funciona?

O tratamento que acaba de ser aprovado pelo SENASA, é aplicado por meio de tiras de celulose de libertação lenta, impregnadas com uma solução acaricida à base de ácido oxálico. Essas tiras devem ser colocados entre os quadros com criação e deixam-se ficar durante 42 dias.

Resumo Técnico do tratamento

  • Requer uma única aplicação e a eficiência é superior a 95%, mesmo em colónias com muita criação;
  • É orgânico e não contamina o mel, mesmo que seja usado durante a melada;
  • Não gera resistência, pois é uma molécula (ácido oxálico) naturalmente presente em todos os seres vivos;
  • Não tem restrições ambientais na sua aplicação. O produto foi testado na Patagónia, no Litoral, Cuyo e nas Pampas húmidas e semi-áridas;
  • Não interfere no desenvolvimento da criação e/ou da abelha adulta.”

Fonte: http://inta.gob.ar/noticias/apicultura-aluen-cap-fue-aprobado-por-senasa

prevalência e persistência do vírus das asas deformadas (VAD) em colónias de abelhas melíferas infestadas, não tratadas ou tradadas contra o ácaro Varroa destructor

“O ácaro Varroa destructor é uma praga grave da abelha Apis mellifera. A ocorrência natural do vírus conhecido como Vírus das asas deformadas (VAD) tem sido associada ao colapso de colónias de abelhas infestadas pelo ácaro. Nós, pesquisámos a prevalência e persistência de VAD em quatro colónias altamente infestados não tratadas (Pesquisa 1), e cinco colónias altamente infestados que foram tratados com um acaricida (Pesquisa 2). A presença do VAD em amostras de abelhas adultas, criação operculada e ácaros foi detectada usando uma Enzima Linked Immunosorbent Assay (ELISA). Vinte indivíduos de cada amostra foram analisados mensalmente em cada colónia ao longo do estudo. Durante o verão, a proporção de adultos, criação operculada e ácaros em que o VAD foi detectado aumentou, até que a colónia ou morreu ou foi tratada. Quando as colónias foram tratadas, removendo assim os ácaros da colónia, o VAD deixou de se detectar na criação operculada a uma taxa semelhante à perda/eliminação dos ácaros. A velocidade com que o VAD se tornou indetectável em abelhas obreiras adultas dependia, no entanto, da estação do ano, verificando-se diferenças na esperança de vida entre as obreiras adultas emergentes no verão ou emergentes no inverno. Se o tratamento foi retardado até Outubro, o VAD ainda foi detectada em abelhas adultas durante o inverno, mesmo na ausência de ácaros. Para reduzir a carga viral da colónia, portanto, o tratamento de ácaros deve ser iniciado o mais tardar no final de agosto, a fim de remover os ácaros antes da criação das abelhas de inverno começar.”

fonte: https://www.researchgate.net/publication/229086938_Prevalence_and_persistence_of_deformed_wing_virus_DWV_in_untreated_or_acaricide-treated_Varroa_destructor_infested_honey_bee_Apis_mellifera_colonies