a regra “não mais de 6”: sua operacionalização

Aproveito a pertinente questão do Alberto como motivo para fazer este post.

Para aplicar a regra “não mais de 6” utilizo uma estratégia muito simples. Imaginemos o seguinte cenário: num apiário de 40 colmeias lusitanas, identifico uma colmeia que tenha boas condições para receber um sobreninho (caixa igual ao ninho). Esta colmeia tem de estar muito forte de abelhas. Nessa colmeia coloco o sobreninho com 10 quadros com boa cera laminada. Passo a fazer a inspecção das restantes colmeias. Encontro uma colmeia com 7 ou 8 quadros de criação. A esta colmeia vou tirar um ou dois quadros com criação e conformá-la assim com a regra. Em geral tiro quadros com criação e que simultaneamente estejam parcialmente bloqueados com pólen e/ou mel. Na colmeia com sobreninho, anteriormente preparada, tiro um ou dois quadros de cera laminada do centro. No espaço vazio coloco os quadros com criação e sem abelhas. A colmeia que deu o(s) quadro(s) com criação recebe o(s) quadro(s) com cera laminada. Continuo a inspecção aos ninhos até encontrar outra colmeia que necessite da mesma intervenção. Faço novamente a mesma operação e o quadro com criação retirado vai juntar-se na colmeia com sobreninho que vou designar “colmeia armazém”. Nesta colmeia armazém não coloco mais que 4 a 5 Q com criação. Os restantes são quadros com mel e/ou pólen resultantes do desbloqueio de outros ninhos. Quando o sobreninho desta colmeia armazém está cheio com os 10 quadros resultantes das operações atrás descritas, crio uma nova colmeia armazém e prossigo o trabalho no apiário tal como descrevi. Em regra, levo a cabo estas operações 2 a 3 vezes durante o período de enxameação. Depois de passado o período de enxameação deixo de o fazer ou faço-o muito mais esporadicamente e para resolver alguma situação pontual e excepcional. Estes sobreninhos armazém são utilizado posteriormente para dar quadros e abelhas aos meus desdobramentos.

No ano de 2017, ano em que este procedimento se tornou regra no meu maneio, a taxa de colmeias enxameadas não chegou aos 5%. Ainda que seja cedo para tirar conclusões definitivas sobre a eficácia da regra na prevenção da enxameação, até pelo ano atípico, os resultados são encorajadores o suficiente para que neste ano de 2018 a volte a utilizar.

Resolvi construir este cenário com referência à colmeia Lusitana porque me parece que há uma regra oculta que nos impede de utilizar sobreninho nestas colmeias. Eu desconhecia essa rega e quebrei-a. Parece-me que não sou o único infractor (ver nestas duas afirmações ironia q.b.).  Utilizo sobreninho, as abelhitas têm tolerado bem esta mal-feitoria,  e os resultados agradam-me. Também utilizo os mesmos procedimentos com as Langstroth. Nestas últimas a utilização de sobreninhos parece-me que é muito mais comum. Sabendo que o volume interior dos dois tipos de ninhos se aproxima e sabendo que a configuração ninho mais sobreninho é utilizada com frequência no modelo norte-americano não vi razão forte para que não o experimentasse no modelo português. Em boa hora o fiz!

12 thoughts on “a regra “não mais de 6”: sua operacionalização”

  1. Boa noite eu este ano fix uma experiencia parecida! Experimentei por um sobre ninho qd a colmeia estava forte, troquei alguns quadros para o sobre ninho elas rapidamente puxaram os 10Q! Ficou uma super colmeia! No entanto reparei que a rainha nunca mais desceu, então spr k a abri a colmeia passava para baixo qd com criação fechada! E para cima os qdr vazios k tirava de baixo! Na semana seguinte ja as abelhas tinham nascido dos qd puxados para baixo e eu voltava a fazer a troca!

    1. Viva, Eduardo!
      Comigo acontece também o mesmo. Às vezes a rainha desce por ela, mas muitas vezes não desce. Este ano, e depois do período da enxameação ter passado, vou confinar a rainha ao ninho com grade excluidora de rainhas, nas colmeias que com esta configuração forem orientadas para a produção de mel.

  2. Bom dia Eduardo
    Uma vez mais, excelente descrição de procedimento/maneio!! Sem receio de divulgar informação bem haja!!
    Se percebi bem, estas colmeias armazém, depois de darem abelhas a novos desdobramentos é-lhes retirado o sobreninho e colocadas alças certo?
    Estas colmeias armazém só dão abelhas ou podem dar também criação?
    Cmpts
    JO

    1. Viva, João!
      Começando pela segunda questão: tenho utilizado as colmeias armazém para darem só quadros com criação às colmeias mais atrasadas e para darem abelhas e quadros com criação em simultâneo quando faço núcleos. Este ano vou utilizá-las para darem também só abelhas, em condições especiais e que conto divulgar depois de ver como corre.

      Quanto à primeira questão: muitas destas colmeias armazém são “desfeitas” para fazer núcleos durante o período de enxameação ou pouco após este período. Nestas acabo a colocar as alças meleiras/meias-alças sobre o ninho. Aquelas outras que não foram desfeitas, portanto continuam com sobreninho quase até ao final da temporada, coloco alças meleiras/meias-alças por cima do sobreninho. Em regra são colmeias muito produtivas. Nestas últimas, os quadros do sobreninho que tiverem mel no final da temporada vão ser utilizados para reforçar os ninhos das colmeias que estiverem mais necessitadas deste reforço de reservas.

  3. Por acaso tb pensei em por uma excluidora! Eu no fim da campanha crestei o sobre ninho e deixei-lhe uma meia alça com qd k tinham pouco mel! Tenho os qd congelados agora qd for na primavera até dão jeito para desdobramentos!

  4. Com um sobreninho conseguimos controlar a enxameação com mais facelidade pk a rainha tem mt espaço para fazer postura, e se a rainha for nova melhor!
    Mas o k mais m surpreendeu foi k pessei k ia ser um berbicaxe mexer numa colmeia tão forte pk as minhas abelhas são um pouco bravas.
    Mas afinal ñ pk eu tirava o sobreninho e pousava n chão e depois fazia a inspeção a vex e parece k ñ ficam tão bravas…

  5. Boa tarde.
    Obrigado pela ampla resposta.
    Indo um pouco atrás ao que foi dito sobre esta regra, o facto de não deixarmos mais de 6 quadros de criação, não provoca também uma diminuição da produtividade da colmeia? (nas colmeias que não enxamearem, claro).

    1. Viva, Alberto!
      Se entender a produtividade como a média de mel que retira de todas as colmeias do seu efectivo e com a redução da enxameação que esta medida indica trazer, estou em crer que não haverá perdas, pelo contrário. É menos provável surgirem colmeias a produzir 60-70 kgs se as olharmos individualmente, mas a frequência de colmeias enxameadas que pouco ou nada produzem irá ser menor. Assim o observei e acredito que continuarei a observar. Cumprimentos!

  6. Olá Eduardo

    Aproveito o pé de página da regra ” 6 não mais de 6″ para contar que descobri que já escrevia em prosa antes de saber o que era a prosa.
    1 – Nasci e cresci no País rural do interior. Ali vivi a infância, na Idade Média da apicultura: a apicultura dos cortiços. Muitos séculos antes tinha havido a Pré-história da apicultura, com a recoleção do mel e queima das abelhas.
    Aos 8 anos fui ajudante de apicultor e tive o primeiro cortiço, com enxame achado por mim. Um dia foi-me entregue uma caixa de fósforos com uma rainha para guardar. Com curiosidade abri a caixa e esmaguei a rainha. Às crianças tudo se perdoa.
    Moral da história: Devem ajudar-se as crianças a encontrar caminhos, mesmo que, por azar, algum seja o da apicultura.
    2 – Aos 18 anos, já com 15 ou 20 cortiços, mudei de residência para a capital e comecei a cultivar-me em apicultura. Passei para a História Moderna da apicultura. Apicultura mobilista: colmeias de quadros móveis. Foi uma revolução na zona. Os abelheiros de cortiços primeiro zombaram. Depois, eu que colhia anualmente umas dezenas de kilos passei a extrair algumas centenas. Os abelheiros começaram a interessar-se e a comprar colmeias reversíveis e já eram apicultores,
    embora o maneio fosse o mesmo.
    Moral da história: o tempo não pára e o progresso é irreversível.
    3- Com a mudança de residência passei a dispor de um terreno no litoral.
    Nada mais natural do que produzir núcleos e transportá-los para o interior. Aqui vem a regra ” 6 e não mais do que 6″. Os núcleos eram de 5 quadros, com 3 de criação e 2 de reservas ou vazios. Chegados ao destino formava as colmeias, um mês antes da floração principal, com 6 quadros de criação e os quadros restantes e alça igual ao ninho Era garantida uma alça de 25 a 30 kg de mel. Não havia anos maus e, ainda, recordo os bons passeios de madrugada, com um amigo fixe.
    Moral da história: Se quer mel, um mês antes da floração principal, prepare as colmeias com 6 quadro de criação.
    4 – Já no pós-revolução de Abril um ministro da Adm. Interna resolveu fazer a sua revolução. Inventou uma inventona e propalou aos quatro ventos que se estava a preparar um golpe de Estado. Pôs nas estradas todas as forças de segurança, a fiscalizar todos os veículos. Mandados parar, esperei uma multa do costume (excesso de carga, falta de documentos etc. ). Não, acharam que eram armas. Tinha que abrir as caixas, por mais que eu explicasse que eram abelhas. Perante a recusa abriram eles a primeira e fugiram espavoridos. Nós continuamos viagem e eu perdi um núcleo.
    Moral da história: Tudo se pode esperar de um político !
    5 – Hoje quando olho para o espelho, vejo cabelos brancos e rugas, mas estou em paz comigo. Sinto que as abelhas não me dão dinheiro , mas dão-me saúde.
    Moral da história: Vale sempre a pena, quando a alma não é pequena.

    1. Muito me apraz saber que um principiante como me vejo ainda hoje, acabe a seguir os mesmos trilhos que o José já percorreu: “Chegados ao destino formava as colmeias, um mês antes da floração principal, com 6 quadros de criação e os quadros restantes e alça igual ao ninho.”

  7. Olá Eduardo

    Só um aditamento com atraso:
    – A sobreposição de duas colmeias fracas (saudáveis ), pelo processo da folha de jornal, um mês antes da floração forte, também resulta.
    Em vez de duas alças vazias pode ter-se uma alça igual ao ninho cheia.

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