a regra “não mais de 6”

Este ano estou a utilizar um procedimento sistemático na grande maioria das minhas colmeias. Em quase todas as colmeias com 8 quadros de criação estou a retirar 2 quadros com criação e a colocar um quadro com cera laminada na posição 2 e um outro de meia-alça na posição 9.

A análise do histórico das minhas colmeias tem-me mostrado que trabalhando com uma só caixa a ninho, existe uma correlação assinalável entre os 8 a 9 quadros de criação no ninho e o facto de as abelhas entrarem em modo de enxameação. Raramente me enxameou uma colmeia que não tivesse 7 a 9 quadros cheios de criação no ninho. Esta verificação não é uma lei (há muitas excepções nos históricos das minhas colmeias, isto é, colmeias com 7 a 9 quadros cheios de criação que não enxameiam), mas ajo como se o fosse. O princípio é estar à frente das abelhas. Dar-lhes espaço acima do ninho, e no ninho cera de qualidade para puxarem é uma forma de o alcançar.

Desde que sou apicultor “abro” os ninhos frequentemente com ceras laminadas, em especial na época de enxameação. Noto contudo que este ano há uma coisa diferente no meu maneio: esta decisão foi tomada com grande convicção, elevada a regra e aplicada de forma sistemática.  Actuar de forma sistemática, isto é eleger e/ou construir um sistema de maneio, aplicá-lo de forma quase automática é uma necessidade que apenas alguns de nós compreenderão na plenitude. Por ex. os apicultores de maior dimensão sabem bem que agir de forma padronizada poupa tempo e diminui o desgaste mental.

Escolher este ou aquele tipo/sistema de maneio das colmeias depende das mais diversas  causas, começando pelas idiossincrasias de cada apicultor e terminando na dimensão do seu efectivo apícola.

Mais adiante voltarei a este tema com dados acerca dos resultados. Um dado interessante e muito animador é que até esta altura em que escrevo tenho do meu conhecimento 2 colmeias enxameadas, em cerca de 550 trabalhadas pelo meu empregado e por mim durante esta semana. Cerca de 30 estavam já em modo de enxameação ou a preparar-se para tal; dividi-as, as abelhas continuam na minha posse a criar mais abelhas.

12 thoughts on “a regra “não mais de 6””

  1. Olá Eduardo

    Em primeiro lugar os meus votos de Festas da Páscoa doces e com muito mel, para si e para os seus seguidores.
    Depois a minha intenção piedosa de ensinar o Padre Nosso ao Cura. Como uma história pode não ser suficiente , vão duas :
    1 – O passado histórico
    Em meados do século passado dominavam, em Portugal os cortiços. Nas décadas de 50 e 60 o governo da época, estável e duradouro, iniciou uma política de fomento apícola, quando nos USA e Europa já eram usuais as colmeias de quadros móveis . Fez-se alguma formação escassa, propaganda quanto baste e por imitação e contágio os apicultores portugueses lá foram fazendo a mudança . Hoje, ainda há vestígios de cortiços. Eu tenho um, em uso.
    Os cortiços, com pequeno volume, dividiam-se em três partes : a inferior que era o ninho, a média para as reservas e a superior que se crestava. Não eram estimulados, nem alimentados e raras vezes visitados. Se o ano era bom 30 a 40 % enchiam-se de abelhas, eram batidos e retirado , de cada, um enxame. Os enxames cobriam as perdas, acrescentavam o numerário ou eram vendidos. A produção dum cortiço crestável era de cerca de 1,5 Kg de mel . Não havia enxames artificiais, nem produção de rainhas. Um mistério era o de alguns cortiços cheios de abelhas, em que a rainha se recusava a sair com as abelhas e o enxame falhava .
    Com a mudança para as colmeias de quadros móveis, com maior volume do que os cortiços, mesmo com as reversíveis, constatou-se que enxameavam muito pouco .
    Mudou-se o processo e começou-se a estimular , alimentar e a fazer enxames artificiais e outras habilidades que reduzissem a enxameação. Hoje , em França , gastam-se tantas toneladas de açucar com as abelhas, quantas é possível retirar-lhes de mel !
    2 – O presente e o futuro
    Esta história baseia-se no seu relato, que me parece correto, com uma pequena modificação que pode fazer a diferença. O seu objectivo é evitar a enxameação e a técnica que apresento é evitar a enxameação e aumentar a produção .
    Como saberá ( só não percebo porque não aplica), o princípio está em uso pelos apicultores de vanguarda e baseia-se na harmonização da força das colmeias.
    O apicultor, grande ou pequeno, faz uma visita rápida ao apiário antes da época de enxameação e conta e regista os quadros com criação de cada colmeia (identificada,nº) . Do total de quadros com criação a dividir pelo número de colmeias calcula a média de quadros com criação por colmeia.
    Numa ou duas visitas imediatas retira o/s quadro/s, a mais, só com criação , sem abelhas, das colmeias fortes e introduz o défice nas fracas . Todas as colmeias ficam com o mesmo número de quadros com criação. A média dos 6 quadros dificilmente será ultrapassada.
    A enxameação das colmeias fortes é prevenida, como comprovou, e a produção total é aumentada porque as colmeias mais activas são pouco afectadas e a produção das mais fracas é reforçada .
    Quanto ao acréscimo de trabalho de manuseamento parece-me pouco relevante e muito compensado . Mas a avaliação é sua .
    Saudações apícolas

    1. Viva, José Marques!
      Uma Santa Páscoa para si e para todos nós!
      Tal como o José, eu e outros não passamos de aprendizes dedicados e apaixonados.

      Sobre o maneio dos cortiços li-o com muito agrado. É uma arte que desconheço quase por completo.

      Acerca da estimulação de enxames com recurso ao açúcar diluído, parece-me que ambos concordamos que na grande maioria das vezes parece ser feito de forma excessiva e inoportuna. Até agora não escrevi uma linha sequer acerca da alimentação estimulante. O meu silêncio acerca desta prática mostra bem a pouca relevância que lhe atribuo, para não dizer desprezo.

      Tal como o José entendo que a harmonização/equalização das colmeias é a melhor forma de estimular as mais atrasadas e arrefecer as adiantadas demais. E sobre a equalização tenho escrito mais que uma vez neste blogue. Desconheço a razão que o leva a dizer que não aplico a harmonização/equalização de colónias, porque já escrevi mais que uma vez que o faço.

      Neste momento, contudo, a equalização já não é suficiente na grande maioria dos meus apiários. Por sorte, por trabalho, pelas duas coisas talvez, a verdade é que cerca de 90% das minhas colmeias estão com 7 a 9 quadros repletos de criação. As 10% restantes não são suficientes para receberem 2 quadros com criação das 90% mais fortes. Num post que espero ter tempo para escrever nos próximos 10 dias detalharei o que estou a fazer.
      Um abraço!

  2. Caros colegas apicultores

    Antes demais um sincero agradecimento pelo conhecimento aqui disponibilizado.

    A minha dúvida prende-se com a altura ideal para a realização dos desdobramentos. Já ouvi falar de desdobramentos de inverno e de primavera o que vos diz a experiência vs ciência?

    1. Olá Eduardo
      Respondo, primeiro, ao Sr. João Ferreira para Você depois corrigir.
      No hemisfério norte não creio que se possam fazer desdobramentos de inverno.
      A questão que se poderá colocar é desdobramentos de Primavera ou de
      Verão/Outono ?
      – A minha resposta apoiado em pessoas conhecedoras é: Desdobramentos de Primavera .
      A regra de boas práticas é multiplicar colmeias na Primavera (desdobramentos e enxames) e reduzir no Outono (reunião).
      Pode assim, multiplicando colmeias boas e reduzindo fracas melhorar o apiário e evitar trabalho e despesa com colmeias improdutivas.
      Saudações

    2. Bom dia, João!
      Na Beira Litoral há quem faça desdobramentos nos meses invernais. A apicultura é local.
      Contudo, a resposta do José Marques reflecte a minha opinião e a minha prática na Beira Interior: deixo de efectuar os desdobramentos à entrada do verão. Em algumas vezes que tentei fazer desdobramentos em Julho a taxa de insucesso foi grande e a fecundação das rainhas quando se concretizou foi deficiente.

      1. Olá Eduardo
        Penso que não poderíamos deixar de estar totalmente de acordo e de eu admirar o seu conhecimento, de experiência feito.
        Porém acho que será útil para os seus seguidores acrescentar três palavrinhas ao primeiro parágrafo do seu comentário :
        Na Beira Litoral há quem faça desdobramentos nos meses invernais,
        “mas não deve “.
        Na verdade cada apicultor é dono das suas colmeias e pode fazer os disparates que lhe apetecer, mas deixarmos passar, isso, como normal, já nos compromete e leva ao engano pessoas que procuram o melhor caminho.
        Na Beira Litoral as temperaturas médias históricas max. e mín. aproximadas são: 21 de Dez: 13º/8º , 21 Jan: 13º/8º , 21 Fev: 15º/8º e
        21 Março: 16º/9º .
        Poderão, talvez, obter-se Rainhas, mas a probabilidade é baixa e a qualidade será má.
        A quem goste de experiências difíceis, mas úteis, proponho: Procurem descobrir quais os factores que levam as abelhas a enxamear ou em alternativa a substituir a Rainha ? Depois divulguem !
        Saudações apícolas

        1. José Marques, eu não faço desdobramentos no inverno, seja na Beira Alta, seja na Beira Litoral. Na Beira Alta é impossível fazê-los porque não há zângãos. Na Beira Litoral não os faço porque é arriscado, é “esticar” a natureza e porque não tenho necessidade de o fazer.

          Por feitio/defeito não tenho hábito de dizer o que cada companheiro deve ou não deve fazer. Prefiro dizer o que faço e o que não faço! É, talvez, uma forma diferente de chegar ao mesmo ponto.

  3. Bom dia
    Como posso fazer essa reunião de colmeias no final do verão?
    Não existe a probabilidade de de se matarem mutuamente devi ás feromonas diferentes?
    Qual o maneio que se deve utilizar para juntar essas colónias?
    Tenho ideia que o senhor Eduardo já falou sobre este assunto mas não tenho a certeza…
    Obrigado pela ajuda.

    1. Boa tarde João
      O José Marques descreve-lhe a técnica mais usual: a reunião através do papel de jornal. Na minha opinião deve seguir os seus conselhos se necessitar de reunir duas colónias.

      O meu obrigado ao José Marques pela disponibilidade de partilhar os seus conhecimentos e enriquecer este blogue. Simultaneamente as minhas desculpas pelas respostas tardias às questões mas o elevado ritmo de trabalho associado a dificuldades no acesso à rede na “santa terrinha” levam a este desfecho.

  4. Olá Eduardo
    Como fui eu, o atrevido, que propôs a reunião de colmeias, respondo abreviadamente ao Sr. João Oliveira e, se necessário, Você corrige e completa.
    Em primeiro lugar não se devem reunir colmeias doentes (curam-se ou eliminam-se ).
    Há muitas formas de preparar as colmeias antes de as reunir, umas melhores outras piores, umas mais fáceis outras mais trabalhosas.
    Vou indicar uma, que não sendo, talvez, a melhor, é a mais fácil :
    Pulveriza as duas colmeias com um chá de ervas aromáticas (hortelã pimenta, erva cidreira, alecrim, ou alfazema etc. ) e ao anoitecer sobrepõe a colmeia mais fraca sobre a mais forte, ou menos fraca. Devem ficar bem separadas por uma folha de jornal, na qual se fazem uns rasgos com canivete ou alavanca alça quadros, para facilitar o trabalho das abelhas rasgarem, em alternativa pode deitar, sobre a folha, duas ou três colheres de água com açucar ou mel. É necessário matar a rainha da colmeia fraca ? Penso que não, porque a rainha da colmeia superior tem uma elevada probabilidade de ser a eliminada e as abelhas poupam-nos o trabalho com pequeno risco.
    Não é necessário realçar que a colmeia resultante deve ficar com condições para sobreviver ao inverno ( quadros ocupados e reservas ).
    As perdas potenciais são eventualmente algumas abelhas da colmeia fraca que se dispersem.
    Saudações

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